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Propriedade Intelectual

Doação de Sangue para Carinne Monteiro de Andrade

28th, April 2009

Uma amiga muito querida, a Patrícia Haddad, avisou ontem que a prima estava precisando de sangue e corri logo hoje para doar meu precioso fluido vital, mas isso é pouco. Todos nós devíamos doar sangue com frequencia.

Sou um grande crítico do uso do email para repassar esse tipo de informação, então decidi fazer esse post para chamar quem mora no Rio para doar sangue para a Carinne.

Se você não mora no Rio ou não quer doar sangue para a prima da minha amiga, doe sangue assim mesmo! Aqui tem uma lista de todos os hemocentros do país.

Aqui vai o email que recebi da Patrícia.

Muitos de vocês já viram este meu pedido no Twitter e até repassaram. Agradeço de coração e peço desculpas por estar enviando o pedido novamente. No entanto, assim fica mais fácil de vocês encaminharem o pedido também por email, e não apenas pelo Twitter.

Minha prima Carinne está fazendo quimioterapia devido a uma espécie de linfoma e está precisando de sangue. Transformei o email dela em uma imagem para facilitar e esta pode ser vista no link http://migre.me/Js8 Lá vocês podem ver os detalhes para a doação.

Agradeço se puderem repassar este email adiante. Sei que há muitas pessoas que têm o costume de doar sangue regularmente. Então, se desta vez puderem doar em nome dela, nós agradecemos.

Qualquer dúvida, entrem em contato comigo.

Quando ela ficar boa aviso aqui nesse post!

Filed under: Saúde | 8 Comments »

Depois da chuva de outono

27th, April 2009

Não dá para ver a lua lá em cima, as nuvens ainda a escondem.

Cheiro de terra molhada… A gente esquece dessas coisas vivendo entre os corredores de concreto das grandes cidades. Esquecemos tão totalmente que nem o notamos quando ele finalmente aparece depois de uma grande enxurrada, mas ali na beira da praia o cheiro a tomou tão completamente que foi impossível não acordar dos pensamentos.

O calçadão está vazio, todos tem medo que outra tempestade esteja a caminho e não querem se molhar.

Os carros passam apressados levantando gotículas do asfalto e fazendo aquele som característico que sempre vem acompanhado de um festival de reflexos já que tudo está coberto com a película de água da chuva.

Ela estava pensando na vida. Hora engraçada para pensar nisso: a caminho de um dos novos quiosques para beber com uns amigos antes de mergulhar na noite e dançar, dançar…

Aliás, dançar é um ótimo sentido para a vida! Porque viver tem que ser um castigo e a Terra um purgatório? Quando os prédios ali ao redor eram árvores a vida era muito mais difícil, mas não era um castigo e sim uma dádiva.

Era esse tipo de coisa engraçada que estava passando pela cabeça dela quando o cheiro de terra molhada a depertou. Ou será que foi ele que a fez pensar nessas coisas? Cheiros nos fazem pensar?

- Você sempre anda tão distraída pela rua? – a voz familiar está bem à sua esquerda

- Nossa! Há quanto tempo você está ai?

- Olha, já tem um tempinho que estou caminhando bem ao seu lado… E o quiosque ficou para trás, viu? A gente te viu passando! Hahahaha!

Realmente! Lá estão seus amigos sentados ao redor de uma grande mesa branca sob um enorme ombrelone também branco de onde ainda pingam algumas gotas de chuva.

Eles levantam um copo com um líquido esverdeado. Já pediram sua bebida predileta! O cherinho de hortelã vai combinar com o da chuva nas matas escondidas que se estendem pelos corredores de asfalto até ela.

Lá no céu finalmente a lua escapa do véu de nuvens carregadas de água e sorri tímidamente para ela, afinal é o segundo dia depois da lua nova.

Post escrito para a @bridinha

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Dr. Fantástico – Dr. Strangelove – 1964

22nd, April 2009

Capa do DVD Dr. FantásticoLançado em 1964, Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, é mais uma das obras primas de Stanley Kubrick.

Se Kubrick tivesse sido um blogueiro ele teria escrito apenas 12 posts que teriam mudado o mundo e mais nenhum. Ele jamais seria um tuiteiro :-)

Confesso que Dr. Fantástico era uma das imperdoáveis lacunas na minha educação cinematográfica, mas é bom apreciar uma obra 45 anos depois do seu tempo.

Em sua época o filme foi uma das poucas críticas diretas à hipocrisia e irresponsabilidade predominantes, principalmente  quando ele nos mostra o Dr. Strangelove, um ex-cientista nazista tão ética e moralmente questionável quanto qualquer outro monstro nazisa, como consultor de armamentos do presidente dos EUA, afinal de contas porque os nazistas eram ruins mesmo?

Ainda hoje nos esquecemos que nossos cientistas “do bem” tem sido capazes de fazer experiências e criar aramentos tão crueis quanto os dos nazistas.

Dr. Fantástico continua sendo um ótimo filme para nos ajudar a refletir sobre o nosso tempo: será que estamos administrando nossa civilização de uma forma muito diferente da caricatura de Kubrick?

Fora isso há o prazer de ver algumas das mais brilhantes atuações de Peter Selers que faz três papeis: Presidente dos EUA, Dr. Fantástico e o oficial que tenta impedir o desastre a todo custo.

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Blogagem coletiva: Meu primeiro livro

18th, April 2009

Hoje é aniversário de Monteiro Lobato e o Fio de Ariadne propôs uma blogagem coletiva sobre quem foi o autor que nos introduziu ao prazer da leitura.

Eu era criança na década de 70 e naturalmente li toda a obra de Monteiro Lobato e adoraria dizer que foi através dele que aprendi a gostar de ler. Não foi.

A primeira coisa que eu lembro, e é uma daquelas memórias que transita pelo terreno nebuloso entre lembrança e imaginação, é um livro de pano.

Talvez seja algo que me contaram e penso que me lembro, mas o que importa é que tenho a memória nítida de algo de pano resistente que eu manuseava com encantamento. Imagens coladas que eu podia levar para o banho e manusear a vontade ao contrário dos livros de papel que meus pais folheavam.

Depois vieram os quadrinhos. Tio Patinhas, Professor Pardal e Pato Donald. Foi com eles que aprendi a ler. Minha mãe lia as revistinhas para mim e assim fui aprendendo a ler. Tinha 5 anos quando comecei a viajar sozinho com as minhas revistas.

Teve uma viagem que meu pai fez que durou meses e me senti muito sozinho. Acho que foi a primeira vez que achei companhia para a solidão em livros, no caso em revistinhas.

Agora… Não sei qual foi o primeiro livro de verdade que eu li. Lembro com muita intensidade de O Caso da Borboleta Atíria onde aprendi a palavra pernóstico. Também da Lúcia Machado de Almeida teve O Escaravelho do Diabo. Me senti um adulto lidando com uma história que envolvia algo tão perigoso quanto o Diabo!

Aliás por onde andará a Lúcia? Tem vários livros dela no Submarino, mas quase todos esgotados. Como a propriedade intelectual condena obras ao limbo…

E por falar em propriedade intelectual ouvi falar que é justamente por causa dela que Monteiro Lobato anda sumido das prateleiras; condenando umas duas gerações a não conhecê-lo. Espero ansioso que ele caia em domínio público (acho que faltam 10 anos errei, já está em domínio público) pois, mesmo com quase cem anos tenho certeza que muitas crianças ainda se apaixonariam por livros lendo sua obra.

Só que antes de Monteiro Lobato eu li uma série que desapareceu totalmente que se chamava Monitora ou algo bem parecido. Eram pequenos livros de ficção científica e foi com eles que me apaixonei definitivamente tanto pela leitura quanto pela ciência.

Felizmente hoje temos Harry Potter (que não gosto), Desventuras em Série de Lemony Snicket (pseudônimo), a brasileira Indigo, Tim Burton (O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra) e, claro, Philip Pullman entre tantos outros que certamente alimentarão o imaginário e a paixão literária das crianças de hoje sem ficar devendo aos autores do passado.

Agradeço a Lilian Starobinas que foi onde descobri a blogagem coletiva.

Filed under: Literatura | 6 Comments »

Sob a lua de Perséfone

12th, April 2009

- Sei lá pai! Tô sozinha aqui, todo mundo dormiu… Vou me arranjar num pufe que tem ali na varanda ai acordo cedinho, quando o Sol nascer.

Do outro lado da linha o pai gesticula para a esposa. 14 anos! Isso não é idade para um menina estar fora de casa às 3h da manhã! Mas também não é idade para sair sozinha pela rua, pegar taxi ou ônibus enquanto os predadores noturnos se esgueiram pelas sombras, intocáveis.

Três fusos horários os separam da filha e agora eles se culpam por terem viajado às pressas obedecendo o chamado da empresa que está em processo de aquisição por uma multinacional.

- Eu tô legal Pai, só não dá para ir para casa agora! Tô morta de so… Não pai! Eu não bebi, não fiquei com ninguém e não me droguei!

Era mentira, ela bebeu, ficou com alguém e fumou maconha, e não foi a primeira vez, nem será a última. Ela olha fixamente para a Lua se concentrando para manter a voz firme e dá certo como das outras vezes.

Ela fecha o telefone, deixa-o pendurado pela cordinha, cotovelos apoiados nas pernas e ligeriamente zonza ela olha ao redor os amigos, quase todos dormindo, apenas alguns movimentos nas sombras e suaves estalos de lábios molhados denunciam os últimos notívagos.

Sua sandalha fica ao lado da mesinha onde ela estava sentada enquanto ela caminha entre as almofadas na sala escura. Ainda sem vontade alguma de dormir. Ela quer o vento suave da noite de outono nos seus cabelos, arrepiando a pele na sua cintura.

Mais cedo havia uma linda lua vermelha no céu, agora ela corre entre nuvens como se fosse um ginete branco entre os galhos escuros de uma floresta desconhecida.

Seus dedos encontram um copo de wiskey e o arrasta até os lábios enquanto se apoia no muro da varanda.

Nunca… Essa é a primeira vez que ela se sente totalmente livre. Foi a noite que ela escolheu. Não foi difícil encontrar uma festinha quando soube que os pais viajariam. Fulana conhecia cicrano que tinha namorado beltrana que tinha uma prima maluca que morava numa cobertura perto da Paulista.

A parte difícil vai ser voltar para casa logo que o Sol nascer, tem uma piscina na varanda, os pais da menina que deu a festa não voltam tão cedo, estão na Europa fazendo compras e acham que a filha está… eles acham alguma coisa que ela não lembra mais e não importa.

Só importa que os pais com certeza vão ligar para ela de manhã para ver se ela está mesmo em casa.

Melhor não dormir… Aproveitar acordada as próximas 5 horas ou 6 horas antes de voltar para casa.

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