Ciclos artificiais: Festas de fim de ano…
26th, December 2008
Nós humanos somos feitos de idéias que viajam em corpos de carbono e genes.
Escutamos as palavras, deciframos a dança dos movimentos e o significados ocultos dos costumes.
De toda forma tentamos ser um só, uma unidade.
Ao ver um rosto pela primeira vez, ao escutar um “Oi! Muito prazer!” de um novo amigo normalmente partilhamos o que há de mais essencial em nós: fraternidade… Salvo, claro, quando vem algum preconceito antes por causa dos códigos dos gestos ou costumes que não entendemos como uma burca, o jeito de andar, uma minissaia, uma tatuagem…
Estivemos até hoje afastados uns dos outros. Inventamos palavras, roupas, crenças e uma infinidade de outros memes que nos ajudam a conviver com as cidades, florestas, ilhas ou oasis onde vivemos.
Então nossa essência foi mais forte! Fomos separados quando Pangéia se dividiu, mas aprendemos a cavalgar, inventamos carroças, carros, aviões e foguetes, fomos até a Lua para ver como estávamos próximos uns dos outros!
Infelizmente dezenas de milhares de anos tinham passado e tornou-se tão difícil ver alguém igual por baixo de todos aqueles costumes diferentes que chegaram a fazer julgamentos para decidir se índios ou negros eram mesmo humanos!
Ah! Mas o poder na nossa essência… o grito da nossa consciência é ainda mais poderoso que nosso medo e nossa ignorância. Então criamos novos veículos!
Agora não viajamos mais pela Terra, viajamos pelas idéias! Criamos carruagens, automóveis e foguetes que transportam nossos pensamentos! Nossos memes e toda cultura, costumes e crenças que eles articulam!
Rádio, cinema, jonais e televisão são esses novos veículos que nos trouxeram até aqui, mas não eram nossa voz pois só podiam transportar uns poucos de cada vez transformando a maioria de nós em espectadores passivos. Então criamos um novo mundo real onde absolutamente todos podem falar e ser ouvidos!
A Internet é o pequeno mastro de uma nave que vemos no horizonte e vai crescendo conforme nos aproximamos. A cada dia vemos um pouco mais do que está por vir: hiperdemocracia, uma nova mídia, outras estruturas de governo onde cada um tem sua voz, uma era onde o conhecimento, a criatividade e a consciência são o maior patrimônio…
Em 2008 finalmente entendemos que a Internet é uma rede de pessoas. Sites são pessoas que compartilham suas vozes!
Aqui e ali pipocam “desconferências” que descobrem e ajudam a descobrir um novo mundo onde finalmente veremos de perto que nossas diferenças são tesouros da nossa criatividade e não coisas a serem toleradas!
Em 2008 eventos como ted.com, Descolagem, Sou + Web, Blogcamps, Manhãs Digitais e tantos outros finalmente começaram a convergir trazendo antídotos para a o medo das diferenças e alimento para o êxtase diante da nossa diversidade!
Agora estamos nos momentos finais do ciclo artificial de 2008 quando normalmente as pessoas fogem da realidade para beber, comer e festejar… Pois meus votos são que em 2009, assim como em 2008, cada vez mais aprendamos a apreciar diariamente os ciclos naturais dos solstícios, equinócios e, principalmente, das transformações da nossa consciência!
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Desconferência
23rd, November 2008
Lá na frente pessoas se alternam falando sobre a escola e o futuro… sobre o futuro e a escola.
No grande auditório talvez 200 pessoas espalhadas em grandes pufes vermelhos, não em cadeiras.
Muitos assistem as palestras, mas outros mantém os olhos perdidos nas telas dos notebooks que repousam em seus joelhos ou nas pequenas telas dos celulares. É uma audiência estranha que digita coisas rapidamente e esboçam sorrisos sem sentido.
Num canto uma moça parece mais alienada do ambiente do que qualquer outro. Seus dedos tamborilam incessantemente o teclado e a luz artificial do monitor dá uma faérica coloração ao seu rosto.
Os que assistem as palestras no entanto e paradoxalmente são os alienados neste estranho auditório pois os notebooks e celulares são janelas para um intenso debate paralelo e os olhos mergulhados nas telas circulam velozmente pelo fluxo de informações do ambiente enquanto os ouvidos permanecem atentos ao palestrante e os dedos tecem comentários.
E aquela moça, a mais alienada, é um turbilhão captando todo esse fluxo de informação audio-visual e convertendo em texto para centenas de pessoas que não estão naquele lugar.
A cena digna de Borges é o cenário corriqueiro de um debate moderno.
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Jill Bolte Taylor, a cientista que curou o próprio cérebro
20th, October 2008
Você usa seu cérebro ou seu cérebro usa vc?
Em setembro recebi um contato da agência de mídias sociais a serviço da Ediouro que viu o post que escrevi sobre o vídeo da neuroanatomista Jill Bolte Taylor no TED e resolveu me oferecer uma cópia do livro para comentá-lo. Isso é que é campanha inteligente de marketing social, afinal, se gostei do vídeo certamente gostaria do livro.
Você pode ver o hotsite do livro aqui: Jill Bolte Taylor, A cientista que curou o próprio cérebro.
Confesso que não gostei muito do título que me remeteu um pouco à auto-ajuda e preferiria algo mais próximo do original que seria mais ou menos "Meu ataque de inspiração: a jornada pessoal de uma cientista do cérebro".
Digo isso logo no início do post para que o leitor averso à auto-ajuda não deixe de olhar esse livro atentamente.
Pode-se dizer que ele é dividido em duas partes.
Na primeira parte a cientista (até onde percebi bem cética do ponto de vista religioso) descreve como foi o seu derrame, a incrível experiência de se ver repentinamente com somente um hemisfério cerebral em funcionamento e como foi sua recuperação.
Essa primeira parte contém alguns insights muito interessantes que nos leva a questionar a máxima tão comum de que "sou assim" ou "cachorro velho não aprende truque novo". Mas els será realmente útil para quem tiver que enfrentar um derrame, seja como vítima, seja como pessoa próxima a alguém que sofreu um derrame.
Se o livro fosse apenas isso a gente poderia se entregar à velha ilusão de que nada de ruim acontece conosco e que preferimos fazer de conta que essas coisas não existem pois do contrário ficamos nervosos… Bem, tenho certeza que nada de ruim vai me acontecer, mas faço questão de não viver sob o signo do medo e procuro me informar sobre tudo.
Acontece que o livro não acaba ai.
Os capítulos à partir do 14 deveriam ser lidos por todos os seres humanos que possuem um cérebro.
As 73 páginas finais do livro são uma cuidadosa, porem coloquial, descrição de como os hemisférios esquerdo e direito definem nossa personalidade juntamente com o nosso emocional e infantil complexo límbico.
Estou convencido de que os conhecimentos que Jill Bolte Taylor transmite nesse livro são ferramentas importantíssimas para desenvolvermos nossa consciência, personalidade e, porque não, nosso espírito.
Apesar dela adotar um discurso que algumas vezes parece quase religioso uma leitura atenta revelará que não se trata de religiosidade ou mesmo de espiritualidade, mas de uma tentativa (bem sucedida ao meu ver) de descrever experiências sintéticas em uma língua (a linguagem reside no hemisfério esquerdo junto com o pensamento analítico enquanto o pensamento sintético reside no hemisfério direito) que não está preparada para descrever este tipo de experiência.
A neuroanatomista afirma acreditar que ao compreender a dinâmica do funcionamento do nosso cérebro podemos criar uma civilização mais pacífica mais capaz de compaixão. Ela me convenceu totalmente e percebi que o vídeo dela no TED é uma sombra do que esse livro pode ser para cada um que tiver chance de lê-lo.
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Gronk e Gronka
9th, October 2008
Muita gente ainda olha para a Internet como uma coisa a mais em nosso dia-a-dia, mas sem grande importância no quadro geral.
Para esse pessoal a Internet é como uma mistura de cinema, biblioteca, correio e outras coisinhas…
Acontece que, tirando o contato físico, todas as "outras coisinhas" estão na Rede.
Tenho tentado mostrar para a galera que a Internet já deixou de ser uma rede de redes de computadores faz muito tempo. A Internet é um lugar onde recriamos nosso mundo em todos os seus aspectos, tirando o toque, é claro.
Isso já aconteceu algumas vezes antes… Umas duas para falar a verdade… E a humanidade mudou completamente depois de cada uma.
Para explicar a Internet tenho contado essa historinha do Gronk e da Gronka.
Gronk e Gronka
Eles eram um feliz casal das cavernas. Como não conheciam a fala Gronk mostrava seu amor por Gronka descendo-lhe umas tacapadas na cabeça.
Um dia, depois de passar uma semana (na verdade ainda não existia semana, mas fica assim para facilitar) caçando com uma tribo vizinha o Gronk voltou com uma novidade!
Gronka veio correndo para ele já se preparando para as tacapadas do tacape do Gronk, mas ele a deteve, abriu a boca e gruniu "Gronk ama".
A Gronka ficou revoltada! Achou aquela comunicação virtual uma coisa horrível! Só não disse para o Gronk que achava que ele nunca mais a tocaria porque ainda não sabia falar!
A pobre Gronka nunca aceitou a fala e o Gronk acabou se apaixonando pela Gronkolina com quem podia conversar sobre como plantar, criar animais e sobre os deuses que regiam suas vidas.
Dizem que a Gronka e outros como ela subiram as montanhas e viraram pés-grandes que até hoje não falam.
Alguns milhares de anos depois Gronkenathon e seus amigos acabaram descobrindo um jeito de guardar palavras em papiro, mas essa é outra história, apesar de, sem ela, o conhecimento jamais viesse a se espalhar pelo mundo criando a segunda grande transformação linguística e iniciando a era das civilizações e da história.
Agora é a vez da Internet mudar radicalmente a nossa relação com a linguagem e comunicação criando um novo tipo de civilização e novas culturas.
Em tempo, quase usei outra imagem, mas achei muito explícita embora fosse absolutamente perfeita para esse post. Se você for maior de 18 anos clique aqui!
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Tecnopapo: RoR, Frameworks, Java etc.
18th, September 2008
Hoje sou consultor em hospedagem de sites e o que chamo de presença ou até encarnação online, mas até bem pouco tempo o meu ambiente eram grandes multinacionais, gestão do conhecimento e coisas como mainframes, CORBA, SAS, DB2 etc.
Em dois anos muita coisa acontece. Surgiram Ruby on Rails, Python (agora com Django) e o próprio mercado de computação mudou radicalmente. Eu estava desatualizado.
Foi então que recebi um convite do pessoal da Neki me chamando para uma palestra sobre Web2.0 com Jboss Seam. O email com a propaganda era meio esquisito e quase não fui, ainda bem que mudei de idéia!
A primeira coisa divertida foi, no intervalo, ser abordado por um dos simpáticos anfitriões:
- Então, mudou a sua impressão? Está gostando da palestra Roney? - Pensei "Impressão? Que impressão? Cheguei aqui calado e calado fiquei…"
- Todo mundo aqui leu o que vc disse na Internet, que a propaganda enviada por email estava estranha, fui eu que fiz… O designer já tinha ido e…
Esta é uma ótima lição! Cuidado com o que vc fala na Rede pois nunca sabe quem está escutando!!! Ainda bem que eu não tenho o hábito de falar coisas de que me arrependa depois e respondi prontamente que "A palestra está excelente, mas não deixe o designer sair mais cedo!"
A palestra foi realmente muita boa. O palestrante demonstrou excelente domínio tanto da linguagem quanto do Jboss Seam e o nível da audiência também me surpreendeu!
Lembro de quantas vezes me decepcionei 15 anos atrás quando entrava em contato com empresas tidas como grandes desenvolvedoras, mas não conheciam o básico de herança, polimorfismo e outros conceitos de OO.
A partir daqui este post só é interessante se você programa, ou seja, se você escreve códigos que fazem os computadores fazerem coisas!
Se você é uma dessas pessoas estranhas e essenciais então sabe que há dois grandes substratos de aplicativos online:
- Corporativo: dominado pelo ambiente Java, .Net (argh) e, mais raramente Python e outras linguagens
- Pessoais e médias empresas: dominado pelo PHP (Wordpress, Joomla, Zencart, B2, phpBB etc.)
Há centenas de razões para não usar outra coisa que não seja java em uma intranete ou extranet corporativa, o problema é que, com o desenvolvimento das outras ferramentas e um atraso no desenvolvimento do Java, muita gente começou a pensar seriamente em migrar, por exemplo para o RoR.
Preciso explicar o Ruby on Rails? Se você é webmaster, webdesigner ou webqq coisa e não sabe que o Rails é um tipo de framework que torna impressionantemente fácil desenvolver sistemas web com a linguagem Ruby então você está muito atrasada(0)!! Corra já! Corra agora e vá se informar pelo menos sobre Java, RoR, Python e PHP.
Depois de muito tempo sem conseguir propor algo como o Rails para o Java finalmente surgiu o Jboss Seam que é duas coisas:
- Um framework similar ao Rails (ou o Django para Python)
- Um integrador de frameworks, o que significa que vc pode utilizar e estender a infinidade de frameworks para Java sob o guard-chuva do Jboss Seam.
Bem impressionante.
Continuo acreditando em uma fronteira bem definida entre os recursos disponíveis para os sites mais comuns (lojas online, portais, blogs, comunidades etc.) que impossibilitam o uso de java e outro segmento da rede que consiste em mega-portais ou lojas e sistemas corporativos de BI, Business to Business que PRECISAM de algo escalável como o Java.
… Se você não sabe o que é escalável volto a sugerir que corra para se informar! A cada dia que passa é mais importante que um site seja muito mais que um site, que ele tenha recursos dinâmicos que vão muito além de um campo de comentários ou um formulário de contato.
No final das contas fiquei com excelentes impressões:
- É muito bom ver como as nossas empresas de software cresceram em qualificação
- Fiquei muito feliz em saber que nosso governo abraçou o opensource e não admite que lhe vendam caixinhas exigindo prestação de serviços e personalização. Este é um passo importante para um país em desenvolvimento
- o Jboss Seam parece capaz de dar uma arrumada no Java e revitalizá-lo
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