A ciência e a transformação da consciência nas profecias maias para 2012
25th, November 2009
Sobre a dificuldade de falar em crenças
Profecias não são previsões, elas são fruto de crença e falar em crenças é complexo pois o modelo de raciocínio nesses casos segue mais ou menos o seguinte roteiro:
- Sinto que isso é verdade
- Outros sentem igual, então deve ser verdade
- Buscar comprovações lógicas para a crença
Alguns nem precisam do segundo item.
Aqui tentarei seguir outra forma de raciocínio pois parter de uma intuição ou crença pode ser muito útil do ponto de vista psicológico, mas dificilmente nos leva a conclusões lógicas ou racionais.
De onde vem a síndrome do apocalipse?
Lá no final desse post há um artigo da Veja (quem diria?) que fala sobre isso, mas arriscarei um resumo da minha própria opinião.
O caminho da consciencia instintiva animal para uma consciência racional (e porque não cósmica?) não é nada fácil. Quando tivemos o primeiro lampejo da consciência que temos desenvolvido e da capacidade de raciocínio que a acompanha devemos ter nos petrificado de pavor diante de um universo vastíssimo de coisas que passaram a ter que ser explicadas e isso sem falar nas emoções e pensamentos que nos assaltam. Aliás, há um livro bem instigante sobre isso, Maya de Jostein Gaarder. A coincidência de nome é apenas uma coincidência, mas é providencial!
Desde o início dos nossos tempos como humanos temos enfrentado mais transformações do que nossa mente gostaria, basta pegar qualquer período de 20 anos na história da humanidade para ver que, quanto mais perto do presente, mais rápidas são as transformações. Não que não fossem rápidas nos tempos da Bíblia quando num período de uns 50 anos (desde o nascimento de Moisés) profundas modificações ocorreram no império do Egito, ou nos tempos de Aquenaton.
É natural que, diante das profundas transformações que nossa cultura, tecnologia, economia, sociedade etc. estão passando nós experimentemos uma sensação de morte. Erich Fromm já falava nisso em 1941 e não creio que estivesse muito longe da “verdade”: nós vivenciamos a transformação como se fosse uma morte.
O que dizem as profecias?
Sou um apaixonado por física desde os 11 anos quando comecei a ler A Evolução de física de Albert Einstein e Leopold Infeld(demorei anos!) e, do ponto de vista científico, não consigo levar nada a sério nas profecias, mas vou falar disso mais abaixo.
Há uma razão para todos buscarem profecias e creio que a razão é a busca por uma forma de consciência que se ajuste melhor aos nossos tempos.
Talvez as sucessivas falhas em prever o fim do mundo ou sua mágica transformação radical seja até uma forma de despertarmos para o fato de que somente o nosso trabalho lento e continuado de evolução consciente (a evolução caótica e inconsciente a gente já seguiu por muito tempo) é o único caminho para transformar nosso futuro e não esperar que o sol, Zuvuya ou qualquer outro fenômeno sobrenatural agite uma varinha transformando nossa consciência em um passe de mágica.
Aliás, sobre isso, há a brilhante graphic novel Dr Strange Shamballa de J.M. DeMatteis.
Das discussões que acompanhei e pelo que ouvi dos amigos que acreditam em um evento em 2012 percebi que, tirando a coisa dos cataclismas cinematográficos ou transoformações mágicas tudo se traduz em mudanças de consciência, principalmente:
- Aprender a ver nas diferenças culturais, sociais, filosóficas e outras não um incômodo a tratar com tolerância, mas um maravilhoso fenômeno da nossa diversidade memética (não resisto a usar o termo ao menos uma vez) que deve ser admirada e festejada;
- O estabelecimento de relações mais justas entre países ou mesmo o fim dos países
- Tomar as rédeas do nosso desenvolvimento e buscar uma consciência maior do nosso caminho evolutivo
- Passar a conviver com nosso meio ambiente adaptando-nos a ele em vez de tentar adaptá-lo a nós (gosto muito dessa)
- Fim do controle da sociedade pelo medo e pela culpa caracteríscos da cultura judaico-cristã. Essa também é uma boa meta: trocar a sociedade de controle do espetáculo (vide Guy Debord) pela sociedade liberadora do conhecimento (muito embora ainda haverá outras formas de controle nocivo a superar no futuro)
- Mudança do sistema econômico: na era do produto e do captalismo cognitivo as regras de mercado da oferta e procura estão em xeque e realemente devem mudar
- Telepatia: comunicação ampla entre todos os humanos. Bem, para os conectados basta listar o Google Latitude, Twitter, internet movel, marcapasso wifi… Se não fizer sentido é só googlar.
- A susbstituição da satisfação pelo consumo (comprar, comer, beber, festejar) que é predatória dos nossos recursos e pode ser útil para preservar os genes, mas nociva aos memes (ok, foi a última vez) por uma busca de satisfação pela criação, ou seja, em vez de destruir, consumir passaríamos a nos dedicar à nossa superação pessoal e coletiva
- Coletividade é um ponto falho em quase todos os discursos proféticos: a maioria parece satisfeita em ser salva da destruição enquanto os perdidos ficariam aqui para morrer. Essa é uma das críticas mais consistentes aos movimentos esotéricos, de auto-ajuda e da lei da atração que, acredito, tem interseções com os grupos que acreditam em profecias apocalipticas
Outro ponto preocupante é que parece haver uma certa unanimidade entre essas pessoas de que a nossa espécie é o anticristo ou coisa similar e que as profecias de alguma forma indicam a liberação da Terra da praga chamada humanidade. Esse impulso suicida e auto destrutivo pode nos causar problemas caso se torne uma crença predominante.
A ciência das profecias
Resolvi deixar isso para o final pois não vejo qualquer sentido na suposta ciência que apoiaria as profecias, mas simpatizo com as propostas de mudança de consciência que elas sugerem.
A data
É claro que faz sentido assumir que o solstício de verão (aqui no hemisfério sul) seria o marco do fim do mundo, afinal no hemisfério dos Maias ocorre o solstício de inverno que, na maioria das culturas sintonizadas com os ritmos das estações, marca o fim do ano e a necessidade de se preparar para as dificuldades do inverno.
No entanto se estamos falando em um cálculo baseado no calendário astronômico Maia (considerado 4s mais preciso que o nosso) então o fim do ciclo de 5125 anos não cairia no dia do solstício…
Considerando que o calendário maia era 4s mais preciso do que o usado hoje (que tem erro de 5h48m46s por ano teríamos que fazer o seguinte cálculo para compensar o erro:
Considerando uma sobra de 5h42m no cálculo acima e o que o solstício de verão em 2012 será às 9h18m isso nos leva a uma nova data para o fim do mundo: 15 de maio de 2016, exatamente às 15h de um domingo. Caso o mundo não acabe em 2012…
A Sabedoria Maia
Bem… Para alimentar as energias do sol eles matavam os inimigos vencidos em batalha e ungiam seus ídolos (frequentemente a serpente de plumas) com seu sangue. Na falta de inimigos ou em festas especiais eles sacrificavam crianças e mulheres.
Diante disso o hábito de deformar o crânio das crianças para lhes dar um formato longilínio é só um senso estético duvidoso.
Seu esporte mais sagrado era um jogo de bola onde o líder do time vencedor era decaptado.
Quando os colonizadores chegaram a civilização já havia passado por um grande cataclisma e se estava em declínio, muito provavelmente por ter esgotado seus recursos naturais.
Muitas culturas antigas desenvolveram supreendentes conhecimentos de astronomia, mas isso não faz delas culturas sábias.
A Terra no centro da Via Láctea
De acordo com as nossas observações nosso sistema solar está a cerca de 32 mil e 600 anos luz (10 Kilo parsecs) de distância do centro da nossa galáxia o que se aproxima de 11 bilhões de kilômetros… É muito longe e o único registro de um fenômeno assim que eu conheço está na quinta temporada do seriado de ficção científica Doutor Who.
É possível que estejam confundindo com o plano central da galáxia.
Na imagem abaixo vemos a galáxia como seria vista de cima e nosso sol está marcado nela mais ou menos entre a borda do prato e o centro dele:
Agora imagine que você vire o prato para vê-lo pelo lado. Você terá uma imagem mais ou menos assim:
O plano central seria nesse caso o prato e é como se o nosso Sol uma hora estivesse sob o prato, outra hora acima dele. No meio tempo ele passaria por regiões mais densamente povoadas de estrelas.
Isso acontece a cada 35 milhões de anos e nesse momento estamos a vários anos luz desse evento o certamente significa alguns milhares de anos, senão milhões até que isso aconteça.
Nibiru ou Hercólobus: o planeta assassino
A aproximação de um planeta (ou asteroide) gigantesco é outra causa frequentemente citada, no entanto temo que lembrar que Galileu, com um telescópio primitivo, foi capaz de ver os anéis de Saturno e nos séculos seguintes nós nos desenvolvemos exponencialmente: não há como um planeta gigante vindo em nossa direção não ser percebido com décadas de antecedência.
Nenhum observatório profissional ou amador detectou um corpo celeste candidato para ocupar o lugar do planeta assassino.
E não se trata apenas de ser visível, um corpo de enormes dimensões deixaria rastros gravitacionais facilmente detectáveis conforme caminhasse por nosso sistema solar e isso não aconteceu. Ninguém percebeu anomalias nas órbitas dos planetas, cometas ou cinturão de asteroides.
Os neutrinos de Hollywood
Logo nos minutos iniciais da superprodução de Hollywood, 2012, os Neutrinos mutantes são responsabilizados pelas mudanças no planeta.
Bem, há três tipos de Neutrinos conhecidos: elétron, muon e tau. Todos eles, por não terem carga positiva ou negativa e pesarem praticamente nada, são capazes de atravessar anos luz de uma parede de chumbo sem sequer tocar em algum atomo ou mais propriamente elétron, neutron ou proton.
Podemos até imaginar que ventos solares de gases mais densos (muito embora nosso Sol ainda seja jovem e composto predominantemente de hélio e hidrogênio) poderiam aquecer nosso planeta, mas nunca vi um estudo que desse essa capacidade a neutrinos.
A quarta dimensão e outros fenômenos mágicos
A última causa mais frequente que achei para um suposto evento em 2012 envolve a passagem de algumas pessoas em nosso planeta para uma quarta dimensão e na intermediação de seres alienígenas ou espirituais que conduziriam ou nos auxiliariam nessa transição.
Bem… Isso extrapola totalmente a nossa ciência.
De acordo com o nosso conhecimento atual todos nós vivemos em um mundo com 10 ou 11 dimensões e somos seres quadridimensionais pois nos deslocamos no espaço (comprimento, altura e largura) e no tempo.
Fossemos pensar em uma transição para outra dimensão teria que ser para a quinta de onde, supostamente, poderíamos olhar para o tempo como olhamos para uma linha e veríamos o passado, presente e futuro como uma coisa só.
Vale a pena assistir o filme Flatland:
Ou ler o texto que o inspirou: Flatland (gratuito no projeto Guttemberg)
Conclusão
O único fenômeno físico ou cósmico prestes a acontecer que pode nos atingir é o aumento da atividade dos ventos solares que pode causar apagões e danos em equipamentos eletrônicos, mas não vejo como isso poderia causar danos definitivos aos nossos sistemas lançando-nos de volta à era do fogo e da clava.
Todas as supostas confirmações científicas para as previsões Maias que encontrei eram fruto de mau entendimento da nossa ciência e não encontrei nenhum cientista sério (estou incluindo físicos blogueiros revolucionários) que confirme algum evento astronômico mortal.
Referências
Artigos sugeridos por amigos
- Ancião maia avisa para não ter medo de 2012 (video no Youtube) – @1anonimo
- O que é a Via Láctea (em Inglês) – @1anonimo
- The 2012 apocalypse na Wired – @caribe
- O fim do mundo em 2012 (Revista Veja) – @caribe
- Previsões do menino marciano Boriska (se não houver uma catástrofe nos próximos 36 dias ele já terá errado uma…) – @caribe
Artigos de apoio
- Textos (em Inglês) de David Stuart, considerado um dos maiores estudiosos dos Maias
- Alinhamenos e fenômenos galáticos que supostamente nos destruiriam (Inglês)
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Porque os evangélicos são perseguidos?
18th, September 2009
Sempre digo que já falei tudo que queria sobre religiosidade na série Em Busca do Pó, mas de tempos em tempos acabo escrevendo algo que me dá pena de deixar perdido então aqui vai o comentário que deixei no post Porque o cristão evangélico eh sempre o alvo? da Tici Meliani:
Não achei esse texto no blog da Malu então vou comentar aqui dando o ponto de vista de alguém que odeia ser abordado por evangelistas.
Tirando uns Hare Krishna também chatos nunca fui abordado por taoistas, budistas ou wiccas querendo me impor que eu iria para o inferno ou que deus ficaria irritado comigo se não admitisse que ele (o evangelizador) estava errado.
Tem uma coisa meio perversa no cristão que se diz portador da palavra de deus, sabe?
Para mim é por isso que as pessoas batem a porta na cara do evangélico: elas os vêem como falsos profetas e preferem buscar Deus à sua maneira.
Eu li a bíblia toda quando tinha uns 11 ou 13 anos. Não é uma leitura agradável e não corresponde mais aos nossos tempos com toda aquela coisa de apedrejar adúlteras (homem pode), matar quem trabalha no sábado ou escravizar o filho de quem te deve dinheiro.
Porque a palavra de Deus seria a palavra da bíblia e não a do Corão, do Tao Te King ou de Buda?
Porque Deus teria falado apenas com os judeus ao longo de três mil anos de história ignorando os gregos, os romanos, os chineses, os apaches, os inuit, os tapajós, os incas, os astecas… Foram todos criados por outro deus? É compreensível que os espanhóis tenham chegado a fazer um julgamento para decidir se índios eram ou não humanos lá no século XVII se não me falha a memória.
A questão é que talvez a bíblia seja apenas uma das tentativas humanas de entender a própria consciência, o mundo em que vive, e não a palavra de deus.
O problema é quando grupos de pessas decidem que ela é a palavra única e absoluta de Deus e que a sua interpretação daquelas palavras é a única e absoluta forma correta de interpretação.
Na minha opinião a religião jamais deve ser um princípio a ser imposto ou mesmo sugerido aos outros, ela deve ser um conjunto de compromissos pessoais para nos tornarmos alguém melhor e cada um deve escolher o conjunto mais adequado para si mesmo, nem que seja o (argh odeio) Harry Potter ou o (Aha! Adoro!) Fronteiras do Universo do Philip Pullman.
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Como um evangélico deve conversar com um ateu?
27th, June 2009
Acabo sempre voltando ao tema religião… Mesmo tendo escrito exaustivamente sobre isso aqui mesmo em uma série de posts
Sou humanista, ou seja, não me parece importante inserir deuses na equação da consciência humana, mas algumas das pessoas que mais respeito são especiais justamente pela forma que se relacionam com a sua fé e recentemente vi um convide da @aevangelista para comentarmos a difícil comunicação entre ateus e “teus” no seu post A Sabedoria de Deus é loucura para os homens (a da ciência também, a propósito):
Aqui está o meu comentário que achei que, pela extensão, precisava virar post:
É necessário ser muito cuidadoso com as pessoas pois nós humanos (aliás, toda forma de consciência) merece o mais profundo respeito, mesmo que discordemos diametralmente das expressões dessa consciência.
Vim deixar meu comentário aqui porque posso facilmente ser visto como um ativista ateu ou anti-religioso, mas na verdade sou um ativista da consciência livre e sinto que a Evangelista também é.
Em todo caso, minha posição e as minhas idéias a respeito de deuses e religiões devem ser expressas aqui com muito carinho. Espero que todos entendam ao me colocar contra certas idéias não me coloco contra as pessoas.
Bem, até pouco tempo eu me declarava como tecnicamente ateu pois não vejo razão para crer que o Universo foi criado por uma divindade, que alguma divindade ouça nossas orações ou cuide de nós.
Estou parando de me definir assim pois a palavra ateu está sendo usada para definir quem tem certeza que não existem deuses. Não acho que nosso conhecimento atual nos permita fazer esta declaração.
O máximo que podemos dizer é que os deuses que eventualmente existam não fazem questão de se mostrar para a humanidade preferindo que cada um encontre sua própria fé.
A fé do bom ateu é na humanidade, é no amadurecimento da nossa consciência no sentido de agirmos de forma moral porque é lógico e não porque algum deus nos ameaça com o inferno ou nos seduz com a promessa do céu.
A fé do bom cristão (fui profundamente cristão desde os 4 anos quando conheci uma freira especial até me decepcionar aos 11 ao fazer primeira comunhão) me parece ser em um Deus pronto a compartilhar com ele a sabedoria que não pode obter sozinho (nenhum de nós, crentes ou descrentes pode).
Algumas das pessoas que mais admiro e considero mais sábias são religiosas como Ghandi, Frei Betto, Dalai Lama, Leonardo Boff e alguns amigos que são especiais justamente por sua relação com sua religião.
Entretanto há facetas negras nas religiões.
Talvez a pior de todas, e que mais incomoda os ateus, seja a arrogância de crer que já sabe qual é a verdade absoluta, o Deus verdadeiro. E tudo piora quando quem não vê a mesma verdade é demonizado….
Os bons cristãos (católicos, protestantes, islãmicos), budistas, taoistas, wicca, esotéricos não são assim, são pessoas procurando desenvolver cada vez mais suas consciências para tentar ter uma visão melhor de Deus.
Os ateus também… Só que eles não creem em um deus místico, eles creem na consciência.
Talvez no final não seja muito diferente, mas se torna no momento que um grupo usa a lógica para comprovar o que não temos tecnologia para comprovar (a inexistência de deuses) enquanto os outros tentam usar suas experiências subjetivas no sentido contrário.
É uma fonte inesgotável de conflito.
Há de haver humildade.
De um lado a dos materialistas, deístas ou ateus que devem entender que na ausência de provas a favor ou contra todos devem ter direito a seus próprios postulados.
De outro a dos que creem que devem entender que a fé é uma experiência pessoal que deve reger a nossa concepção do mundo, a nossa moral, e não a dos outros. Usar a fé, nossos deuses e religiões para impor a nossa cultura aos outros é um ato de violência.
A arrogância (que atinge os dois grupos, é bom lembrar) é a raiz dos conflitos que contaminam até as relações entre cristãos e enquanto estivermos engajados em impor a nossa razão (ateista ou “teista”) perderemos de vista a razão em sua acepção pura.
Ao nos agarrar na razão rígida e imutável assumimos uma postura que não é nem evolutiva, nem criacionista, mas involucionista já que temos certeza que a visão correta de Deus é aquela de quem viveu há 5 mil anos…. No mínimo estamos estagnados. Vale lembrar que esse é um fenômeno humano afinal há um certo consenso de que nunca haverá outro Shakespeare. Só na física há um pouco de desenvolvimento, mas não sem resitências selvagens.
Respondendo a Evangelista, eu creio que o evangelismo proativo (incluindo o ateu) é um caminho contaminado pela arrogância… Não lembro nenhum grande humano ter dito para impormos nossas crenças a outros humanos, nem mesmo Cristo.
Será que os cristãos do segmento x, divisão y, categoria k do bairro h são superiores aos do bairro q e só eles entenderam Deus?
Parece-me claro que, se há um ou mais deuses cada um de nós, cada cultura humana, vê ou escolhe ver algumas das suas características.
Uns preferem seu ombro amigo onde podem depositar seus sonhos e projetos, outros preferem o braço forte para ajudá-los em suas difíceis missões de vida, poetas preferem tentar entrever seus olhos misteriosos cheios de sabedoria.
Essas escolhas são feitas de acordo com as nossas necessidades pessoais e aqueles com necessidades similares se juntarão a nós em nossas crenças ou razões. Não faz sentido impor a todos os humanos a mesma cultura.
A minha opinião é que o evangelismo passivo (incluindo o ateu) é o caminho.
Permitir que nossa visão de mundo altere profunda e constantemente a nossa consciência nos transforma em faróis brilhando com as cores e ritmos adequados para atrair nossos irmãos de fé ou de razão.
O problema é quando um grupo quer impor a sua consciência a todos os outros. Por isso defendo que não haja interferência religiosa na política e no ensino ou que haja interfêrencia completa apresentando-se as razões e contra razões de cada religião.
Fora isso há vários desafios dentro da própria forma de ler e interpretar os livros sagrados afinal é ridículo querer impor pela fé que a Terra é um disco apoiado sobre 4 elefantes que estão sobre uma tartaruga cósmica conforme está descrito nas crenças indus.
Da mesma forma minha avó morreu jurando que os homens tinham uma costela a menos que as mulheres pois ela foi tirada para fazer Eva. Não adiantava mostrar um esqueleto para ela pois sua fé era maior que sua razão (era mais uma pessoa profundamente boa que sempre admirei).
Na minha opinião os religiosos precisam deixar de ver seus livros sagrados como livros de física, química, antropologia e história passando a buscar neles o significado moral, a mensagem que eles trazem para nossa consciência e não para a nossa razão. Do contrário se tornará cada vez mais difícil argumentar com quem se baseia em fatos e ciência.
Afinal de contas qual é o ponto importante? Quantas costelas temos? Se fomos feitos de barro? Se o Universo existe há 6.485 anos? Ou a questão é o que vamos dizer para o outro humano que chega até nós precisando de uma palavra de conforto ou de motivação?
Estou enrolando por quatro parágrafos, mas acho que é necessário dizer… Desapeguem-se da Bíblia. Ou pelo menos lembrem-se que Jesus Cristo veio também para revelar que a palavra de Deus está escrita no coração dos humanos… Por isso ele pode transformar as leis antigas convidando quem não tinha qualquer pecado a apedrejar a adúltera… E com isso aboliu uma lei bíblica.
Foi Cristo também que disse que edificaria sua Igreja sobre Pedro, o homem comum e de coração puro e sincero. Cristo não deixou uma Bíblia, não precisamos dela para encontrar ou provar a existência de Deus, Espírito ou consciência, isso está escrito em cada pequeno fragmento do Universo onde encontramos pela fé ou pela razão, maravilhas sem fim!
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O que pensam os Deuses quando dizemos que são homicidas?
15th, March 2009
Recebi por email uma foto com um casal de Deuses indianos. Não era Kali…
Veio de uma pessoa extremamente inteligente e uma das pessoas mais engajadas em fazer o bem que eu conheço.
O texto dizia que alguém disse que era um lixo, não repassou e coisas horrívels aconteceram e o mesmo ocorreria comigo se eu não a enviasse para 13 pessoas…
Acho que vale a pena compartilhar a minha resposta:
Nem é um lixo, só é cafona!
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De jeito nenhum vou repassar isso! Se há um poder narcisista por trás dela que me castigará por não repassá-la então duvido que algo de bom possa vir se eu me curvar aos seus caprichos e estou disposto a enfrentar sua ira de peito aberto!
Mas sinceramente, acho que é bem o contrário, viu? Se há deuses duvido que eles se alegrem quando a gente se deixa dobrar pela supersição e pelo medo!
Imagine só, se temos medo de uma foto em nosso email como vamos combater os tiranos que podem quebrar nossos ossos, furar nossa carne e calar nossa voz pela força de uma justiça manipulada?
Acima usei a foto de uma estátua de Kali, uma deusa ligada a destruição e renovação pois achei que seria incoerente colocar a imagem que recebi no email. Depois vou pesquisar quem são os dois Deuses e se achar coloco um link para eles aqui, afinal eles não tem culpa da campanha de difamação que fazem contra eles
Pronto, pesquisei… Com certeza era Krishna e achei uma página com um altar bem parecido com o que recebi por email. Vale lembrar que alguns místicos dizem que ele era uma encarnação anterior de Jesus Cristo.
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Um papo sobre religião
14th, February 2009
Ontem comemorei o meu aniversário junto com o Twestival e foi uma noite realmente especial! Não só pelo privilégio de estar entre mais de 80 pessoas que estão fazendo história ajudando a moldar a cibercultura (e isso merece um post próprio lá no Meme de Carbono), mas também pela chance de encontrar meia dúzia de amigos que me conhecem há mais de 20 anos!
Um deles se tornou fundamentalista cristão no sentido de seguir a Bíblia à risca incluindo crer no criacionismo, por exemplo.
Nada melhor para abir nossa mente e nos ajudar a entrar na cabeça dos outros do que o respeito conquistado ao longo de um quarto de século. O amigo em questão e eu já passamos por muitos momentos difíceis e isso cria laços que vão além das crenças pessoais.
Quem caiu aqui de paraquedas não sabe: para todos os efeitos sou ateu (pelo menos é como me classificariam a maioria dos religiosos) e defendo que as religiões modernas são um instrumento para impor controle e justificar absurdos. Já falei bastante nisso na série Em Busca do Pó e não há porque voltar a me aprofundar mais.
O fato é que, apesar de achar algumas das afirmações do meu amigo muito estranhas…
- O Cristianismo só sobreviveu porque Cristo ressuscitou
- Quem mais disse que era a verdade a luz e a vida e que só através dele se chega a Deus?
- Não pode haver duas verdades
- Os primeiros humanos já foram criados com a capacidade de falar
… eu respeito o cara muito antes dele ter essa visão filosófica-religiosa tão incompatível com as minhas.
Normalmente eu simplesmente rejeitaria tudo e seguiria em frente, mas a nossa razão é uma vítima fácil para as nossas emoções e enquanto ele falava minha mente buscava motivos para achar aquilo tudo bom.
O papo foi no meio de quase cem pessoas, conversas, músicas e um rodízio de pizzas e não dava para ir muito fundo na conversa que acabou ficando pela metade deixando um certo desconforto.
Cheguei a dizer uma grosseria na frente de um outro bom amigo que também é cristão… Eu disse “Só podia ser crente”… Me lembrem disso da próxima vez que eu disser que não tenho preconceitos! E na hora de dormir minha mente hiperativa me impedia de entrar nos domínios de Morpheus.
Ao acordar escrevi um email para o meu bom e velho amigo…
Como a sua crença define sua forma de ver o mundo e se relacionar com as pessoas e com voce mesmo?
Foi mais ou menos o que lhe perguntei no email e agora estou buscando nas palavras dele uma reposta para a pergunta que me perturba: a religião é boa para ele? E quero que a resposta seja sim.
Estou há horas tentando me desfazer de tudo que me parece sensato para poder mergulhar em outro universo construído por idéias que no meu mundo são pura insensatez.
A situação é pior do que o embate entre criacionismo e evolucionismo, deísmo e ateísmo. Quando a pessoa tem convicções ela pode mudá-las, mas eu simplemente não tenho convicção nenhuma! E a certeza parece estar na base do pensamento religioso do meu amigo assim como está na de muitos ateus.
O primero passo deve ser então: porque eu haveria de ter certeza? De acreditar na existência de uma verdade?
Tem que haver um sentido para tudo isso, minha vida não pode ser apenas um galho seco se quebrando em uma floresta deserta
Talvez seja isso. A nossa vida precisa ter um sentido! Somos seres dotados de consciência, seres que raciocinam, que constroem civilizações, fazem arte e precisam lidar com os horrores que também criamos como as guerras, o preconceito e a injustiça social.
Há um mal entre nós que não entendemos e o que nos protegerá dele? O que nos explicará de onde ele veio? Vamos deixar de viver todas as outras coisas que temos que viver como trabalho, filhos, amigos e o próprio amor pela vida (incluindo experimentar a arte) para tentar resolver uma equação que em 10 mil (ou seis mil para os criacinistas) não fomos capazes de decifrar? Ainda mais quando há respostas prontas?
Vivemos uma época de grandes e velozes descobertas científicas e uma grande onda de valorização da razão que ameaça as velhas tradições que sempre mantiveram nosso equilíbrio. O que aconteceria se repentinamente todos deixagem de acreditar nas instituições que sempre mantiveram nossa civilização coesa?
As investidas do ateísmo são tão intensas que é necessário construir argumentos contra ele em sua própria arena, a da razão, e assim cria-se o design inteligente.
Um dia certamente nossa crença nos Deuses será muito diferente, mas isso não pode acontecer levianamente. É necessário preservar os valores morais essenciais.
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