Hora do Planeta
30th, March 2009
Sábado cada fuso do planeta apagou suas luzes por uma hora enquanto o sol deixava para trás as horas do dia.
Ainda era dia quando tive que segurar as lágrimas enquanto assistia (em um auditório com 600 outras pessoas) uma propaganda que homenageia algumas características da cibercultura: responsabilidade social, cooperação, conexão, mobilização
Quando faltava uma hora para a hora do planeta tuitei isso:
#horadoplaneta: gaste 1h por semana FAZENDO algo pela humanidade e seu habitat. escreva sobre isso. 28/03/09 – 19h28
Mais tarde disse que Atos simbólicos não param trens… Não param… Mas vozes param!
Eu estava errado.
Antes de haver ação deve haver intenção e preocupação sincera!
No condomínio de um amigo ninguém apagou as luzes, no de outros pessoas berravam nas janelas intimando os vizinhos a apagarem suas luzes.
Hipocrisia em um mundo onde 1,6 bilhão de pessoas não tem luz? Pode ser, mas estamos no Brasil do “eu primeiro”, do “a rua não é de todos, é de ninguém” e do egoísmo individualista.
Preocupar-se é um começo.
Sempre digo que o que me importa é o sentido do movimento.
Quando permitimos a criação de um vagão só para mulheres no metrô estamos caminhando para a segregação da mulher e não para a condenação do abuso a elas.
Quando pessoas e governos apagam suas luzes estamos a caminho da reflexão, de nos importarmos e isso é bom!
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Divã
25th, March 2009
Enquanto os créditos finais do filme Divã subiam eu tuitei a minha primeira reação:
Divã é aquele tipo de poesia que ri, chora e desperta como a vida que vale a pena! link
Um filme pode ser divertido, crítico, instigante, assustador, mas poucos são arte e esse é um deles.
Divã é arte porque fala de vida, e é boa arte pois faz isso sem nos arrastar para baixo ainda que não nos poupe da realidade.
Há um delicado equilíbrio entre a atuação emocionante da Lília Cabral, a direção e o roteiro que levam a obra além dos rótulos. Não é comédia embora tenha me feito rir como pouquíssimos filmes até hoje, não é drama apesar de nos conduzir da comédia à reflexão, é o tipo de história que gosto de definir como poesia da vida.
Em tempos de tanto pessimismo é muito reconfortante ver uma obra que aponte para frente, para aquela pulsão de vida que mantém nosso espírito leve apesar dos movimentos, algumas vezes bruscos, da pena do destino que rasga sem muito pudor os rumos da nossa história.
O filme estréia em 17 de abril de 2009
Leia outras opiniões no blog do The Best.
O filme também tem um blog: Blog Divã.
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Slumdog Millionaire, o favelado milionário
16th, March 2009

Será um desafio falar sobre esse filme resistindo a tentação de revelar a trama, mas pode continuar lendo pois continuarei fiel ao meu compromisso de permitir que você saboreie cada reflexão que ele inspira.
Slumdog Millionaire não é um filme sobre o preconceito contra um rapaz favelado que consegue responder todas as perguntas de um programa de perguntas e respostas, despertando preconceito e desconfiança.
Slumdog Millionaire é uma visita perturbadora ao cotidiano das pessoas que vivem à margem da sociedade em países que estão à margem da civilização como o Brasil.
A primeira pergunta que o filme nos faz é se o rapaz trapaceou, teve sorte, sabia as respostas ou se o destino estava escrito. Esse é o pano de fundo da história. É um belo pano de fundo que transita pelo amor, amizade e perseverança. Uma bela história de vida.
Pensando melhor, talvez para muitos essa seja a trama central do filme e por isso poucos o classifiquem como um filme pesado, muito pesado.
O que você verá em um roteiro impecável de Simon Beaufoy (guarde esse nome) é a história de um garoto muito parecido com os que encontramos aqui mesmo nas ruas e favelas do Brasil e junto com ela a história de uma Índia (ou um Brasil, uma Itália, uma Inglaterra, um Estados Unidos…) que estamos acostumados a ignorar.
Fechar os olhos para os nódulos que impedem que a Terra seja um planeta desenvolvido não é uma forma para resolver nossas problemas.
Nesse sentido Slumdog Millionaire é um filme que aponta para frente ao olhar para o agora sem pudores. É obra obrigatória para quem está vivo.
O final reserva uma surpresa agradável que dá um contraponto otimista que foi a gota d’água para me arrancar lágrimas.
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O que pensam os Deuses quando dizemos que são homicidas?
15th, March 2009
Recebi por email uma foto com um casal de Deuses indianos. Não era Kali…
Veio de uma pessoa extremamente inteligente e uma das pessoas mais engajadas em fazer o bem que eu conheço.
O texto dizia que alguém disse que era um lixo, não repassou e coisas horrívels aconteceram e o mesmo ocorreria comigo se eu não a enviasse para 13 pessoas…
Acho que vale a pena compartilhar a minha resposta:
Nem é um lixo, só é cafona!
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De jeito nenhum vou repassar isso! Se há um poder narcisista por trás dela que me castigará por não repassá-la então duvido que algo de bom possa vir se eu me curvar aos seus caprichos e estou disposto a enfrentar sua ira de peito aberto!
Mas sinceramente, acho que é bem o contrário, viu? Se há deuses duvido que eles se alegrem quando a gente se deixa dobrar pela supersição e pelo medo!
Imagine só, se temos medo de uma foto em nosso email como vamos combater os tiranos que podem quebrar nossos ossos, furar nossa carne e calar nossa voz pela força de uma justiça manipulada?
Acima usei a foto de uma estátua de Kali, uma deusa ligada a destruição e renovação pois achei que seria incoerente colocar a imagem que recebi no email. Depois vou pesquisar quem são os dois Deuses e se achar coloco um link para eles aqui, afinal eles não tem culpa da campanha de difamação que fazem contra eles
Pronto, pesquisei… Com certeza era Krishna e achei uma página com um altar bem parecido com o que recebi por email. Vale lembrar que alguns místicos dizem que ele era uma encarnação anterior de Jesus Cristo.
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Eliana Printes e a palavra encantada
13th, March 2009
Esta semana tive o prazer de assistir o show de Eliana Printes no Centro Cultural Carioca (mais conhecido como CCC).
Sou um típico filho de militar dos tempos da ditadura e meu conhecimento da cultura nacional é uma lástima. É uma vergonha admitir que não saberia dizer até ontem que não sabia quem era Eliana Printes…
Fiquei surpreso ao descobrir quantas boas músicas que adoro são dela! Polaroids por exemplo… Clique no link lá em cima e veja com seus próprios olhos consultando a sessão Discos.
Logo que ela subiu ao palco e começou a recitar um poema me lembrei do documentário Palavra (En)cantada e ao longo do show parecia estar vendo a comprovação que muitos dos nossos melhores músicos são trovadores e arautos da literatura.
Espero ter oportunidade de ir a muitos outros shows dela! Até saí de lá com o CD mais recente comprado por 20 Reais.
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