O cão morto que te revolta
6th, November 2007
Não pretendia escrever hoje, muito trabalho e pouco tempo, sabe? Mas ai recebi um email pedindo para assinar uma petição online contra o artista que fez de um cão moribundo alegadamente uma obra de arte.
O cão foi amarrado na galeria em um dia e morreu durante o dia seguinte.
Assim como milhares, ou mesmo milhões de cães de rua, ele já estava doente e abandonado pelas ruas quando foi capturado pelo artista.
Nossa primeira reação é de horror, para ser sincero a segunda também… Afinal, filho único, minha irmã era uma cocker spaniel. Acontece que tenho o costume de pensar nas coisas não apenas no impulso das emoções, mas também à luz do pensamento crítico livre das influências do coração.
Será que as 50 mil pessoas que votaram na petição online são vegetarianas? Será que ignoram os horrores infinitamente superiores a que são submetidos suinos, aves e bovinos para satisfazer nossa sanha alimentar?
A arte tem a difícil tarefa (e praticamente só ela) de dissecar os nossos horrores diante dos nossos olhos! A arte de entretenimento existe, mas é ótima para tempos dourados (se bem que estes são frequentemente a semente de tempos negros) e não para eras como a nossa em que as atrocidades se tornaram torrentes escorrendo por todas as ruas e tingindo nossas cidades com uma cor ocre e insuportável.
Não espero que o artista repita o feito e espero que nenhum outro idiota tente imitá-lo, o que devia ser dito já foi dito ao custo de uma vida e toda vida é inestimável. Mas quantas vidas podem ser salvas se este horror nos despertar?
Infelizmente eu duvido que a maioria das pessoas esteja realmente horrorizada, pelo menos não o bastante para deixar de usar suas roupas GAP feitas com trabalho escravo infantil, se lambuzar em litros de leite, queijo e carnes feitos às custas da tortura de milhões de irmãos terráqueos ou para buscar um estilo de vida menos consumista e mais centrado no desenvolvimento humano, cultural e artístico.
Por tudo isso não vou votar contra a participação do Guilhermo Vargas (da Costa Rica) na bienal de arte centro-americana de 2008 em Honduras.
Links úteis:
- Sarah: Blog com mais ou menos o mesmo enfoque que dei
- A Arte Pode Matar: post contanto a verdadeira história (o cão era alimentado e seria adotado depois da exposição)
- Declaração oficial da Galeria Códice (onde o cão foi exposto)
Filed under: Comportamento, Cultura, Fogo, Gaia, Imagem, Reflexões, Terra | 8 Comments »
Propaganda e arte
24th, February 2007
Estava lendo no Síndrome de Estocolmo o post Propaganda misógina banida da Espanha e teci o comentário abaixo que achei que merecia vir para cá.
Arte é um conceito tão vago, né?
Concordo que propaganda não pode ser arte afinal o objetivo dela é VENDER e ponto.
Apesar disso algumas peças de publicidade antigas (tem umas boas dos anos 70) são consideradas arte.
Só que…
Existe uma diferença abissal entre a forma de observar arte e a de observar publicidade.
Quando olhamos uma peça de publicidade de um produto que nem existe mais estamos analisando o ambiente cultural daquela época.
A proposta de observar a campanha da Dolce Gabana do ponto de vista artístico não deixa de ser interessante… De que mundo ela fala? Em que mundo a Dolce Gabana acredita? Aparentemente um mundo onde o céu se mostra distante e inalcansável sobre um mundo árido e metálico onde homens rudes se entregam aos seus desejos animais subjugando mulheres sofisticadas e de uma classe social, talvez até mesmo de uma época, diferente.
É… Visto como obra de arte até que representa características de alguns estratos do nosso tempo.
Acontece que é uma peça de propaganda e o que acaba por fazer é vender este mundo para o consumidor e se vender a consumidores que enxergam o mundo desta forma.
Perigoso…
Filed under: Comportamento, Fogo, Imagem, Reflexões | 1 Comment »
Na onda do faça vc mesmo
6th, April 2006
Hoje entrei no Orcutio e lá estava um scrap de um dos meus autores prediletos da nova geração, Eric Novello.
Era o link para um curta escrito por uma amiga dele: Lápide.
Um trabalho bem legal, não vai mudar a sua vida, mas vai mostrar que a gente sabe fazer animação, a gente sabe escrever e dirigir filmes. Vai dar uma olhada lá.
Ai fiquei pensando na quantidade de trabalhos muito bons que rondam pela Rede, divulgados precariamente em scraps do Orcutio (que vamos combinar, é um serviço bem precário e restrito se comparado a um Myspace ou Multiply da vida).
Tem uns que saem dos guetos onde são visitados lá pelos seus 10 mil leitores e ganham até tirinha em jornal, acho até que os Malvados foram assim.
Mas a maioria fica no limbo, muitos deles são verdadeiras maravilhas da cultura nacional, tenho certeza.
Pensando em tudo isso comecei a arquitetar a idéia de um “faça você mesmo” das artes em geral e não só da música. Dá para fazer isso até de graça mesclando recuros das melhores comunidades (como o Multiply e o Myspace) com sites que nos permitem publicar midia gratuitamente como o Youtube.
Só não vou fazer isso sozinho, né? Estou lançando a idéia para ver se alguém já fez e se falta só divulgar ou para ver se tem mais gente na pilha de tocar o projeto. O suporte técnico eu dou de graça até a medida do possível.
Filed under: Cinema & Vídeo, Cultura, Imagem, Música | No Comments »
Liberdade
23rd, October 2005
Não acredito em fantasia, acredito em metáforas para a realidade. Quando vejo um quadro, leio uma história ou vejo um filme, por mais que seja irreal como um Dali, um Neil Gaiman ou um Babylon 5 enxergo representações simbólicas do mundo como o artista o sente.
Portanto foi com alguma surpresa que, ao buscar por quadros que falassem em liberdade achei este lindo quadro de Eastman Johnson:
Porque alguém representaria a liberdade como um anel, uma menina hipnotizada pelo seu brilho e um claustrofóbico quarto escuro?
Então olhei para o nosso próprio tempo. Vi a liberdade de não ter responsabilidades, de mergulhar nos encantos da fantasia no cinema, da diversão nas boates ou futilidade das redes de “amigos” virutais dos Orkuts da vida. Ah! Entendi.
Filed under: Cultura, Imagem | No Comments »
Sughi: Realismo Existencial
19th, September 2005
Alberto Sughi (1928 – ) é um dos expoentes do realismo existencial, estilo de pintura característico da Itália na década de 50.
Além da forte impressão psicológica das suas obras:

Há dois fatos interessanes sobre ele.
O primeiro é a força da sua influência que, ao meu ver, atingiu até Sienkiewicz que ficou mais conhecido aqui pelo trabalho em Electra na década de 80.
O outro é que ele cita uma amiga minha entre os seus artistas preferidos!
Filed under: Cultura, Imagem | 2 Comments »


