Deixa ela entrar: Terror ou poesia?

Ao ver no Arteplex Unibanco o cartaz da versão nacional de Let The Right One In me lembrei que não comentei esse filme ainda e pelo jeito finalmente ele vai entrar em cartaz no Rio.

Pode ler o restante do post pois sempre me esforço para não dizer nada que diminua seu prazer de assistir o filme (ou ler o livro).

Algumas obras não deviam ser classificadas como terror, romance, ação ou drama: elas se constroem com tanta delicadeza que deviam ser chamadas apenas de obra ou, mais propriamente, arte.

Não me entenda mal, Deixa Ela Entrar é um filme de terror e se você abomina o estilo não vá ver.

Acontece que ele vai muito além disso, aliás, uma tristeza esse título. Uma tradução mais literal como “Deixe a pessoa certa entrar”, apesar de feia, seria muito melhor.

A história se desenvolve justamente sobre a delicada e tênue fronteira entre quem é ou não confiável. O que constrói uma relação de confiança? O que nos separa ou aproxima do monstro, do selvagem e do humano.

Já faz quase um ano que assisti esse filme em um DVD área 1 (em Inglês) e apesar das barreiras da língua ele me deixou marcas tão claras que me emociono enquanto escrevo.

Bem, tenho que admitir que a minha leitura do filme não é a única. Eu achei belo e poético, outros podem facilmente achá-lo perverso e até ultrajante.

Esta multiplicidade de significados é outra característica das obras de arte e o diretor Tomas Alfredson teve o meticuloso cuidado de não limitar os personagens a um carater definido apesar de criá-los com uma profundidade e riqueza incomuns no cinema moderno.

Isso tudo sem falar que as atuações das crianças são de cair o queixo.

Resumindo, é um filme para assistir com carinho e carregar na memória pois será útil em vários momentos da sua vida.

Você pode encontrá-lo em Inglês nas locadoras ou comprar na Amazon:

Outras opiniões:

4 thoughts on “Deixa ela entrar: Terror ou poesia?

  1. Desculpe, amo o filme, e o nome dado em português está certíssimo. “Deixa ela entrar” tem a ver com o fato de que os vampiros não podem entrar na casa de alguém sem antes ser convidado. Não teria nenhum sentido a alteração do nome para o que você propôs. O filme é ótimo, muito mais sentimento do que terror. Mesmo porque as cenas de terror são em sua maioria sugeridas, não escancaradas. O que toca é o que existe de lírico no filme. Poesia pura. Ideal para aqueles que também não são fãs de filmes de terror. Não foi feito para assustar, mas para emocionar!!

    • Minha implicância com o título é pq acho que o original é mais dúbio o que combina muito com o filme.

      “Deixa ela entrar” (pq não “deixe-a entrar”?) é muito claro enquanto o título original me fez pensar, por exemplo, em que sentimentos, ideias ou comportamentos adotaríamos naquela situação, entende?

      Acontece que não consigo pensar em nenhum jeito de preservar isso em Português sem ficar muito feio então vou me calar, afinal o filme não perde absolutamente nada da sua beleza por causa da tradução do título :)

  2. Então, também acho que o título não prejudicou em nada o filme. Se a gente for pensar, tem muito título em português que destrói todo o sentido do título original. Agora sobre o fato de ser “Deixa ela” ou “Deixa-a” imagino que tenham buscado uma linguagem mais oral, usada no dia a dia das pessoas. De acordo com a gramática não está correto, mas usamos dessa forma diariamente sem que isso cause qualquer espanto. É uso comum e tem um apelo maior.

    • Falei do “deixe-a entrar” só para ficar um gancho sobre bom português, mas a verdade é que “deixa ela entrar” tem o tom infantil e quase suplicante bem adequado às crianças que protagonizam o filme.

      Sou chato com as normas cultas, mas o filme é uma poesia e merece um título poético. Imagino que os tradutores tenha pensado justamente isso ao descartar as variações de “deixe a pessoa certa entrar” ;)

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