Livro de papel na era digital: Singular Digital
30th, September 2009
Pois então, eu ganhei a Cabeça do Steve Jobs no Twestival Rio
Tá ai a foto do livro:
Beleza, tô lendo o livro e adorando, mas o que me deixou de queixo caído foi outra coisa. O livro foi impreso sob demanda!
Na boa? Não sei se a Singular Digital (que é do grupo Ediouro) se tocou, mas acho que eles tiveram a idéia de ouro e grana para implementá-la com qualidade.
Antes de mais nada tive dificuldade em acreditar que se tratava de um livro impresso sob demanda pois ele é igual ao que está nas livrarias.
Em segundo lugar, e mais importante, é que há tempos as editoras se mostram como um obstáculo à publicação de livros e não um agente facilitador.
Até a Singular Digital a gente tinha duas opções:
- Bancar do nosso bolso uma edição independente e sem qualidade para fazer o lançamento em uma livraria onde 20 cópias seriam vendidas antes de sumir no limbo editorial
- Mandar nosso original para todas as editoras e aguentar as rejeições até sermos descobertos como aconteceu com a J.K Rowling, Dan Brow e vários bons escritores despresados pelas editoras até serem levados a público ávido por eles.
A Singular pode mudar tudo isso!
Resumindo ao essencial:
Você entra no site da Singular Digital, se cadastra, envia seu o arquivo digital do livro e pronto.
É só isso mesmo! Acabou! O resto do trabalho a qualidade do seu texto e as redes sociais online farão por você.
Se entendi corretamente seu livro fica lá no site deles, se alguém quiser comprar é só clicar nele, pagar e eles imprimem e mandam para a casa do comprador. Devia se chamar Simples Digital
Com esse tipo de serviço à diposição imagino que novos Shakespeares possam apostar nas suas obras colocando-as lá, divulgando trechos por conta própria nos seus blogs e em redes sociais, talvez possam até distribuir o livro digitalmente em Creative Commons para ser conhecido.
É o que pretendo fazer com pelo menos 3 livros que tenho praticamente prontos e nunca tive paciência de expor ao escrutínio de uma indústria míope.
O que falta?
Caminhando pelo site senti falta de algum tipo de acordo de licensa de uso que defina como vai funcionar o relacionamento do autor com a editora.
Também não vi onde diz quanto do valor do livro vai para o autor.
Também não sei se é o autor que deve obter o isbn ou se a editora providencia isso.
Mas estas coisas são detalhes que certamente serão resolvidos enquanto o serviço se desenvolve.
Resta torcer para a Ediouro perceber o pequeno tesouro que tem em suas mãos e conduzir bem o projeto!
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Teatro: Versão Moderna de Despertar da Primavera
19th, September 2009
Apesar do texto original ser de 1891 ele aborda sem meias palavras alguns dos problemas mais obscuros enfrentados pelos adolescentes na faixa dos 14 aos 18 anos como sexo, abuso sexual, rebeldia e a pressão de pais que não sabem como estimular os filhos.
É uma pena que atualmente não seja possível produzir uma peça como essa (com mais de vinte atores em palco) a preços populares. Ela vale cada segundo e me arrancou lágrimas pelo menos três vezes.
A parceria entre Charles Möeller (direção) e Cláudio Botelho tem rendido ótimos frutos, mas assim mesmo é impressionante ver jovens atores atuando e cantando perfeitamente à vontade no palco.
Seria injusto (e complexo) comparar a atuação dos atores então vou apenas eleger os meus dois personagens prediletos que foram Ilse (Letícia Colin) e Moritz (Rodrigo Pandolfo) principalmente por seu caráter transgressor.
Ok, eu sei que é nas falas de Melchior que encontramos a rebeldia, mas são Ilse e Moritz que os materializam mais intensamente.
No século passado (1995 +-) vi outra montagem muito mais próxima do original (e mais pesada para falar a verdade) e creio que eu não teria gostado da versão da Bradway onde optou-se por uma quebra radical contrapondo a atuação mais formal com arranjos musicais (e interpretações) bem contemporâneos.
Fiquei feliz que a modernização da montagem que está em cartaz aqui tenha se restringido ao cenário e ao vocabulário e creio que foi na medida perfeita para garantir um bom entendimento sem contaminar a ambientação de época.
Resta dar os parabéns aos atores (tirado do site oficial):
Malu Rodrigues (Wendla), Pierre Baitelli (Melchior), Rodrigo Pandolfo (Moritz), Letícia Colin (Ilse) e Thiago Amaral (Hanschen) encabeçam o elenco brasileiro, formado por Alice Motta, André Loddi, Bruno Sigrist, Danilo Timm, Davi Guilherme, Eline Porto, Estrela Blanco, Felipe de Carolis, Julia Bernat, Laura Lobo, Lua Blanco, Mariah Viamonte, Pedro Sol e Thiago Marinho. Débora Olivieri e Carlos Gregório interpretam todos os adultos do musical.
A peça está em cartaz no Teatro Vila Lobos com preços entre 60 e 80 Reais. Mais informações no site oficial da peça.
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Porque os evangélicos são perseguidos?
18th, September 2009
Sempre digo que já falei tudo que queria sobre religiosidade na série Em Busca do Pó, mas de tempos em tempos acabo escrevendo algo que me dá pena de deixar perdido então aqui vai o comentário que deixei no post Porque o cristão evangélico eh sempre o alvo? da Tici Meliani:
Não achei esse texto no blog da Malu então vou comentar aqui dando o ponto de vista de alguém que odeia ser abordado por evangelistas.
Tirando uns Hare Krishna também chatos nunca fui abordado por taoistas, budistas ou wiccas querendo me impor que eu iria para o inferno ou que deus ficaria irritado comigo se não admitisse que ele (o evangelizador) estava errado.
Tem uma coisa meio perversa no cristão que se diz portador da palavra de deus, sabe?
Para mim é por isso que as pessoas batem a porta na cara do evangélico: elas os vêem como falsos profetas e preferem buscar Deus à sua maneira.
Eu li a bíblia toda quando tinha uns 11 ou 13 anos. Não é uma leitura agradável e não corresponde mais aos nossos tempos com toda aquela coisa de apedrejar adúlteras (homem pode), matar quem trabalha no sábado ou escravizar o filho de quem te deve dinheiro.
Porque a palavra de Deus seria a palavra da bíblia e não a do Corão, do Tao Te King ou de Buda?
Porque Deus teria falado apenas com os judeus ao longo de três mil anos de história ignorando os gregos, os romanos, os chineses, os apaches, os inuit, os tapajós, os incas, os astecas… Foram todos criados por outro deus? É compreensível que os espanhóis tenham chegado a fazer um julgamento para decidir se índios eram ou não humanos lá no século XVII se não me falha a memória.
A questão é que talvez a bíblia seja apenas uma das tentativas humanas de entender a própria consciência, o mundo em que vive, e não a palavra de deus.
O problema é quando grupos de pessas decidem que ela é a palavra única e absoluta de Deus e que a sua interpretação daquelas palavras é a única e absoluta forma correta de interpretação.
Na minha opinião a religião jamais deve ser um princípio a ser imposto ou mesmo sugerido aos outros, ela deve ser um conjunto de compromissos pessoais para nos tornarmos alguém melhor e cada um deve escolher o conjunto mais adequado para si mesmo, nem que seja o (argh odeio) Harry Potter ou o (Aha! Adoro!) Fronteiras do Universo do Philip Pullman.
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Estátua
10th, September 2009
Indiferente… Ela me fita indiferente. Ano, décadas, séculos, talvez milênios, quantas vidas seus olhos vazios assistirão até que o tempo se esgote, que as partículas impiedosas de oxigênio finalmente a transormem novamente em pó?
O garoto e sua irmã sentem a areia agradavelmente áspera sob seus pés enquanto caminham descalços, finalmente livres do lar pobre ou talvez da companhia insuportávl dos pais.
Olham com medo para o policial que tenta ajudá-los, com desconfiança para as pessoas ricas do asfalto que nunca se importaram.
Pode ser que a fuga não seja nada além da natural rebeldia adolescente, talvez seja mais uma vez vidas perdidas entre os jogos de poder de uma humanidade jovem demais, ainda indiferente demais.
Suas mãos languidamente largadas sobre o colo como se dormisse, indiferente a nossos amores, nossos sonhos e pesadelos.
Amanhã ela estará lá, coberta por gotas da chuva noturna, mas sem nem uma lágrima sequer.
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Cia Laso: O que nos Move?
7th, September 2009
Fazia tempo que não me dava ao prazer de assistir um espetáculo de dança contemporânea.
As tarefas do dia-a-dia vão nos ocupando, vamos esquecendo de uns prazeres da vida e substituindo por outros menores.
Não que conversar com amigos seja um prazer menor, mas a arte proporciona um prazer diferente. Ela atinge pontos da nossa alma ou consciência que nada mais atinge.
Quando o espetáculo começou tive medo de ter perdido a prática e a capacidade de encontrar sentido nos movimentos sem palavras.
Foi ai que percebi algo sobre dança contemporânea que nunca tinha notado: assistir uma boa coreografia de dança contemporânea é como aprender um idioma em menos de 40 minutos guardando os movimentos na memória para compor o sentido de tudo já quase no final do tempo. Escrevi sobre a minha interpretação para O que nos Move no Meme de Carbono porque está ligado a cibercultura.
Aqui eu precisava falar dessa descoberta (que deve ser fato corriqueiro para muita gente) da dança como fenômeno linguístico!
Imagine só o bem que isso faz para a nossa capacidade simbólica, nossa habilidade para compreender e se fazer compreendido.
Vivemos um tempo onde novas formas de linguagem são criadas o tempo todo porque novos arranjos comunicacionais são desenvolvidos todo tempo na Internet e fora dela.
Ainda outro dia participei de uma desconferência sobre narrativa transmídia no Descolagem onde fomos (pelo menos eu fui) apresentados ao conceito de histórias que são verdadeiros universos onde histórias são criadas. É como se Tolkien e sua imaginação febril tivessem se tornado padrão na arte de contar histórias.
O fenômeno do desenvolvimento da nossa linguagem não se resume ao incômodo anxim usado nas salas de chat ou no Twitter e a capacidade de decifrar símbolos abstrados pode se mostrar como uma necessidada.
E eu que costumava recomendar dança contemporânea aos amigos só para estimular centros de prazer do cérebro que normalmente deixamos adormecidos…
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