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A Oxford de Lyra

15th, October 2008

Capa: A Oxford de LyraÉ uma obra singela que só deve ser apreciada mesmo pelos fãs da trilogia Fronteiras do Universo de Philip Pullman e não tem as mesmas pretensões filosóficas da trilogia, mas há um quê de Will Eisner ou mesmo de Borges na maneira que a cidade em si se torna um personagem.

Também tenho essa relação com as cidades e lugares… Eles, para mim, tem um espírito que lhes é conferido por sua história e pela história das pessoas que passam, vivem e morrem em suas esquinas.

A Oxford de Lyra não é uma cidade tão mítica quanto a de Borges em O Aleph, nem tão viva quanto o Edifício de Will Eisner, mas é suficintemente carismática para nos deixar com vontade de caminhar por suas calçadas à noite.

Mesmo não sendo uma obra de leitura obrigatória é bom rever uma personagem forte que nos apresenta um bom modelo de comportamento para o século XXI.

Além disso a boa tradução de Daniel Estill consegue manter o ritmo e o clima da trilogia original garantindo uma leitura fluida para o fã voraz por mais um pouco da cativante Lyra Belaqua.

Quem não leu a trilogia deve evitar o livro pois contém alguns spoillers.

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Tracey Fragments - Bruce McDonald

12th, October 2008

É impressionante como uma história simples pode se desdobrar em tantas facetas graças a uma grande atuação (Ellen Page no papel pricipal de Tracey Berkovitz) e, principalmente, a um roteiro e edição brilhantes!

Pode ler o restante do artigo sem medo de "spoillers" pois eu não faço isso.

Talvez a protagonista de 15 anos não seja a menina padrão dos nossos centros urbanos, mas definitivamente é um bom modelo.

Ela comete erros, pelo menos um grande erro e outros pequenos, mas, e talvez essa seja a maior qualidade do filme, não se trata de cometer ou não erros, mas da força do caráter que, a propósito, me lembra Lyra Belaqua de Philip Pullman.

Como uma jovem mulher de 15 anos se sente diante do mundo hoje? Como ela devia se sentir? Como deveria se apresentar? Como uma criança desamparada e insegura ou com independência e confiança? Tracey com certeza é mais forte e segura que a maioria dos adultos no filme. Aliás é uma das personagens mais fortes que tive o prazer de conhecer.

Além da excelente atuação de Ellen Page temos a edição que povoa a tela de pequenas janelas onde fragmentos da história circulam em ritmos e fluxos de tempo dispersos construindo uma experiência intelectualmente estimulante, rica e significativa. Você provavelmente se lembrará de Memento, mas esta película vai além tecendo simultaneamente cenas do início, do meio e do fim.

Curiosamente a narrativa fragmentada contrasta com a personalidade solidamente (e precocemente) coesa da protagonista o que me fez pensar que o mundo em transição deste início de século pode ser frágil, mas nós humanos nos tornamos mais fortes mantendo o equilíbrio desse complexo móbile.

É um filme para comprar e ter em casa.

Sugiro apenas que você afie o Inglês antes de assistí-lo e evite as legendas para saborear cada fragmento da narrativa.

Em tempo… O filme é baseado no livro homônimo de Maureen Medved, um dos próximos na minha lista de leituras.

Links:

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Cultura popular para jovens

26th, July 2008

Pessoal me acha esquisito ao falar de Philip Pullman, Neil Gaiman, Doctor Who, Desventuras em série, Tim Burton, Indigo e Ponte para Terabíthia, mas o que a galera está oferecendo a seus filhos para ler e assistir?

… Batman (bom, mas não mais para criança), Harry Potter, Power Rangers?

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Sociedade Secreta - Rosa & Túmulo

13th, July 2008

Minha sogra está no hospital se recuperando da retirada da vesícula biliar e de uns cistos (acho que já comentei isso aqui). Nossa família é do tipo que não deixa nenhum dos seus abandonado! Alguém fica doente e logo damos um jeito de nos revezar para ter alguém ao lado 24h por dia! Como sou o único na família que não tem horários e cujo escritório está em qq lugar onde exista um ponto Internet acabei sendo o acompanhante mais frequente. Bom para colocar a leitura em dia!

Comecei com Sociedade Secreta - Rosa & Túmulo, de Diana Peterfreund; uma obra que logo à primeira vista parece adolescente e típica literatura de consumo. Algo um pouco Buffy a caça vampiros sem os vampiros e com pessoas de capuz e segredos no lugar deles. Bem, é mais ou menos isso mesmo, mas não é que é interessante?

Pode ler o resto do post sem medo, não vou entregar nada que não esteja nas orelhas do livro!

Amy, a protagonista é uma das primeiras mulheres convidadas a se juntar à mais poderosa sociedade secreta dos Estados Unidos e precisa conciliar as amizades, namoros, estudos e uma grande crise de poder que pode arruinar sua vida.

Apesar do livro se encaixar em um estiloliterário onde os relacionamentos e personagens são mais superficiais do que eu gostaria (como em Harry Potter e, principalmente, Código da Vinci) este livro tem seus méritos.

Gosto da personalidade e tenacidade da protagonista, mas ela tem uma característica muito mais valiosa…

Curiosamente a primeira coisa que pensei ao ver o livro foi em Buffy a caça vampiros… Não me pergunte porque, mas achei que a postura escatológica e rebelde cairiam bem em uma mulher que se junta a uma sociedade secreta. É extamente o que acontece.

Amy é uma mulher que não se deixa dobrar pelo poder, não se deixa intimidar mesmo em franca desvantagem e, principalmente, não aceita os dogmas ou custumes do passado questionando-os ferrenhamente.

Este é o tipo de qualidade que me parece muito útil para os adolescentes e principalmente AS adolescentes modernas.

É uma leitura leve e agradável, com uma trama divertida, bem conduzida que garante lazer e uma dose saudável de transgressão.

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Ponte para Terabithia

21st, April 2008

Vi o filme algum tempo atrás e me apaixonei pela história por vários motivos.
capa do filme

Na minha opinião história boa é aquela que é escrita para dizer alguma coisa ou impulsionada pela paixão dos realizadores (autor, diretor, roteirista) e não as que são escritas abaixo da frase “Agradar o máximo de pessoas e vender muito”.

Elas podem até atingir este objetivo, mas são efêmeras. Nos divertem por algum tempo e depois se perdem no tempo enquanto uma boa história nos modifica ou nos acompanha para sempre servido de inspiração ou apoio.

Ponte para Terabithia é assim… Foi escrita para a filha da autora com a finalidade de ajudá-la a enfrentar uma situação difícil.


Capa do livro
O resultado pode ser difícil de absorver para nós que vivemos em uma cultura espetacular (no sentido dado por Guy Debord) onde hora fugimos para a fantasia onde todos os finais são felizes, hora para os dramalhões onde as tristezas são tão grandes que nos aliviamos por não serem nossas.

Ponte para Terabithia não é nem um, nem outro. É o tipo de história que estará lá com você quando precisar e é o tipo de presente que toda criança deveria receber muito embora nem todas passem pelos problemas dos protagonistas desta fantasia real.

Agora, além de comprar o dvd ou o livro, podemos ler o original online graças a este admirável mundo novo onde o conhecimento é compartilhado cada vez mais livremente e o Books iRead (disponível como extensão do Facebook) disponibilizou mais de 16 mil títulos para leitura online:

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