Twestival Rio: Como aprimorar a educação em regiões miseráveis?
23rd, February 2010
O Twestivalé uma oportunidade para encontrar as pessoas que frequentam o Twitter na sua cidade estendendo sua rede de contatos para além das pessoas mais próximas. Já fui a três edições e posso garantir que tem um monte de gente fantástica a dois graus de separação de nós que vale a pena conhecer e essa é uma ótima oportunidade.
No entanto vivemos tempos de extrema necessidade de transformação e talvez possamos dizer que estamos divididos em dois grandes grupos: Os que demonstram ter capacidade de resolver a própria miséria (onde acredito que posso incluir o Brasil) e os que não dispõe nem das estruturas físicas e socais básicas e, portanto, nenhuma condição de erradicar a miséria por conta própria.
Sim, é verdade que essa miséria muitas vezes é sustentada por países como o nosso e outras tantas vezes nossos países enviam empresas para “ajudar” esses povos gerando uma enorme dívida externa deles conosco que acaba incorrendo em um tipo de escravidão moderna. Isso são problemas muito sérios que também temos que resolver.
Enquanto não resolvemos essas facetas crueis do capitalismo do século XXI há milhões de crianças em escolas sem água potável, sem telhado, sem professores. Há milhões de meninas cujos sonhos de vida devem se limitar a cair nos braços de um homem que não seja cruel com elas enquanto as usam para gerar seus herdeiros. Essas crianças não podem esperar. Esses povos não podem se defender dos esquemas do capitalismo selvagem (e acredito que existe um capitalismo cognitivo que é mais humano) se não puder garantir melhor instrução para suas crianças.
Por isso tudo o próximo Twestival Rio se unirá ao movimento global para angariar fundos para o Concern que investe na educação em algumas das áreas mais necessitadas do planeta. Espero que possamos mostrar que, entre nossos papos sobre a vida, o universo, tudo mais e os chopps que fazem parte da cultura da sociedade do espetáculo possamos mostrar que, até podemos ser hedonistas, mas somos humanos e estamos prontos a fazer o que estiver ao nosso alcance para que o mundo amanhã seja melhor para todos nós, afinal, enquanto houver miséria em alguma parte do planeta esta será uma civilização subdesenvolvida vulnerável à violência.
A propósito, um dos grandes problemas do nosso tempo é que os miseráveis não tem recursos para se levantar e muitos dos que podem dar um pouco das suas ideias, do seu trabalho e, o mais fácil, do seu dinheiro, estão desesperados sem ver um futuro melhor à frente e nada fazem criando assim um paradoxo: o futuro será pior porque era inevitável ou porque não fizemos nem mesmo o mínimo que estava ao nosso alcance? Pense bem na quantidade de recursos que sobrariam em nosso planeta se todos nós aplicássemos apenas 1% da nossa capacidade para melhorá-lo…
Bem, o Concern atua em oito áreas para aprimorar a educação e cada cidade deverá escolher uma área para onde suas doações serão direcionadas. Já tomei a minha decisão, mas vou procurar refletir imparcialmente sobre cada uma das áreas para ajudar você a votar (a votação vai apenas até o dia 25/02).
Preciso avisar que não tive condições de pesquisar cada área e espero que esse post seja encontrado por educadores que possam me corrigir. O que vou falar é, como se diz, de orelhada…
Construção de Escolas
Em regiões onde falta até água potável é claro que não há escolas para todas as crianças. O custo da construção de uma escola é baixo se comparado ao treinamento de professores e outros setores que exigem treinamento. Havendo um lugar para estudar perto de cada criança no mundo sempre haveria um adulto ou até voluntário disposto a ensinar, ainda que não fosse um professor devidamente treinado. Ao menos já se começaria a construir uma cultura em torno do conhecimento.
Treinamento de professores
Se em cada vila houver um professor treinado, mesmo sem um prédio para abrigar uma escola sempre há a possibilidade de usar a igreja ou até mesmo uma praça. Já vi, em Copacabana – RJ, uma mulher que voluntariamente juntava meninos de rua nas escadas de bancos fechadoso para ensinar-lhes Português.
O porém do treinamento de professores é que o bom treinamento custa vários anos de investimentos ou o professor não será realmente qualificado. Posso atestar isso aqui mesmo no Brasil onde vi, na década de 80, professores praticamente analfabetos que davam aula nas regiões mais distantes dos grandes centros.
Mobília para salas de aula
À primeira vista esse ítem pode parecer estar diretamente ligado à construção de escolas. Sem dúvida que a construção de escolas implica na obtenção de mobília, mas novamente recorrendo ao que vi acontecer no Brasil, há muitas escolas construídas, mas sem mobília e esse item poderia colocar um grande número de escolas em funcionamento com um gasto ainda menor do que o do primeiro item.
Atividades extracurriculares
As atividades extracurriculares podem ajudar a afastar crianças do trabalho braçal em plantações fortalecendo nelas a opção pelo caminho da educação. Só me pergunto se essas atividades incluirão a instrução dos pais para que compreendam que perdem aquele auxílio braçal, mas ganham um filho que poderá voltar para casa cheio de ideias para otimizar o trabalho e promovoer a prosperidade da família.
Seja como for é importante que a escola não se limite a um período de quatro horas em lugares onde tudo falta e a necessidade de desenvolvimento humano é urgente.
Água potável para as escolas
Pode-se pensar que se a vila inteira não tem água (e vimos isso quando ajudamos a levar água potável para mais de 17 mil pessoas no primeiro Twestival) qual seria a vantagem de levá-la para a escola? Não seria melhor levá-la para toda a vila?
Bem, imagino que um poço para abastecer uma escola seja bem mais barato que um para uma vila inteira. Além disso a água potável dará aos pais e crianças mais uma razão para ir à escola. Pode não ser a melhor das razões, mas imagino como deve ser difícil para essas pessoas compreenderem a importância dos estudos.
Outro ponto é que isso pode melhorar substancialmente a saúde ds crianças possibilitando-lhes um futuro melhor.
Educação para a saúde
A questão da higiene é um problema muito mais sério do que nós aqui em cidades pensamos. É comum o completo desconhecimento da reprodução humana, doenças venéreas e até higiene básica da água e da comida. Estamos falando em regiões onde muitas vezes não há nem mesmo energia (temos 1,6 bilhões de pessoas no planeta sem eletricidade).
Educando-se as crianças com os conhecimentos mais essencias de saúde podemos criar uma geração de adultos que construirá um ambiente mais saudável, com menos doenças que hoje danificam tão cruelmente a saúde das crianças que não há escola, professor, água ou atividade extra-curricular que ajude.
Merenda escolar
Creio que esses três itens formam um triangulo de saúde que possibilitam recursos físicos para que as crianças possam absorver os ensinamentos e vê-los com o encanto da descoberta e não como a decepção do esforço frustrado.
A merenda, além de atrair as crianças para a escola, se for bem equilibrada, pode propiciar um desenvolvimento intelectual normal que lhes abrirá as portas para o aprendizado. Talvez ela só não seja mais importante do que a água dada a quantidade de viroses que atacam as crianças por esse meio (a água).
Educação para meninas
Um dos problemas mais profundos da nossa civilização é o tratamento que as mulheres ainda recebem.
Se em grandes cidades como Rio e São Paulo elas ainda tem salários inferiores aos de homens nas mesmas funções em regiões miseráveis elas são vistas como objeto reprodutor, começam a ter filhos aos 14 anos ou menos, são tratadas com crueldade e não são capazes de mostrar aos filhos um mundo com horizontes mais vastos.
Ao priorizar a educação para meninas podemos mudar profundamente as perspectivas de uma população afinal são elas que vão gerar as próximas gerações e cuidarão delas em seus primeiros anos.
Estou considerando que a educação para meninas inclui a preservação contra doenças venéreas, conhecimento e respeito do próprio corpo e, acima de tudo, direito de participar das aulas.
Em que você votaria?
Agora que vc refletiu um pouco sobre cada um dos setores onde o Concern investirá os recursos recolhidos pela sua cidade procure o organizador do seu Twestival local e vote!
Se você é do Rio tem um Doodle para votar para que área o Rio de Janeiro doará no Twestival Global 2010.
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Digitalizando a biblioteca
9th, February 2010
Decidimos digitalizar todos os nossos livros e passar as versões de papel para nossos amigos mais próximos e leitores dos blogs.
Para você pegar o seu é facinho!
- Clique abaixo para ver os livros que ainda não vendemos e os valores. Se quiser um e ninguém tiver pego ainda deixe um comentário na foto dizendo que o quer.
![]() |
| 2010-02-09 sebo |
- Se não der para se encontrar conosco pessoalmente para pegar o livro calcule o frete com o calculador de frete dos Correios (essa é a parte chata…) e marcar as seguintes opções:
- Serviço: PAC
- CEP de origem: o nosso, ou seja 22071-100
- CEP de destino: o seu
- Peso estimado: 1Kg (a menos que vc compre um monte de livros juntos)
- Formato: Caixa/Pacote
- Comprimento: 30cm
- Largura: 23cm
- Altura: 4cm
- Mão própria: não
- Valor declarado: R$10,00
- Aviso de recebimento: não
- Embalagem: caixa encomenda 04 (36×27x18)
- Agora paga, né?
- O último passo é enviar o seu endereço por email para a Cláudia Mello usando o formulário de contato do site dela (só ela lê).
Assim que o pagamento aparecer a gente envia os livros para você
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Nos deram espelhos…
30th, December 2009
… E vimos um mundo doente
Tentei chorar, mas não consegui
Decidi terminar o ano sem levar nenhum choro de 2009 para 2010!
A Internet se tornou (nós a transformamos) em um grande espelho para olharmos para nossa própria face: o rosto da humanidade.
Antes dela já haviam os espelhos menores da mídia impressa, falada ou televisiva refletindo em nossas casas os dramas familiares (crimes passionais, maltratos a crianças, psicoses, ganância) de pessoas que não conhecemos e não nos dizem respeito, mas acabam formando um mosaico do que somos coletivamente ou pelo menos do que nos preocupa coletivamente.
Mas a Internet é um espelho diferente pois podemos nos refletir de volta para ela, podemos entrar no espelho e imaginar que nossa presença vai mudar as coisas. A Internet nos permite sair do papel de espectadores e assumir as responsabilidades dos coautores.
Então quando vemos o que não gostamos queremos abrir nossa boca e chorar, berrar, gritar, urrar ou bradar retumbante e heroicamente!
Entretanto não podemos, ou sentimos que não podemos.
Se abrimos nossa boca online corremos serio risco de sermos processados e normalmente somos condenados como se opiniar online fosse um dos piores crimes possíveis.
Em 2009 vimos gente processada ou ameaçada de processo por tudo: por não gostar dos docinhos da loja, do atendimento de um bar ou por permitir que outros opinassem em seu próprio espaço.
O castigo por se espressar online é duro, mas o vazio em nossas almas se nos deixamos dobrar é pior portanto não nos calemos!
É por isso que vou deixar aqui e agora minhas duas maiores broncas de 2009
O caso da OI Internet celular
Já falei com ela dezenas de vezes, não teve jeito. A OI já me levou indevidamente mais de R$400,00.
Os casos na verdade são muito simples
Caso 1 – Configuração errada do GPRS
Tive que contratar um pacote de dados e verifiquei que 2MB seriam o suficiente.
Liguei, contratei o pacote, a Oi me mandou um arquivo de configuração para o celular e pronto, comecei a usar.
No final do mês a conta veio 10 vezes mais alta que deveria apesar de constar consumo de apenas 2MB. Reclamei na certeza do problema ser resolvido, me enrolaram, empurraram com a barriga e dois meses depois me informaram que não reembolsariam nada porque meu telefone estava acessando a Internet pelo pacote de tempo e não pelo pacote de dados.
Em outras palavras a Oi configurou meu telefone errado e quem pagou mais de 180 Reais por isso fui eu…
Parei de usar a Internet no celuar, comprei um Nokia 810 e vou processar a Oi já que ela não me deu outra alternativa.
Caso 2 – Falha do controle
Mantivemos o acesso à Internet no celular da minha esposa, a @claudiamello, e ela manteve seu uso normal que sempre foi bem abaixo do meu, mas repentinamente e sem qualquer mudança nos hábitos de acesso dela, a conta veio cerca de 10 vezes mais alta em dois meses consecutivos somando mais uns 300 Reais que tivemos que pagar a mais.
Cancelamos o pacote GPRS dela também e agora ela usa o meu Internet tablet quando estamos na rua.
Vale dizer que alguns outros amigos tiveram problemas semelhantes.
Caso 3 – Cobranças descontroladas
Um dia recebemos três cobranças extras juntas referentes a quatro meses passados. Eram valores pequenos que não entendemos porque não estavam cobrados junto com a fatura mensal que pagamos pelo tal Oi conta total.
Não pudemos ferificar imediatamente o que estava acontecendo e naturalmente não pagamos os valores que a essa altura achávamos que deviam ser mais cobanças indevidas.
Como a mais antiga tinha mais de um mês uma semana depois deles mandarem as cobranças bloquearam todas as minhas comunicações, incluindo Internet.
Num dia que a gente não podia parar de trabalhar fomos obrigados a ir para a rua passar por uma maratona de pagamento e comprovação para só poder voltar a trabalhar no dia seguinte…
Metrô Rio e a catraca que come passagens
Essa foi essa semana passada, é o jeito do Metrô nos desejar feliz ano novo ou pagar o décimo terceiro dos funcionários.
Como não sabíamos quanto tínhamos nos cartões pre-pagos do Metrô verificamos o saldo antes de passar: 7,20 e 3 Reais respectivamente.
A @claudiamello passou, mas sobraram apenas R$1,60. Eu fui bloqueado com saldo insuficiente, mas a máquina assim mesmo sacou 2,8 me deixando apenas com 20 centavos no cartão.
Falamos com o segurança que nos informou que era só ligar para o número no cartão.
Liguei no dia seguinte…
A central deles não tem qualquer controle das operações que são feitas no cartão, esse controle só está disponível na estação onde ele foi usado!
Mas então porque não resolveram na hora?
Ao telefone ainda me informaram que mandariam um email em 3 dias com as instruções que eu devia levar para a estação a fim de pegar o reembolso.
Naturalmente esse email não chegou…
Ontem pequei o metrô novamente, mas, já atento, fiz questão de olhar o saldo antes e depois e não deu outra: mais uma vez foram cobradas duas passagens em vez de uma. E olha que fui em outra máquina!
Dessa vez, depois de insistir muito, o segurança consultou as operações feitas no cartão e constatou que realmente entrei apenas uma vez mas foram cobradas duas.
O que acontece é que o “moderníssimo” sistema do Metrô/Unibanco não espera a roleta ser girada para cobrar mais uma passagem. Se voce vacilar e demorar demais com o cartão encostado no sensor ou encostar duas vezes ele cobra duas vezes ou até mais suponho.
Apesar disso ter ficado muito claro o segurança se recusou a tomar qualquer iniciativa, assim como o supervisor da estação.
O que me disseram foi que eu me enganei e passei o cartão duas vezes e é isso, perdi minha passagem!!! Hein???? Imagina se eu tivesse mal de parkinson!
Ao comentar com os amigos vários disseram que o cartão não é confiável e que já perceberam que os créditos acabaram muito rápido.
Nem quero pensar na quantidade de gente que recebe pouco dinheiro por mês e fica apertado para comprar comida depois do Metrô Rio devorar seus parcos rendimentos! Dá um embrulho no estômago, viu?
Eles vão me reembolsar essas três passagens, não sei como, mas vão!
E nunca mais vou usar cartões do Metrô. Estou pensando em usar o Rio Card.
Conclusão
Aquele papo de que o cliente tem sempre razão, de responsabilidade social, modernização, busca pela perfeição etc. para algumas empresas não passa de hipocrisia e marketing vazio que ignora que as pessoas do outro lado do espelho agora estão olhando de volta! Estão se encontrando umas com as outras e isso só vai se intensificar!
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A ciência e a transformação da consciência nas profecias maias para 2012
25th, November 2009
Sobre a dificuldade de falar em crenças
Profecias não são previsões, elas são fruto de crença e falar em crenças é complexo pois o modelo de raciocínio nesses casos segue mais ou menos o seguinte roteiro:
- Sinto que isso é verdade
- Outros sentem igual, então deve ser verdade
- Buscar comprovações lógicas para a crença
Alguns nem precisam do segundo item.
Aqui tentarei seguir outra forma de raciocínio pois parter de uma intuição ou crença pode ser muito útil do ponto de vista psicológico, mas dificilmente nos leva a conclusões lógicas ou racionais.
De onde vem a síndrome do apocalipse?
Lá no final desse post há um artigo da Veja (quem diria?) que fala sobre isso, mas arriscarei um resumo da minha própria opinião.
O caminho da consciencia instintiva animal para uma consciência racional (e porque não cósmica?) não é nada fácil. Quando tivemos o primeiro lampejo da consciência que temos desenvolvido e da capacidade de raciocínio que a acompanha devemos ter nos petrificado de pavor diante de um universo vastíssimo de coisas que passaram a ter que ser explicadas e isso sem falar nas emoções e pensamentos que nos assaltam. Aliás, há um livro bem instigante sobre isso, Maya de Jostein Gaarder. A coincidência de nome é apenas uma coincidência, mas é providencial!
Desde o início dos nossos tempos como humanos temos enfrentado mais transformações do que nossa mente gostaria, basta pegar qualquer período de 20 anos na história da humanidade para ver que, quanto mais perto do presente, mais rápidas são as transformações. Não que não fossem rápidas nos tempos da Bíblia quando num período de uns 50 anos (desde o nascimento de Moisés) profundas modificações ocorreram no império do Egito, ou nos tempos de Aquenaton.
É natural que, diante das profundas transformações que nossa cultura, tecnologia, economia, sociedade etc. estão passando nós experimentemos uma sensação de morte. Erich Fromm já falava nisso em 1941 e não creio que estivesse muito longe da “verdade”: nós vivenciamos a transformação como se fosse uma morte.
O que dizem as profecias?
Sou um apaixonado por física desde os 11 anos quando comecei a ler A Evolução de física de Albert Einstein e Leopold Infeld(demorei anos!) e, do ponto de vista científico, não consigo levar nada a sério nas profecias, mas vou falar disso mais abaixo.
Há uma razão para todos buscarem profecias e creio que a razão é a busca por uma forma de consciência que se ajuste melhor aos nossos tempos.
Talvez as sucessivas falhas em prever o fim do mundo ou sua mágica transformação radical seja até uma forma de despertarmos para o fato de que somente o nosso trabalho lento e continuado de evolução consciente (a evolução caótica e inconsciente a gente já seguiu por muito tempo) é o único caminho para transformar nosso futuro e não esperar que o sol, Zuvuya ou qualquer outro fenômeno sobrenatural agite uma varinha transformando nossa consciência em um passe de mágica.
Aliás, sobre isso, há a brilhante graphic novel Dr Strange Shamballa de J.M. DeMatteis.
Das discussões que acompanhei e pelo que ouvi dos amigos que acreditam em um evento em 2012 percebi que, tirando a coisa dos cataclismas cinematográficos ou transoformações mágicas tudo se traduz em mudanças de consciência, principalmente:
- Aprender a ver nas diferenças culturais, sociais, filosóficas e outras não um incômodo a tratar com tolerância, mas um maravilhoso fenômeno da nossa diversidade memética (não resisto a usar o termo ao menos uma vez) que deve ser admirada e festejada;
- O estabelecimento de relações mais justas entre países ou mesmo o fim dos países
- Tomar as rédeas do nosso desenvolvimento e buscar uma consciência maior do nosso caminho evolutivo
- Passar a conviver com nosso meio ambiente adaptando-nos a ele em vez de tentar adaptá-lo a nós (gosto muito dessa)
- Fim do controle da sociedade pelo medo e pela culpa caracteríscos da cultura judaico-cristã. Essa também é uma boa meta: trocar a sociedade de controle do espetáculo (vide Guy Debord) pela sociedade liberadora do conhecimento (muito embora ainda haverá outras formas de controle nocivo a superar no futuro)
- Mudança do sistema econômico: na era do produto e do captalismo cognitivo as regras de mercado da oferta e procura estão em xeque e realemente devem mudar
- Telepatia: comunicação ampla entre todos os humanos. Bem, para os conectados basta listar o Google Latitude, Twitter, internet movel, marcapasso wifi… Se não fizer sentido é só googlar.
- A susbstituição da satisfação pelo consumo (comprar, comer, beber, festejar) que é predatória dos nossos recursos e pode ser útil para preservar os genes, mas nociva aos memes (ok, foi a última vez) por uma busca de satisfação pela criação, ou seja, em vez de destruir, consumir passaríamos a nos dedicar à nossa superação pessoal e coletiva
- Coletividade é um ponto falho em quase todos os discursos proféticos: a maioria parece satisfeita em ser salva da destruição enquanto os perdidos ficariam aqui para morrer. Essa é uma das críticas mais consistentes aos movimentos esotéricos, de auto-ajuda e da lei da atração que, acredito, tem interseções com os grupos que acreditam em profecias apocalipticas
Outro ponto preocupante é que parece haver uma certa unanimidade entre essas pessoas de que a nossa espécie é o anticristo ou coisa similar e que as profecias de alguma forma indicam a liberação da Terra da praga chamada humanidade. Esse impulso suicida e auto destrutivo pode nos causar problemas caso se torne uma crença predominante.
A ciência das profecias
Resolvi deixar isso para o final pois não vejo qualquer sentido na suposta ciência que apoiaria as profecias, mas simpatizo com as propostas de mudança de consciência que elas sugerem.
A data
É claro que faz sentido assumir que o solstício de verão (aqui no hemisfério sul) seria o marco do fim do mundo, afinal no hemisfério dos Maias ocorre o solstício de inverno que, na maioria das culturas sintonizadas com os ritmos das estações, marca o fim do ano e a necessidade de se preparar para as dificuldades do inverno.
No entanto se estamos falando em um cálculo baseado no calendário astronômico Maia (considerado 4s mais preciso que o nosso) então o fim do ciclo de 5125 anos não cairia no dia do solstício…
Considerando que o calendário maia era 4s mais preciso do que o usado hoje (que tem erro de 5h48m46s por ano teríamos que fazer o seguinte cálculo para compensar o erro:
Considerando uma sobra de 5h42m no cálculo acima e o que o solstício de verão em 2012 será às 9h18m isso nos leva a uma nova data para o fim do mundo: 15 de maio de 2016, exatamente às 15h de um domingo. Caso o mundo não acabe em 2012…
A Sabedoria Maia
Bem… Para alimentar as energias do sol eles matavam os inimigos vencidos em batalha e ungiam seus ídolos (frequentemente a serpente de plumas) com seu sangue. Na falta de inimigos ou em festas especiais eles sacrificavam crianças e mulheres.
Diante disso o hábito de deformar o crânio das crianças para lhes dar um formato longilínio é só um senso estético duvidoso.
Seu esporte mais sagrado era um jogo de bola onde o líder do time vencedor era decaptado.
Quando os colonizadores chegaram a civilização já havia passado por um grande cataclisma e se estava em declínio, muito provavelmente por ter esgotado seus recursos naturais.
Muitas culturas antigas desenvolveram supreendentes conhecimentos de astronomia, mas isso não faz delas culturas sábias.
A Terra no centro da Via Láctea
De acordo com as nossas observações nosso sistema solar está a cerca de 32 mil e 600 anos luz (10 Kilo parsecs) de distância do centro da nossa galáxia o que se aproxima de 11 bilhões de kilômetros… É muito longe e o único registro de um fenômeno assim que eu conheço está na quinta temporada do seriado de ficção científica Doutor Who.
É possível que estejam confundindo com o plano central da galáxia.
Na imagem abaixo vemos a galáxia como seria vista de cima e nosso sol está marcado nela mais ou menos entre a borda do prato e o centro dele:
Agora imagine que você vire o prato para vê-lo pelo lado. Você terá uma imagem mais ou menos assim:
O plano central seria nesse caso o prato e é como se o nosso Sol uma hora estivesse sob o prato, outra hora acima dele. No meio tempo ele passaria por regiões mais densamente povoadas de estrelas.
Isso acontece a cada 35 milhões de anos e nesse momento estamos a vários anos luz desse evento o certamente significa alguns milhares de anos, senão milhões até que isso aconteça.
Nibiru ou Hercólobus: o planeta assassino
A aproximação de um planeta (ou asteroide) gigantesco é outra causa frequentemente citada, no entanto temo que lembrar que Galileu, com um telescópio primitivo, foi capaz de ver os anéis de Saturno e nos séculos seguintes nós nos desenvolvemos exponencialmente: não há como um planeta gigante vindo em nossa direção não ser percebido com décadas de antecedência.
Nenhum observatório profissional ou amador detectou um corpo celeste candidato para ocupar o lugar do planeta assassino.
E não se trata apenas de ser visível, um corpo de enormes dimensões deixaria rastros gravitacionais facilmente detectáveis conforme caminhasse por nosso sistema solar e isso não aconteceu. Ninguém percebeu anomalias nas órbitas dos planetas, cometas ou cinturão de asteroides.
Os neutrinos de Hollywood
Logo nos minutos iniciais da superprodução de Hollywood, 2012, os Neutrinos mutantes são responsabilizados pelas mudanças no planeta.
Bem, há três tipos de Neutrinos conhecidos: elétron, muon e tau. Todos eles, por não terem carga positiva ou negativa e pesarem praticamente nada, são capazes de atravessar anos luz de uma parede de chumbo sem sequer tocar em algum atomo ou mais propriamente elétron, neutron ou proton.
Podemos até imaginar que ventos solares de gases mais densos (muito embora nosso Sol ainda seja jovem e composto predominantemente de hélio e hidrogênio) poderiam aquecer nosso planeta, mas nunca vi um estudo que desse essa capacidade a neutrinos.
A quarta dimensão e outros fenômenos mágicos
A última causa mais frequente que achei para um suposto evento em 2012 envolve a passagem de algumas pessoas em nosso planeta para uma quarta dimensão e na intermediação de seres alienígenas ou espirituais que conduziriam ou nos auxiliariam nessa transição.
Bem… Isso extrapola totalmente a nossa ciência.
De acordo com o nosso conhecimento atual todos nós vivemos em um mundo com 10 ou 11 dimensões e somos seres quadridimensionais pois nos deslocamos no espaço (comprimento, altura e largura) e no tempo.
Fossemos pensar em uma transição para outra dimensão teria que ser para a quinta de onde, supostamente, poderíamos olhar para o tempo como olhamos para uma linha e veríamos o passado, presente e futuro como uma coisa só.
Vale a pena assistir o filme Flatland:
Ou ler o texto que o inspirou: Flatland (gratuito no projeto Guttemberg)
Conclusão
O único fenômeno físico ou cósmico prestes a acontecer que pode nos atingir é o aumento da atividade dos ventos solares que pode causar apagões e danos em equipamentos eletrônicos, mas não vejo como isso poderia causar danos definitivos aos nossos sistemas lançando-nos de volta à era do fogo e da clava.
Todas as supostas confirmações científicas para as previsões Maias que encontrei eram fruto de mau entendimento da nossa ciência e não encontrei nenhum cientista sério (estou incluindo físicos blogueiros revolucionários) que confirme algum evento astronômico mortal.
Referências
Artigos sugeridos por amigos
- Ancião maia avisa para não ter medo de 2012 (video no Youtube) – @1anonimo
- O que é a Via Láctea (em Inglês) – @1anonimo
- The 2012 apocalypse na Wired – @caribe
- O fim do mundo em 2012 (Revista Veja) – @caribe
- Previsões do menino marciano Boriska (se não houver uma catástrofe nos próximos 36 dias ele já terá errado uma…) – @caribe
Artigos de apoio
- Textos (em Inglês) de David Stuart, considerado um dos maiores estudiosos dos Maias
- Alinhamenos e fenômenos galáticos que supostamente nos destruiriam (Inglês)
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Cinema: 2012
16th, November 2009
Antes de mais nada: pode ler o post pois não entregarei nada que atrapalhe o prazer de ver o filme.
2012 aproveita a suposta profecia Maia (uma das únicas civilizações que provavelmente se extinguiu por ter esgotado seus recursos naturais) de que o mundo terminaria em 21/12/2012 (porque não 12/12/2012?) para elaborar mais um filme catástrofe na longa linha que vem desde Terremoto até os mais recentes Impacto Profundo, O Dia depois de Amanhã e Presságio.
No entanto há muitas coisas interessantes a destacar no filme.
Até pouco tempo o cinema catástrofe se resumia a inventar uma desculpa (geralmente esfarrapada) para uma série de desastres que os mocinhos teriam que driblar até que tudo voltasse ao normal.
A fórmula básica não mudou, no entanto há coisas que não existiam antes, pelo menos não tão claramente.
- Há um claro reconhecimento que nossa espécie é extremamente vulnerável e que poderia facilmente se extinguir
- Desde Impacto Profundo essa modalidade de ficção nos pergunta: quem nossa civilização procuraria salvar (Ok, não vou esquecer Dr. Fantástico)
Do ponto de vista de lazer 2012 vale pelos primeiros 40 minutos, o meio e o fim não são nem animados, nem suficientemente questionadores, no entanto ainda assim achei que valia a pena escrever sobre ele.
Uma amiga ficou revoltada porque o mundo não vai acabar daquele jeito (err… alguém está achando que vai acabar de alguma forma?) e outro se perguntou se as pessoas agiriam do jeito que agem no filme.
Gente… É um filme pipoca, não é nem documentário, muito menos tratado antropológico.
O que há de interessante para observar nesses filmes são as questões básicas da moral e dos nossos medos intuitivos que tornam o filme um sucesso ou atraente para o espectador.
E nesse sentido creio que, a cada novo filme catástrofe que é lançado as questões que estão nas entrelinhas são:
- Será que não é hora de pensarmos em modos de preservar nossa espécie dos riscos naturais? Será que não está na hora de nos lançarmos ao espaço para o caso de algo terrível acontecer na Terra?
- Qual é a essência da nossa espécie? Somente o caldeirão genético ou também nossa produção artística e cultural?
- Cataclismas naturais (lembram do Tsunami de 2004?) e artificiais (15 milhões de crianças morrem de fome por ano) já estão exterminando milhões de vidas, será que, em nosso estágio atual nossa civilização trabalharia em conjunto para salvar a nossa espécie ou trabalharia em segredo para salvar um punhado de ricos?
Nada acontecerá em dezembro de 2012, mas me arrisco a dizer que, a cada dia, filme tolo a filme tolo, estamos construindo uma nova consciência a respeito da nossa fragilidade e da nossa moral.
A Terra talvez experimente profundas transformações climáticas nos próximos 30 ou 40 anos e o que estamos fazendo a respeito disso? Estamos mobilizados para garantir que o máximo de humanos e outros terráqueos sobrevivam e se adaptem? Estamos fazendo algum esforço substancial para impedir (o que acho praticamente impossível) as mudanças climáticas ou para nos prepararmos para elas?
Dificilmente.
Se qualquer um desses filmes se mostrasse real e nosso planeta passasse por transformações tão rápidas somente uma minoria de poderosos sobreviveriam e provavelmente se matariam logo depois na disputa pelos parcos recursos.
É essa a civilização que desejamos construir?
Felizmente o mundo não acabará tão cedo e ainda há tempo para mudar o que realmente pode alterar nosso mundo: nossa consciência.
Cada uma das nossas vozes individuais é sagrada
pois cada voz nos enriquece e toda voz perdida nos diminui
Somos a voz da humanidade, a consciência do Universo
A chama que ilumina o caminho para um futuro melhor
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