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Contra o esfacelamento da cultura no Rio

12th, May 2008

Recebi de uma amiga muito especial (em meu dicionário significa inteligente, determinada, consciente e humanista) o pedido de assinar o abaixo assinado errrr… abaixo:

Srªs e Srs. Deputados da Alerj – Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro

Nós, cidadãos abaixo-assinados, vimos, por meio deste, nos manifestar contra o esfacelamento do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro (Fundação Museu da Imagem e do Som/MIS, Casa França-Brasil, Fundação Teatro Municipal, Escola de Dança Maria Olenewa, Fundação de Artes Anita Mantuano de Artes/Funarj e de suas unidades: Sala Cecília Meirelles, Teatros João Caetano, Villa-Lobos, Gláucio Gill, Armando Gonzaga, Arthur Azevedo e Mário Lago, Escolas Técnicas Estaduais de Música Villa-Lobos e de Teatro Martins Pena, Casa de Cultura e do Teatro Laura Alvim, Casas de Oliveira Vianna, de Casimiro de Abreu, de Euclides da Cunha, Museus do Ingá, do 1º Reinado, dos Esportes, dos Teatros, Antônio Parreiras, Carmen Miranda e Mané Garrincha), esfacelamento este imposto pelo atual Governo do Estado. 

Eu não assino abaixo-assinados pois acho que eles gastam energia que deveria ser melhor direcionada. Neste caso duvido que um abaixo-assinado de 2 milhões de pessoas preocupe mais um político do que mil blogs fazendo a cabeça de 10 mil eleitores…

A questão da cultura é muito séria e não cabe em um post (este é mais um tema para uma série de posts e muita pesquisa…).

Pesquisa é algo que não vou conseguir fazer agora, mas não posso fcar calado então vou sugerir alguns tópicos para reflexão e pesquisa.

As nossas casas de cultura já não andam bem mal ajambradas sob a batuta do estado? Ultimamente ando afastado do circuito cultural, mas até onde posso me lembrar talvez o dedo privado talvez até fosse capaz de melhorar um pouco o cenário. E quem está dizendo isso (eu) é um crítico persistente da deteriorização da arte em cultura de consumo…

Isso porque o primeiro a sucatear a nossa cultura somos nós mesmos! Pense na frequência com que nós e nossos amigos preferimos um bom filme ou peça que possam dizer ao menos que cheira a arte a um Homem de Ferro da vida?

… E olha que isso está sendo dito por alguém (eu) que adora uma boa cultura de entretenimento ;-)

Que está sendo esfacelado está, que isso é ruim, é, mas não acho que possamos esperar de políticos que saibam como mudar este quadro, não na conjuntura atual onde estamos ensaiando uma limpeza moral que deve ocupar boa parte das reflexões de qualquer político sensato.

Precisamos de idéias para reverter o que vem acontecendo.

Como podemos levar mais gente aos teatros e centros culturais? Pessoalmente eu aposto nas classes C, D e E pois as A e B, desculpem, não sabem dar valor a cultura.

Muitos artistas fazem arte para artistas. É comum (pelo menos era) ver sempre os mesmos rostos em todos os eventos culturais. Da dança ao teatro há um narcisismo bobo que contamina muita gente (artistas) com raras exceções. Só não vou citar nomes para não ser injusto com os que eu esqueceria.

Arte tem que estar antenada com o século seguinte e individualismo é coisa do século passado. Já é hora de compartilhar o pão e o vinho com todos.

Estou tergiversando (adoro esta palavra)…

A situação ao meu ver não pede protestos, pede ações, propostas e pressão democrática mostrando nas urnas o que nós queremos, mas para isso a classe artística precisa ir onde o povo está… 

Filed under: Cultura, Dança, Teatro, arte | 2 Comments »

Sopro

23rd, April 2007

"Porque a vida merece ser vivida com arte pois sem ela é apenas existência, não é vida e existir não basta…"

Hoje foi o último dia do espetáculo Sopro da Cia Lume de teatro

A companhia é de São Paulo e está fazendo temporada no Rio apresentando 4 dos seus espetáculos e este foi o terceiro. Nas próximas duas semanas eles apresentarão Café com Queijo que, conforme me disseram, é o melhor trabalho deles.

Tenho minhas dúvidas.

Shi-Zen, sete cuias (que assisti das semanas atrás) e Sopro são tão espetaculares que desconfio que Café com Queijo deve ser mais elogiado por ser mais fácil de assistir.

De Shi-Zen vou falar em outra ocasião. Hoje estou sob efeito de Sopro e vou falar sobre ele.

Antes de mais nada a frase que inicia este post não tem muito a ver com o espetáculo, mas com a minha razão de gostar de criações subjetivas como Sopro. A frase, até onde sei, é da minha autoria.

Já Sopro é mais do que uma frase, é uma alegoria da vida…

Bom, cada obra de arte pode ser muita coisa, depende do observador, mas para mim Sopro conta a história do nascimento e espiração de uma vida consciente partindo do início paradoxalmente suave já que a nova vida explode em vez de brotar, mas em Sopro este nascimento é interno e não externo: Do ponto de vista da consciência o nascimento é lento.

Tenho que confessar que morri de sono afinal faz dias que não durmo direito por causa do nascimento dos filhotinhos da minha cadela.

Hummm… Este comentário ficou totalmente estapafúrdio aqui, mas gostei dele.

Sopro é um espetáculo que corre na velocidade lenta da vida e não na febril dança dos estímulos da sociedade do espetáculo. Em Sopro a vida é sintetizada aos seus elementos básicos como medo, alegria, deslumbramento, sexo.

O sexo aliás é um marco no espetáculo (ou eu sou um libidinoso que está supervalorizando a coisa) e foi a chave que me fez notar do que se tratava a criação cênica (Lume é mais do que teatro, é uma experiência cênica) e repassar mentalmente os primeiros 15 minutos sob este enfoque.

A partir do sexo vemos a traumática experiência de atirar nossa criação a um mundo que se mostra diante de  nós como um abismo e - aqui posso estar exagerando na minha interpretação - sentir o tempo se esvair como se o sentido da nossa vida estivesse restrito aos furores da juventude já que, entregues os filhos ao mundo as areias dos tempo nos jogo num turbilhão que conduz a nossa expiração.

Seja qual for a sua experiência com Sopro, entenda-o ou não, somente a experiência estética e o estado de consciência (olhando para dentro serenamente) em que nos coloca já faz desta uma grande obra de arte, pois arte tem que nos despertar e não nos adormecer.

Filed under: Fogo, Teatro | 4 Comments »

Van Gogh

26th, February 2007

MineirosVincent, um santo perturbado, um artista santificado, um homem angustiado. Impossível não se supreender e emocionar com uma vida tão impressionante e vasta.

Cheguei ainda a pouco do teatro do Jockey onde está em cartaz "Van Gogh, O Amarelo Aumenta todos os Dias" Com Carolina Kasting e Maurício Grecco.

Descobri que não sabia nada sobre Van Gogh e certamente passarei a olhar para suas obras com novos olhos, buscando o enfurecido espírito religioso que o consumiu até finalmente levá-lo ao fim.

A peça tem uma estrutra bem seca, opta por dar vida às palavras de Van Gogh (interpretadas pelo casal de atores, mas como se fosse um monólogo) sem cores, sem imagens e despidas da intensidade que o pintor certamente carregava como se fosse um punhal permanentemente cravado no próprio peito.

O resultado talvez seja monótono para muitos espectadores, mas o texto é bem escrito chegando a transpirar intensidade em certos trechos e consegue construir a imagem de um Van Gogh com a complexidade e a febril dedicação que ele merece.

 

Eu preferiria uma atuação mais intensa e cenografia mais rica, creio que tornaria o espetáculo mais acessível ao grande público, mas entendo a opção pela estética e atuação quase claustrofóbicas que refletem, afinal de contas, uma personalidade presa fora do espírito da própria época.

No entanto o que mais me incomodou foi meu próprio desconhecimento da história de Van Gogh. Ler a Wikipedia e visitar o museu de Van Gogh não é o bastante, mas já é um começo.

Van Gogh se agarrou à alma e a alma sem Van Gogh acaba vazia, triste, sem destino. Em tempos sem alma ele pode ser o verbo de ligação entre a acomodação e a perturbação que nos coloca em movimento. 

Serviço:
Teatro do Jockey. Rua Mario Ribeiro 410, Gávea (2540-9853). Sex e sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 25. 12 anos.

Até 29 de abril.

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Teatro para todos

23rd, November 2006

Você já ouviu falar no projeto Teatro para Todos? Eu não. Acabo de receber um email com a programação e corri para divulgar pois começou hoje.

O projeto vai até o dia 17 de dezembro (de 2006, claro) e apresenta uma infinidade de peças muito boas com preços bem reduzidos. Tem peça de R$40 por R$10.

Ando em falta com a cultura, mas ao menos assisti duas das peças que estão no projeto e ambas são excelentes: A Alma Imoral e Renato Russo. A primeira por R$10 em vez de R$30 e a segunda por R$5 em vez de R$20. Ambas imperdíveis, mas A Alma Imoral é de transformar nossa forma de ver o mundo. Não perca.

Além dessas me senti atraído por Antígona, Amor por Anexins, A gente se ama, A mulher desiludida, História de amor, José, e agora? e Restos. está tudo lá na programação do projeto.

Como aqui está tudo uma loucura, com obra, projetos profissionais em andamento… E como os ingressos já estão sendo vendidos é bem capaz que eu acabe não conseguindo ir a mais do que uma ou duas destas peças, mas paciência, né? Já me sinto reconfortado por compartilhar isso com os que toparem aqui com este post.

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A Moral da Alma

6th, October 2006

Tudo de que a alma precisa é um espaço escuro onde a luz das suas idéias e transformações lançam a única luz vestindo-nos de sentido.

Era o que estava lá na frente: um palco quase vazio. Uma cadeira, uma mesinha com um copo de água. Uma atriz, Clarice Niskier: A Alma Imoral.
A peça está em cartaz no teatro Leblon (RJ) até o primeiro dia de novembro.

É um texto de rara profundidade e ainda assim mantém a leveza e o humor - em grande parte graças ao talento da atriz.

Confesso nunca ter lido um texto  de Nilton Bonder (autor do livro que deu origem à peça), entretanto isso mudará muito em breve.

A série de reflexões são quase pagãs e podem causar alguma perplexidade, mas autor e intéprete conseguem iluminar o delicado equilíbrio entre a moral que nos contém e a imoral que nos impele, nos torna humanos.

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