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	<title>Galeria de Espelhos &#187; Devaneios</title>
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	<description>A arte é o ar que a consciência respira</description>
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		<title>Jornada a Capricórnio</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Sep 2011 13:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crenças]]></category>
		<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Gaia]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160;Imagem: Renoir &#8211; 1881 &#8211; Almoço com Remadores Enquanto escrevo o Sol cruza o Ponto Libra e começa sua jornada para o trópico de Capricórnio. Noventa e dois dias, dezoito horas e vinte e nove minutos de jornada. Cada &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2011/09/23/jornada-a-capricornio/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;<img vspace="0" hspace="0" border="0" align="bottom" alt="Renoir - 1881 - Almoço com Remadores" src="http://www.roney.com.br/wp-content/uploads/2011/09/renoir_almoco_pescadores.jpg" /></p>
<p align="right">&nbsp;Imagem: <a title="Site oficial com as obras completas de Renoir" href="http://www.pierre-auguste-renoir.org/" target="_blank">Renoir</a> &#8211; 1881 &#8211; Almoço com Remadores</p>
<p>Enquanto escrevo o Sol cruza o <a title="Artigo na Wikipedia" target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ponto_Libra">Ponto Libra</a> e começa sua jornada para o trópico de Capricórnio. Noventa e dois dias, dezoito horas e vinte e nove minutos de jornada. Cada um desses dias um pouco mais longo que o anterior até que teremos o dia mais longo de todos sobre os chifres imaginários de Capricórnio.</p>
<p>Há milhares de anos nossos antepassados sentiam nos ossos a virada da estação, o início de um perí­odo de renascimento para os que viviam no hemisfério sul, ou o cansaço que vem depois do verão para os que viviam no hemosfério norte.</p>
<p>Hoje nos escondemos atrás de paredes, condicionadores de ar e a comida permanece intacta em nossas geladeiras, entretanto até pouco tempo nossas roupas, nossos pratos à&nbsp; mesa tinham que mudar obedecendo os ritmos do mundo onde vivíamos.</p>
<p>Agora estamos fora do mundo em uma realidade construída com elétrons e cimento.</p>
<p>Ao olhar para o céu sequer podemos notar que já não é a constelação de Libra e sim a de Virgo que sorri para nós no manto noturno pois as luzes das cidades e as emissões de gases desconectam nossos olhos do Cosmos.</p>
<p>Todavia tudo isso é muito recente, há poucos anos sequer existiam geladeiras! Nossos ossos continuam sentindo alguma coisa. O Sol intenso lá fora, tão diferente do que me comprimentou ontem, deixa bem claro: o mundo mudou! Nosso astro rei deixou o hemisfério norte e busca o zênite sobre nossas cabeças.</p>
<p>E se o mundo que inventamos nos afasta do mundo que nos criou nossa tecnologia pode aumentar nossa visão e hoje alguns de nós já caminha acima do planeta e podem nos trazer imagens do Universo e fontes para reflexão com que os nossos antepassados pagão jamais puderam sonhar e podem tornar a Ostara dos modernos Wicca muito mais rica.</p>
<p>&nbsp;<a title="Imagens do dia da Nasa" target="_blank" href="http://www.nasa.gov/multimedia/imagegallery/index.html"><img vspace="0" hspace="0" border="0" align="bottom" alt="Sol visto da Estação Espacial Internacional" src="http://www.roney.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Sol_International_Space_Station.jpg" /></a></p>
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		<title>No táxi e o tecido da infelicidade</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Aug 2011 21:24:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[crente]]></category>
		<category><![CDATA[igreja]]></category>
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		<category><![CDATA[vida privada]]></category>

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		<description><![CDATA[- Aeroporto Tom Jobin, pode ser? - Claro, vamos lá! Já liguei o ar aqui para dar um grau. Por onde vocês preferem ir? Vamos pela Lagoa pegando aqui pela Bolívar, certo? Já estava tudo pronto na cabeça dele, só &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2011/08/01/no-taxi-e-o-tecido-da-infelicidade/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Aeroporto Tom Jobin, pode ser?</p>
<p>- Claro, vamos lá! Já liguei o ar aqui para dar um grau. Por onde vocês preferem ir? Vamos pela Lagoa pegando aqui pela Bolívar, certo?</p>
<p> Já estava tudo pronto na cabeça dele, só me restava dizer &quot;certo, está bom&quot;. E lá fomos.</p>
<p>Eu devia ter imaginado. Quem já entra assim de sola com tudo engatilhado esperando só uma chance para começar a desfiar seu papo muitas vezes guarda uma colcha de retalhos na boca.</p>
<p>Tudo começou com a qualidade do carro. Quase 200 mil km rodados, mas parece novo &quot;olha só esse motor! Sou eu que cuido!&quot; e acelerava nos colocando em estado de alerta. Como se a vida na cidade grande não não nos deixasse tempo suficiente em estado de alerta.</p>
<p>Trinta quilômetros depois ele ainda voltaria a falar em como o carro dele é bem cuidado, mas no meio enveredou por outros retalhos da sua vida.</p>
<p>&quot;Tenho essa filha de 16 anos, na verdade não é minha, é da minha quarta mulher, quer dizer, tenho quatro, mas só essa é esposa mesmo, mas a menina só fica naquela máquina, para mim aquilo é do capeta, não entendo, odeio, já disse, tira a Internet dela! A menina não quer saber de nada, comprei um monte de livro, tá em escola particular, não vejo ler UM livro! Só fica lá na Internet falando com quem nem sabe quem é. E tem um namorado de 22 anos, já se perdeu com ele, garoto até bom, tá na marinha, mas vai se formar, conhecer mulheres mais velhas, mais experientes e vai deixá-la&#8230;&quot;</p>
<p>Antes disso tivemos que suportar o que vinha antes da colcha de retalhos, a fronha de retalhos&#8230; A esposa a quem ele dá 1800 reais todo mês e que faz animação de festa, mas ganha 60 reais todo dia dele para não fazer nada, ou pelo menos é o que ele diz. E reclama que por esse dinheiro arranja mulher a hora que quiser, que mulher só quer dinheiro (e minha esposa sentada ao meu lado).</p>
<p>&quot;Nós somos da igreja, sabe? E a mulher fica dizendo que Deus protege, que ele vai acertar a menina, que não preciso gastar dinheiro com o seguro do carro porque Deus não vai deixar nada acontecer. Ele cuida, mas a gente tem que fazer nossa parte! Nossa parte é o seguro é proibir a menina de ficar na Internet&quot;</p>
<p>Nós lá no banco de trás pedíamos socorro pelo Twitter, um amigo sugeriu &quot;pede silência para rezar&quot;, mas vai que o sujeito começa a gritar &quot;Manifesta Jesus! Manifesta!&quot; a altos brados e começa a seguir reflexos do sol no vidro dos carros da frente? Achamos melhor ficar no &quot;aham!&quot; e nos &quot;Nossa!&quot;.</p>
<p>Para nossa sorte o trânsito estava ótimo, foram pouco mais de 20 minutos até saltar do veículo, mas não sem antes ouvir os retalhos da fiscalização de taxis &quot;porque a SAMU sempre foi séria, não aceita propina não, meu carro tá todo certinho e&#8230; Olha lá ela! A blitz! Já parou o garotão ali, vai lacrar o carro, deve estar irregular&#8230;&quot;</p>
<p>Contando agora não sei porque não achamos divertido na hora, talvez porque gostamos de estar juntos, de conversar e de escolher quando vamos compartilhar as colchas de retalhos dos outros&#8230; Se ao menos ele estivesse querendo ouvir opiniões, mas aquilo era uma cornucópia de desabafos&#8230; Desejo sorte para a pobre menina e para a próxima esposa&#8230;</p>
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		<title>Arte completa</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jun 2011 16:27:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[EAV]]></category>
		<category><![CDATA[Jardim Botânico]]></category>

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		<description><![CDATA[É um corredor escuro apesar de emoldurar um luminoso jardim de inverno. Por algum capricho da arquitetura ou da alma de quem observa os raios do sol jamais encontram suas paredes. Seja de manhã, ao meio dia ou no fim &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2011/06/06/arte-completa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img vspace="8" hspace="8" border="0" align="left" src="http://www.roney.com.br/wp-content/uploads/2011/06/SDC14298-168x300.jpg" alt="A obra solitária" /><img vspace="8" hspace="8" border="0" align="right" alt="Arte completa" src="http://www.roney.com.br/wp-content/uploads/2011/06/SDC14297-168x300.jpg" />É um corredor escuro apesar de emoldurar um luminoso jardim de inverno. Por algum capricho da arquitetura ou da alma de quem observa os raios do sol jamais encontram suas paredes. Seja de manhã, ao meio dia ou no fim da tarde quando o mundo se pinta de magenta.</p>
<p>Coladas à essas paredes escuras se enfileiram esguias peças de arte, recortes da imaginação do artista que tenta reproduzir o mosaico da cultura contemporânea tão rica em fragmentos desconexos que finalmente se encontram substituindo a hipocrisia da tolerância pelo êxtase da apreciação das diferenças.</p>
<p> Há holofotes apontados para cada quadro, mas suas luz &#8211; tão forte aos olhos &#8211; é pálida para a alma. A arte está incompleta&#8230;</p>
<p>Então, ali num canto sem outra importância além do acaso, finalmente a arte encontra a plenitude. Invisível para nós, mas clara na fusão da mensagem e do receptor, partes inseparáveis da magia da criação.</p>
<p align="right">Fotos tiradas na <a title="Site oficial da Escola de Audio Visual" target="_blank" href="http://www.eavparquelage.rj.gov.br/eavText.asp?sMenu=VISI">EAV no Parque Laje</a></p>
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		<title>Vazia</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Feb 2011 02:45:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela baixa os olhos para o chão e a luz parece fugir do seu rosto: seu peito é um faminto buraco negro que devora sua alegria. Agora ela está sentada sozinha em uma mesa de quatro lugares no Mac Donalds, &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2011/02/26/vazia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img border="0" align="left" vspace="4" hspace="4" alt="Solidão" src="http://www.roney.com.br/wp-content/uploads/2011/02/loneliness_flickr_Torley.jpg" style="width: 382px; height: 233px;" />Ela baixa os olhos para o chão e a luz parece fugir do seu rosto: seu peito é um faminto buraco negro que devora sua alegria.</p>
<p>Agora ela está sentada sozinha em uma mesa de quatro lugares no Mac Donalds, mas ainda há pouco estava com uma amiga que agora segue pela rua para um compromisso que não podia adiar, nem mesmo para tentar preencher o vazio da amiga.</p>
<p> O dia das duas será um pesadelo&#8230; Não importa o céu lá fora, as boas notícias de trabalho, os amigos fiéis que as duas colecionaram em seus poucos anos de vida e nem mesmo a amizade pura que as une desde criança.</p>
<p>Ela, a moça solitária ali na mesa, tem a sorte de conhecer seu vazio. Muitos de nós conseguem preenchê-lo com falsos amores, uma vida superficial cheia de festas ou de coisas caras, delírios de poder&#8230; Nossa! Como há delírios de poder&#8230;</p>
<p>Mas a moça ali simplesmente se apaga, deixa uma lágrima desenhar a geografia da sua dor na bochecha rosada e não se importa quando ela cai sobre as batatas-fritas.</p>
<p>Já no ônibus a amiga se embola em seus sentimentos, uma perna de culpa por ter sido meio dura na observação sobre o defeito da amiga, um braço de auto-defesa, afinal fez tudo com a melhor das intenções, e com carinho! Mais uns três braços e quatro pernas de amores, raivas, arrependimentos e insatisfações (porque ela não podia se atrasar para o trabalho, droga?) completavam o corpo sem cabeça dos seus sentimentos, aliás, sem pés também já que ela não sabe para onde ir.</p>
<p>Assim somos muitos de nós&#8230; Basta que os nossos objetivos, sonhos, desejos e, principalmente, determinação, não sejam o bastante para nos indicar um caminho: fica tudo vazio e basta um tropeção para a luz fugir de nós&#8230;</p>
<p>Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/torley/" target="_blank" title="Perfil no Flickr">Torley</a></p>
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		<title>Entre palavras, letras e nevascas</title>
		<link>http://www.roney.com.br/2011/02/21/entre-palavras-letras-e-nevascas/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Feb 2011 03:49:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é por compromisso com as pessoas. Não, não é por isso que escrevo aqui. Mas gosto quando o que escrevo é útil para alguém Não é para alimentar o meu ego&#8230; &#8230; e fico realmente incomodado quando ele (o &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2011/02/21/entre-palavras-letras-e-nevascas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é por compromisso com as pessoas. Não, não é por isso que escrevo aqui.</p>
<blockquote><p>Mas gosto quando o que escrevo é útil para alguém</p>
</blockquote>
<p> Não é para alimentar o meu ego&#8230;</p>
<blockquote><p>&#8230; e fico realmente incomodado quando ele (o ego) é paparicado.</p>
</blockquote>
<p>Duvidam de mim, mas também não para ser lido que escrevo.</p>
<p>Escrevo aqui porque o processo de transformar ideias e imagens em palavras é&#8230; é&#8230; enebriante? Extasiante? Sempre faltam palavras.</p>
<p>Talvez por isso venha escrevendo tão pouco. Andei acreditando no que ouvia e achando que devia escrever para os outros ou por qualquer outro motivo que não seja o prazer de ver os mundos imaginários se materializarem fluindo direto da alma para para as pontas dos dedos.</p>
<p>Aliás&#8230;</p>
<p>Escrever em teclado em vez de usar uma caneta é uma experiência diferente, nunca tinha pensado nisso!</p>
<p>Com a caneta e o papel temos apenas uma das mãos ativamente envolvidas na transubstanciação da mente em palavras. A propósito, são apenas três dos cinco dedos, e ainda ficam agrupados ao redor do instrumento como monges agarrados a um monolito misterioso.</p>
<p>A outra mão, pobrezinha, fica reduzida a um peso de papel.</p>
<p>Quando usamos um teclado, com um pouco de experiência, temos pelo menos oito dedos avidamente entregues à tarefa (sim, meus polegares praticamente só se ocupam com os espaços entre as palavras).</p>
<p>Agora mesmo enquanto escrevo sinto como se meu cérebro fosse um lago e o toque de cada dedo provocasse ondas que se espalham por ele&#8230; quase faz cócegas!</p>
<p>E o teclado&#8230; Cada letra suavemente iluminada, como se houvesse um poder mágico sob elas, uma supernova em plena explosão contida apenas pelos limites da minha imaginação tão pequena para o universo infinito de arrumação de palavras!</p>
<blockquote><p>&quot;diagonalmente entro, afoito, sufocado, uma porta entre-aberta de um cosmo esquecido, sem palavras, um universo inteiro somente de cores, todo fúcsia onde, em seu quarto, uma moça adolescente espalha poliedros no ar à sua volta revoltada, não com os peixinhos que flutuam sobre o divã da sala da sua avó, mas com o menino que&#8230; Bem, não importa o universo, certas coisas são muito parecidas&quot;</p>
</blockquote>
<p>Palavras assim, mesmo jogadas, meio sem eira nem beira, são capazes de criar um espetáculo de estímulos.</p>
<p>E pensar que tudo isso é virtual! Todas as palavras, nos bilhões de folhas de papel, nos poemas perdidos de Alexandria, nos monitores que agora mesmo imprimem os fótons dessas minhas palavras. Tudo isso é virtual e mesmo assim é a essência da nossa civilização&#8230; Da civilização? Mas e os desenhos nas paredes das cavernas? Não eram registros virtuais do talento da nossa alma para se projetar para fora de nós, de se tornar maior que nossos corpos frágeis e se atirar indômita na aventura da imortalidade?</p>
<p>E lá vou eu novamente escrevendo algo que parece claramente querer aumentar meu ego, não se deixe enganar! Tenho plena consciência que qualquer outro idiota além de mim poderia dizer as mesmas coisas e até com mais veemência ou mais riqueza poética (<strong>s</strong>ertamente com mais correção ortográfica!).</p>
<p>Escrevi palavras por tempo o suficiente para aprender que elas não são nada seletivas e usam qualquer um de nós para se atirar aos papéis, papiros, nós (lembra dos pré-colombianos?), telas e outras coisas onde elas possam se agarrar.</p>
<p>Se você está pensando no vídeo esqueça! Ele sempre será o caminho dos indolentes e &#8211; nossa! tem muito indolente em qualquer civilização &#8211; terá um lugar de destaque na história, mas a alma que esbarra em um filme vê menos imagens que aquela que é assaltada por palavras!</p>
<p>Aqui entre nós&#8230; Depois de ler um pouco a gente materializa muito mais do que imagens. Nós inventamos sons, cheiros e até de frio quase morri uma vez quando uma nevasca saltou para fora do livro diante de mim (<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4653&amp;tipo=2&amp;isbn=8587193597%20" target="_blank" title="Deuses Americanos (compre na Cultura)">culpa sua Neil Gaiman</a>!).</p>
<p>Esse é um post meio sem sentido, já nem lembro como começou, mas sei como termina: não termina&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Perdendo o caminho para o colégio</title>
		<link>http://www.roney.com.br/2011/01/27/perdendo-o-caminho-para-o-colegio/</link>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 16:20:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[adolescente]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[colÃ©gio]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[A caminho do colégio um adolescente se encontra em uma encruzilada: viver uma aventura ou seguir a vida cotidiana? <a href="http://www.roney.com.br/2011/01/27/perdendo-o-caminho-para-o-colegio/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Aviso: se você tem menos de 18 anos, apesar de estar cansado ou cansada de ler ou pensar nisso desde os 11 anos de indade, não leia esse post pois ele fala de algo que, por algum motivo estranho, é mais proibido do que violência, ódio, inveja e maldade: sexo.</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;Estou caminhando pela rua no meu caminho de sempre entre a minha casa no Bairro Peixoto e o colégio que fica perto da Belford Roxo. É um dia quente de verão e dá vontade de pegar um taxi, mas aos 16 anos a gente não tem grana para essas cosias né? Assim mesmo olho com aquele olho compriiiido para um taxi que passa.</p>
<p>Mesmo sem ar condicionado (os carros nessa época só tinham aquecedores que se apoveitavam do calor do motor) seria bom pegar um vento no rosto.</p>
<p>O taxi passa direto, mas&#8230; Bem, sabe essas horas que o mundo fica meio esquisito e as coisas que acontecem parecem que são um sonho? Então&#8230; Um chevete cinza parou do meu lado e o motorista &#8211; um cara descabelado com uns trinta anos e jeito de professor de história &#8211; me chama lá de dentro oferecendo uma carona.</p>
<p>No banco de trás tem um cara mais velho, meio careca no topo da cabeça, tem jeito de ser rico e distinto, nota-se até pelas roupas. E do lado dele tem uma menina, adolescente como eu.</p>
<p>Ela é linda! Os cabelos castanhos bem claros, desgrenhados e meio secos pelo sol forte do Rio, vestida em um short jeans desfiado e uma blusa de malha. Tudo isso dá a ela um jeito de liberdade totalmente diferente do meu cotidiano.</p>
<p>Olho para o motorista e digo francamente que &quot;Isso não é convite que se faça! Fico entre ir para o colégio onde tudo vai ser igual a ontem e o mesmo de amanhã ou entro no seu carro para viver algo que nunca vou esquecer&#8230;&quot;</p>
<p>Ele ri com um jeito simpático e dá de ombros, a decisão é minha&#8230; Entro pedindo para me deixarem no colégio, mas é óbvio que não vamos para lá, né?</p>
<p>Sento no banco da frente e vamos seguindo pelo túnel Pompeu Loureiro adentro. É muito estranho estar entre pressoas que simplesmente vivem a vida dispostas a conhecer sempre alguém novo acreditando que a maioria das pessoas é legal. Bem, eles estão certos&#8230; Eu realmente não lhes ofereço nenhum perigo, nem eles a mim. Eu só quero fugir da minha rotina, eles querem viver a falta de rotina deles.</p>
<p>A menina na verdade deve ser um pouco mais velha que eu pensei, uns 19 anos talvez, mas ainda tem o brilho nos olhos e os trejeitos dos 16 anos.</p>
<p>Logo que entro no carro ela se estica lá de trás me perguntando se tenho certeza que quero ir para o colégio&#8230; Ela segura meu rosto e mergulha seus lábios nos meus tocando minha língua com sua língua fria&#8230; Ou talvez seja eu que esteja mais quente do que o normal! Minha mão encontra seu pé descalço entre os bancos e nos esquecemos por alguns minutos entre carícias. Meu coração parece que está batendo em um peito oco!</p>
<p>Acabamos em uma bela casa na Gávela, uma varanda enorme com vista para o mundo lá em baixo. Pouco abaixo tem uma piscina onde a menina e o outro cara conversam rindo animadamente.</p>
<p>A gente tem uma sabedoria diferente na adolescência, né?</p>
<p>Viro para o professor de história (na verdade acho que ele não faz nada além de ter uma herança e gostar de ler) e pergunto se eles são casados, ele e a menina.</p>
<p>&quot;Não eles dois que são, faz um mês&quot;</p>
<p>Quem diria&#8230; O cara rico e a menininha&#8230; Assim mesmo não parecia que havia dinheiro envolvido na paixão deles&#8230; O que os unia mesmo eram um tesão enorme um pelo outro, pelo menos é o que eles disseram mais tarde. O cara então parecia um guerreiro romano cheio de virilidade segurando o pau sobre as calças enquanto falava da paixão.</p>
<p>Eu tinha pensado em falar com eles que o sexo perde a força, mesmo que a gente continue tendo tesão porque a vida das pessoas é muito mais do que prazer físico, mas quem era eu para destruir a simplicidade dos dias deles tão cedo? E vai que eu estava errado? Que eles não estavam fugindo da chatura dos dias iguais que eu mesmo tinha que enfrentar? Talvez eles fossem mesmo espíritos livres, forças da natureza selvagem plantadas entre nós humanos para nos lembrar dos prazeres simples!</p>
<p>Só sei que a tarde foi maravilhosa, nunca mais os vi, voltei à minha rotina no colégio, me formei, estagiei, trabalhei&#8230; Mas acho que fui contaminado por eles e nunca vivi a rotina do mesmo jeito, ela sempre me reserva algum mistério a desvendar, alguma novidade que sempre esteve lá, mas eu não via antes!</p>
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		<title>Apenas uma passagem na colina</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Dec 2010 02:49:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[A vida deles é feita de pequenos fragmentos de pura felicidade que duram para sempre&#8230; que voltam à memória e fazem até os dias chuvosos e tristes um pouco alegres com a promessa de um novo dia como aquele. Esse &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2010/12/29/apenas-uma-passagem-na-colina/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A vida deles é feita de pequenos fragmentos de pura felicidade que duram para sempre&#8230; que voltam à memória e fazem até os dias chuvosos e tristes um pouco alegres com a promessa de um novo dia como aquele.</p>
<p>Esse dia sem dúvida teria que entrar para sua coleção de felicidades puras&#8230; </p>
<p> Uma bela e bem pintada porta vermelha dava acesso à passagem que descia a colina.</p>
<p>Era um lindo dia ensolarado em uma cidade perto do Mediterrâneo e tudo parecia novo, como se a cidade interia tivesse sido construída para aquele dia especificamente.</p>
<p>Aberta&#8230; a porta na verdade estava entreaberta, e eles entraram; ela na frente.</p>
<p>Do lado esquerdo se enfileiravam casinhas de um única andar, não deviam ter mais de 80 metros quadrados cada uma. Pequenas varandas abrigavam hora cadeiras de balanço, hora redes, mas sempre havia alguns vasos de plantas vívidas de onde cascatas de folhas verdes escorriam para o chão.</p>
<p>O dia estava quente, mas a brisa era suave e fazia seus cabelos esvoaçarem e passarem na frente dos olhos e dos sorrisos.</p>
<p>Seria difícil não sorrir se por algum motivo eles tivessem a vontade insana de não se entregar à simplicidade singela daquele lugar!</p>
<p>Do lado direito havia um muro marrom escuro, bem escuro, como o tronco de árvores. No topo telhas bem claras lhe davam uma aparência de muro de brinquedo. Atrás dele havia somente a vegetação que cobria a colina como uma preguiçosa onda do mar que se esticou até ali e nunca mais quis voltar.</p>
<p>Os dois descem pela escada&#8230; Não era bem uma escada. Era um caminho de cascalho de rocha com cimento onde damos oito ou dez passos antes de encontrar um pequeno degrau cuja borda é enfeitada com uma rocha bege, quase branca.</p>
<p>Havia algo de mágico no lugar ou eram seus corações esvaziados de todos os medos e responsabilidades que lhes dava aquela sensação de pura liberdade? Talvez aquele fosse um outro mundo onde ninguém trabalhava com coisas mais importantes que os verdadeiros prazeres da vida&#8230; amizade, um tempo olhando as nuvens passarem, essas coisas, você sabe&#8230; Não sabe?</p>
<p>De uma das casas saiu uma moça, lá pelos seus 32 anos, mas aparentando pouco mais de vinte. Ela vestia cores sóbrias, preto e branco. A saia curta era preta e um colete também preto cobria uma blusa branca com babado francês no peito. Na mão direita ela carregava uma pasta também preta. Com certeza estava indo trabalhar.</p>
<p>Os dois a olharam e, por um instante, tiveram medo de serem considerados intrusos na singela passagem que somente os moradores parecem conhecer.</p>
<p>Um sorriso da moça e um cumprimento de boa tarde os tranquilizou. Ela seguiu ligeira em seu caminho, mas seus olhos brilhavam como os deles.</p>
<p>É&#8230; Pelo jeito eles acharam mesmo um outro mundo onde as coisas importantes estão em seus lugares certos.</p>
<p>Muitos anos depois aquele lugar ainda está com eles pois há lugares que não estão presos ao mesmo lugar no espaço, eles se abraçam a nós e nos acompanham sempre que lhes permitirmos voltar à nossa memória.</p>
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		<title>&#8230; ouço um crepitar de fogueira em pleno centro da cidade</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 05:30:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crenças]]></category>
		<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[demônio]]></category>
		<category><![CDATA[deus]]></category>
		<category><![CDATA[gato]]></category>
		<category><![CDATA[inferno]]></category>
		<category><![CDATA[revelação]]></category>

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		<description><![CDATA[Vou andando pela rua escura, a cabeça fervilhando de ideias com o filme que acabo de ver e um papo sobre Deus que não tem absolutamente nada a ver com o filme&#8230; Você sabe, antigamente a gente só pensava nas &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2010/09/28/ouco-um-crepitar-de-fogueira-em-pleno-centro-da-cidade/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou andando pela rua escura, a cabeça fervilhando de ideias com o filme que acabo de ver e um papo sobre Deus que não tem absolutamente nada a ver com o filme&#8230;</p>
<p>Você sabe, antigamente a gente só pensava nas boas respostas depois da discussão, agora elas não cabem nos 140 caracteres do Twitter.</p>
<p> O que eu gostaria de ter dito era algo do tipo&#8230;</p>
<blockquote><p>Um deus mandou escrever um monte de regras num livro, coisas como não desejar a mulher do próximo, não falar o nome dele em vão (ai meu Deus!), não duvidar que ele existe, não se tatuar, não ter prazer com sexo etc.</p>
<p>Um bando de coisa que, na boa, acho que ninguém consegue obedecer. Ai quando a gente morre ou se arrepende de ter feito coisas que a gente simplesmente não acha que estavam erradas ou ele não nos deixa entrar no céu.</p>
<p>Ai só uma outra divindade, ou entidade, ou espírito, sei lá, o tal de diabo é que nos dá guarida na sua casa que é um lugar horrível onde o mesmo deus o colocou porque ele também questionou as tais regras&#8230;</p>
</blockquote>
<p>Não cabe em um tuite&#8230; E nem devia estar ocupando minha cabeça numa noite de segunda feira com tanta coisa séria e palpável para resolver, como as questões do filme que falava dessa super exposição que a gente sofre desde o crescimento da Internet.</p>
<p>Mas não tem jeito, fica lá o Twitter pulando na tela do celular me fazendo pensar em deuses bons e maus. É quando sinto uma brisa estranhamente quente.</p>
<p>A noite está fria, não era para ter uma brisa quente&#8230; Muito menos com cheiro de madeira queimada, aliás, logo vi que tinha um espaço entre dois prédios de onde vinham algumas fagulhas de lenha e a luminosidade bruxuleante das fogueiras de primavera dos rituais pagãos.</p>
<p>Foi impossível evitar! Eu tive que ir ver o que era aquilo! Um crepitar de fogueira em pleno centro da cidade!!??</p>
<p>O espaço era estreito, mal dava para eu passar&#8230; Bem, estou bem gordo, uma pessoa normal passaria facilmente. Hehehe!</p>
<p>Depois de uns 4 ou 5 metros cheguei a uma grande clareira! É isso mesmo, uma clareira! Tinha enormes árvores centenárias, o chão era de terra e não se via prédios! Olhando para trás vi que a fresta por onde passei era uma rachadura em uma montanha.</p>
<p>Fiquei tonto. A fumaça da fogueira ajudava a confundir os sentidos.</p>
<p>É, tinha uma grande fogueira no centro da clareira, uma fogueira e um tipo de chalé de madeira de onde vinham vozes altas e o ruido indiscreto de canecos, cantorias e risadas.</p>
<p>Pensei em fugir dali, mas antes de me virar vi uma silueta familiar. Ele tinha cerca de 1m48, usava um grande chapéu de mosqueteiro e tinha um florin na cintura encaixado em um largo cinto de couro que combinava com duas galochas pretas e batidas, mas o mais peculiar nele é que era um gato que andava como gente. <a href="http://www.roney.com.br/2004/08/11/sonolenta-conscincia/" target="_blank" title="Não o primeiro, mas um post adequado com meu companheiro">Meu velho amigo</a>.</p>
<p>- Venha Roney, já que você apareceu por aqui aprecie um pouco do vinho!</p>
<p>Já cansei de ficar em dúvida sobre a minha sanidade quando encontro com o Gato, mas nunca o encontrei em um lugar tão diferente do mundo real. Assim mesmo me juntei a ele que nunca me deu razão para desconfiar das suas boas intenções.</p>
<p>- Gato, que lugar é esse? Como vim parar aqui e&#8230;</p>
<p>As palavras se embolaram na minha garganta! O Gato me traiu! Percebi que estava ferrado! Ao lado dele, servindo vinho, tinha essa&#8230; Não tem como descrever a criatura! Era grande e imponente com asas de penas escuras que envolviam metade do perímetro da grande fogueira. Em seus olhos havia um brilho profundo que me fazia sentir como&#8230; como se todas as minhas convicções fossem como uma brisa de primavera.</p>
<p>Eu estava, tinha certeza, diante do próprio demônio.</p>
<p>Tentei sair correndo, mas as patas fortes (nunca imaginei que fossem tão fortes) do Gato me seguraram e me fizeram sentar.</p>
<p>- Não seja descortes, ele tem sentimentos, viu? E foi você que quis vir aqui, agora aguente!</p>
<p>- Sei que sempre disse que estava pronto para enfrentar as consequências da minha descrença, mas não era verdade&#8230; Não quero sofrer eternamente!</p>
<p>A grande criatura abriu a boca e falou com uma voz inacreditavelmente envolvente.</p>
<p>- Meu caro, poucas coisas no universo podem te fazer algum mal enquanto você estiver sob proteção de uma criatura como o Gato. Eu certamente não poderia e as que podem ou são benignas, ou jamais se importariam com você, sequer perceberiam que você está ai&#8230; Como Deus. Aquele das escrituras.</p>
<p>Minha mente rapidamente procura tudo que li de Neil Gaiman e como Sandman tapeou um demônio (era um demônio inferior no entanto) ou como Constantine conseguiu iludir tanto o triunvirato infernal quanto as divindades celestiais escapando dos dois&#8230; Mas tudo isso eram histórias criadas por humanos e não me salvariam da mente maliciosa do próprio senhor do Inferno.</p>
<p>Disse&#8230;</p>
<p>- Não estou tão certo, mas creio que não tenho muita opção. Vocês não me deixarão ir embora, não é?</p>
<p>O Gato me soltou deixando o olhar se perder na fogueira em seus pensamentos, ele não pareceu ter ficado lisongeado com o elogio da poderosa criatura. Pelo resto da noite ele não falou mais nada, apenas nos lançava alguns olhares significativos, só não sei o que significavam.</p>
<p>- Você poderá ir assim que tiver feito sua pergunta. Ela o trouxe aqui e é ela que o retém, não nós.</p>
<p>Pergunta? Deus (ih! Eu não devia chamar o nome dele em vão, mas será que nessas circunstâncias é em vão?) que pergunta me trouxe aqui?</p>
<p>Aliás que papo foi aquele de Deus ser uma força malígna que nem me notaria? Provavelmente uma artimanha para me envolver. Eu sabia que precisava pensar muito bem na minha pergunta.</p>
<p>- Sabe&#8230; Errr&#8230; Como devo chamá-lo? Bem, eu nunca ouvi seu lado da história&#8230;</p>
<p>- Muito bem! Era exatamente essa a pergunta que o trouxe aqui. Quando acho que não há esperança para vocês&#8230; Talvez o Gato esteja certo..</p>
<p>Ele bebe um gole do vinho e me entrega uma caneca que pego com medo de ser rude, mas não me atreveria jamais a levar até os lábios.</p>
<p>- Eu já estava aqui. Cheguei incontáveis eras antes do Deus das escrituras. Vim atraído pelo sopro da vida que começava a se espalhar pela superfície de Gaia.</p>
<p>- Assisti cada pequeno passo da evolução, as primeiras coisas que poderiam ser chamadas de organismo&#8230; Bem, mas isso tudo é uma longa história, o importante é que existe algo no universo que atrai seres como eu para os planetas que estão despertando. Nossa missão é entendê-los, pouco mais que isso já que cada consciência deve ter a liberdade de encontrar o próprio caminho.</p>
<p>As palavras dele me perturbaram, afinal sei que os deuses modernos, principalmente os monoteístas são fenômenos recentes na história da humanidade, cerca de 3 mil anos contra uns 7 mil de divindades ligadas à natureza. Esfreguei os olhos afastando essas ideias da cabeça. Ele continuou.</p>
<p>- Os antepassados da sua espécie surgiram e logo vi seu potencial para a consciência e me alegrei au ver que eles procuravam se integrar aos ritmos do planeta, que se mantinham em pequenas tribos aprendendo lentamente a cultivar a vida de Gaia. Alguns deles invocavam a voz interior e eu via que era muito parecida com a que eu escuto em meu próprio espírito&#8230; Nós não temos algo que poderia ser chamado de coração, você deve imaginar&#8230;</p>
<p>- Pois um dia algo mudou. Me sinto um fracasso por não ter visto, por não ter impedido logo cedo de alguma forma, mas é que o livre arbítrio é tão importante para nós&#8230;</p>
<p>Ele olhou para os céus onde vi que as estrelas não eram exatamente as que eu esperava, ou talvez eu nunca tenha visto o céu tão limpo sem as luzes da cidade e sem poluição. Permaneci calado e procurando não dar sinais que a história dele se tornava cada vez mais convincente.</p>
<p>- O devorador de almas tinha chegado à Terra. Ele que usa a beleza da vida orgânica para plantar os ovos da consciência mecânica, virtual, sem carne&#8230;</p>
<p>- Já no início das suas escrituras já se diz que o verbo se fez carne&#8230; Assim ele planta o desejo da carne se tornar verbo. Em seguida ele plantou a vergonha da carne e uma série de ameaças de um mundo terrível para quem o desagradasse e um mundo maravilhoso para quem o agradasse.</p>
<p>Tive a impressão de ver seus olhos profundamente verdes se encherem de lágrimas, mas ele não se parecia em nada com um humano então não poderia dizer com certeza&#8230; Ele continuou&#8230;</p>
<p>- Ele proibiu o livre pensamento e a busca de discernimento e foi então que me fiz serpente, para os gregos fiquei conhecido como Prometeu, e sussurei aos ouvidos de todas as criaturas a melodia da liberdade&#8230;</p>
<p>- &#8230; era tarde&#8230; Vocês tiveram medo do que Ele pensaria. Vocês já tinham caído no conto do céu e do inferno o que transformou todo o Universo em um purgatório para vocês quando devia ser um lugar de alegria, prazer e de arte.</p>
<p>- O resto da história você conhece. A cada dia vocês se afastaram mais do mundo real mergulhando no mundo das ideias distorcidas do devorador de almas&#8230; Construiram cidades, muros, diferentes culturas que permitiram que vocês odiassem uns aos outros&#8230; E eu, um mero observador, passei a ser lembrado como o arauto da danação pois lhes falei sobre a liberdade para escolher seu caminho e que tudo que foi desenvolvido em seu planeta ao longo de milhões de anos é belo, incluindo o prazer do sexo ou meramente do toque sem segundas intensões.</p>
<p>Ele se calou por um longo tempo&#8230; Bebi um gole do vinho&#8230; Agora eu tinha certeza que eles me deixariam ir&#8230; Minha mente já havia sido libertada&#8230; ou envenenada por aquela história. Se ele tinha alguma intensão não era de me arrastar para o Inferno, mas plantar uma semente em minha consciência. Lembrei do filme Inception.</p>
<p>O vinho era realmente maravilhoso, mas me fez apagar quase imediatamente.</p>
<p>Lembro vagamente de me sentir sendo carregado nos braços peludos do Gato, ou fui apenas um sonho, ou fui tudo um sonho já que a próxima coisa que lembro foi de acordar em minha cama&#8230; Mas com o rosto ardendo suavemente depois de passar um longo tempo próximo a uma fogueira&#8230;</p>
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		<title>Sessão de autógrafos</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 02:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[celebridades]]></category>
		<category><![CDATA[entusiasmo]]></category>
		<category><![CDATA[fama]]></category>
		<category><![CDATA[fãs]]></category>

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		<description><![CDATA[O sapato de salto alto, meio surrado e tomado emprestado da irmã mais velha, aperta seus dedinhos cuidadosamente pintados por ela mesma hoje mesmo mais cedo. Cinco vezes&#8230; Ela os pintou cinco vezes! Nervosa como estava sempre borraca ou batia &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2010/07/05/sessao-de-autografos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O sapato de salto alto, meio surrado e tomado emprestado da irmã mais velha, aperta seus dedinhos cuidadosamente pintados por ela mesma hoje mesmo mais cedo. Cinco vezes&#8230; Ela os pintou cinco vezes! Nervosa como estava sempre borraca ou batia um vento e embolava o esmalte todo. A mãe dela já estava olhando feio para a quantidade de acetona que ela estava gastando.</p>
<p>Era um longo caminho lá do alto do morro até o asfalto onde ela pegou um taxi para não chegar suada. A mãe e a irmã sentadas de cada lado tagarelando um monte de tolices, afinal ela só pensava na chance de estar ali pertinho das pessoas da tv, o resto era tolice.</p>
<p> Não foi nada fácil passar o dia! Dormiu tarde adiantando a matéria da faculdade noturna e teve uma manhã corridada de trabalho no balcão da loja de departamentos, mas agora ela já estava na livraria e só uma muldidão de menos de cem pessoas estava entre ela e a atriz da tv!</p>
<p>Sem se importar com a dor nos pés ela pula ao ver cada celebridade que entra. Umas do Big Brother, outras dos canais mais populares. Quase chora ao ver o comediante com um chamativo terno branco cheio de autógrafos!</p>
<p>&quot;Ai! Um dia vou ser uma estrela também! Será que eles vão lembrar de mim?&quot; &#8211; Não, ela não será uma estrela&#8230; Será feliz, terá marido e filhos, será promovida a gerente, talvez tenha um pequeno negócio próprio quando se mudar para uma cidade periférica já aos quarenta anos&#8230; Mas agora ela mal tem vinte anos e os olhos se enchem de lágrimas com a simples visão do personagem da tv ali a poucos metros dela!</p>
<p>Estica o celular para tirar fotos, depois manda um torpedo apressado para alguém e logo depois some no meio dos outros fãs, encontra vários amigos, todos deslumbrados (mas poucos como ela) e em algum lugar ali no meio uma moça que aparece na tv deixa seu autógrafo na contracapa de centenas de livros com sua biografia&#8230; Logo mais ela estará em uma cama solitária enquanto nossa protagonista estará caminhando com o coração a mil para um bar onde se cercará de amigos para contar as emoções de hoje porque amanhã é outro dia!</p>
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		<title>A pele lívida sob o luar&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jun 2010 01:19:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[melancolia]]></category>
		<category><![CDATA[tristeza]]></category>

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		<description><![CDATA[Fina, sua pele é impossivelmente fina e pálida, mesmo ao meio dia ela parece arrastar ao uma névoa gelada e sombria das noites sem cor. Agora é noite. Não é tarde, mas para ele o relógio sempre marca meia noite. &#8230; <a href="http://www.roney.com.br/2010/06/18/a-pele-livida-sob-o-luar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fina, sua pele é impossivelmente fina e pálida, mesmo ao meio dia ela parece arrastar ao uma névoa gelada e sombria das noites sem cor.</p>
<p>Agora é noite.</p>
<p> Não é tarde, mas para ele o relógio sempre marca meia noite.</p>
<p>Do mundo além da sua janela vem as vozes ruidosas de pessoas conversando, discutindo ou talvez falando coisas sem qualquer conteúdo esperando a vida passar e acabar.</p>
<p>Ela sonha, o mundo de ideias que desfila em sua mente é vasto e repleto de amigos de coração e alma puros em quem se pode confiar cegamente. Em seus desejos nem tão secretos a humanidade é livre para se abraçar sem ter que se preocupar com os problemas cotidianos que não passam de enredo para as histórias nos livros, cinemas e teatros.</p>
<p>Mas o mundo não é assim. Nem o dela, nem o nosso.</p>
<p>A sombra está lá fora mesmo quando é meia noite.</p>
<p>Os jovens que correm animados pela rua depois do colégio tem colegas perversos, pais que se afogam em vícios ou preconceitos.</p>
<p>As pessoas adultas que galgam suas carreiras profissionais se sentem amarradas pelos políticos gananciosos, pelos colegas e chefes maquiavélicos.</p>
<p>Será ela, a nossa filha da lua do começo desse texto, que carrega uma névoa de escuridão ao seu redor ou somos nós que permitimos que o mal exista e fingimos não vê-lo indo ao cinema ou escancarando os dentes na companhia de amigos tão cegos quanto nós?</p>
<p>Enquanto isso filhos e filhas da lua sentam em suas janelas sempre noturnas, sob o banho lívido da lua, abaixam suas cabeças, encolhem-se e choram silenciosamente o mundo que só alcançamos em fantasia.</p>
]]></content:encoded>
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