Strangelets ameaçam destruir a democracia!
9th, September 2008
A história denota uma triste falta de compreensão e habilidade para lidar com o mundo moderno, ou seja, o mundo digital!
Essa é a história: Um perfil falso foi criado na rede Twitter com o nome de um político e este político tentou processar o Twitter, mas processou um blog sobre o Twitter que foi imediatamente tirado do ar pelo seu provedor (também acho isso errado) quando ele recebeu a notificação.
Vamos imaginar que isso fosse no velho mundo do século XX…
- Alguém se faz passar por outro em uma praça berrando em um megafone e foge: a justiça demole as praças e fecha as empresas que fazem ou vendem megafones
- Centenas de folhetos difamatórios são espalhados pela rua e colados em postes: a justiça proíbe o uso de papel e ordena que os postes sejam todos destruídos…
Dizendo assim parece absurdo, não é mesmo? Fica até engraçado… Mas é trágico!
Além do mais o perfil em questão claramente não era da candidata, ou seja, não constituía falsidade ideológica. Tratava-se de uma crítica onde a pessoa dizia "Votei nela e não voto nunca mais!" ou algo parecido.
O único erro da pessoa foi não se identificar! Ou será que é crime dizer que me arrependi de votar em fulano ou que não gostei do atendimento do profissional x?
Em uma democracia devemos ter o direito (e dever) sagrado de opinar desde que sejamos embuídos de fins críticos e não difamatórios. E, claro, não o façamos anonimamente o que deixaria flagrande nossa má fé.
Na situação em questão a candidata deveria ter solicitado ao Twitter que fosse fornecido o IP da pessoa que criou o perfil para depois tomar as medidas legais contra aquela pessoa e não contra a rede social inteira. Desta forma ela se coloca como inimiga da democracia! Logo uma candidata de partido de esquerda! Vergonhoso! Mas por puro analfabetismo digital!
Estou tão certo disso que mandei este email para a candidata:
Tenho grande apreço pela esquerda e creio que ela é um dos mais sérios bastiões da democracia e liberdade de expressão, mas o caso contra o Twitter corre o risco de causar grande dano à sua imagem e desta vocação da esquerda brasileira!
Ao atacar o Twitter (e ainda por cima atingir um blog que não tem qq relação com a rede social estadunidense) a senhora ataca todos os membros desta rede no país! É como proibir as pessoas de irem à praia porque alguém se fez passar pela senhora lá! Entende?
O mundo mudou! Não entender o que é a Internet é como não entender o que é a democracia ou a mídia!
A atitude mais adequada seria solicitar extra-judicialmente ao Twitter que fornecesse os IPs (eles provavelmente os forneceriam prontamente) usados para criar a conta para, em posse deles, agir junto aos provedores de acesso para identificar o autor do perfil falso e acioná-lo nos termos da lei.
Aliás a Rede É a democracia, a mídia, a liberdade de expressão…
Defender a Rede deve ser uma missão pessoal para todo cidadão do século XXI!
Por outro lado o século XX está longe de acabar! A Rede (ou Nuvem como alguns gostam de chamar) está sobre constante ataque de stragelets muito mais perigosos do que os do acelerador de hádrons! É necessário criar escudos de conhecimento e bom senso…
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Cultura popular para jovens
26th, July 2008
Pessoal me acha esquisito ao falar de Philip Pullman, Neil Gaiman, Doctor Who, Desventuras em série, Tim Burton, Indigo e Ponte para Terabíthia, mas o que a galera está oferecendo a seus filhos para ler e assistir?
… Batman (bom, mas não mais para criança), Harry Potter, Power Rangers?
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Contra o esfacelamento da cultura no Rio
12th, May 2008
Recebi de uma amiga muito especial (em meu dicionário significa inteligente, determinada, consciente e humanista) o pedido de assinar o abaixo assinado errrr… abaixo:
Srªs e Srs. Deputados da Alerj – Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro
Nós, cidadãos abaixo-assinados, vimos, por meio deste, nos manifestar contra o esfacelamento do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro (Fundação Museu da Imagem e do Som/MIS, Casa França-Brasil, Fundação Teatro Municipal, Escola de Dança Maria Olenewa, Fundação de Artes Anita Mantuano de Artes/Funarj e de suas unidades: Sala Cecília Meirelles, Teatros João Caetano, Villa-Lobos, Gláucio Gill, Armando Gonzaga, Arthur Azevedo e Mário Lago, Escolas Técnicas Estaduais de Música Villa-Lobos e de Teatro Martins Pena, Casa de Cultura e do Teatro Laura Alvim, Casas de Oliveira Vianna, de Casimiro de Abreu, de Euclides da Cunha, Museus do Ingá, do 1º Reinado, dos Esportes, dos Teatros, Antônio Parreiras, Carmen Miranda e Mané Garrincha), esfacelamento este imposto pelo atual Governo do Estado.
Eu não assino abaixo-assinados pois acho que eles gastam energia que deveria ser melhor direcionada. Neste caso duvido que um abaixo-assinado de 2 milhões de pessoas preocupe mais um político do que mil blogs fazendo a cabeça de 10 mil eleitores…
A questão da cultura é muito séria e não cabe em um post (este é mais um tema para uma série de posts e muita pesquisa…).
Pesquisa é algo que não vou conseguir fazer agora, mas não posso fcar calado então vou sugerir alguns tópicos para reflexão e pesquisa.
As nossas casas de cultura já não andam bem mal ajambradas sob a batuta do estado? Ultimamente ando afastado do circuito cultural, mas até onde posso me lembrar talvez o dedo privado talvez até fosse capaz de melhorar um pouco o cenário. E quem está dizendo isso (eu) é um crítico persistente da deteriorização da arte em cultura de consumo…
Isso porque o primeiro a sucatear a nossa cultura somos nós mesmos! Pense na frequência com que nós e nossos amigos preferimos um bom filme ou peça que possam dizer ao menos que cheira a arte a um Homem de Ferro da vida?
… E olha que isso está sendo dito por alguém (eu) que adora uma boa cultura de entretenimento
Que está sendo esfacelado está, que isso é ruim, é, mas não acho que possamos esperar de políticos que saibam como mudar este quadro, não na conjuntura atual onde estamos ensaiando uma limpeza moral que deve ocupar boa parte das reflexões de qualquer político sensato.
Precisamos de idéias para reverter o que vem acontecendo.
Como podemos levar mais gente aos teatros e centros culturais? Pessoalmente eu aposto nas classes C, D e E pois as A e B, desculpem, não sabem dar valor a cultura.
Muitos artistas fazem arte para artistas. É comum (pelo menos era) ver sempre os mesmos rostos em todos os eventos culturais. Da dança ao teatro há um narcisismo bobo que contamina muita gente (artistas) com raras exceções. Só não vou citar nomes para não ser injusto com os que eu esqueceria.
Arte tem que estar antenada com o século seguinte e individualismo é coisa do século passado. Já é hora de compartilhar o pão e o vinho com todos.
Estou tergiversando (adoro esta palavra)…
A situação ao meu ver não pede protestos, pede ações, propostas e pressão democrática mostrando nas urnas o que nós queremos, mas para isso a classe artística precisa ir onde o povo está…
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Do tempo ao fim do tempo
5th, April 2008
O tempo é muito estranho… Relógios e calendários não passam de um artifício para nos dar uma segurança ilusória na certeza da fluidez constante do tempo.
Escrevi o post anterior faz umas duas semanas, mas este tempo de fluxo controlado e frio diz que não tem nem três dias.
Talvez seja a perda repentina de um amigo, talvez por ter quebrado minha rotina atual de ficar diante do computador e ter saído 8x mais do que de costume para ajudar uma amiga com seu primeiro Mac, papear por duas horas sobre ficção científica com um dos meus amigos que mais saca disso e jogar Rock Band com a minha… err… advogada!
Eu adoro o tempo que estamos vivendo! Um tempo em que pessoas brilhantes podem se divertir com Dr. Who, animê, playstation… Ou melhor, isso é um padrão e não uma excessão.
Já há uns 2 anos esbarrei em um livro sobre a obra de Tolkien assinado por um homônimo do grande jurista Ives Gandra… Não era homônimo, era ele mesmo.
Nossa era é filha de outra onde os adultos eram cisudos, consisos, rígidos e inflexíveis.
Era um tempo sem mulheres ou crianças onde "homem" era sinônimo de humano pois os outros eram figurantes da história da civilização. Ou pelo menos era como eram vistos publicamente embora saibamos hoje o quanto da história foi moldada por mulheres e crianças.
Somos seres notáveis, nós humanos…
Da escuridão das cavernas até aqui já passamos do fatalismo à euforia da certeza de um futuro melhor (ainda outro dia vi na Casa Ruy Barbosa que eles acreditavam que nossa civilização tinha superado as guerras e caminhava para uma era de ouro) várias vezes.
Gostaria de entender perfeitamente como em 100 anos pudemos ao mesmo tempo ter conquistado tantos avanços maravilhosos e ter ficado cegos para eles vendo apenas um mundo condenado quando na realidade temos um mundo em franca revolução e renovação!
É… No entanto não entendo nem mesmo como um post sobre a passagem do tempo real e do tempo psicológico acabou aqui: em uma potencialmente polêmica declaração de que vivemos um maravilhoso renascimento embora vejamos uma idade das trevas…
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Cantigas de Ninar
6th, February 2008
Recebi mais uma vez um texto fazendo crer que a crueldade das nossas cantigas de ninar são parcialmente responsáveis pelo estado em que o Brasil está hoje.
Bem, isso não faz qualquer sentido. Primeiro que as nossas cantigas são quase todas importadas de Portugal e lá não está tão mal. Segundo que praticamente todas as culturas submetem suas crianças a terríveis cantigas e fábulas.
Apesar de estarmos à beira da era do conhecimento ainda temos uma tendência a receber e aceitar o que nos é "ensinado" pelos textos e opiniões que nos transmitem. É muito importante que nos perguntemos sempre "Será mesmo?" Ainda que faça muito sentido. É claro, quando alguém defende um ponto o faz com algum sentido e omite o que não faz sentido em sua teoria por desonhecimento ou má fé. Mas este post não é sobre com lidar com as informações no século da informação.
A questão é: As cantigas que falam sobre dor, medo, raiva, perda, decepção, preconceito e violência são ruins para as crianças?
Muita coisa do passado já não se aplica no presente, não há dúvida disso, mas criar um universo de fábulas e cantigas infantis que produzam a ilusão de um mundo de harmonia será o suficiente para que estas crianças dissolvam no futuro a entropia em que acreditamos viver? Duvido.
A minha opinião é que é saudável viver na fantasia as situações que viveremos um dia de verdade como a perda de um amigo para a morte, a rejeição no amor ou o preconceito. Mas não vamos ficar com a minha opinião apenas. Vou pesquisar alguns especialistas e colocar abaixo o link para artigos deles.
O que seria então um bom conto de fadas ou cantiga infantil moderna?
Bem, temos Stardust de Neil Gaiman, o Triste Fim do Menino Ostra e a Maldição da Moleira são bons pontos para começar a refletir a respeito das boas histórias para crianças.
Eles ainda são terríveis em alguns aspectos, ainda lidam com realidades que nos incomodam, mas há um novo tom.
Em primeiro lugar são… menos infantis. Sim, apresente a uma criança de 8 anos as histórias ou mesmo desenhos que a geração anterior adorava nesta idade e elas em geral acharão tudo muito ingênuo. A quantidade exponencialmente maior de informação tem amadurecido nossas crianças muito mais rapidamente.
Em segundo lugar há princípios de moral hoje que eram imorais ontem e realmente há princípios de moral de ontem que são profundamente imorais hoje. Isso também deve mudar.
No entanto não devemos descartar o potencial dos contos de fadas, fábulas e cantigas de ninar como instrumento para preparar as crianças para o que elas inevitavelmente viverão no futuro.
Lembro bem do medo que tinha do boi da cara preta e como isso me ajudou a enfrentar o medo quando deparei com ele em situações reais.
Para ler:
Referências
- Cantigas e brincadeiras de roda na musicoterapia
- O que explica a violência nos jovens de classe média?
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