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Propriedade Intelectual

O aniversário de Liora

25th, February 2009

Ela acorda ainda segurando os fiapos do sonho.

A segunda coisa que ela percebe é uma brisa suave correndo pela janela aberta, a luz morna do sol de verão que atravessa as pálpebras ainda fechadas… A segunda coisa que ela percebe é o dia tão jovem quanto ela em seus quatro anos.

Logo depois é o perfume dos lençóis e o carinho dos pais que vem visitar seus pensamentos, mas ela ainda não quer abrir os olhos como se a luz dentro dela pudesse ofuscar o mundo inteiro e fazer todo mundo achar que só ali no quarto dela era dia e o dia lá fora era no máximo uma noite clara de lua cheia!

Isso tudo era a felicidade!

Abriu os olhos lacrimejando um pouco com a luz forte do sol que decidiu achar exatamente naquele momento o caminho até a cabeceira da sua cama como se ele, o Sol, quisesse ser o primeiro a lhe desejar um feliz aniversário de quatro anos!

Logo em seguida lá vai Liora correndo pelo corredor acompanhada pela brisa e os reflexos do dia e se atira no meio do abraço dos pais que já estão fazendo a mesa do café com mamão, suco de laranja, várias fatias de pão, queijos enrolados, mel, panquecas douradas sob a luz do sol que já chegou ali também!

Depois de ser coberta de beijos, carinhos e parabéns dos seus pais Liora senta pensativa à mesa, as perninhas balançando, os olhos pertidos entre os desenhos dos ladrilhos da parede da copa.

“Esse é um maravilhoso começo de dia para fazer aniversário!”

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Se é para segregar não me chame…

22nd, February 2009

Um dos motivos do sucesso do Twitter é que realmente 140 caracteres são mais que o suficiente para exprimir uma ideia…

Se é p/  brigar por união ou liberdade de expressão contem comigo, se é para separar ou calar preciso de ótimos motivos (tweet original)

Passei a manhã pensando numa situação específica até que me ocorreu a idéia acima e agora só fico pensando no direito ou não de ensinar religião para crianças… E isso não tem absolutamente nada com o que ocupou por tanto tempo os meus pensamentos! ;-)

No colégio a gente brigava muito para poder falar. Bem… Não propriamente para falar, mas pelo direito de ter nossa própria expressão cultural e poder ir de bermuda em vez de calça comprida por exemplo. Sou filho da ditadura e falar era um estágio além muito embora alguns colegas meus tenham se mobilizado para questionar algumas coisas.

Por outro lado separar sempre foi um motivo para brigas e nesse exato momento acho que os motivos estavam todos errados.

O pessoal segregava quem não era popular, quem era CDF ou quem era metido. Gente metida é muito chato… Mas já não acho mais que valha a pena separar grupos só por questão de brios.

O visitante paraquedista vai achar que eu era segregado e esse post é um mimimi, né não! Eu era mais segregador que segregado. Eu me aproximava de pouquíssimas pessoas porque achava pouca gente interessante.

Então esse post está mais para uma confissão ;-)

Provavelmente vários colegas de colégio me achavam chato e talvez até tenham pensado que estavam me limando, mas nunca percebi isso. Só agora está me ocorrendo que muitos deviam me ver como um esquisito. Hehe! Era mesmo, continuo sendo!

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Coraline 3D de Neil Gaiman por Henry Selick

18th, February 2009

This is the first time I write in English here in my blog. I apologise because I really can’t write well in this language but Coraline is a good reason to take the risk and sound like Tarzan: “Me Tarzan”! 

I just saw Coraline 3D dubbed in Portuguese. I prefer listening to the original voices, but I decided Coraline had to be my first 3D movie and there were no 3D copies available with the original voices. You see… 42 years old and this was my first 3D after the old ones with red/green glasses… It was an amazing experience! 

They made a very good job with the voices and I didn’t miss the original ones. Only the ghosts sounded strange, but still good. 

I read the book some years ago (translated into Portuguese) and loved it. First because a horror story for children is, I believe, a good way to grow up fighting our fears and the disappointment we can have with real life. Second because Coraline is not a fragile victim like other horror stories victims. She is strong and has some control over her world. 

There is a post where I write a bit about the book: Presentes para o dia das crianças: para crescer (Gifts for children’s day: to grow). 

I was afraid the movie would be too silly or too scary, but Henry Selick made a really good job! 

There were really small children at the theatre, maybe 5 or 6 years old. They were scared, sure, but not like “I will be afraid of the world after this movie”! They were more like “Hummm… There are scary things in the world, but kids like Coraline (with friends like that) can solve anything!” 

This is a great message to send to our kids! Thanks! 

A little girl near me said: “The cat is very nice! A great friend of her [Coraline]! I’m not even afraid!” 

Hey! I almost forget! The end… Well, I prefer the book’s end, it’s more scary, and Coraline looks even more brave, but I understand it would be TOO scary for a movie. I have to read the book again (I borrowed it to a friend’s mother – you have 60 years old fans in Brazil!), but I think I can say that the movie is almost perfect! 

Now in Portuguese: 

Esta é a primeira vez que escrevo em inglês aqui no meu blog. Peço desculpas porque eu realmente não escrevo bem nessa língua, mas Coraline é uma boa razão para correr esse risco e soar como o Tarzan: “Mim Tarzan”! 

Acabo de ver Coraline 3D dublado em português. Costumo preferir as vozes originais, mas decidi que Coraline tinha que ser meu primeiro filme 3D e não havia cópias 3D com as vozes originais. Veja só, 42 anos e este foi o meu primeiro 3D depois dos antigos, com óculos verde/vermelho. Foi uma experiência incrível!! 

Eles fizeram um trabalho muito bom com as vozes e não senti falta das originais, apenas os fantasmas soaram um pouco estranhos, mas ainda bons. 

Li o livro há alguns anos (traduzido para o português) e adorei. Em primeiro lugar porque histórias de horror para crianças são, na minha opinião, uma boa maneira de crescer enfrentando nossos medos e as decepções que podemos encontrar na vida real. Em segundo lugar porque Coraline não é uma vítima frágil como as de outras histórias de terror. Ela é forte e tem certo controle sobre seu mundo. 

Tem um post onde falo um pouco sobre o livro: Presentes para o dia das crianças: para crescer. 

Eu tinha medo que o filme fosse muito bobo ou muito aterrorizante, mas o Henry Selick fez um trabalho realmente muito bom! 

Havia umas crianças bem pequenas no cinema, talvez 5 ou 6 anos. Elas estavam assustadas, claro, mas não do tipo “Vou ficar com medo do mundo depois desse filme!” Elas estavam mais para “Hummm… Há coisas assustadoras no mundo, mas crianças como Coraline (com amigos como aqueles) podem resolver qualquer coisa!” 

É uma grande mensagem para nossas crianças! Valeu! 

Uma menininha perto de mim disse: “O gato é muito bonzinho! Ele é muito amigo dela! Eu nem tô com medo!” 

Ah! Quase me esqueci! O final! Bem, eu prefiro o final do livro. Ele é mais assustador, e Coraline se mostra ainda mais corajosa, mas entendo que poderia ficar MUITO assustador para um filme. Preciso ler o livro novamente (está emprestado com a mãe de uma amiga – você tem fãs de 60 anos no Brasil!), mas creio que posso dizer que o filme é praticamente perfeito!

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Um papo sobre religião

14th, February 2009

Ontem comemorei o meu aniversário junto com o Twestival e foi uma noite realmente especial! Não só pelo privilégio de estar entre mais de 80 pessoas que estão fazendo história ajudando a moldar a cibercultura (e isso merece um post próprio lá no Meme de Carbono), mas também pela chance de encontrar meia dúzia de amigos que me conhecem há mais de 20 anos!

Um deles se tornou fundamentalista cristão no sentido de seguir a Bíblia à risca incluindo crer no criacionismo, por exemplo.

Nada melhor para abir nossa mente e nos ajudar a entrar na cabeça dos outros do que o respeito conquistado ao longo de um quarto de século. O amigo em questão e eu já passamos por muitos momentos difíceis e isso cria laços que vão além das crenças pessoais.

Quem caiu aqui de paraquedas não sabe: para todos os efeitos sou ateu (pelo menos é como me classificariam a maioria dos religiosos) e defendo que as religiões modernas são um instrumento para impor controle e justificar absurdos. Já falei bastante nisso na série Em Busca do Pó e não há porque voltar a me aprofundar mais.

O fato é que, apesar de achar algumas das afirmações do meu amigo muito estranhas…

  • O Cristianismo só sobreviveu porque Cristo ressuscitou
  • Quem mais disse que era a verdade a luz e a vida e que só através dele se chega a Deus?
  • Não pode haver duas verdades
  • Os primeiros humanos já foram criados com a capacidade de falar

… eu respeito o cara muito antes dele ter essa visão filosófica-religiosa tão incompatível com as minhas.

Normalmente eu simplesmente rejeitaria tudo e seguiria em frente, mas a nossa razão é uma vítima fácil para as nossas emoções e enquanto ele falava minha mente buscava motivos para achar aquilo tudo bom.

O papo foi no meio de quase cem pessoas, conversas, músicas e um rodízio de pizzas e não dava para ir muito fundo na conversa que acabou ficando pela metade deixando um certo desconforto.

Cheguei a dizer uma grosseria na frente de um outro bom amigo que também é cristão… Eu disse “Só podia ser crente”… Me lembrem disso da próxima vez que eu disser que não tenho preconceitos! E na hora de dormir minha mente hiperativa me impedia de entrar nos domínios de Morpheus.

Ao acordar escrevi um email para o meu bom e velho amigo…

Como a sua crença define sua forma de ver o mundo e se relacionar com as pessoas e com voce mesmo?

Foi mais ou menos o que lhe perguntei no email e agora estou buscando nas palavras dele uma reposta para a pergunta que me perturba: a religião é boa para ele? E quero que a resposta seja sim.

Estou há horas tentando me desfazer de tudo que me parece sensato para poder mergulhar em outro universo construído por idéias que no meu mundo são pura insensatez.

A situação é pior do que o embate entre criacionismo e evolucionismo, deísmo e ateísmo. Quando a pessoa tem convicções ela pode mudá-las, mas eu simplemente não tenho convicção nenhuma! E a certeza parece estar na base do pensamento religioso do meu amigo assim como está na de muitos ateus.

O primero passo deve ser então: porque eu haveria de ter certeza? De acreditar na existência de uma verdade?

Tem que haver um sentido para tudo isso, minha vida não pode ser apenas um galho seco se quebrando em uma floresta deserta

Talvez seja isso. A nossa vida precisa ter um sentido! Somos seres dotados de consciência, seres que raciocinam, que constroem civilizações, fazem arte e precisam lidar com os horrores que também criamos como as guerras, o preconceito e a injustiça social.

Há um mal entre nós que não entendemos e o que nos protegerá dele? O que nos explicará de onde ele veio? Vamos deixar de viver todas as outras coisas que temos que viver como trabalho, filhos, amigos e o próprio amor pela vida (incluindo experimentar a arte) para tentar resolver uma equação que em 10 mil (ou seis mil para os criacinistas) não fomos capazes de decifrar? Ainda mais quando há respostas prontas?

Vivemos uma época de grandes e velozes descobertas científicas e uma grande onda de valorização da razão que ameaça as velhas tradições que sempre mantiveram nosso equilíbrio. O que aconteceria se repentinamente todos deixagem de acreditar nas instituições que sempre mantiveram nossa civilização coesa?

As investidas do ateísmo são tão intensas que é necessário construir argumentos contra ele em sua própria arena, a da razão, e assim cria-se o design inteligente.

Um dia certamente nossa crença nos Deuses será muito diferente, mas isso não pode acontecer levianamente. É necessário preservar os valores morais essenciais.

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Twestival Rio 2009 e a água potável

11th, February 2009

Gosto de começar à moda chinesa apresentando a conclusão do raciocínio e depois explicando-o, mas vou fazer do jeito mais jornalístico começando pelo lead pois o assunto agora é ação e não reflexão.

“Tw” é de Twitter, talvez a rede social de mais rápido crescimento até hoje. “estival”, dá para imaginar, é de festival. Twestival então é uma festa organiza por pessoas que usam o Twitter e acontecerá em dois dias (12/02/2009). Além disso aproveita-se a oportunidade para arrecadar recursos para uma organização que trabalhe pela humanidade, neste caso a Charity Water cujo objetivo é levar água potável a populações miseráveis que não tem acesso a ela.

O Twestival nasceu em londres ano passado quanto um grupo de amigos resolveu promover um encontro de londrinos que trocavam informações pelo Twitter.

Esse ano a idéia se transformou em uma iniciativa global reunindo mais de 100 cidades, entre elas:

Bauru

Hora: a partir das 19h30m

Local: Tradicional Botequim, Rua Christiano Pagani, 4-44

Inscrições: http://bauru.twestival.com/

Belo Horizonte

Hora: a partir das 19h

Local: Cia do Boi Savassi – Rua Paraíba, 1041 – Savassi

Inscrições: http://belohorizonte.twestival.com/

Campinas

Hora: a partir das 18h30m

Local: Strog&Noff, R. Santos Dumont, 494, Cambu

Inscrições: http://campinas.twestival.com/

Curitiba

Hora: a partir das 19h

Local: Blue Bell PUB, Avenida Gonçalves Dias, 712, Batel

Inscrições: http://curitiba.twestival.com/

Florianópolis

Hora:  a partir das 20h

Local: Chopp do Gus, Córrego Grande

Inscrições: http://florianopolis.twestival.com/

Porto Alegre

Hora: a partir das 21h

Local: Prefácio Bar, Sarmento Leite, 1024 – Cidade Baixa

Inscrições: http://portoalegre.twestival.com/

Recife

Data: 11 de fevereiro – a partir das 22h

Local: Downtown Pub – Bairro do Recife

Inscrições: http://recife.twestival.com/

Rio de Janeiro

Hora: a partir das 19h30m

Local: Anexo Rio Bar Carioca, Rua do Ouvidor, 77 – Centro

Inscrições: http://riodejaneiro.twestival.com/

São Paulo

Hora: a partir das 20h

Local: Espaço Pix Gafanhoto – Av. Rebouças, 3181 (tel. 11 3816.2857)

Inscrições: http://saopaulo.twestival.com/

As cidades brasileiras começaram a se mobilizar a menos de duas semanas (creio que São Paulo foi a primeira em 31/01), mas a maioria delas tem mostrado um esforço louvável em mobilizar não só os amigos que se comunicam pelo Twitter, mas também outros amigos online e offline (eu mesmo decidi aproveitar que faço aniversário no mesmo dia e chamei meus amigos para se juntarem à festa).

É pouco tempo para uma mobilização eficaz em um país marcado pelo individualismo e resistência a atividades sociais que excedam o restrito grupo de amizades próximas. Será interessante observar os resultados do evento no Brasil.

O fato inegável para a mente lógica é que sentar no bar todo sábado para beber com os amigos e falar mal de governos e corporações só fazia sentido até o meio da década de 90. Logo terão se passado 20 anos que não há fronteiras para o alcance das nossa vozes e possibilidade de ação. Vamos continuar sentados?

É possível criar uma linha de raciocinio lógica em que um mundo onde mais de um bilhão de pessoas (5 em cada 30) não tem nem mesmo água potável não seja um terreno fértil para os radicalismos que alimentam o terrorismo e a violência?

Há um argumento para não doar recursos (econômicos, de trabalho ou intelectual) para uma organização civil internacional: temos muito trabalho a fazer no Brasil.

É verdade, no entando o planeta é um só e doar 50 Reais para a Charity Water não nos impedirá de agir em nosso próprio país, mas isso é história para outro post.

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