Cloverfield Monstro
21st, November 2008
Hoje descobri que muita gente nunca ouviu falar do suposto sucesso do ano passado. Ontem escrevi sobre ele sob uma ótica compatível lá no Meme de Carbono.
Como teve alguma coisa que eu achei que não valia a pena comentar no Meme de Carbono decidi escrever um post sobre ele aqui também.
Pode ser a seguir sem medo de ter a graça de assistir o filme estragada. Eu quase nunca entrego algo importante dos filmes que comento. E se o faço é sem querer.
Os extras tem duas informações que seriam úteis antes de assistí-lo:
- J.J. Abrams, depois de visitar o Japão, quis que os EUA tivessem um monstro nacional como o Godzila também.
- Cloverfield é um monstro bebê
Eu não diria que o filme é bom. Tem aquele jeito Lost de J.J. Abrams e suas caixas mágicas eternamente fechadas (procure a palestra dele no ted.com), mas o foco narrativo nos coadjuvantes (que comento no outro blog) e essa humanização do monstro aliados a uma profundidade psicológica um pouco maior do que o padrão em filmes deste estilo fazem a sessão valer a pena. Desde que você goste do estilo, claro!
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Tracey Fragments - Bruce McDonald
12th, October 2008
É impressionante como uma história simples pode se desdobrar em tantas facetas graças a uma grande atuação (Ellen Page no papel pricipal de Tracey Berkovitz) e, principalmente, a um roteiro e edição brilhantes!
Pode ler o restante do artigo sem medo de "spoillers" pois eu não faço isso.
Talvez a protagonista de 15 anos não seja a menina padrão dos nossos centros urbanos, mas definitivamente é um bom modelo.
Ela comete erros, pelo menos um grande erro e outros pequenos, mas, e talvez essa seja a maior qualidade do filme, não se trata de cometer ou não erros, mas da força do caráter que, a propósito, me lembra Lyra Belaqua de Philip Pullman.
Como uma jovem mulher de 15 anos se sente diante do mundo hoje? Como ela devia se sentir? Como deveria se apresentar? Como uma criança desamparada e insegura ou com independência e confiança? Tracey com certeza é mais forte e segura que a maioria dos adultos no filme. Aliás é uma das personagens mais fortes que tive o prazer de conhecer.
Além da excelente atuação de Ellen Page temos a edição que povoa a tela de pequenas janelas onde fragmentos da história circulam em ritmos e fluxos de tempo dispersos construindo uma experiência intelectualmente estimulante, rica e significativa. Você provavelmente se lembrará de Memento, mas esta película vai além tecendo simultaneamente cenas do início, do meio e do fim.
Curiosamente a narrativa fragmentada contrasta com a personalidade solidamente (e precocemente) coesa da protagonista o que me fez pensar que o mundo em transição deste início de século pode ser frágil, mas nós humanos nos tornamos mais fortes mantendo o equilíbrio desse complexo móbile.
É um filme para comprar e ter em casa.
Sugiro apenas que você afie o Inglês antes de assistí-lo e evite as legendas para saborear cada fragmento da narrativa.
Em tempo… O filme é baseado no livro homônimo de Maureen Medved, um dos próximos na minha lista de leituras.
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Lost e a caixa mágica
27th, August 2008
Desde o final da primeira temporada de Lost eu digo que o mistério jamais será explicado e que não passa de zumbirundum e isso é péssimo pois é uma enganação para o espectador que espera por uma explicação definitiva que nunca virá.
Pode-se dizer que o mistério e senso de deslumbramento é bom, que nossa civilização passa por um momento onde o deslumbramento religioso é inviável (a menos que você se esforçe bastante para manter a fé apesar de todos os fatos) e não foi substituído por um novo deslumbramento.
Pensando agora mesmo enquanto escrevo me ocorre que não há razão para não se deslumbrar pois nossos avanços científicos em todas as áreas (vide as palestras no TED) são mais deslumbrantes do que qualquer religião já foi! O que temos descoberto sobre o Universo, nossas mentes, nossos irmãos terráqueos (vegetais, animais e outros reinos), nossa consciência (que gosto de chamar de espírito)… é tudo de tirar o fôlego!
Então vem o J.J. Abrams com sua caixa mágica, a ilha de Lost:
Pois ele me convenceu. Percebi que os mistérios de Lost são mistérios diferentes daqueles que faziam nossos antepassados se reunir em torno de fogueiras e se entregarem à perplexidade diante de coisas que hoje são banais e corriqueiras para nós. Ninguém mais se deslumbra ao ver que um meteoro entrou em nossa atmosfera e está se queimando, pelo menos não a ponto de achar que ele esconde algum espírito benigno ou maligno.
Hoje os espíritos se escondem nas profundezas da nossa mente e dos mecanismos dos nossos memes e, talvez, em regiões do Cosmos que mal começamos a antever e, depois de ouvir o J.J. Abrams quero me desculpar e dizer que Lost pode ser um bem para a humanidade…
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Christian Bale também é ator!
21st, August 2008
Ao ver Christian Bale ao lado de Heat Ledger em Curinga, O Agente do Caos, quer dizer, Batman, o Cavaleiro das Trevas, corremos o risco de subetimá-lo.
Ah! Mas se você assistir The Machinist (O Operário) sua opinião mudará totalmente.
Em primeiro lugar há a entrega do ator ao personagem que apresenta uma magreza anoréxica impressionante, em segundo lugar existe a coragem de se envolver em um projeto como este.
Completamente fora da estética de Hollywood, O Operário tem fortes traços do impressionismo alemão e a capacidade de transmitir a angústia do protagonista a cada frame, sem precisar de palavras.
Admiro muito as pessoas que se envolvem em experiências estéticas ou morais (estou pensando em Dogville e na Nicole Kidman) por amor à arte.
Christian Bale, além dos méritos acima, nos surpreende com uma atuação impressionante.
Apesar de O Operário não chegar a ser um divisor de águas, ele certamente tem alguns grandes méritos para quem gosta de cinema e busca mais do que entretenimento. É um filme que merece um lugar nas prateleiras de todo bom cinéfilo.
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Juno
19th, August 2008
Existe uma delicadeza em Juno que é incomum. Algo que vemos em filmes como Pequena Miss Sunshine ou Ponte para Terabítia.
Gosto de classificar bons filmes de acordo com a sua capacidade de projetar em nossas emoções o mundo que não queremos ter ou o mundo que gostaríamos que fosse real.
Nos últimos tempos os retratos construídos são pessimistas demais ou ingênuos demais.
É nisto que Juno me parece uma obra ímpar: o que vemos é um mundo bom, um onde gostaríamos de viver. Com personagens que gostaríamos de ser. No entanto a perfeição ingênua de outras obras passa longe ali.
Não é segredo que este filme é sobre uma menina de 16 anos que engravida e precisa decidir como lidar com isso.
Pode continuar lendo pois abomino "spoillers" e não vou dizer nada que prejudique o prazer da sua descoberta.
O que provavelmente te surpreenderá é a profundidade dos personagens e os seus comportamentos.
Este é um filme difícil de comentar sem estragar algumas coisas. O máximo que posso fazer é sugerir que você preste atenção no seguinte…
- A forma como as personagens encaram seus problemas
- O julgamento que eles fazem uns dos outros
- O julgamento que você faz de cada um
Preciso chamar atenção, se você assistir nos DVDs com legenda em Português, para a má tradução: o tempo todo a protagonista se refere ao bebê como "coisa" até um momento específico. A legenda usa o tempo todo a palavra bebê.
O ponto mais importante de Juno, na minha opinião, é que ele é mais um sinal de mudança de paradigmas, neste caso, acho, para outro melhor do que o anterior.
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