
Será um desafio falar sobre esse filme resistindo a tentação de revelar a trama, mas pode continuar lendo pois continuarei fiel ao meu compromisso de permitir que você saboreie cada reflexão que ele inspira.
Slumdog Millionaire não é um filme sobre o preconceito contra um rapaz favelado que consegue responder todas as perguntas de um programa de perguntas e respostas, despertando preconceito e desconfiança.
Slumdog Millionaire é uma visita perturbadora ao cotidiano das pessoas que vivem à margem da sociedade em países que estão à margem da civilização como o Brasil.
A primeira pergunta que o filme nos faz é se o rapaz trapaceou, teve sorte, sabia as respostas ou se o destino estava escrito. Esse é o pano de fundo da história. É um belo pano de fundo que transita pelo amor, amizade e perseverança. Uma bela história de vida.
Pensando melhor, talvez para muitos essa seja a trama central do filme e por isso poucos o classifiquem como um filme pesado, muito pesado.
O que você verá em um roteiro impecável de Simon Beaufoy (guarde esse nome) é a história de um garoto muito parecido com os que encontramos aqui mesmo nas ruas e favelas do Brasil e junto com ela a história de uma Índia (ou um Brasil, uma Itália, uma Inglaterra, um Estados Unidos…) que estamos acostumados a ignorar.
Fechar os olhos para os nódulos que impedem que a Terra seja um planeta desenvolvido não é uma forma para resolver nossas problemas.
Nesse sentido Slumdog Millionaire é um filme que aponta para frente ao olhar para o agora sem pudores. É obra obrigatória para quem está vivo.
O final reserva uma surpresa agradável que dá um contraponto otimista que foi a gota d’água para me arrancar lágrimas.
Meu Deus, amigo Roney… Devo ser muito insensível mesmo.
Achei o filme apenas mediano, fruto de uma excelente direção (Danny Boyle – esse sim é o nome a ser guardado!) sobre um roteiro medíocre. Algo como um “Titanic indiano”.
E que diabos é aquela dancinha no final? “Michael Jackson do mundo cão”???
Pensei bastante em vc enquanto via o filme e até concordo que tem muito a ver com o péssimo Titanic, mas levei a parte romântica como uma fábula, uma desculpa para aliviar o peso da realidade mostrada no filme. Titanic não queria mostrar nada…
A dancinha no final realmente é estranha principalmente para nós ocidentais, mas é tradicional lá e vi como uma forma de não fazer do filme uma mensagem de pessimismo conformista e dar um contraponto tipo “tem uma índia que acredita que dá para construir um futuro melhor”.
Mas eu sou um otimista crônico e não posso dizer que não podemos ver o filme como um mero Titanic na favela…