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Isso quer dizer que você pode usar e adaptar o que acha aqui desde que sempre me dê o crédito de criação e NÃO use comercialmente.

Tula cumprimenta o verão

31st, October 2008

As ondas se dobram com estrondo antes de se esparramar ao redor dos seus pés causando um arrepio que sobe sensualmente pela nuca e faz com que ela morda sensualmente os lábios, feche os olhos e se entregue à sensação do vento frio soprando seus cabelos para o lado.

Seus sapatos estão largados mais atrás e ela nem se importa com as barras molhadas da calça jeans de boca larga.

Já faz um tempo que ela está ali bebendo lentamente a água do coco enorme que segura com as duas mãos. Ela bebe e observa o céu nublado onde se encontra com o mar.

"Dia frio para o Beltane" ela pensa… A primavera está no meio, daqui para frente cada dia é mais um para chegar o verão, mas se o céu não está em chamas dentro do peito dela o sol está a pino!

O céu ruge ao longe e começa a chover fino enfeitando seus cabelos e o braço arrepiado com delicadas contas des ínfimas gotas de chuva.

Seu corpo, no entanto, ainda sente a memória do calor da noite passada e antecipa o encontro logo mais à noite na floresta de sons, luzes, coisas ditas ao pé do ouvido para vencer a música alta e o roçar do rosto barbado em suas bochechas.

Ela fica ali… oscilando ao som da sua música íntima… no rítmo do sol que trilha o céu escondido pelas nuvens densas… A noite e o tempo congelam seduzidos e esperam que ela os deseje.

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Antiquário

29th, October 2008

Um breve universo de históriasBuscava quem comprasse uma máquina de costura antiga.

O mundo lá fora segue trupicando para o século XXII apesar de se agarrar ainda apaixonadamente ao XX, mas ali dentro os séculos desaparecem, o tempo parece parado em 1977 apesar de um sinal aqui ou acolá do que quer que seja o nosso tempo atual.

"Tenta ali na loja 55"

A moça estava quase perdida entre grandes móveis pesados e escuros, luminárias com abóbodas de vidro fosco trabalhado, todas acesas.

Passo pelo grande mercado á minha direita, mais à frente há uma loja de artigos religiosos onde, desde a minha infância, me impressiono com um grande diabo que sorri animada e salientemente.

Pronto! Loja 55.

Vazia de pessoas, repleta de pequenos universos de histórias. Uma cadeira e uma mesa bloqueiam a entrada, elas bem poderiam estar ali desde o início dos tempos. Quem sabe não é uma entrada, mas a saída e, em algum lugar entre os cristais de uma família nobre há muito esquecida e um par de ânforas existe uma estreita brecha de outro mundo?

Fico ali observando, como será que as pessoas que passam não roubam algo? Ao meu lado outro homem observa a loja, um desconhecido. Grito para dentro "Olá… Olá!!! Alguém ai?"

"Está sempre assim"

Olho para o homem ao meu lado e digo alguma coisa, explico que procuro quem compre uma máquina de costura antiga…

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Outro corpo online

23rd, October 2008

Imagem obtida no Sturm und DrangEste é o post 1699. É um número qualquer. Este blog começou em julho de 2002 portanto hoje não é aniversário dele.

Ao longo dos últimos 6 anos o que nasceu como uma galeria de devaneios oníricos, fragmentos de personagens e de imagens cotidiandas distorcidas pelo espelho da mente que observa foi tentando se transformar em algo mais útil, mais pragmático.

Este é um blog para dentro, escrito para mim mesmo. Sempre disse isso e era verdade, mas os tempos mudam, o século XXI chegou para muita gente e existir neste século é não se limitar a ser uma unidade de carbono, mas ser também um meme que se propaga pela Rede (ou Internet) somando, multiplicando e se reproduzindo enquanto interage com outras pessoas.

Em 2002 (na verdade comecei a blogar em 2001, mas isso se perdeu) a Internet ainda era uma rede de redes de computadores. Em 2004 ela definitivamente se tornou uma rede de pessoas.

No meio disso tudo estava esse blog. Nascido para ser delírio e alucinação foi tentando abrigar o Roney real, aquele que vota, que emite opiniões e que tenta cumprir sua parte como humano habitante da Terra.

Cheguei a pensar em reestruturar este blog entrando em cada um dos quase 1700 posts para dar ordem à casa. Isso é impraticável!

Decidi enfim (com um leve empurrão do Lebravo) criar um novo blog e devolver esse às suas origens.

Sempre vejo blogueiros dizendo que vão fazer um novo blog, mas não vão abandonar o antigo, mas é justamente o que fazem… Não vou prometer nada. Pode ser que meus devaneios encontrem um lar mais fértil nas páginas de um livro, quem sabe?

Pretendo ao menos publicar também aqui tudo que eu publicar no Meme de Carbono, meu novo blog.

Agora é deixar os memes cumprirem seus planos ;-)

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Jill Bolte Taylor, a cientista que curou o próprio cérebro

20th, October 2008

A cientista que curou o próprio cérebro - Jill Bolte Taylor

Você usa seu cérebro ou seu cérebro usa vc?

Em setembro recebi um contato da agência de mídias sociais a serviço da Ediouro que viu o post que escrevi sobre o vídeo da neuroanatomista Jill Bolte Taylor no TED e resolveu me oferecer uma cópia do livro para comentá-lo. Isso é que é campanha inteligente de marketing social, afinal, se gostei do vídeo certamente gostaria do livro.

Você pode ver o hotsite do livro aqui: Jill Bolte Taylor, A cientista que curou o próprio cérebro.

Confesso que não gostei muito do título que me remeteu um pouco à auto-ajuda e preferiria algo mais próximo do original que seria mais ou menos "Meu ataque de inspiração: a jornada pessoal de uma cientista do cérebro".

Digo isso logo no início do post para que o leitor averso à auto-ajuda não deixe de olhar esse livro atentamente.

Pode-se dizer que ele é dividido em duas partes.

Na primeira parte a cientista (até onde percebi bem cética do ponto de vista religioso) descreve como foi o seu derrame, a incrível experiência de se ver repentinamente com somente um hemisfério cerebral em funcionamento e como foi sua recuperação.

Essa primeira parte contém alguns insights muito interessantes que nos leva a questionar a máxima tão comum de que "sou assim" ou "cachorro velho não aprende truque novo". Mas els será realmente útil para quem tiver que enfrentar um derrame, seja como vítima, seja como pessoa próxima a alguém que sofreu um derrame.

Se o livro fosse apenas isso a gente poderia se entregar à velha ilusão de que nada de ruim acontece conosco e que preferimos fazer de conta que essas coisas não existem pois do contrário ficamos nervosos… Bem, tenho certeza que nada de ruim vai me acontecer, mas faço questão de não viver sob o signo do medo e procuro me informar sobre tudo.

Acontece que o livro não acaba ai.

Os capítulos à partir do 14 deveriam ser lidos por todos os seres humanos que possuem um cérebro.

As 73 páginas finais do livro são uma cuidadosa, porem coloquial, descrição de como os hemisférios esquerdo e direito definem nossa personalidade juntamente com o nosso emocional e infantil complexo límbico.

Estou convencido de que os conhecimentos que Jill Bolte Taylor transmite nesse livro são ferramentas importantíssimas para desenvolvermos nossa consciência, personalidade e, porque não, nosso espírito.

Apesar dela adotar um discurso que algumas vezes parece quase religioso uma leitura atenta revelará que não se trata de religiosidade ou mesmo de espiritualidade, mas de uma tentativa (bem sucedida ao meu ver) de descrever experiências sintéticas em uma língua (a linguagem reside no hemisfério esquerdo junto com o pensamento analítico enquanto o pensamento sintético reside no hemisfério direito) que não está preparada para descrever este tipo de experiência.

A neuroanatomista afirma acreditar que ao compreender a dinâmica do funcionamento do nosso cérebro podemos criar uma civilização mais pacífica mais capaz de compaixão. Ela me convenceu totalmente e percebi que o vídeo dela no TED é uma sombra do que esse livro pode ser para cada um que tiver chance de lê-lo.

Filed under: Ciência, Comportamento, Saúde | 2 Comments »

Raízes da violência: Marco Zero

18th, October 2008

Morte: Shaw McmanusHá meses pretendo escrever uma série de posts sobre as raízes da violência para, entendendo-as, saber como evitar situações de risco, como sair das que não pudermos evitar e, pensando mais amplamente, saber o que devemos esperar e cobrar dos nossos políticos para reduzir a violência ou, o que seria preferível, alimentar uma cultura humanista pela paz.

É uma empreitada complexa para alguém que não tem formação acadêmica específica… Caro visitante casual (90%) este é o momento ideal para avisar que sou um analista de sistemas, consultor em gestão do conhecimento e amante da arte, mas não sou psicólogo, psicanalista, psiquiatra, antropólogo, teólogo ou nada parecido.

Tenho aproveitado toda oportunidade para questionar pessoas com essas formações acadêmicas, mas parece que nenhum deles se dedicou bem aos estudos ou então o nosso conhecimento da mente criminosa e da anatomia do medo e da violência são mesmo muito superficiais e ninguém até hoje havia me indicado bons autores ou livros.

Até agora…

Virtudes do Medo de Gavi de BeckerHoje, com a história de um rapaz que sequestrou e acabou atirando na namorada e na amiga dela, acabei tenho um excenlente papo com a @Maffalda que acabou por me dar 70% do material que vou usar nesse post.

Ainda não será agora que poderei iniciar a série de posts, mas achei meu marco zero: alguns links (online e offline) que servirão de ponto de partida para descobrir o que há de mais sério sobre o assunto.

Vou ter que ler um bocado e convido quem esbarrar nesse post a fazer o mesmo.

Acho revoltante que a mídia faça sempre uma novela em torno de qualquer violência ou ato hediondo, mas nunca nos alimente com informações que nos permitam sair da perplexidade apavorada que nos deixa vulneráveis para a compreensão que nos ajudará a evitar situações de risco ou a lidar melhor com elas em último caso.

O primeiro livro que me trouxeram sobre isso foi Assédio Moral de Marie-France Hirigoyen. Uma amiga querida teve que passar por anos de casamento com um assediador moral e se separar antes de conhecer esse livro. Se o tivesse lido antes não teria que lidar com as sequelas de uma relação tão nociva e assustadoramente comum… É muito provável que você que está lendo esse texto já tenha sido ao menos vítima de tentativas de assédio moral. A propósito, descobri que a bela capa é obra da @s1mone (não, é dela, mas de uma homônima, que coisa…).

O Virtudes do Medo (mais acima) foi a primeira dica da @Maffalda. Na verdade foi praticamente como começou nosso papo, parece que ela leu minha mente pois é exatamente o tipo de livro que eu vinha procurando. Ele contém sugestões de como usar nosso instinto de medo (auto-preservação) em situações urbanas para as quais ele não foi programado. Pela sinopse parece leitura obrigatória para qualquer morador dos grandes centros metropolitanos.

Para quem não pretende gastar dinheiro agora e está com o inglês afiado há o site Stalking Behavior que nos conduz a uma vasta gama de informações.

Capa do livroJá que a maioria dos assediadores são homens nada mais natural que a literatura a respeito favoreça as mulheres. Uma outra sugestão da @Maffalda foi Odd Girls Out que também está disponível em nossa língua com o título Garota fora de jogo: a cultura da agressão oculta nas meninas de Rachel Simmons.

Apesar de não possuir a autoridade de um especialista me atrevo a dizer que, sejam quais forem as raízes da violência moderna o adubo que a alimenta é o medo que germina em nossa incapacidade de compreendê-la a ponto de acreditarmos que os agentes da violência - como o rapaz no sequestro que motivou esse post - são monstros e não humanos… Já disse isso antes e volto a dizer: não há monstros e, enquanto fugirmos da reflexão demonizando as pessoas que praticam atos hediondos estaremos colaborando para perpetuar a violência.

Filed under: Fogo, Sociedade | 2 Comments »

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