Jill Bolte Taylor, a cientista que curou o próprio cérebro
20th, October 2008
Você usa seu cérebro ou seu cérebro usa vc?
Em setembro recebi um contato da agência de mídias sociais a serviço da Ediouro que viu o post que escrevi sobre o vídeo da neuroanatomista Jill Bolte Taylor no TED e resolveu me oferecer uma cópia do livro para comentá-lo. Isso é que é campanha inteligente de marketing social, afinal, se gostei do vídeo certamente gostaria do livro.
Você pode ver o hotsite do livro aqui: Jill Bolte Taylor, A cientista que curou o próprio cérebro.
Confesso que não gostei muito do título que me remeteu um pouco à auto-ajuda e preferiria algo mais próximo do original que seria mais ou menos "Meu ataque de inspiração: a jornada pessoal de uma cientista do cérebro".
Digo isso logo no início do post para que o leitor averso à auto-ajuda não deixe de olhar esse livro atentamente.
Pode-se dizer que ele é dividido em duas partes.
Na primeira parte a cientista (até onde percebi bem cética do ponto de vista religioso) descreve como foi o seu derrame, a incrível experiência de se ver repentinamente com somente um hemisfério cerebral em funcionamento e como foi sua recuperação.
Essa primeira parte contém alguns insights muito interessantes que nos leva a questionar a máxima tão comum de que "sou assim" ou "cachorro velho não aprende truque novo". Mas els será realmente útil para quem tiver que enfrentar um derrame, seja como vítima, seja como pessoa próxima a alguém que sofreu um derrame.
Se o livro fosse apenas isso a gente poderia se entregar à velha ilusão de que nada de ruim acontece conosco e que preferimos fazer de conta que essas coisas não existem pois do contrário ficamos nervosos… Bem, tenho certeza que nada de ruim vai me acontecer, mas faço questão de não viver sob o signo do medo e procuro me informar sobre tudo.
Acontece que o livro não acaba ai.
Os capítulos à partir do 14 deveriam ser lidos por todos os seres humanos que possuem um cérebro.
As 73 páginas finais do livro são uma cuidadosa, porem coloquial, descrição de como os hemisférios esquerdo e direito definem nossa personalidade juntamente com o nosso emocional e infantil complexo límbico.
Estou convencido de que os conhecimentos que Jill Bolte Taylor transmite nesse livro são ferramentas importantíssimas para desenvolvermos nossa consciência, personalidade e, porque não, nosso espírito.
Apesar dela adotar um discurso que algumas vezes parece quase religioso uma leitura atenta revelará que não se trata de religiosidade ou mesmo de espiritualidade, mas de uma tentativa (bem sucedida ao meu ver) de descrever experiências sintéticas em uma língua (a linguagem reside no hemisfério esquerdo junto com o pensamento analítico enquanto o pensamento sintético reside no hemisfério direito) que não está preparada para descrever este tipo de experiência.
A neuroanatomista afirma acreditar que ao compreender a dinâmica do funcionamento do nosso cérebro podemos criar uma civilização mais pacífica mais capaz de compaixão. Ela me convenceu totalmente e percebi que o vídeo dela no TED é uma sombra do que esse livro pode ser para cada um que tiver chance de lê-lo.
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Gronk e Gronka
9th, October 2008
Muita gente ainda olha para a Internet como uma coisa a mais em nosso dia-a-dia, mas sem grande importância no quadro geral.
Para esse pessoal a Internet é como uma mistura de cinema, biblioteca, correio e outras coisinhas…
Acontece que, tirando o contato físico, todas as "outras coisinhas" estão na Rede.
Tenho tentado mostrar para a galera que a Internet já deixou de ser uma rede de redes de computadores faz muito tempo. A Internet é um lugar onde recriamos nosso mundo em todos os seus aspectos, tirando o toque, é claro.
Isso já aconteceu algumas vezes antes… Umas duas para falar a verdade… E a humanidade mudou completamente depois de cada uma.
Para explicar a Internet tenho contado essa historinha do Gronk e da Gronka.
Gronk e Gronka
Eles eram um feliz casal das cavernas. Como não conheciam a fala Gronk mostrava seu amor por Gronka descendo-lhe umas tacapadas na cabeça.
Um dia, depois de passar uma semana (na verdade ainda não existia semana, mas fica assim para facilitar) caçando com uma tribo vizinha o Gronk voltou com uma novidade!
Gronka veio correndo para ele já se preparando para as tacapadas do tacape do Gronk, mas ele a deteve, abriu a boca e gruniu "Gronk ama".
A Gronka ficou revoltada! Achou aquela comunicação virtual uma coisa horrível! Só não disse para o Gronk que achava que ele nunca mais a tocaria porque ainda não sabia falar!
A pobre Gronka nunca aceitou a fala e o Gronk acabou se apaixonando pela Gronkolina com quem podia conversar sobre como plantar, criar animais e sobre os deuses que regiam suas vidas.
Dizem que a Gronka e outros como ela subiram as montanhas e viraram pés-grandes que até hoje não falam.
Alguns milhares de anos depois Gronkenathon e seus amigos acabaram descobrindo um jeito de guardar palavras em papiro, mas essa é outra história, apesar de, sem ela, o conhecimento jamais viesse a se espalhar pelo mundo criando a segunda grande transformação linguística e iniciando a era das civilizações e da história.
Agora é a vez da Internet mudar radicalmente a nossa relação com a linguagem e comunicação criando um novo tipo de civilização e novas culturas.
Em tempo, quase usei outra imagem, mas achei muito explícita embora fosse absolutamente perfeita para esse post. Se você for maior de 18 anos clique aqui!
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“Tô começando meu blog agora, desculpe qq falha”
22nd, September 2008
Segue a minha resposta, que não é lei ou regra, é apenas sugestão.
Certo ou errado é algo bem relativo em blogs, viu? Acho que só tem uma
coisa que pode ser realmente errada: não citar a fonte e não linkar a
fonte.Por exemplo, se o texto do seu post não é seu o ideal seria
colocar apenas o link para o texto original e acrescentar os seus
comentários pessoais.Fora essa regra o que eu posso dar são sugestões…
As pessoas acham que Internet é um tipo de revista, televisão, outdoor ou mídia. Ela não é nada disso.
Pense no seguinte… Quando você pega uma revista você diz que vai ler,
o outdoor você vê e a TV você assiste. E a Internet? A gente diz
"Espera um minto que vou entrar na Internet e ver isso para você".Muitas pessoas se assutam quando digo que a Internet é um lugar
e outras se revoltam como se o mundo real estivesse em perigo… Bem, o
mundo real já acabou quando inventamos a linguagem, as cidades,
sistemas políticos, filosofia, crenças… A Internet é apenas um novo
mundo onde tudo que não é físico pode existir.Quanto por cento de você ou de mim é físico? Nós somos 10% mente,
idéias e crenças? Sinceramente, acho que você vai concordar rapidamente
que 90% do que somos uns para os outros pode ser traduzido em imagens,
sons e palavras. Existe a vastidão do espírito, mas esse é um
território que não somos capazes de compartilhar com os outros, no
máximo recebemos a visita de uns dois ou três…Pensando na Internet como um lugar o que seria um blog?
O blog é a ágora moderna, uma praça onde podemos colocar nosso
banquinho, subir e compartilhar com o mundo aqueles 90% de crenças,
idéias, filosofias, humor, mobilização política e liberdade de expressão. A diferença é que quem chega nesta praça virtual sempre pega o seu discurso no começo!![]()
Lembre-se que a justiça ainda não vê a Internet como lugar e sim como um tipo de revista então você ainda não pode exercitar plenamente seus direitos civis exatamente como faria na rua ou na sala da sua casa.
Normalmente o blogueiro fala para uma dúzia ou duas de amigos, mas ele deve lembrar que pode ser achado por absolutamente qualquer pessoa que entre no mundo virtual.
Por isso ao escrever seus posts pense sempre:
- O primeiro parágrafo deve posicionar o visitante casual sem ser repetitivo para o visitante frequente;
- Normalmente é melhor aprensentar os pontos principais da sua opinião indicando textos mais extensos para quem quiser se aprofundar. Um post pode ser tão somente "Gente! temos que nos informar sobre o caso das águas de São Lourenço!" apesar de ser interessante acrescentar alguma opinião própria.
- Ao escrever tenha em mente que a maior parte das pessoas que passam ali estão vendo seu blog pela primeira vez. Então cada post fica melhor se você imagina que está falando com alguém a quem acaba de ser apresentado
- Não exagere nisso!!! Quando o Google mostra o seu post para a pessoa é porque ele deve ter algo a ver com o que ela busca então uma breve introdução e evitar usar nomes ou expressões que são específicas demais já é o suficiente
É muito difícil dar dicas genéricas para escrever um blog, cada um cria sua própria identidade e há até blogs em que cada post é um capítulo de livro! Creio que a regra mais importante é ver a Internet como um lugar e o blog como uma praça, uma mesa de bar ou uma sala de estar, o resto vai se ajeitando naturalmente!



