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	<title>Galeria de Espelhos &#187; Devaneios</title>
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	<description>A arte é o ar que a consciência respira</description>
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		<title>Sessão de autógrafos</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 02:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[celebridades]]></category>
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		<description><![CDATA[O sapato de salto alto, meio surrado e tomado emprestado da irmã mais velha, aperta seus dedinhos cuidadosamente pintados por ela mesma hoje mesmo mais cedo. Cinco vezes&#8230; Ela os pintou cinco vezes! Nervosa como estava sempre borraca ou batia &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2010/07/05/sessao-de-autografos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O sapato de salto alto, meio surrado e tomado emprestado da irmã mais velha, aperta seus dedinhos cuidadosamente pintados por ela mesma hoje mesmo mais cedo. Cinco vezes&#8230; Ela os pintou cinco vezes! Nervosa como estava sempre borraca ou batia um vento e embolava o esmalte todo. A mãe dela já estava olhando feio para a quantidade de acetona que ela estava gastando.</p>
<p>Era um longo caminho lá do alto do morro até o asfalto onde ela pegou um taxi para não chegar suada. A mãe e a irmã sentadas de cada lado tagarelando um monte de tolices, afinal ela só pensava na chance de estar ali pertinho das pessoas da tv, o resto era tolice.</p>
<p> Não foi nada fácil passar o dia! Dormiu tarde adiantando a matéria da faculdade noturna e teve uma manhã corridada de trabalho no balcão da loja de departamentos, mas agora ela já estava na livraria e só uma muldidão de menos de cem pessoas estava entre ela e a atriz da tv!</p>
<p>Sem se importar com a dor nos pés ela pula ao ver cada celebridade que entra. Umas do Big Brother, outras dos canais mais populares. Quase chora ao ver o comediante com um chamativo terno branco cheio de autógrafos!</p>
<p>&quot;Ai! Um dia vou ser uma estrela também! Será que eles vão lembrar de mim?&quot; &#8211; Não, ela não será uma estrela&#8230; Será feliz, terá marido e filhos, será promovida a gerente, talvez tenha um pequeno negócio próprio quando se mudar para uma cidade periférica já aos quarenta anos&#8230; Mas agora ela mal tem vinte anos e os olhos se enchem de lágrimas com a simples visão do personagem da tv ali a poucos metros dela!</p>
<p>Estica o celular para tirar fotos, depois manda um torpedo apressado para alguém e logo depois some no meio dos outros fãs, encontra vários amigos, todos deslumbrados (mas poucos como ela) e em algum lugar ali no meio uma moça que aparece na tv deixa seu autógrafo na contracapa de centenas de livros com sua biografia&#8230; Logo mais ela estará em uma cama solitária enquanto nossa protagonista estará caminhando com o coração a mil para um bar onde se cercará de amigos para contar as emoções de hoje porque amanhã é outro dia!</p>
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		<title>A pele lívida sob o luar&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jun 2010 01:19:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[melancolia]]></category>
		<category><![CDATA[tristeza]]></category>

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		<description><![CDATA[Fina, sua pele é impossivelmente fina e pálida, mesmo ao meio dia ela parece arrastar ao uma névoa gelada e sombria das noites sem cor. Agora é noite. Não é tarde, mas para ele o relógio sempre marca meia noite. &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2010/06/18/a-pele-livida-sob-o-luar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fina, sua pele é impossivelmente fina e pálida, mesmo ao meio dia ela parece arrastar ao uma névoa gelada e sombria das noites sem cor.</p>
<p>Agora é noite.</p>
<p> Não é tarde, mas para ele o relógio sempre marca meia noite.</p>
<p>Do mundo além da sua janela vem as vozes ruidosas de pessoas conversando, discutindo ou talvez falando coisas sem qualquer conteúdo esperando a vida passar e acabar.</p>
<p>Ela sonha, o mundo de ideias que desfila em sua mente é vasto e repleto de amigos de coração e alma puros em quem se pode confiar cegamente. Em seus desejos nem tão secretos a humanidade é livre para se abraçar sem ter que se preocupar com os problemas cotidianos que não passam de enredo para as histórias nos livros, cinemas e teatros.</p>
<p>Mas o mundo não é assim. Nem o dela, nem o nosso.</p>
<p>A sombra está lá fora mesmo quando é meia noite.</p>
<p>Os jovens que correm animados pela rua depois do colégio tem colegas perversos, pais que se afogam em vícios ou preconceitos.</p>
<p>As pessoas adultas que galgam suas carreiras profissionais se sentem amaradas pelos políticos gananciosos, pelos colegas e chefes maquiavélicos.</p>
<p>Será ela, a nossa filha da lua do começo desse texto, que carrega uma névoa de escuridão ao seu redor ou somos nós que permitimos que o mal exista e fingimos não vê-lo indo ao cinema ou escancarando os dentes na companhia de amigos tão cegos quanto nós?</p>
<p>Enquanto isso filhos e filhas da lua sentam em suas janelas sempre noturnas, sobe o banho lívido da lua, abaixam suas cabeças, encolhem-se e choram silenciosamente o mundo que só alcançamos em fantasia.</p>
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		<title>Medo</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 06:08:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[anonimato]]></category>
		<category><![CDATA[estranhos]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<category><![CDATA[multidão]]></category>

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		<description><![CDATA[Ali está a praça, um cenário e personagem silencioso para a multidão de rostos anônimos que se cruzam tão perto e ao mesmo tempo tão distantes. Tão perdidos em pensamentos esquecemos de imaginar o que passa pela cabeça dos estranhos &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2010/06/04/medo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ali está a praça, um cenário e personagem silencioso para a multidão de rostos anônimos que se cruzam tão perto e ao mesmo tempo tão distantes.</p>
<p>Tão perdidos em pensamentos esquecemos de imaginar o que passa pela cabeça dos estranhos que dividem a praça conosco. Resta então o medo&#8230;</p>
<p>Uma moça acaba de atravessar o portão depois de guardar o celular&#8230;</p>
<blockquote><p> bee_bp: <a href="http://twitter.com/bee_bp/statuses/15385687989">Tenho medo quando falam certas coisas, vão me agarrar na praça? aloka*</a>  </p></blockquote>
<p>Ao olhar para o lado ela quase esbarrou na gótica que arrastava os pés ao andar&#8230;</p>
<blockquote><p> rayssalorena: <a href="http://twitter.com/rayssalorena/statuses/15343042248">To com medo dessa praca hj a noite</a></p></blockquote>
<p>Fico imaginando de onde virá o sorriso meio irônico da menina com a mochila rosa e olhos brilhantes&#8230;</p>
<blockquote><p> rafafacio: <a href="http://twitter.com/rafafacio/statuses/15332806015">&#8220;Eu ficaria contigo, mas você é tensa, tenho medo de ser manipulado&#8221; É esse o meu status na praça, então? Hahaha #meninamáfeelings</a>  </p></blockquote>
<p>Do outro lado da rua vejo alguém fazer o caminho mais longo para evitar a praça&#8230;</p>
<blockquote><p> saradeabreu: <a href="http://twitter.com/saradeabreu/statuses/15285158351">hoje chego um carinha perguntando o número do nosso telefone na praça. eu fiqei com medo  dele o_o&#8217; </a> </p></blockquote>
<p>É engraçado, mas não imaginava um sorriso tão ingênuo como o do coroa que acaba de passar&#8230;</p>
<blockquote><p> sapopimentado: <a href="http://twitter.com/sapopimentado/statuses/15210648138">@joaomariavicent  acho que R C tem medo dos pombos &#8220;cagarem&#8221; naquela estátua de bronze no meio da praça</a> </p></blockquote>
<p>Tem uns bancos na praça e solitários lendo seus livros de papel ou de bits. Eles não parecem ter medo&#8230;</p>
<blockquote><p>sobreteesquecer: <a href="http://twitter.com/sobreteesquecer/statuses/15390705268">RT @GuiVales a @sobreteesquecer  nem fico com medo de andar na praça silvio romero agora de noite não viu UHSAHUHSUAUHSAUH</a> </p></blockquote>
<p>E aquele carregando tantas grifes que parece um outdor? Do tênis à mochila, sem esquecer do iPod&#8230;</p>
<blockquote><p>tverdescolinas: <a href="http://twitter.com/tverdescolinas/statuses/15219744137">Nesse sábado, em Vitória, acontece mais uma edição do &#8220;Tá com medo? Pra que veio?&#8221; O encontro acontece na Praça da Matriz.</a> </p></blockquote>
<p>Já começo a pensar que praça é mesmo um lugar de medo e pessoas estranhas&#8230;</p>
<blockquote><p>thiagomuller96: <a href="http://twitter.com/thiagomuller96/statuses/15127544780">que medo, tem um cara fumando e falando sozinho na praça aqui em frente&#8230; (meeeedo)</a></p></blockquote>
<blockquote><p>claryhitz: <a href="http://twitter.com/claryhitz/statuses/15190572725">A única diferença da praça  holandesa para a nossa, é que lá ng fica te encarando, e ng te dá medo. #brasileirosindiscretos</a> </p></blockquote>
<p>E o rapaz solitário que escala árvores, será que não tem amigos?</p>
<blockquote><p> itwm_restart:<a href="http://twitter.com/itwm_restart/statuses/15066583893"> Hoje, um pouco antes do povo chegar na praça eu tava escalando a árvore. Bom, não deu muito certo, pq era alta e eu tava com medo &#8230;</a>  </p></blockquote>
<p>Se pudêssemos ver nossos pensamentos será que teríamos tantos medos?</p>
<blockquote><p>Roneyb: <a href="http://twitter.com/roneyb/statuses/15396206614">Praças são curiosas, desconhecidos se cruzam sem jamais saber o que pensam, será que tem medo?</a> <a href="http://bit.ly/b0d9DW">http://bit.ly/b0d9DW</a></p></blockquote>
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		<title>Vinte e cinco</title>
		<link>http://www.roney.com.br/2010/05/13/vinte-e-cinco/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 23:56:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[bodas]]></category>
		<category><![CDATA[casamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Há 25 anos eles se olharam nos olhos e souberam que seria para sempre enquanto durasse. E durou! Os anos se passaram, os dois sofreram muito juntos, superaram muito juntos. Tiveram medo, fizeram mal um ao outro, se separaram algumas &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2010/05/13/vinte-e-cinco/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há 25 anos eles se olharam nos olhos e souberam que seria para sempre enquanto durasse.</p>
<p>E durou!</p>
<p>Os anos se passaram, os dois sofreram muito juntos, superaram muito juntos.</p>
<p>Tiveram medo, fizeram mal um ao outro, se separaram algumas vezes porque não estava sendo bom estar juntos, porque em vez da presença do outro trazer força ela trazia acomodação&#8230; Era um ponto de fuga e não de superação.</p>
<p>É, eles separaram seus corpos várias vezes, mas nunca deixaram de se olhar, nunca deixaram de se amar e os anos foram passando.</p>
<p>Lá pelos 18 anos decidiram que não valia mais a pena se afastar, que, qualquer que fosse o problema, era melhor enfrentar juntos.</p>
<p>Foi indo assim até que essa semana, meio sem perceber, meio de supresa, eles notaram que a jornada já se estendia por vinte e cinco anos.</p>
<p>Ainda ontem eles tinham seus vinte anos e se emocionavam lendo <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?id_link=4653&#038;nitem=53100&#038;sid=87152193712513454966156839&#038;k5=2B17A824&#038;uid=">A Ponte para o Sempre</a>&#8230;.</p>
<p><a href="http://www.amazon.com/gp/product/0061148482?ie=UTF8&#038;tag=galedeespe-20&#038;linkCode=as2&#038;camp=1789&#038;creative=9325&#038;creativeASIN=0061148482"><img border="0" src="http://www.roney.com.br/wp-content/uploads/2010/05/bridge_across_forever.jpg"></a><img src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=galedeespe-20&#038;l=as2&#038;o=1&#038;a=0061148482" width="1" height="1" border="0" alt="" style="border:none !important; margin:0px !important;" /></p>
<p>Agora bodas de Prata&#8230;</p>
<p>Ano que vem serão bodas Alexandritas, coisa engraçada, bodas Alexandritas.</p>
<p>Engraçado mesmo é que um quarto de século não lhes pareceu especial.</p>
<p>Primeiro que eles ainda saboreiam cada momento de vida juntos, não que todos momentos sejam agradáveis, é que eles são memoráveis e 25 anos de experiências para lembrar é muito pouquinho! Eles querem mais setenta e cinco pelo menos!</p>
<p>Aliás essa é a idade do pai dela&#8230; Setenta e cinco anos&#8230; Também parece pouco. Há sempre tanto para descobrir e viver!</p>
<p>Depois que todo mês tem algo para comemorar! A superação de um problema, uma conversa sobre aquela dorzinha profunda que é difícil admitir para nós mesmos, uma tarde de pura placidez quando o mundo parece se dissolver e passado e futuro deixam de existir&#8230;</p>
<p>Eles não precisam esperar um ano para comemorar bodas pois há sempre um momento eterno a comemorar, um momento de Lotus, que não é boda, mas é eterno nas histórias que um imprimiu na alma do outro&#8230;</p>
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		<title>Uma crônica de amor</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 12:59:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
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		<category><![CDATA[casamento]]></category>
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		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[Advertências Essa é uma crônica sobre amor e amizade e em algum momento fala em sexo. Se falasse em casais psicopatas que matam os filhos ou em ódio contra criminosos qualquer um poderia ler, mas como toca em sexo a &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2010/03/31/uma-cronica-de-amor/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Advertências</strong></p>
<ul>
<li>Essa é uma crônica sobre amor e amizade e em algum momento fala em sexo. Se falasse em casais psicopatas que matam os filhos ou em ódio contra criminosos qualquer um poderia ler, mas como toca em sexo a moral vigente me obriga a avisar que há conteúdo adulto e você não deve ler se for menor de idade</li>
<li>Apesar de não aprovar o uso de drogas algum personagem dessa crônica as usa e não cabe a mim impedí-los, mas esse é outro tabu que me obriga a desestimular os jovens a continuar a leitura. Se em vez de droga eu falasse sobre seus amigos irem para o inferno por não aceitarem essa ou aquela divindade tudo estaria certo</li>
<li>Finalmente aviso que essa é uma obra ficcional e qualquer semelhança com a realidade é porque a realidade é moldada assim mesmo: nasce e se desenvolve na ficção e, de vez em quando, se torna real de outras formas</li>
</ul>
<h2>A primeira noite de Marianna e ele</h2>
<p>Ela está atrasada e o telefone está fora de área. Eles tinham combinado de ir juntos a um evento no hotel Glória e depois entrar pela madrugada juntos na casa dela.</p>
<p>Eles tem vinte e bem poucos anos, são independentes, trabalham, moram sozinhos e estão profundamente apaixonados, mas essa será a primeira noite juntos e livres para se curtirem.</p>
<p>Ela mora no quinto andar de um prédio sem elevador, com corredores bem iluminados, paredes de madeira clara, apartamentos com uma sala grande, um quarto e uma cozinha.</p>
<p>Ele vai até lá cheio de espectativas, leve e feliz porque sabe que nada nela pode magoá-lo assim como ele jamais a magoaria. Um atraso é apenas um atraso e de qualquer jeito a noite será linda para os dois.</p>
<p>Chegando ao andar ele abre a porta do apartamento dela (ela e os vizinhos não trancam suas portas), vê a mesa arrumada com velas e outros ítens românticos e sorri com a preocupação em fazer uma noite especial. Ela deve ter ido comprar vinho&#8230;</p>
<p>Ele dá um pulo no apartamento vizinho para ver se ela está com as duas vizinhas. Ele percebe que as duas estão no quarto namorando e se vira para não interromper, mas ao ouvir o ruído de alguém entrando elas o chamam, ele vai até lá, coloca apenas o rosto para dentro e elas lhe dizem que o evento no hotel foi cancelado, mas Marianna não pode avisar porque o telefone dele não estava funcionando e que ela estava aprontando o apartamento para eles dois nervosíssima para criar uma noite perfeita.</p>
<p>As duas são um pouco mais velhas que ele e Marianna. Estão juntas desde sempre, são o tipo de casal modelo e amigas com quem nos sentimos totalmente a vontade. Eles ficam ali conversando um pouco sobre trivialidades. Ele nota o olho vermelho das duas, um pouco pelo sono, um pouco pela maconha que fumaram.</p>
<p>Eles escutam barulho no apê da Marianna. Ela chegou! Coisas caem e solta algum palavrão. Mesmo sabendo que as noites deles dois sempre são perfeitas, sem palavras não ditas, sentimentos escondidos ou intensões não reveladas pois a amizade deles sempre foi transparente como cristal, ela se irrita pois queria uma noite com coisas perfeitas.</p>
<p>Antes que ele possa ir ajudá-la ela atravessa a porta das vizinhas e ao vê-lo abre um grande sorriso. Nossa&#8230; Como o sorriso dela é lindo! Seus cabelos encaracolados e longos emolduram um rosto redondo. Os olhos dele se perdem nas curvas generosas do corpo moreno dela, ligeiramente gordinho, com pernas grossas e perfume inconfundível. Ela provavelmente pensa o mesmo dele a julgar pela forma como seus olhinhos brilham. Os dois se despedem das amigas e vão para a penumbra da sala de Marianna.</p>
<p>Sem perceber como já estão praticamente sem roupas, se beijando enquanto caminham até um divã que fica no lado direito da sala. É uma noite quente e os beijos são salgados como se tivessem ido à praia e os dois ainda tem o agradável cheiro do sol.</p>
<p>Sentados no divã lábios, mãos e línguas exploram os corpos cheios de desejo de formas que as palavras não conseguem descreve e que os próprios sentidos confundem. Ele sente a mão firme dela apertá-lo com desejo enquanto a boca delicada brinca com seus mamilos, os dela também deslizam para dentro da sua boca&#8230; Ela desce e ele se sente envolver por uma suavidade que não esperava nos lábios de nenhuma mulher, é como se uma nuvem morna o engolisse. Suas mãos também deslizam pelo corpo dela até chegar entre as coxas grossas, macias e morenas.</p>
<p>Eles estão tontos, apaixonados, mareados de amor e desejo. Sõ pessoas de sorte por viver em um mundo de amizades e amores livres de jogos onde as pessoas aprenderam a só se relacionar com quem se sentem à vontade.</p>
<p>No entanto ela não afasta as pernas para que sua mão possa deslizar mais. Os dois ainda se beijam em êxtase, mas escutam no pensamento um do outro que ainda não é o momento.</p>
<p>Ele tem outra mulher, os dois sabem. Uma mulher que ele ama apesar de ser imperfeita. Uma mulher que ela também ama como amiga.</p>
<p>O amor deles dois é puro e pleno, mas não pode se realizar. Ela sempre estará ali para ele, dentro dos pensamentos dele assim como ele existe nos pensamentos dela.</p>
<p>Eles se olham embevecidos de amor e compreensão mútua. Os olhos sorriem, os corpos suados ainda se mesclam, mas ambos sabem que ela é um sonho e logo ele acordará.</p>
<p>Ela é um sonho, mas é real. Seu sorriso, a maciez do seu corpo, o cuidado perfeccionista com que cuida das coisas, o jeito como ouve os amigos que precisam de ajuda (sem julgar e muito menos condenar), os sonhos para o futuro da carreira em marketing e relações internacionais, o futuro com ele&#8230; Tudo isso é tão real quanto todas as outras criações do espírito humano.</p>
<p>Em algum lugar ela e ele existem. Seguem seus caminhos livres para viver os pequenos e os grandes desafios, mas sempre estarão juntos e talvez o ele sonhador e a ela que dorme ao seu lado um dia os conheçam e possam compartilhar com eles a mesma amizade&#8230;</p>
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		<title>A primeira cópia</title>
		<link>http://www.roney.com.br/2009/11/20/a-primeira-copia/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 22:31:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[ciborgue]]></category>
		<category><![CDATA[consciência]]></category>
		<category><![CDATA[imortalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Um cientista conversa com sua própria consciência transferida para um corpo cibernético <a href="http://www.roney.com.br/2009/11/20/a-primeira-copia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abro meus olhos e me vejo.
</p>
<p>Não é a minha imagem no espelho, sou eu mesmo com um olhar entre surpreso, efusivamente feliz e receoso. Me sinto do mesmo jeito, é claro! Mas as emoções ainda são um pouco confusas, tropeçam na minha falta de habilidade para espressá-las no novo corpo cujas sobrancelhas, testa e músculos faciais ainda não sei controlar muito bem. Sinto o coração que não tenho bater acelerado no peito onde na verdade estão unidades de bateria sólida que não produzem qualquer tipo de vibração ou pulsação.<br />
  
</p>
<p>Hoje deve ser o dia 29 de outubro de 2057. Minha consciência deve ter sido plenamente transferida do eu que está diante de mim para um novo corpo totalmente mecânico. Sou o primeiro humano a migrar para um corpo ciborgue.
</p>
<p>- Tudo bem com você? &#8211; O meu corpo orgânico me pergunta.
</p>
<p>- É estranho como havíamos previsto. Há diversas capacidades que eu terei e não tinha antes, imagino o que nossa consciência poderá fazer agora sem as limitações do cérebro humano!
</p>
<p>Olho ao redor e percebo que o laboratório não é o que devia ser. Parece mais um depósito abandonado cheio de caixas empilhadas, poeira, janelas com vidros cobertos de poeira, ouço ruídos característicos de um terminal de operações de um porto marítimo. Nosso laboratório era uma das mais avançadas instalações do mundo.
</p>
<p>A propósito noto que meu raciocínio não parece muito mais veloz do que antes. Aos poucos vou me conscientizando dos meus processos mentais e definitivamente há algo errado. O multiprocessamento por exemplo está ausente. Eu deveria ser plenamente capaz de ouvir 10 pessoas falando em línguas diferentes enquanto resolvesse diversos problemas matemáticos e&#8230; Definitivamente há algo errado.<br />
  
</p>
<p>- Tem algo errado. Minhas funcões e capacidade de processamento são praticamente iguais às suas &#8211; tento gesticular e não consigo &#8211; e acabo de notar que também não posso me mover. E que laboratório é esse?
</p>
<p>- Vamos por etapas, certo? Nós dois sabemos que a transição da nossa consciência para o corpo onde você está agora seriam um choque para qualquer mente humana e por isso decidimos usar nossa própria consciência como primeiro teste, afinal somos uma das mentes mais poderosas do planeta e fomos considerados possuidores de uma lógica quase Vulcana.
</p>
<p>Vejo meu corpo orgânico me olhar com mais tranquilidade, provavelmente porque minha voz deve ter soado segura apesar de preocupada, e realmente me sinto bem. Só a curiosidade me incomoda, afinal o plano era fazer o upload da nossa consciência sem qualquer limitação confiando que seríamos capazes de suportar o impacto. Isso só pode significar que não deu certo e eu enlouqueci&#8230;
</p>
<p>- Quantos foram antes de mim? Quanto tempo se passou desde que você fez o download da sua, digo, da nossa consciência para a unidade positrônica? &#8211; Perguntei<br />
  
</p>
</p>
<p>- Você é o nono. O primeiro quase matou todos nós. Ele tomou conta do laboratório e pretendia fazer algo com toda a espécie humana orgânica, talvez destruí-la e por pouco não conseguiu.
</p>
<p> &#8211; Por isso não estamos no laboratório eu suponho&#8230; Esse é um lugar seguro onde eu possa ser destruído rapidamente sem que ninguém mais seja ferido ou nós dois estamos trabalhando clandestinamente?
</p>
<p>- Fiz os sete seguintes e você clandestinamente. Demorei sete anos. Estamos em 23 de setembro de 2064. Se nós prestássemos mais atenção ao espelho você teria notado que estou um pouco mais envelhecido! Hahaha! Tive que sacrificar o tratamento de envelhecimento tanto para ter recursos para continuar a pesquisa quanto para passar desapercebido como se fosse das classes pobres sem recursos para manter a juventude.
</p>
<p>- Você fez bem Guilherme&#8230; Mesmo com as limitações sinto várias coisas estranhas. Você conseguiu conversar com os outros?
</p>
<p>- Não&#8230; Na verdade tive que limitar seus recursos a um status inferior ao meu, sem falar na desativação dos braços e pernas. Minha homoplata ainda doi depois do ataque do número 3&#8230;
</p>
<p>- Bem, não sabemos então se eu darei certo. É irônico. Se nossa mente fosse capaz de suportar o universo de recursos físicos e mentais superiores de um corpo e cérebro robóticos eu seria praticamente imortal, no entanto é provável que não viva mais do que alguns dias.
</p>
<p>Continuo&#8230;
</p>
<p>- Então preciso relatar como estou me sentindo. Mesmo com as limitações impostas percebo que minha consciência já é muito diferente da sua. Sei por lembrança que me importaria mais com algumas coisas e menos com outras. Talvez não tenha sido uma boa ideia nos livrar das porções mais primitivas do cérebro onde residem as emoções. Falta-me uma certa sensibilidade, é difícil definir o que faz falta. Gostaria de criar um poema para você. Imagino que tudo esteja sendo gravado, certo?
</p>
<p>- Sim, claro! E eu&#8230; Fale seu poema.
</p>
<p>Em seguida eu improviso o seguinte:
</p>
<blockquote>
<p>Lâmina
  </p>
<p> O Líquido na lâmina
  </p>
<p>No líquido microscópicas vidas erráticas
  </p>
<p>Erráticas como meus devaneios
  </p>
<p>perdidos na lâmina
  </p>
<p>Transparente<br />
    
  </p>
</blockquote>
<p>- Que tal?
</p>
<p>- Já vi piores, mas sugere uma preocupação e identificação com todas as formas de vida, como se houvesse consciência em todas elas. Não parece algo que uma consciência robótica seria capaz de criar.
</p>
<p>- Você tem algum plano para me tornar viável? Tenho certeza que nesse momento você não tem a menor intensão sequer de me dar movimentos.
</p>
<p>- Sim, e sim. Você pode ter enlouquecido como os outros, mas estar esperando que eu lhe dê recursos para me suplantar antes de tomar qualquer atitude. E meu plano me custou 3 anos refazendo seus sistemas básicos. Há várias barreiras para cada recurso físico e principalmente mental que devem ir sendo derrubadas ao longo dos anos conforme nossa consciência vá se ajustando ao novo receptáculo.
</p>
<p>- Você percebe que estamos falando em NOSSA consciência, mas as semelhanças entre nós são ínfimas, não é?
</p>
<p>- Você é o primeiro a falar em nossa consciência. Os outros enlouqueceram imediatamente com as novas possibilidades e passaram a se referir a eles mesmos como A Consciência.
</p>
<p>- Compreendo. Gostaria que você me permitisse utilizar pelo menos o que temos agora para fazer algo por todos nós. Não quero me mover tão cedo. Não sei se posso confiar na minha capacidade de me manter são, mesmo com os limites atuais. Guilherme, eu preciso ficar sozinho e escrever, transformar tudo que estou sentindo e pensando em contos, livros, teses de ciberpsicologia. E&#8230; Bem, acho que você precisa voltar ao tratamento de juventude, pois talvez demore muito para eu confiar em mim mesmo e outro tanto para vocês confiarem em mim&#8230;
</p>
<p>- Assim será. Quando quiser falar comigo basta ativar o chamado de emergência. Tudo que você escrever poderá ser transferido para o meu espaço de documentos automaticamente assim poderei acompanhar suas reflexões.
</p>
<p>Vejo o Guilherme, digo, eu caminhando até as pesadas portas do armazêm, antes de fechá-las lanço um olhar para meu corpo ciborgue, digo, o Guilherme me lança um olhar de carinho e logo depois as portas se fecham, as luzes se apagam. Estou entregue aos meus pensamentos.
</p>
<p>Começo:
</p>
<h2 align="center">Guilherme 9.0<br />
</h2>
<p align="center">A saga de uma consciência cibernética<br />
  </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Estátua</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 11:12:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Ipanema]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza]]></category>

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		<description><![CDATA[E você? O que sente ao observar o mundo? <a href="http://www.roney.com.br/2009/09/10/estatua/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float: left;" alt="Estátua na praça Nossa Senhora da Paz - Ipanema - RJ" src="http://farm1.static.flickr.com/219/505823889_3887a7a411.jpg" />&nbsp;</p>
<p>Indiferente&#8230; Ela me fita indiferente. Ano, décadas, séculos, talvez milênios, quantas vidas seus olhos vazios assistirão até que o tempo se esgote, que as partículas impiedosas de oxigênio finalmente a transormem novamente em pó?</p>
<p>O garoto e sua irmã sentem a areia agradavelmente áspera sob seus pés enquanto caminham descalços, finalmente livres do lar pobre ou talvez da companhia insuportávl dos pais.</p>
<p>Olham com medo para o policial que tenta ajudá-los, com desconfiança para as pessoas ricas do asfalto que nunca se importaram.</p>
<p>Pode ser que a fuga não seja nada além da natural rebeldia adolescente, talvez seja mais uma vez vidas perdidas entre os jogos de poder de uma humanidade jovem demais, ainda indiferente demais.</p>
<p>Suas mãos languidamente largadas sobre o colo como se dormisse, indiferente a nossos amores, nossos sonhos e pesadelos.</p>
<p>Amanhã ela estará lá, coberta por gotas da chuva noturna, mas sem nem uma lágrima sequer.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O barquinho vai, a tardinha cai</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 01:35:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[epitáfio]]></category>

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		<description><![CDATA[Despedida para o amigo Gustavo Rocha <a href="http://www.roney.com.br/2009/08/16/o-barquinho-vai-a-tardinha-cai/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ele está ali, plácido como um lago em dia sem vento. Ele sempre está plácido, mas dessa vez é diferente. Ele já não cantará para nós e teremos que nos satisfazer com as piadas que ele já contou pois não haverá novas.</p>
<p>Em algum lugar talvez ele esteja descobrindo novas bossas, mas nós que ficamos lembraremos dele a cada vez que as águas de março vierem fechar o verão sem cerimônias.</p>
<p>Ainda plácido. Mãos meditativamente cruzadas e o rosto tranquilo. Dá paz olhar ali para ele tão calmo. Mas choramos, claro. Não pela dor dele, mas pela da nossa saudade e um pouco pela responsabilidade de continuar o trabalho daquele grande e puro coração que cantava o mundo com as cores da alvorada quando tudo está começando e a vida é mais leve que ao meio dia.</p>
<p>A paz em seu rosto e seus olhos levemente fechados é tanta que dá vontade de deitar ali ao lado dele e descansar um pouco pretegido de todo e qualquer mal&#8230;</p>
<p>No entanto o toque inexorável da morte é bem visível no arroxeado da sua pele e, ainda assim, tudo que vejo ao olhar para ele é aquela profunda paz do barquinho que vai pelo oceano enquanto a tardinha cai.</p>
<p>Adeus amigo, você fará falta.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Diogo e João no corredor</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 01:55:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[doaÃ§Ã£o]]></category>
		<category><![CDATA[sangue]]></category>

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		<description><![CDATA[Os dois amigos caminham apressados pelo longo corredor. O piso velho e encardido e um pouco sujo, aqui ou ali um papel de bala ou de chiclete. As paredes cobertas de cartazes anunciando festas dos grêmios, oportunidade de estágios, doações &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2009/07/20/diogo_e_joao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os dois amigos caminham apressados pelo longo corredor. O piso velho e encardido e um pouco sujo, aqui ou ali um papel de bala ou de chiclete. As paredes cobertas de cartazes anunciando festas dos grêmios, oportunidade de estágios, doações de cachorros, apelos para encontrar cadernos perdidos.<br />A luz que entra das janelas estreitas no alto do corredor lança uma atmosfera irreal entre o outono e a primavera muito embora seja inverno e os dois estejam bem agasalhados.<br />
<blockquote>- O problema, Diogo, é que ninguém se importa depois que chega lá, depois que obtém uma posição ou poder&#8230; É cada um por si, pô! Quem vai fazer um sacrifício desinteressado? E se já obteve poder porque precisa fazer o mínimo sacrifício?<br />- Cara&#8230; a gente pensa muito em termos de poder material&#8230; Já viu político corrupto, rico ganancioso plenamente felizes? O fato de procurarem sempre mais, mais e mais deixa bem claro que ainda falta algo.</p></blockquote>
<p>Chegam à  porta da próxima aula, sala vazia&#8230; Avisaram que o professor não iria, gripe suína, mas eles esqueceram&#8230;<br />Quase duas horas até a próxima aula, dá para ir num dos bares ao redor da faculdade, deve estar cheio de gente lá como sempre, afinal para que vamos à  faculdade senão para encontrar com a galera no boteco? Se fosse só para aprender não precisava aguentar aquele esquema horrí­vel de &#8220;ensino&#8221;.<br />De repente não dá vontade de encontrar com ninguém no bar, melhor ficar ali mesmo, traçar o sanduba que está na mochila e passar a matéria pois tem um teste na última aula.<br />Sentam no chão do corredor de frente para o cartaz da campanha de <a target="_blank" href="http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/lista_hemocentros_brasil_regional_2008.pdf">doação de sangue</a>.<a target="_blank" href="http://monalisadepijamas.virgula.uol.com.br/sem-categoria/a-corrente-do-bem"><img alt="Cartaz da campanha de doação de sangue do Ministério da Saúde" title="Entre apa a Corrente Sanguí­nea: doe sangue e convide alguém" style="max-width: 800px; float: right; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px;" src="http://www.roney.com.br/wp-content/uploads/2009/07/doesangue.jpg" width="288" height="416" /></a><br />
<blockquote>- Ali ó: &#8220;Corrente do Bem, entre para a Corrente Sanguí­nea&#8221;&#8230; Já viu quanta gente doa sangue? Quase ninguém. <br />- Hummm&#8230; &#8220;Doe sangue e convide alguém a doar&#8221;. Sempre convido, de cada 10 somente um vai&#8230;<br />- Isso se chama individualismo. A gente fala dos estadunidenses, mas eles doam e participam mais de projetos sociais que a enorme maioria dos brasileiros.<br />- Cara, e os papos de cibercultura? As mobilizações cada vez mais comuns ao redor do mundo pelos direitos iguais de gente que nunca vimos nem nunca veremos? Sou otimista e acho que esse individualismo escroto vai dminuir&#8230; tá diminuindo&#8230;<br />- Já eu acho que isso é um punhado de gente que sempre existiu e sempre vai ser minoria. Nossa civilização é doente, cara&#8230;<br />- &#8230; é&#8230;</p></blockquote>
<p>Risadas e vozes se misturam vindo do outro lado do corredor, uma brisa quente vem de algum lugar estranho já que o inverno lá fora resseca lábios e arranca lágrimas dos olhos dos mais desavisados. É um grupo de seis ou sete alunos de outra turma, desconhecidos dos nossos dois protagonistas, todos com um dos braços flexionados e rindo do medo que um deles tivera de doar sangue. A vítima das chacotas ria aliviada agora que já tinha passado e se justificava dizendo que tinha medo de agulhas por causa do tio desajeitado que lhe aplicava injeções quando era criança.<br />Os dois amigos sentados no chão se entreolham e, bem, &#8220;que se dane a civilização! Ela que faça ou deixe de fazer o que quiser&#8221;, levantam e descobrem onde os outros acabaram de doar sangue para fazer eles também seu pequeno papel. Pequeno para eles, mas grande para alguém.</p>
<div class="zemanta-pixie"><img class="zemanta-pixie-img" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=b1a7e411-56a5-8bf4-b97a-5dc28e9e930c" /></div>
<p>Adicionado em 13/04/2010:</p>
<p>Mapa de locais de doação no Brasil (por <a href="http://twitter.com/lesilva">@Lesilva</a></p>
<p><iframe width="425" height="350" frameborder="0" scrolling="no" marginheight="0" marginwidth="0" src="http://maps.google.com/maps/ms?source=s_q&amp;ie=UTF8&amp;hl=pt-BR&amp;t=h&amp;msa=0&amp;msid=100116404671948059549.0004684aefb3db66bda04&amp;ll=-13.614998,-51.339039&amp;spn=32.898733,32.959983&amp;output=embed"></iframe><br /><small>Visualizar <a href="http://maps.google.com/maps/ms?source=embed&amp;ie=UTF8&amp;hl=pt-BR&amp;t=h&amp;msa=0&amp;msid=100116404671948059549.0004684aefb3db66bda04&amp;ll=-13.614998,-51.339039&amp;spn=32.898733,32.959983" style="color:#0000FF;text-align:left">Hemocentros Brasil</a> em um mapa maior</small></p>
<p>Vale a pena conhcer também a <a href="http://www.veiasocial.com.br/">Veia Social</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Noite em Ouro Preto</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 01:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[adolescente]]></category>
		<category><![CDATA[assassinato]]></category>
		<category><![CDATA[cemitério]]></category>
		<category><![CDATA[drogas]]></category>
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		<category><![CDATA[faunos]]></category>
		<category><![CDATA[festa]]></category>
		<category><![CDATA[paganismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela acorda sem saber onde, sem saber como e as memórias da noite anterior vem assombrá-la e protegê-la <a href="http://www.roney.com.br/2009/07/07/noite-em-ouro-preto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela acordou com frio. Ainda não havia amanhecido. Viu sobre ela o céu começando a tomar a tonalidade púpura que antecede o nascer do sol. O chão sob ela&#8230; estranho, ela estava deitada no chão&#8230; áspero e arenoso arranhava seus cotovelos conforme tentava se levantar e lembrar como tinha chegado ali.
</p>
<p>Aliás, onde era ali?
</p>
<p>Tonta. Um zumbido no ouvido. Estava de ressaca. A brisa fria que soprava a franja fazendo cócegas na sua testa aliviava um pouco a dor, mas piorava o enjoo.
</p>
<p>É um cemitério. &#8220;Merda, dormi num cemitério!!&#8221;
</p>
<p>Os primeiros raios de sol começam a atingir sua pele pálida e com eles as memórias da noite anterior vem assombrar seu dia.
</p>
<p>Excessos.
</p>
<p>Beijos demais, bebida demais, drogas demais, luzes demais e muita dança. Dançou de se acabar e já não sabia se eram beijos ou o rodopiar do corpo no ritmo febril da noite que a deixou tão tonta que não dava mais para continuar.
</p>
<p>As ruas estavam vazias quando ela atravessou a porta de madeira pesada e grossa deixando para trás aquele big bang de estímulos mergulhando na noite profunda e silenciosa.
</p>
<p>Silêncio&#8230; Era isso que a atraíra.
</p>
<p>Rua após rua foi fugindo dos sons até que os pasos de um gato a incomodaram tanto que acabou enveredando pelo cemitério depois de escalar o muro com alguma dificuldade.
</p>
<p>Ali, no silêncio literalmente sepulcral, passeando entre as ruas da acrópole dos esquecidos seus sonhos começaram a invadir a noite com desfiles de faunos, fadas, dragões e criaturas foragidas de catacumbas que dançam ao seu redor exorcisando o assustador mundo onde a fantasia, a mágica e os sussuros dos nossos avós são demonizados por homens e mulheres assustados demais para apreciar a lua e seus segredos.
</p>
<p>Dorme ali mesmo na companhia dos seus anjos protegida dos gritos de outra moça com menos sorte que vê sua vida se esvair formando delicados rios rubros sobre a lápide desconhecida.<br />
  
</p>
<blockquote>
<div align="left">
<blockquote>
<p><font size="2">Inspirado pelo absurdo caso da <a title="Assassinato de Aline em Ouro Preto, RPG" target="_blank" href="http://felipedeamorim.opsblog.org/2009/07/07/o-caso-de-ouro-preto-incompetencia-e-preconceito/">negligência na investigação do assassinado de Aline em Ouro Preto em 2001 e na demonização de jogos, rpg, músicas e filmes</a></font><br />
        
      </p>
</blockquote></div>
</blockquote>
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