O Fim da Infância – Arthur C. Clarke

Capa do livro O Fim da Infância de Arthur C. ClarkeTá lá a humanidade dedicando-se às suas disputas, corridas e guerras quando a chegada de uma enorme frota de naves alienígenas marca o fim da infância da nossa espécie.

Isso está na orelha de O Fim da Infância, recentemente retraduzido por Carlos Ângelo.

O que não sabemos ao começar a ler é como, apesar de ter sido escrito há quase 60 anos, ele ainda é uma lente perturbadora do nosso trajeto evolutivo.

A humanidade será capaz de fazer a transição para a idade adulta sem a interferência de deuses ou outra raça muito mais evoluida?

A propósito, são duas possibilidades bastante improváveis, mas vale nos perguntarmos:  esse tipo de amadurecimento forçado seria bom para nós? Seria realmente bem intencionado?

Clarke nos alerta para o perigo de uma era de ouro onde não precisássemos mais trabalhar tão duramente (em vez de cozinhar teríamos fornos de "radar" por exemplo), tivéssemos mais liberdades individuais e uma oferta virtualmente ilimitada de entretenimento.

Isso tudo está acontecendo. E parece bom.

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Apesar de ainda persistir um senso comum de que a humanidade não tem futuro (de certa forma também presente em O Fim da Infância) provavelmente nunca fomos tão livres, tivemos tantas fontes de entretenimento ou pudemos viver vidas tão hedonistas e inconsequêntes.

Sei que há uma aparente preocupação com o "meio ambiente", mas, francamente, a grande maioria se diz preocupada apenas por desencargo de consciência (repassa emails), mas não se disporia a fazer sacrifícios reais para ajudar seus filhos.

Não se trata de maldade ou egoísmo, mas de mera falta de visão, justamente a mesma que domina nossa espécie ao longo do livro.

Felizmente há muitas coisas que Clarke não conseguiu imaginar e talvez sejam capazes de destrancar algumas portas a caminho da maturidade humana.

Definitivamente não somos mais uma civilização de espectadores que se satizfaz em consumir a arte do passado e se encosta indolentemente sem exercitar o que nos torna humanos: a capacidade de criar.

Ele, quase ninguém na verdade, também não imaginou que ao fim da primeira década do século XXI a humanidade estaria tão dedicada à remoção das fronteiras físicas sequestrando a rede mundial de comunicações e transformando em uma forma totalmente nova de rede de relacionamentos.

O próximo passo, já em curso, é a dissolução das nações com o fim das fronteiras culturais e… bem, leia o livro 🙂

O Fim da Infância parece antigo (e é), mas além de não ser infantil como tantas obras do século passado, nos coloca de frente com uma série de transformações que achávamos que jamais seríamos capazes de fazer sozinhos, mas, para nossa surpresa, estão acontecendo…

Uma resposta para “O Fim da Infância – Arthur C. Clarke”

  1. “Clarke nos alerta para o perigo de uma era de ouro onde não precisássemos mais trabalhar tão duramente (em vez de cozinhar teríamos fornos de “radar” por exemplo), tivéssemos mais liberdades individuais e uma oferta virtualmente ilimitada de entretenimento.Isso tudo está acontecendo. E parece bom.Apesar de ainda persistir um senso comum de que a humanidade não tem futuro (de certa forma também presente em O Fim da Infância) provavelmente nunca fomos tão livres, tivemos tantas fontes de entretenimento ou pudemos viver vidas tão hedonistas e inconsequentes”

    Pô, isso que vc falou me levantou uma conexão que nunca tinha feito antes: este tema é diretamente ligado às descrições da última Cidade, Diaspar, do “A Cidade e as Estrelas”, outro excelente livro do velho mestre. Parece que a ‘Leisure Era’ perfeita induz à irremedivel estagnação…

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