No País de Obama – Rodrigo Alvarez
21st, May 2009
Os EUA são uma espécie de Amazônia da economia global: ao abrigar a maior parte das empresas produtoras e manter o maior mercado consumidor ele é o principal responsável pelo equilíbrio do ecossistema do capitalismo.
Sob o glamour da enorme nação estão suas verdadeiras células vitais: cada indivíduo e suas espectativas para o presente e para o futuro.
Conhecer a alma dos estadunidenses é vital para compreender os rumos estamos prestes a seguir, não importa sob que cultura tenhamos nascido e crescido.
Em Fundação, Isaac Asimov sonha com uma equação capaz de decifrar toda a mecânica do universo e assim prever os caminhos que seguiremos coletivamente, ainda não possuímos essa tecnologia, supondo que ela seja possível..
O que podemos fazer nesse momento talvez seja o que Rodrigo Alvarez fez: contar com os designios caprichosos do destino e atravesar os EUA encontrando com pessoas comuns na esperança de, no final da jornada, ter capturado fragmentos suficientes da alma daquele povo para enxergar a alma coletiva.
Ao falar isso me lembro da busca da Dra. Aki Ross em Final Fantasy. É curioso como realmente pequenos fragmentos de significado constumam se esconder nos lugares mais inesperados.
Pois creio que Rodrigo Alvarez conseguiu, ou pelo menos chegou muito perto.
Foi um prazer acompanhar sua jornada entre radicais de direita, de esquerda, pessoas moderadamente sensatas, fundamentalistas desta ou daquela religião e outros religiosos nada fundamentalistas contrariando o estereótipo que lhes tem sido atribuídos.
Encontrei a chave do livro na página 169, mas ela só funciona depois de termos acompanhado a jornada até ali.
Seja uma chave ou uma esperança do autor o fato é que o livro termina com uma constatação ou pelo menos uma indicação de caminhos a seguir para um outro mundo possível e melhor.
Quanto a mim creio que já está na hora de deixarmos de disputar grãos de terra com nossos irmãos, já basta de copiar a maldição de Caim e Abel. Está na hora de trabalharmos juntos para garantir a continuação da nossa história tão vulnerável a fenômenos naturais.
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De volta aos porcos selvagens
16th, May 2009
Talvez a H1N1, a chamada gripe suína, tenha inspirado alguém a ressucitar a velha história dos porcos selvagens que comentei faz mais de um ano, ou talvez já seja o aquecimento da também velha tática de desinformação para seduzir nossos votos… Daqui a pouco vou começar a receber as mensagens da dita bancada da esquerda.
Dessa vez veio em apresentação:
Sem lembrar que tinha escrito sobre isso acabei respondendo novamente e, como é uma abordagem diferente, decidi publicar também:
Sou muito desconfiado com textos pró-comunismo-ditadura ou pró-fascismo, esse tente ao fascismo.
Tem umas imprecisões como dizer que “NÃO É POSSÍVEL ALGUÉM PRESTAR UM SERVIÇO MAIS BARATO DO QUE SERIA SE VOCÊ MESMO O FIZESSE”. O mais estranho é que essa é uma frase mais comunista do que capitalista, afinal isso é uma das bases do capitalismo e da produção industrial: a produção em série permite o barateamento da produção antes feita por mão de obra humana e artesanal.
É claro que não gosto dos projetos assistencialistas, mas conheço muita gente de regiões muito pobres do país que me contam que suas famílias tem saído aos poucos do estado de miséria e tem tido mais oportunidade e saúde para estudar e se tornarem independentes das ajudas do governo.
Trata-se de um equilíbrio muito delicado. Não creio que nosso país tenha condições de resolver os profundos hiatos sociais que acumulamos até hoje sem alguma medida assistencialistas, mas os votos fáceis do populismo são um risco enorme…
No entanto não creio que nos deixarmos seduzir pelo ódio característico da direita extrema seja parte do caminho para evitar que o assistencialismo seja usado como ferramenta de sedução. É meramente a troca de um grupo por outro: de um lado socialistas que agradam e de outro fascistas que controlam pelo medo.
Estou usando fascismo no lugar de capitalismo pois não acho que o capitalismo seja fascista, eu mesmo sou profundamente capitalista, ou melhor, neo-capitalista.
Não vejo caminho para a humanidade fora do capitalismo, mas também não vejo como sustentar a crença de Adam Smith que praticamente diz que os pobres devem morrer por seleção natural: se não são capazes de produzir que sejam escravos.
Sabemos que não é bem assim… As corporações do velho capitalismo nos tratavam como gado ou combustível orgânico, o filme Matrix chega perto de fazer uma metáfora para isso.
Qual é a solução que a apresentação sugere?
As ONGs, que são movimentos civis (embora haja, claro, várias falsas ongs) são demonizadas pois a sociedade no fascismo é vista como uma massa ignara e incapaz de interferir na política: somente os eleitos podem governar.
A única coisa que a apresentação nos diz é que devemos odiar os comunistas e que as pessoas que se deixam seduzir pelo assistencialismo (a grande maioria da sociedade brasileira em estado de miséria) são porcos.
Se devemos odiar os comunistas só nos resta entregar nossos votos aos radicais de direita.
Não farei isso.
O caminho para a democracia é a participação popular no processo político e isso nenhuma apresentação ou email repassado diz!
Toda mensagem sobre política devia começar e terminar do mesmo jeito:
Vigie, seus políticos, informe-se sobre o que está acontecendo, acompanhe ou forme grupos como o Transparência Brasil: http://www.excelencias.org.br/
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O MENOR post da história desse blog…
18th, January 2009
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Devemos ter medo do Google?
11th, January 2009
O @lesilva (do Copiar e Colar)me passou o link para uma matéria intitulada O que você precisa saber sobre a empresa mais influente do mundo em que o Maurício Moraes nos convida a refletir sobre o Google apesar de temer ser apedrejado por isso.
Ele acabou não falando nada demais (talvez por estar dentro de um site da velha mídia onde é necessário se preocupar com os leitores e anunciantes) então decidi colocar a língua ferina em ação e deixar um comentário lá.
Como não sei se ele vai poder liberar o comentário decidi publicá-lo aqui também.
Aqui entre nós, que chato esse cadastro da Abril que temos que preencher para deixar um comentário, hein?
Pô, achei que vc ia pegar pesado quando falou em ser apedrejado! Vou fazer isso por vc apesar de usar o Google para quase tudo (agenda, documentos, email, estatísticas de acesso, pesquisas).
Primeiro pegando no pé dos fundamentalistas religiosos: o Google não pode ser divindade pq fingue que seu lema é não fazer o mal e a maioria das divindades dos fundamentalistas são ciumentas, vingativas, mesquinhas e fazem o mal o tempo todo
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Quanto ao Google.
O bicho já virou um monopólio mais restritivo que a Microsoft.
Todos nós conhecemos a história das inovações que a Microsoft tentou inibir e das tantas que ela conseguiu inibir e que seriam grandes avanços para o bem da humanidade, dá para citar rapidamente o Quicken, o OS/2 da IBM e os mais importantes de todos (ainda bem que esses ela não ganhou) a cultura OpenSource e a Internet.
Na lista do Google a gente tem o Zoho que é um pacote de aplicativos muito melhor que o Google Docs, o Clusty que é um buscador que traz várias qualidades interessantes e o Yahoo!Live que talvez tenha morrido por causa da criação do Youtube Live.
Mas o maior perigo do Google nem são as suas características monopolistas e sim o poder absurdo que ele tem ao ter acesso a praticamente TUDO sobre nós!
Ele sabe sobre o que pesquisamos, o que conversamos (por email ou chat), de quem somos amigos (não pelo Orkut que não colou, mas pelo OpenSocial ou pelo livro de endereços do Gmail), o que fazemos (pela agenda), onde vamos (ainda não criou seus mapas personalizados no Maps?) e a lista segue bem adiante com o Android, gps etc.
Com esse volume de informações e um bom consultor em data mining eles podem analisar as tendências de comportamento da humanidade como ninguém!
Quer eleger um presidente? Criar o celular perfeito? Lançar um produto inédito que todos estão querendo, mas ninguém notou ainda? A chave está nos bancos de dados do Google…
E o Google e a Internet são apenas a ponta do mastro de uma embarcação que não sabemos bem como é… Já sabemos que virtual e real não se aplicam mais e sim online e offline já que nada disso é brincadeira ou invenção, mas lugares onde espalhamos e compartilhamos nossas vidas reais!
Até mesmo o online e offline são fronteiras cada vez mais sutis ou o Twitter não é um sucesso justamente por fazer a ponte entre os dois?
Pode ser que o Twitter seja o comecinho das velas que estão abaixo daquele mastro distante, mas quem sabe o que virá a seguir?
E não dá para terminar sem deixar um motivozinho a mais para apedrejamentos
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Fundamentalistas…
Não importa o nome que um fundamentalista dê a seus deuses, quem está por trás é sempre a mesma entidade: um ego inflado e arrogante. O deus de um fundamentalista é ele mesmo. A única razão para usarem outros nomes é porque ninguém seguiria um baixinho esquálido, então, assim como em O Mágico de Oz, eles elegem algo grande e ameaçador que controlam como uma marionete para disparar seus preconceitos e autoridade contra os outros…
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Você achava que a era das lutas sociais tinha terminado?
5th, January 2009
Rosa Parks sentou em um banco para brancos no ônibus…
Alice Paul abriu cartazes diante da Casa Branca até ser arrastada para a prisão…
Pequenos nomes muitas vezes esquecidos, mas que abriram caminho para Martin Luther King e para as conquistas que hoje nos fazem olhar para trás orgulhosos do que conquistamos, ou melhor, do que eles conquistaram para nós!
Quando vemos filmes como Anjos Rebeldes (Iron Jawed Angels) é impossível não se revoltar com os reacionários ou com os que são coniventes com uma ordem injusta por mero comodismo ou medo.
Acontece que não é fácil ver que algo é injusto quando estamos mergulhados nos preconceitos da nossa época.
Se você acha que está tudo bem hoje, que não há necessidade de Alices Paul e Rosas Parks então, lamento dizer, você provavelmente estaria entre os que desprezaram as lutas pelos direitos das mulheres, dos negros, das crianças (que eram força de trabalho escravo no início da revolução industrial).
Nós ainda temos muitos direitos a conquistar…
A Internet é o mais importante instrumento da democracia criado até hoje, mas você não pode usá-la livremente.
Se você se candidatar a um cargo político não pode se promover livremente pela Internet a pretexto de manter iguais oportunidades entre os candidatos. A Internet é tratada como se fosse televisão, rádio ou revista quando não é nada disso!
A Internet é a sua praça pública! O lugar onde você pode levantar sua voz para dizer “EU voto nesse político”. Nela o político honesto e com boas idéias pode expô-las sem ter que competir com o outro que nada tem além de capital para alagar as ruas com milhões de panfletos!
Hoje, se você quiser dizer que foi mal atendido por uma empresa, um hospeital ou um médico avisando outras pessoas você não pode!
Você não pode nem dizer que não gosta de um determinado autor de literatura…
Hoje mesmo uma amiga me apresentou a um blog onde o autor troca os nomes de quem ele critica para poder falar sem ser processado! É como se ele fosse um criminoso que anda de capuz pela rua, que se esconde atrás de cartas feitas com colagens de letras de revistas!
Me recuso!
Nós temos o direito civil de opinar! É criminoso nos proibir de criticar um mal serviço! Se não gosto da literatura de Paulo Coelho tenho direito de dizer isso para ele! Assim como ele tem o direito de me dizer que lamenta a minha opinião, mas que ele escreve para quem gosta dele (ou coisa parecida), mas duvido que ele me processasse por não gostar do que ele escreve.
Hoje me disseram que não vale a pena correr o risco de ser processado para defender os direitos dos outros… Quem são os outros? Não entendo o conceito!
Por algum acaso eu vivo em um mundo diferente do seu? O que te acontece não me acontece? O médico que você não pode criticar pois é defendido pelo manto de invisibilidade da lei da injúria e difamação não me matará amanhã?
Quando uma pessoa não tem voz não é verdade que eu estou proibido de ouví-la?
Quero poder dizer todas as palavras e ouvir todas as culturas! Quero poder saborear cada cor e cada sabor do fantástico mosaico da humanidade!
Links sugeridos:
- http://entropia.blog.br/
- http://ciberativismo.ning.com/
- Cibercultura / Cyberculture no Orkut
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