Twestival Rio: Como aprimorar a educação em regiões miseráveis?
23rd, February 2010
O Twestivalé uma oportunidade para encontrar as pessoas que frequentam o Twitter na sua cidade estendendo sua rede de contatos para além das pessoas mais próximas. Já fui a três edições e posso garantir que tem um monte de gente fantástica a dois graus de separação de nós que vale a pena conhecer e essa é uma ótima oportunidade.
No entanto vivemos tempos de extrema necessidade de transformação e talvez possamos dizer que estamos divididos em dois grandes grupos: Os que demonstram ter capacidade de resolver a própria miséria (onde acredito que posso incluir o Brasil) e os que não dispõe nem das estruturas físicas e socais básicas e, portanto, nenhuma condição de erradicar a miséria por conta própria.
Sim, é verdade que essa miséria muitas vezes é sustentada por países como o nosso e outras tantas vezes nossos países enviam empresas para “ajudar” esses povos gerando uma enorme dívida externa deles conosco que acaba incorrendo em um tipo de escravidão moderna. Isso são problemas muito sérios que também temos que resolver.
Enquanto não resolvemos essas facetas crueis do capitalismo do século XXI há milhões de crianças em escolas sem água potável, sem telhado, sem professores. Há milhões de meninas cujos sonhos de vida devem se limitar a cair nos braços de um homem que não seja cruel com elas enquanto as usam para gerar seus herdeiros. Essas crianças não podem esperar. Esses povos não podem se defender dos esquemas do capitalismo selvagem (e acredito que existe um capitalismo cognitivo que é mais humano) se não puder garantir melhor instrução para suas crianças.
Por isso tudo o próximo Twestival Rio se unirá ao movimento global para angariar fundos para o Concern que investe na educação em algumas das áreas mais necessitadas do planeta. Espero que possamos mostrar que, entre nossos papos sobre a vida, o universo, tudo mais e os chopps que fazem parte da cultura da sociedade do espetáculo possamos mostrar que, até podemos ser hedonistas, mas somos humanos e estamos prontos a fazer o que estiver ao nosso alcance para que o mundo amanhã seja melhor para todos nós, afinal, enquanto houver miséria em alguma parte do planeta esta será uma civilização subdesenvolvida vulnerável à violência.
A propósito, um dos grandes problemas do nosso tempo é que os miseráveis não tem recursos para se levantar e muitos dos que podem dar um pouco das suas ideias, do seu trabalho e, o mais fácil, do seu dinheiro, estão desesperados sem ver um futuro melhor à frente e nada fazem criando assim um paradoxo: o futuro será pior porque era inevitável ou porque não fizemos nem mesmo o mínimo que estava ao nosso alcance? Pense bem na quantidade de recursos que sobrariam em nosso planeta se todos nós aplicássemos apenas 1% da nossa capacidade para melhorá-lo…
Bem, o Concern atua em oito áreas para aprimorar a educação e cada cidade deverá escolher uma área para onde suas doações serão direcionadas. Já tomei a minha decisão, mas vou procurar refletir imparcialmente sobre cada uma das áreas para ajudar você a votar (a votação vai apenas até o dia 25/02).
Preciso avisar que não tive condições de pesquisar cada área e espero que esse post seja encontrado por educadores que possam me corrigir. O que vou falar é, como se diz, de orelhada…
Construção de Escolas
Em regiões onde falta até água potável é claro que não há escolas para todas as crianças. O custo da construção de uma escola é baixo se comparado ao treinamento de professores e outros setores que exigem treinamento. Havendo um lugar para estudar perto de cada criança no mundo sempre haveria um adulto ou até voluntário disposto a ensinar, ainda que não fosse um professor devidamente treinado. Ao menos já se começaria a construir uma cultura em torno do conhecimento.
Treinamento de professores
Se em cada vila houver um professor treinado, mesmo sem um prédio para abrigar uma escola sempre há a possibilidade de usar a igreja ou até mesmo uma praça. Já vi, em Copacabana – RJ, uma mulher que voluntariamente juntava meninos de rua nas escadas de bancos fechadoso para ensinar-lhes Português.
O porém do treinamento de professores é que o bom treinamento custa vários anos de investimentos ou o professor não será realmente qualificado. Posso atestar isso aqui mesmo no Brasil onde vi, na década de 80, professores praticamente analfabetos que davam aula nas regiões mais distantes dos grandes centros.
Mobília para salas de aula
À primeira vista esse ítem pode parecer estar diretamente ligado à construção de escolas. Sem dúvida que a construção de escolas implica na obtenção de mobília, mas novamente recorrendo ao que vi acontecer no Brasil, há muitas escolas construídas, mas sem mobília e esse item poderia colocar um grande número de escolas em funcionamento com um gasto ainda menor do que o do primeiro item.
Atividades extracurriculares
As atividades extracurriculares podem ajudar a afastar crianças do trabalho braçal em plantações fortalecendo nelas a opção pelo caminho da educação. Só me pergunto se essas atividades incluirão a instrução dos pais para que compreendam que perdem aquele auxílio braçal, mas ganham um filho que poderá voltar para casa cheio de ideias para otimizar o trabalho e promovoer a prosperidade da família.
Seja como for é importante que a escola não se limite a um período de quatro horas em lugares onde tudo falta e a necessidade de desenvolvimento humano é urgente.
Água potável para as escolas
Pode-se pensar que se a vila inteira não tem água (e vimos isso quando ajudamos a levar água potável para mais de 17 mil pessoas no primeiro Twestival) qual seria a vantagem de levá-la para a escola? Não seria melhor levá-la para toda a vila?
Bem, imagino que um poço para abastecer uma escola seja bem mais barato que um para uma vila inteira. Além disso a água potável dará aos pais e crianças mais uma razão para ir à escola. Pode não ser a melhor das razões, mas imagino como deve ser difícil para essas pessoas compreenderem a importância dos estudos.
Outro ponto é que isso pode melhorar substancialmente a saúde ds crianças possibilitando-lhes um futuro melhor.
Educação para a saúde
A questão da higiene é um problema muito mais sério do que nós aqui em cidades pensamos. É comum o completo desconhecimento da reprodução humana, doenças venéreas e até higiene básica da água e da comida. Estamos falando em regiões onde muitas vezes não há nem mesmo energia (temos 1,6 bilhões de pessoas no planeta sem eletricidade).
Educando-se as crianças com os conhecimentos mais essencias de saúde podemos criar uma geração de adultos que construirá um ambiente mais saudável, com menos doenças que hoje danificam tão cruelmente a saúde das crianças que não há escola, professor, água ou atividade extra-curricular que ajude.
Merenda escolar
Creio que esses três itens formam um triangulo de saúde que possibilitam recursos físicos para que as crianças possam absorver os ensinamentos e vê-los com o encanto da descoberta e não como a decepção do esforço frustrado.
A merenda, além de atrair as crianças para a escola, se for bem equilibrada, pode propiciar um desenvolvimento intelectual normal que lhes abrirá as portas para o aprendizado. Talvez ela só não seja mais importante do que a água dada a quantidade de viroses que atacam as crianças por esse meio (a água).
Educação para meninas
Um dos problemas mais profundos da nossa civilização é o tratamento que as mulheres ainda recebem.
Se em grandes cidades como Rio e São Paulo elas ainda tem salários inferiores aos de homens nas mesmas funções em regiões miseráveis elas são vistas como objeto reprodutor, começam a ter filhos aos 14 anos ou menos, são tratadas com crueldade e não são capazes de mostrar aos filhos um mundo com horizontes mais vastos.
Ao priorizar a educação para meninas podemos mudar profundamente as perspectivas de uma população afinal são elas que vão gerar as próximas gerações e cuidarão delas em seus primeiros anos.
Estou considerando que a educação para meninas inclui a preservação contra doenças venéreas, conhecimento e respeito do próprio corpo e, acima de tudo, direito de participar das aulas.
Em que você votaria?
Agora que vc refletiu um pouco sobre cada um dos setores onde o Concern investirá os recursos recolhidos pela sua cidade procure o organizador do seu Twestival local e vote!
Se você é do Rio tem um Doodle para votar para que área o Rio de Janeiro doará no Twestival Global 2010.
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Entre os ecos silenciosos do Carnaval
16th, February 2010
Um silêncio turbulento preenche as ruas. É carnaval, mas não há mais o batuque dos blocos ou a algazarra dos foliões. A madrugada dá seus primeiros passos em direção à próxima alvorada e os ávidos seguidores de baco encontram outras regiões para suas festividades.
O ruído tubulento chega apenas pelos ecos dos excessos dos três dias que os lixeiros não consegem apagar.
As vozes ao redor, o ruído dos carros e do vento não são diferentes dos outros dias do ano, mas o cheiro ácido da urina despejada no chão, as cinzas molhadas que sobram de algum churrasco feito em plena avenida e vastos montes de lixo, em sua maioria restos de embalagens levadas por vendedores ambulantes mantém em suspenso no ar a vibração que ainda há pouco tomava as ruas.
É uma experiência abjeta. Não são as memórias da alegria que vemos e escutamos. São poucos os traços de serpentina ou confete. Da festa, boa ou ruim, não sei dizer, ficou apenas a sujeira.
A um observador tardio fica a impessão de que nada houve ali além do esfregar de corpos suados vazios de sentimentos, repletos de emoção superficial. Isso e a falta de cuidado com o mundo à volta.
Já um observador atento, ainda que tardio, perceberia que a tristeza maior não é a libidinagem e o hedonismo, mas os despautérios de ordas de vendedores ambulantes que não se esforçaram ou não tiveram recursos (materiais ou morais) para demosntrar respeito pelos foliões-clientes e pela cidade que os acolhe.
Mas segue a festa e a transgressão das normas são o precioso instrumento que nos protege das tiranias. Que o carnaval siga eterno!
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O trabalho que dignifica, a opinião que humilha
11th, February 2010
Recentemente o jornalista Boris Casoy comentou ao vivo sem saber que era escutado:
“Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. O mais baixo da escala do trabalho”
Naturalmente a opinião causou reações violentas contra ele incluindo o resgate de uma edição da revista Cruzeiro de 1968 onde ele é apontado como neo-nazista e um rap:
No entanto, guardadas as devidas proporções, realmente discriminamos profissões como se um lixeiro fosse um humano inferior que ocupa aquela posição por ser incapaz de ocupar outra.
Há alguns meses testemunhei uma amiga (atriz, religiosa e normalmente humana) arrasar um segurança que obedecia ordens. O que ela disse foi bem parecido como se houvessem profissões que humilham os humanos.
Essa é uma boa oportunidade para pensar.
É inevitável pensar na ironia da imprensa marrom que está longe de ser excessão, dos políticos e advogados corruptos e anti-éticos igualmente comuns.
O que pode haver de medíocre no ofício do lixeiro, do balconista, do aparafusador de parafusos na fábrica?
Arrisco dizer que entre eles estão os humanos mais íntegros e batalhadores da nossa civilização.
Eles tem melhores chances de ter relacionamentos sinceros e dormir à noite com a consciência tranquila, sem ódios sexistas, racistas, religiosos.
Nos esquecemos que um lixeiro não é lixeiro 24h por dia. Fora do expediente eles compõe samba, brincam com os amigos, alguns escrevem, outros estudam para alcançar promoções ou para progredir materialmente.
Progredir materialmente… Materialmente.
O espírito humano é nossa maior fote de alegria, nosso melhor instrumento para poder olher no espelho e gostar do que vemos.
Já o preconceito e o ódio são fantasmas que nos perseguem incessantemente atirando-nos violentamente contra o mais baixo da escla de humanidade pois escala de trabalho não fala nada sobre o tipo de humanos que somos.
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Essa não é uma mensagem de natal
24th, December 2009
Não sou uma pessoa natalina porque sou uma dessas pessoas sérias que acham que devíamos ser natalinos e respeitar a vida todo dia. Devíamos ser “reveilloninos” todos os dias e fazer algo para que amanhã seja melhor que hoje.
Mas esse ano algo diferente aconteceu.
Tenho muitos motivos para aproveitar o natal e ano novo para festejar o fato de 2009 ter sido um ano com 364 natais e viradas de ano!
Hoje posso descansar de um ano de muitas conquistas e compartilhar com vocês aquele tipo de alegria pura e tão rara que nos faz rir simplesmente porque a vida é boa! As pessoas são boas! E amanhã, sem a menor dúvida, será melhor que hoje por melhor que hoje seja!
Para festejar esse ano – e porque tenho certeza que o que nos torna especiais são as pessoas especiais com quem nos relacionamos – resolvi reunir as coisas mais legais que estou recebendo dos amigos.
Tenho que começar pela Lia Amâncio que mandou um videozinho gravado por ela mesma que para mim tem justamente aquele riso leve bem diferente da piada pesada da TV ou da comédia onde a graça quase sempre está na miséria de alguém:
Acho que o Bruno resumiu bem o lado sério da data:
“Aproveitem toda a experiência que veio, mas guardem os bons momentos e deixem os ruins para trás; preocupem-se com suas vidas, deixem os outros viverem as deles; comemorem as conquistas, não remoam os fracassos, porque tudo tem um momento e um motivo.
Enquanto isso, pra que esperar 2010? Vivam muito, amem muito, sejam livres, mas não percam o rumo!”
Da Mõnica e do Roberto copio isso:
“Também teremos outras 365 novas oportunidades de dizer à vida, que de fato queremos ser plenamente felizes. Todo Ano Novo é hora de renascer, de florescer, de viver de novo. Aproveite esse ano que está chegando para realizar todos os seus sonhos!”
Bem, talvez não todos, mas podemos começar a realizar vários, com certeza!
Da Isa pego essas palavrinhas:
“Não acredito nessa coisa de ano novo, vida nova, e de que tudo vai ser diferente a partir de janeiro. Mas certamente nós vamos mudando aos pouquinhos e a cada dia somos melhores do que éramos.”
A Moon mandou um cartão lindo com bonecos de neve engraçados e um tipo de encantamento para que nossos dias fossem recheados daqueles milagres cotidianos como a caneca de café que alguém prepara para nós, achar as chaves exatamente onde achamos que estavam, uma ligação inesperada de um velho amigo… Ela está certíssima! Podem não ser milagres, mas os pequenos gestos puros e apreciar a vida como ela é são as chaves para construir o mundo.
A Lilian mandou um cartão cheio de desejos de um 2010 idílico onde a nossa paz e alegria transborde para quem estiver à nossa volta. Vou tentar me lembrar disso toda manhã ao acordar!
Um senador me mandou uma voz estranha desejando votos padrão de Natal e Ano Novo… Muito esquisito!
O Dudu também acha que os amigos são o importante do espírito do Natal:
“minha grande realização de 2009 foi me cercar de pessoas tão queridas, e ter a amizade retribuída. Fica o meu ‘muito obrigado’ aos amigos que conheci em 2009, e aos amigos de longa data que permaneceram amigos ao longo de mais um ano”
Ele nem precisava te mandado a letra de War is Over do John Lennon, mas concordo que, mesmo batida, vale a pena reler sempre!
A Manu (do Rio, não a de Minas que também alegra meu dia sempre que lembro dela) escreveu algo divertidíssimo falando que já desejou que tivéssemos tempo, depois compreensão e esse ano ela nos deseja Disposição! Vale a pena ler inteiro. Guardei aqui: http://roney.posterous.com/sim-e-um-email-de-final-de-ano
Disposição é uma sábia sugestão, afinal estamos saindo de um mundo onde precisávamos nos conformar em obedecer para um onde somos co-criadores da nossa realidade, mas isso, apesar de maravilhoso, é assunto para outros dias
E por falar em sábios não dá para esquecer essa crônica dos natais passados quando as pessoas e não os presentes estavam no centro da festa: http://coisasdojunco.blogspot.com/2009/12/sobre-o-natal.html
Foram tantos amigos mandando palavras de ano novo! Esse email já está longo e de qualquer forma eu esqueceria alguns, mas creio que a mensagem está clara: Se uma coisa mudou para melhor no mundo foi que estamos cada vez mais próximos uns dos outros. Seja por causa da Internet, do telefone ou do celular a gente consegue driblar a massacrante máquina de produção e consumo da sociedade do espetáculo e criar espaços de convivência onde um minuto vale por duas horas.
Esse mundo online é um mundo de palavras, torpedos, emails, tuites e imagens, é verdade, mas quem se satisfaz em interagir somente online?
Se imagens falam por 1024 palavras os atos falam por terabytes e preciso terminar essa mensagem lembrando não as palavras, mas os atos de uma amiga querida que morou quase seis meses aqui em casa e agora está a caminho do Canadá.
Uma amiga “virtual” como 80% dos nossos amigos. Uma amiga que veio para o mundo “real” (como 80% dos amigos “virtuais”) e compartilhou nosso espaço provando dia-a-dia que as pessoas não são apenas palavras vazias no natal e que todos carregamos dentro de nós aquela amizade pura e alegria leve do karaokê da Lia lá no começo dessa longa mensagem de Natal e Ano Novo.
Ela é uma pessoa rara e especial, mas todos somos raros e especiais quando conseguimos (diariamente) ser maiores que o mundo virtual (sem aspas) construído por nossos medos e que faz a humanidade parecer um virus egoísta, mesquinho e perturbado quando a verdade é que nenhum de nós é assim:
nós somos a voz que muda o mundo coletivamente. Sempre fomos. Foram as pessoas como você e eu do passado que construíram tudo que há de bom em nossa civilização e nós somos e podemos muito mais que eles. Somos mais humanos, temos mais empatia, somos mais livres, responsáveis e sabemos que queremos construir um mundo onde todos são respeitados.
Essa, portanto, é minha mensagem de natal: A única ilusão nas mensagens natalinas é que elas estão fadadas a ficarem presas na hipocrisia de um dia sequestrado pelo consumismo, elas são a realidade diária que só não percebemos porque não estamos vendo claramente no meio do turbilhão de estímulos e informações.
E que no Natal do ano que vem você possa festejar 360 dias de conquistas!
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Cinema: 2012
16th, November 2009
Antes de mais nada: pode ler o post pois não entregarei nada que atrapalhe o prazer de ver o filme.
2012 aproveita a suposta profecia Maia (uma das únicas civilizações que provavelmente se extinguiu por ter esgotado seus recursos naturais) de que o mundo terminaria em 21/12/2012 (porque não 12/12/2012?) para elaborar mais um filme catástrofe na longa linha que vem desde Terremoto até os mais recentes Impacto Profundo, O Dia depois de Amanhã e Presságio.
No entanto há muitas coisas interessantes a destacar no filme.
Até pouco tempo o cinema catástrofe se resumia a inventar uma desculpa (geralmente esfarrapada) para uma série de desastres que os mocinhos teriam que driblar até que tudo voltasse ao normal.
A fórmula básica não mudou, no entanto há coisas que não existiam antes, pelo menos não tão claramente.
- Há um claro reconhecimento que nossa espécie é extremamente vulnerável e que poderia facilmente se extinguir
- Desde Impacto Profundo essa modalidade de ficção nos pergunta: quem nossa civilização procuraria salvar (Ok, não vou esquecer Dr. Fantástico)
Do ponto de vista de lazer 2012 vale pelos primeiros 40 minutos, o meio e o fim não são nem animados, nem suficientemente questionadores, no entanto ainda assim achei que valia a pena escrever sobre ele.
Uma amiga ficou revoltada porque o mundo não vai acabar daquele jeito (err… alguém está achando que vai acabar de alguma forma?) e outro se perguntou se as pessoas agiriam do jeito que agem no filme.
Gente… É um filme pipoca, não é nem documentário, muito menos tratado antropológico.
O que há de interessante para observar nesses filmes são as questões básicas da moral e dos nossos medos intuitivos que tornam o filme um sucesso ou atraente para o espectador.
E nesse sentido creio que, a cada novo filme catástrofe que é lançado as questões que estão nas entrelinhas são:
- Será que não é hora de pensarmos em modos de preservar nossa espécie dos riscos naturais? Será que não está na hora de nos lançarmos ao espaço para o caso de algo terrível acontecer na Terra?
- Qual é a essência da nossa espécie? Somente o caldeirão genético ou também nossa produção artística e cultural?
- Cataclismas naturais (lembram do Tsunami de 2004?) e artificiais (15 milhões de crianças morrem de fome por ano) já estão exterminando milhões de vidas, será que, em nosso estágio atual nossa civilização trabalharia em conjunto para salvar a nossa espécie ou trabalharia em segredo para salvar um punhado de ricos?
Nada acontecerá em dezembro de 2012, mas me arrisco a dizer que, a cada dia, filme tolo a filme tolo, estamos construindo uma nova consciência a respeito da nossa fragilidade e da nossa moral.
A Terra talvez experimente profundas transformações climáticas nos próximos 30 ou 40 anos e o que estamos fazendo a respeito disso? Estamos mobilizados para garantir que o máximo de humanos e outros terráqueos sobrevivam e se adaptem? Estamos fazendo algum esforço substancial para impedir (o que acho praticamente impossível) as mudanças climáticas ou para nos prepararmos para elas?
Dificilmente.
Se qualquer um desses filmes se mostrasse real e nosso planeta passasse por transformações tão rápidas somente uma minoria de poderosos sobreviveriam e provavelmente se matariam logo depois na disputa pelos parcos recursos.
É essa a civilização que desejamos construir?
Felizmente o mundo não acabará tão cedo e ainda há tempo para mudar o que realmente pode alterar nosso mundo: nossa consciência.
Cada uma das nossas vozes individuais é sagrada
pois cada voz nos enriquece e toda voz perdida nos diminui
Somos a voz da humanidade, a consciência do Universo
A chama que ilumina o caminho para um futuro melhor
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