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Propriedade Intelectual

Como um evangélico deve conversar com um ateu?

27th, June 2009

Acabo sempre voltando ao tema religião… Mesmo tendo escrito exaustivamente sobre isso aqui mesmo em uma série de posts ;-)

Sou humanista, ou seja, não me parece importante inserir deuses na equação da consciência humana, mas algumas das pessoas que mais respeito são especiais justamente pela forma que se relacionam com a sua fé e recentemente vi um convide da @aevangelista para comentarmos a difícil comunicação entre ateus e “teus” no seu post A Sabedoria de Deus é loucura para os homens (a da ciência também, a propósito):

Aqui está o meu comentário que achei que, pela extensão, precisava virar post:

É necessário ser muito cuidadoso com as pessoas pois nós humanos (aliás, toda forma de consciência) merece o mais profundo respeito, mesmo que discordemos diametralmente das expressões dessa consciência.

Vim deixar meu comentário aqui porque posso facilmente ser visto como um ativista ateu ou anti-religioso, mas na verdade sou um ativista da consciência livre e sinto que a Evangelista também é.

Em todo caso, minha posição e as minhas idéias a respeito de deuses e religiões devem ser expressas aqui com muito carinho. Espero que todos entendam ao me colocar contra certas idéias não me coloco contra as pessoas.

Bem, até pouco tempo eu me declarava como tecnicamente ateu pois não vejo razão para crer que o Universo foi criado por uma divindade, que alguma divindade ouça nossas orações ou cuide de nós.

Estou parando de me definir assim pois a palavra ateu está sendo usada para definir quem tem certeza que não existem deuses. Não acho que nosso conhecimento atual nos permita fazer esta declaração.

O máximo que podemos dizer é que os deuses que eventualmente existam não fazem questão de se mostrar para a humanidade preferindo que cada um encontre sua própria fé.

A fé do bom ateu é na humanidade, é no amadurecimento da nossa consciência no sentido de agirmos de forma moral porque é lógico e não porque algum deus nos ameaça com o inferno ou nos seduz com a promessa do céu.

A fé do bom cristão (fui profundamente cristão desde os 4 anos quando conheci uma freira especial até me decepcionar aos 11 ao fazer primeira comunhão) me parece ser em um Deus pronto a compartilhar com ele a sabedoria que não pode obter sozinho (nenhum de nós, crentes ou descrentes pode).

Algumas das pessoas que mais admiro e considero mais sábias são religiosas como Ghandi, Frei Betto, Dalai Lama, Leonardo Boff e alguns amigos que são especiais justamente por sua relação com sua religião.

Entretanto há facetas negras nas religiões.

Talvez a pior de todas, e que mais incomoda os ateus, seja a arrogância de crer que já sabe qual é a verdade absoluta, o Deus verdadeiro. E tudo piora quando quem não vê a mesma verdade é demonizado….

Os bons cristãos (católicos, protestantes, islãmicos), budistas, taoistas, wicca, esotéricos não são assim, são pessoas procurando desenvolver cada vez mais suas consciências para tentar ter uma visão melhor de Deus.

Os ateus também… Só que eles não creem em um deus místico, eles creem na consciência.

Talvez no final não seja muito diferente, mas se torna no momento que um grupo usa a lógica para comprovar o que não temos tecnologia para comprovar (a inexistência de deuses) enquanto os outros tentam usar suas experiências subjetivas no sentido contrário.

É uma fonte inesgotável de conflito.

Há de haver humildade.

De um lado a dos materialistas, deístas ou ateus que devem entender que na ausência de provas a favor ou contra todos devem ter direito a seus próprios postulados.

De outro a dos que creem que devem entender que a fé é uma experiência pessoal que deve reger a nossa concepção do mundo, a nossa moral, e não a dos outros. Usar a fé, nossos deuses e religiões para impor a nossa cultura aos outros é um ato de violência.

A arrogância (que atinge os dois grupos, é bom lembrar) é a raiz dos conflitos que contaminam até as relações entre cristãos e enquanto estivermos engajados em impor a nossa razão (ateista ou “teista”) perderemos de vista a razão em sua acepção pura.

Ao nos agarrar na razão rígida e imutável assumimos uma postura que não é nem evolutiva, nem criacionista, mas involucionista já que temos certeza que a visão correta de Deus é aquela de quem viveu há 5 mil anos…. No mínimo estamos estagnados. Vale lembrar que esse é um fenômeno humano afinal há um certo consenso de que nunca haverá outro Shakespeare. Só na física há um pouco de desenvolvimento, mas não sem resitências selvagens.

Respondendo a Evangelista, eu creio que o evangelismo proativo (incluindo o ateu) é um caminho contaminado pela arrogância… Não lembro nenhum grande humano ter dito para impormos nossas crenças a outros humanos, nem mesmo Cristo.

Será que os cristãos do segmento x, divisão y, categoria k do bairro h são superiores aos do bairro q e só eles entenderam Deus?

Parece-me claro que, se há um ou mais deuses cada um de nós, cada cultura humana, vê ou escolhe ver algumas das suas características.

Uns preferem seu ombro amigo onde podem depositar seus sonhos e projetos, outros preferem o braço forte para ajudá-los em suas difíceis missões de vida, poetas preferem tentar entrever seus olhos misteriosos cheios de sabedoria.

Essas escolhas são feitas de acordo com as nossas necessidades pessoais e aqueles com necessidades similares se juntarão a nós em nossas crenças ou razões. Não faz sentido impor a todos os humanos a mesma cultura.

A minha opinião é que o evangelismo passivo (incluindo o ateu) é o caminho.

Permitir que nossa visão de mundo altere profunda e constantemente a nossa consciência nos transforma em faróis brilhando com as cores e ritmos adequados para atrair nossos irmãos de fé ou de razão.

O problema é quando um grupo quer impor a sua consciência a todos os outros. Por isso defendo que não haja interferência religiosa na política e no ensino ou que haja interfêrencia completa apresentando-se as razões e contra razões de cada religião.

Fora isso há vários desafios dentro da própria forma de ler e interpretar os livros sagrados afinal é ridículo querer impor pela fé que a Terra é um disco apoiado sobre 4 elefantes que estão sobre uma tartaruga cósmica conforme está descrito nas crenças indus.

Da mesma forma minha avó morreu jurando que os homens tinham uma costela a menos que as mulheres pois ela foi tirada para fazer Eva. Não adiantava mostrar um esqueleto para ela pois sua fé era maior que sua razão (era mais uma pessoa profundamente boa que sempre admirei).

Na minha opinião os religiosos precisam deixar de ver seus livros sagrados como livros de física, química, antropologia e história passando a buscar neles o significado moral, a mensagem que eles trazem para nossa consciência e não para a nossa razão. Do contrário se tornará cada vez mais difícil argumentar com quem se baseia em fatos e ciência.

Afinal de contas qual é o ponto importante? Quantas costelas temos? Se fomos feitos de barro? Se o Universo existe há 6.485 anos? Ou a questão é o que vamos dizer para o outro humano que chega até nós precisando de uma palavra de conforto ou de motivação?

Estou enrolando por quatro parágrafos, mas acho que é necessário dizer… Desapeguem-se da Bíblia. Ou pelo menos lembrem-se que Jesus Cristo veio também para revelar que a palavra de Deus está escrita no coração dos humanos… Por isso ele pode transformar as leis antigas convidando quem não tinha qualquer pecado a apedrejar a adúltera… E com isso aboliu uma lei bíblica.

Foi Cristo também que disse que edificaria sua Igreja sobre Pedro, o homem comum e de coração puro e sincero. Cristo não deixou uma Bíblia, não precisamos dela para encontrar ou provar a existência de Deus, Espírito ou consciência, isso está escrito em cada pequeno fragmento do Universo onde encontramos pela fé ou pela razão, maravilhas sem fim!

Filed under: Ciência, Crenças | 4 Comments »

Jill Bolte Taylor, a cientista que curou o próprio cérebro

20th, October 2008

A cientista que curou o próprio cérebro - Jill Bolte Taylor

Você usa seu cérebro ou seu cérebro usa vc?

Em setembro recebi um contato da agência de mídias sociais a serviço da Ediouro que viu o post que escrevi sobre o vídeo da neuroanatomista Jill Bolte Taylor no TED e resolveu me oferecer uma cópia do livro para comentá-lo. Isso é que é campanha inteligente de marketing social, afinal, se gostei do vídeo certamente gostaria do livro.

Você pode ver o hotsite do livro aqui: Jill Bolte Taylor, A cientista que curou o próprio cérebro.

Confesso que não gostei muito do título que me remeteu um pouco à auto-ajuda e preferiria algo mais próximo do original que seria mais ou menos "Meu ataque de inspiração: a jornada pessoal de uma cientista do cérebro".

Digo isso logo no início do post para que o leitor averso à auto-ajuda não deixe de olhar esse livro atentamente.

Pode-se dizer que ele é dividido em duas partes.

Na primeira parte a cientista (até onde percebi bem cética do ponto de vista religioso) descreve como foi o seu derrame, a incrível experiência de se ver repentinamente com somente um hemisfério cerebral em funcionamento e como foi sua recuperação.

Essa primeira parte contém alguns insights muito interessantes que nos leva a questionar a máxima tão comum de que "sou assim" ou "cachorro velho não aprende truque novo". Mas els será realmente útil para quem tiver que enfrentar um derrame, seja como vítima, seja como pessoa próxima a alguém que sofreu um derrame.

Se o livro fosse apenas isso a gente poderia se entregar à velha ilusão de que nada de ruim acontece conosco e que preferimos fazer de conta que essas coisas não existem pois do contrário ficamos nervosos… Bem, tenho certeza que nada de ruim vai me acontecer, mas faço questão de não viver sob o signo do medo e procuro me informar sobre tudo.

Acontece que o livro não acaba ai.

Os capítulos à partir do 14 deveriam ser lidos por todos os seres humanos que possuem um cérebro.

As 73 páginas finais do livro são uma cuidadosa, porem coloquial, descrição de como os hemisférios esquerdo e direito definem nossa personalidade juntamente com o nosso emocional e infantil complexo límbico.

Estou convencido de que os conhecimentos que Jill Bolte Taylor transmite nesse livro são ferramentas importantíssimas para desenvolvermos nossa consciência, personalidade e, porque não, nosso espírito.

Apesar dela adotar um discurso que algumas vezes parece quase religioso uma leitura atenta revelará que não se trata de religiosidade ou mesmo de espiritualidade, mas de uma tentativa (bem sucedida ao meu ver) de descrever experiências sintéticas em uma língua (a linguagem reside no hemisfério esquerdo junto com o pensamento analítico enquanto o pensamento sintético reside no hemisfério direito) que não está preparada para descrever este tipo de experiência.

A neuroanatomista afirma acreditar que ao compreender a dinâmica do funcionamento do nosso cérebro podemos criar uma civilização mais pacífica mais capaz de compaixão. Ela me convenceu totalmente e percebi que o vídeo dela no TED é uma sombra do que esse livro pode ser para cada um que tiver chance de lê-lo.

Filed under: Ciência, Comportamento, Saúde | 3 Comments »

Memes – Harder, Better, Faster, Stronger

24th, May 2008

Só no ano passado fiquei sabendo sobre memes. Foi lendo Deus, um delírio, de Richard Dawkins.

Achei meio bobo na ocasião.

Depois ouvi outras coisas sobre memes e comecei a perceber que, no mínimo, eles talvez nos sirvam como um tipo de teste do joelho.

Lembra aquele martelinho com que batem em nosso joelho quando somos crianças para ver se nossos reflexos estão ok?

Os memes podem nos ajudar a entender o que estimula nossa mente.

Na primeira vez que ouvi a palavra “meme” acho que foi o Zander ou o Hiro Kozaka que falou se referindo a músicas que colam no ouvido, mas tem os vídeos também que ultimamente me parecem estar sendo mais propagados do que as músicas.

Tem memes vídeo ridículos como a dança do quadrado que até mereceu uma sátira pelos Dezequilibrados, mas tem memes muito interessantes que me fizeram refletir.

Hoje, com um ano de atraso, descobri o Daft Hands – Harder, Better, Faster, Stronger que já foi visto por mais de 19 milhões de pessoas:

Antes de esbarrar nele achei outro meme inspirado nesse ai de cima:

Gostei ainda mais deste segundo e não foi por causa dos corpos das moças, mas por achar mais criativo enquanto o primeiro meme é mais difícil de fazer.

Vale a pena ler na página delas no Myspace – Daft Bodies Chicks – como e porque elas fizeram o vídeo

Estou longe de ser um estudioso da evolução da mente ou qualquer ramo da ciência que me conceda autoridade para opinar sobre memes, mas tenho uma opinião leiga a dar…

Enquanto eu via estes memes me esforçava mentalmente para ver cada palavra lendo tudo. Foi divertido para a minha mente se forçar a trabalhar cada vez mais rápido para acompanhar a mensagem e os detalhes de cada movimento.

A minha opinião é que os memes mais poderosos atualmente de alguma forma atingem diretamente a sua inteligência, que a nossa espécie, pelo menos os internautas, tem prazer em raciocinar cada vez mais rápido.

Vale um teste qq dia…

Ah! Já que mostrei mãos e moças, aqui vai o meme com homens:

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Células tronco adultas X embrionárias

25th, April 2008

Totipotentes, pluripotentes, multipotentes, unipotentes! Parece que o mundo cietífico quer muito explicar isso!

É interessante mesmo, gostei de ler a respeito e vou deixar uns links no fim do post, mas o que gera discussão mesmo é: vamos matar gente para fazer pesquisa com célula tronco?

Uma das melhores explicações sobre as pesquisas em células tronco que achei até agora foi este vídeo aqui:

Ele, a propósito, é contra a pesquisa nas embrionárias. Não concordo com ele, mas recomendo muito assistir o vídeo acima (tem 9 minutos).

Ao que parece a questão é simples.

Células tronco adultas são as únicas úteis para tratamento de saúde. São elas que nos permitirão curar a Esclerose Múltipla, Parkinson e outras doenças. Estas são as células não polêmicas que tiramos de um adulto sem maiores transtornos.

As células embrionárias só terão utilidade depois de muitos anos de pesquisa pois um órgão desenvolvido à partir delas só seria útil – em nosso atual estágio de desenvolvimento – para uma pessoa geneticamente idêntica o que, obviamente, não existe já que o embrião não se desenvolveu para se tornar uma pessoa.

Talvez o melhor argumento para não usar as células embrionárias a esta altura (ao contrário da questão do possível mal uso citado no vídeo acima) seja concentrar esforços em pesquisas que possam dar retorno mais imediato.

Apesar disso continuo a favor da pesquisa em células embrionárias, afinal risco de mal uso há em toda pesquisa e cabe aos olhos públicos (já que a mídia não cumpre mais este papel) e à justiça manter vigilância e, demorar a ser útil não deve ser um impedimento ou não teriam existido Da Vinci ou Cristo (afinal já são 2000 anos e aparentemente ainda não implementaram direito os ensinamentos dele).

Existe a questão religiosa que prefiro não considerar pois creio que Deus deve ter poder para desaprovar sozinho o que Lhe desagradar e não conheço nenhum humano que me pareça ser Seu acessor de imprensa ou portador de procuração com plenos poderes para representá-Lo.

Em todo caso vale a pena citar que, até onde entendi, as células tronco embrionárias são obtidas em:

  • Cordões umbilicais: custa mais de mil Euros extrair e congelar o cordão e mais 95 Euros anuais de manutenção, mas se você puder fazer isso parece altamente recomendável
  • Embriões de clínicas de fertilidade que são considerados imperfeitos e portanto são separados para descarte depois de 5 anos
  • Embriões inseminados in vitro somente para pesquisa

Artigos sugeridos:

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Embrião deve ir para o lixo ou salvar vidas?

4th, March 2008

Em dois dias haverá uma Dia 5/3/08 teve uma votação muito importante para a nossa saúde e para o desenvolvimento da nossa ciência, mas ela foi adiada. Então ainda está em tempo de fazer pressão!

Antes de ler o que eu tenho a dizer leia o artigo Em Defesa da Vida de Mirna Cavalcanti de Albuquerque e, se considerar o tema importante como eu, copie abaixo a lista de emails dos secretários do STF e manifeste-se :

mluciam@stf.gov.br, gcarlosbritto@stf.gov.br, clarocha@stf.gov.br, gabmdireito@stf.gov.br, ellengracie@stf.gov.br, lewandowski@stf.gov.br, gaberosgrau@stf.gov.br, mgilmar@stf.gov.br, gabminjoaquin@stf.gov.br, mcelso@stf.gov.br, marcoa@stf.gov.br, manoel.castilho@stf.gov.br, vilmarn@stf.gov.br, cgama@stf.gov.br, angelotabet@stf.gov.br, douglass@stf.gov.br, kaiser@stf.gov.br, sergio.pedreira@stf.gov.br, monicag@stf.gov.br, andreia@stf.gov.br, sergio.freitas@stf.gov.br, ana@stf.gov.br, tomimatsu@stf.gov.br, altair@stf.gov.br, edmilson@stf.gov.br, lucilea@stf.gov.br, osmarw@stf.gov.br, paulo.pinto@stf.gov.br, ednaip@stf.gov.br

Resumindo a questão é a seguinte.

  1. Temos uma quantidade enorme de embriões congelados
  2. Eles podem ser usados para pesquisa científica e para criar céluas troncos
  3. Do contrário ficam congelados um tempo e depois são jogados fora

Para alguns religiosos Deus já deu alma para os embriões congelados portanto é melhor jogá-los no lixo do que dar-lhes a chance de salvar vidas mesmo não tendo mãos, pernas, estômago ou ossos.

Não consigo entender esta lógica e não entendo quem dá a essas pessoas direito de falar por Deus!

Porque não deixamos Deus de lado e vamos seguindo adiante e salvando vidas? Deus já mandou anjos falarem em seu nome, abriu o mar Vermelho, parou o Sol e derrubou as muralhas de Jericó sem falar da criação do Universo. Não deve ser difícil para ele mandar outro anjo no plenário para anunciar o seu voto.

Quero escrever as partes 10 e 11 da série Em Busca do Pó, mas assim não dá! 8-o

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