Há meses pretendo escrever uma série de posts sobre as raízes da violência para, entendendo-as, saber como evitar situações de risco, como sair das que não pudermos evitar e, pensando mais amplamente, saber o que devemos esperar e cobrar dos nossos políticos para reduzir a violência ou, o que seria preferível, alimentar uma cultura humanista pela paz.
É uma empreitada complexa para alguém que não tem formação acadêmica específica… Caro visitante casual (90%) este é o momento ideal para avisar que sou um analista de sistemas, consultor em gestão do conhecimento e amante da arte, mas não sou psicólogo, psicanalista, psiquiatra, antropólogo, teólogo ou nada parecido.
Tenho aproveitado toda oportunidade para questionar pessoas com essas formações acadêmicas, mas parece que nenhum deles se dedicou bem aos estudos ou então o nosso conhecimento da mente criminosa e da anatomia do medo e da violência são mesmo muito superficiais e ninguém até hoje havia me indicado bons autores ou livros.
Até agora…
Hoje, com a história de um rapaz que sequestrou e acabou atirando na namorada e na amiga dela, acabei tenho um excenlente papo com a @Maffalda que acabou por me dar 70% do material que vou usar nesse post.
Ainda não será agora que poderei iniciar a série de posts, mas achei meu marco zero: alguns links (online e offline) que servirão de ponto de partida para descobrir o que há de mais sério sobre o assunto.
Vou ter que ler um bocado e convido quem esbarrar nesse post a fazer o mesmo.
Acho revoltante que a mídia faça sempre uma novela em torno de qualquer violência ou ato hediondo, mas nunca nos alimente com informações que nos permitam sair da perplexidade apavorada que nos deixa vulneráveis para a compreensão que nos ajudará a evitar situações de risco ou a lidar melhor com elas em último caso.
O primeiro livro que me trouxeram sobre isso foi Assédio Moral de Marie-France Hirigoyen. Uma amiga querida teve que passar por anos de casamento com um assediador moral e se separar antes de conhecer esse livro. Se o tivesse lido antes não teria que lidar com as sequelas de uma relação tão nociva e assustadoramente comum… É muito provável que você que está lendo esse texto já tenha sido ao menos vítima de tentativas de assédio moral. A propósito, descobri que a bela capa é obra da @s1mone (não, é dela, mas de uma homônima, que coisa…).
O Virtudes do Medo (mais acima) foi a primeira dica da @Maffalda. Na verdade foi praticamente como começou nosso papo, parece que ela leu minha mente pois é exatamente o tipo de livro que eu vinha procurando. Ele contém sugestões de como usar nosso instinto de medo (auto-preservação) em situações urbanas para as quais ele não foi programado. Pela sinopse parece leitura obrigatória para qualquer morador dos grandes centros metropolitanos.
Para quem não pretende gastar dinheiro agora e está com o inglês afiado há o site Stalking Behavior que nos conduz a uma vasta gama de informações.
Já que a maioria dos assediadores são homens nada mais natural que a literatura a respeito favoreça as mulheres. Uma outra sugestão da @Maffalda foi Odd Girls Out que também está disponível em nossa língua com o título Garota fora de jogo: a cultura da agressão oculta nas meninas de Rachel Simmons.
Apesar de não possuir a autoridade de um especialista me atrevo a dizer que, sejam quais forem as raízes da violência moderna o adubo que a alimenta é o medo que germina em nossa incapacidade de compreendê-la a ponto de acreditarmos que os agentes da violência – como o rapaz no sequestro que motivou esse post – são monstros e não humanos… Já disse isso antes e volto a dizer: não há monstros e, enquanto fugirmos da reflexão demonizando as pessoas que praticam atos hediondos estaremos colaborando para perpetuar a violência.

realmente, essas histórias ficam rondando a gente e nos fazem pensar… quando a gente tem filhos então essa reflexão se torna ainda mais confusa. como protegê-los? como não sufocá-los com tanta proteção? como ensiná-los a lidar com a violência, que existe e não vai deixar de existir? como deixá-los livres em um mundo tão pouco confiável?
são perguntas que tenho me feito… ainda estou muito, muito longe de ter as respostas.
Ando refletindo muito na educação q dei e ainda dou aos meus filhos….
Claro, que não posso assumir a culpa deste ou daquele comportamento que por vezes acontece e que eu possa achar um pouco agressivo da parte deles em eventuais momentos, mas preciso ver sim onde e como eu poderia ter agido melhor.
Dentro da minha vida como mãe e vendo tudo q já vi do comportamento de filhos de terceiros, de tristes ocorridos violentos que acabamos presenciando pessoalmente, nas ruas, nas escolas, nos supermercados, na mídia, etc., me convenço cada vez mais que “é de pequeno que se torce o pepino!”.. srsr…realmente!!
Enquanto estamos preocupados em não traumatizar nossos filhos com os “nãos” q deveríamos dizer muito mais do que o fazemos… enquanto estamos preocupados em dar aos nossos filhos condições de “competir” com o amiguinho nos brinquedos mais novos e nos tênis mais caros, estamos alimentando com certeza uma “diferença” entre as crianças, que se manifestará fatalmente quanto mais crescem e, diante de tantos maus exemplos de uma mídia cada vez mais agressiva, sádica, deselegante e fútil, onde pais, em sua grande maioria, ainda apóiam tais comportamentos, não poderíamos esperar vivermos mesmo num mundo em uma paz tão “falada, pregada e esperada” apenas da boca para fora, pois em nosso íntimo, talvez estejamos sendo os maiores incentivadores desses quadros violentos que vemos perplexos (o que chega a ser um contra-senso) a cada dia que passa!
Coloquei acima uma postagem que fiz há um tempo atrás sobre a mídia… se quiserem ver…
bjs Roney
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