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Propriedade Intelectual

#BlogcampRJ

28th, September 2008

Arena central #blogcamprj 2008

Foto: Jacaré Banguela

Foi meu primeiro Blogcamp. Nunca tinha visto muito sentido em me encontrar com outros blogueiros pois, apesar de ter começado em 2001 e escrever um bocado, foi em uma época em que não se pensava em blog como algo tão social e acabei fazendo dele esta galeria de idéias e devaneios que muitas vezes se refletem como em espelhos – daí o nome do blog. Me acostumei com isso… mas ultimamente tenho devaneado menos e feito um blog um pouco menos autista ;-)

São os ventos do nosso tempo… Ventos que tive muito prazer em assistir por 9h ontem.

Antes de mais nada os parabéns para os organizadores e mais ainda para os blogueiros presentes.

Como é a primeira vez para mim não sei se o que vi é o padrão, mas fiquei surpreso acima de tudo com a civilidade e sinceridade do pessoal.

Civilidade porque há momentos em que havia 200 pessoas em uma sala, espalhadas em pufes e todos poderiam falar ao mesmo tempo ou interromper uns aos outros, mas isso não aconteceu em nenhuma das desconferências de que participei.

Vejo a Internet com um lugar, são salas de estar ou ágoras modernas que acredito que serão essenciais na transição para a era do conhecimento e foi muito animador ver como havia respeito mútuo mesmo quando alguém falava besteira ou se agarrava loucamente a uma tecla que já tinha dado o que podia.

Sinceridade… Bem, não é bem sinceridade simplesmente, mas aquela firmeza de falar o que pensa mesmo que seja duro para outro.

Quero dizer que é o tipo de evento que mistura blogueiros sem grande importância como eu e verdadeiras celebridades virtuais (ainda que sejam celebridades em uma pequena bolha) e existe toda essa mitológica vaidade humana, né?

Apesar disso ví pessoas darem opiniões duras sobre as opiniões ou mesmo o trabalho dos outros e serem tratadas com todo respeito, sem vozes se levantarem ou palavrões mal intencionados (bem intencionados tinha vários).

Não vou dar os exemplos, você deveria ter ido! ;)

O que eu tinha de mais importante para dizer era isso mesmo:

Fiquei impressionado com o alto nível dos nossos blogueiros!

Fora isso..

Adoro reconhecer erros! Não lembro se falei aqui no blog, mas critico muito a blogosfera, digo que é uma ilusão, que não existe unidade e quando existe é ruim… Isso pode até ser, mas o importante é que é uma coletividade de pessoas notáveis. Fiquei mesmo fã de absolutamente todas as duzentas e poucas pessoas que estavam lá.

Sempre disse que gostava de não fazer parte da blogosfera. Eu estava errado. A blogosfera brasileira é boa! Ela tem tudo que precisa para ser o movimento social que deve ser: civilidade, sinceridade, humildade…

Estou pensando até em mudar o tom deste blog como disse lá em cima… Posso escrever livros em vez de escrever devaneios, não é?

Seja como for agora sei que quero somar meu sussurro a estas vozes e certamente vou aparecer mais vezes.

Atualizando… O Wöetter tirou várias fotos do evento mostrando como é incrível aquele espaço NAVE!

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Promessas quebradas na luta contra a pobreza..

25th, September 2008

Recebi de uma amiga muito querida um email pedindo para assinar a petição online da Avaaz para impedir que França, Canadá e Itália reduzam seu comprometimento financeiro com a redução da pobreza no planeta.

Li o texto – nunca faça nada sem antes se informar e questionar – e tenho uma boa imagem da Avaaz, mas…

Eu tenho dúvidas se é de ajuda financeira que os países e grupos sociais pobres (lembre-se que há miseráveis no Brasil, na França, na Itália, na Suiça… e não só em países pobres da África) precisam…

Quero lembrar que sou uma das pessoas crédulas (ou tidas por crédulas) que defendem alguns assistencialismos do governo Lula como uma forma de tratamento emergencial.

Acontece que, pelo que tenho lido, no caso dos países vastamente dominados pela miséria não é de dinheiro que eles precisam. Não é de perdão de dívida ou ajuda "humanitária" de agasalhos ou comida.

Este tipo de ajuda é até muito perigoso e pode estabelecer e estreitar laços de dependência.

E olha que não gosto nem um pouco dos gorvernos atuais tanto da França quanto da Itália com suas tendências à ultra-direita…. Mas não é porque alguém está errado em algo que está errado em tudo…

A era industrial e de consumo ainda não acabou, mas já passamos por uma "sub-era" da informação que lentamente faz germinar a era do conhecimento.

É disso que os miseráveis precisam: informação e conhecimento.

Eles precisam do nosso trabalho voluntário e envio de especialistas para compartilhar técnicas para produzir comida mais barato, para se organizarem em cooperativas produtivas com a matéria prima que dispõe em suas regiões.

Como não sei como seria usado o dinheiro dos países ricos… Aliás o texto fala que a única saída é com a ajuda dos países ricos e isso não é verdade! A gente nunca tem uma única saída e sempre podemos aprender por nosso próprio esforço ou de outros em situação semelhante, só precisamos nos unir e não é para combater a miséria, mas para alimentar a prosperidde.

Voltando, como não sei de que forma o dinheiro dos países ricos seria usado para combater (e volto a dizer que a gente não combate o mal, a gente alimenta o bem…) a miséria então não vou votar na petição.

A propósito eu não sei até que ponto essas petições são eficazes. Prefiro uma ação mais direta e constante mandando email para os NOSSOS políticos pedindo ações eficazes para investir em ciência, cultura e tecnologia aqui e em bolsões de miséria, afinal…

Conhecimento é uma das poucas coisas que se multiplicam quando o dividimos…

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“Tô começando meu blog agora, desculpe qq falha”

22nd, September 2008

Segue a minha resposta, que não é lei ou regra, é apenas sugestão.

Certo ou errado é algo bem relativo em blogs, viu? Acho que só tem uma
coisa que pode ser realmente errada: não citar a fonte e não linkar a
fonte.

Por exemplo, se o texto do seu post não é seu o ideal seria
colocar apenas o link para o texto original e acrescentar os seus
comentários pessoais.

Fora essa regra o que eu posso dar são sugestões…

As pessoas acham que Internet é um tipo de revista, televisão, outdoor ou mídia. Ela não é nada disso.

Pense no seguinte… Quando você pega uma revista você diz que vai ler,
o outdoor você vê e a TV você assiste. E a Internet? A gente diz
"Espera um minto que vou entrar na Internet e ver isso para você".

Muitas pessoas se assutam quando digo que a Internet é um lugar
e outras se revoltam como se o mundo real estivesse em perigo… Bem, o
mundo real já acabou quando inventamos a linguagem, as cidades,
sistemas políticos, filosofia, crenças… A Internet é apenas um novo
mundo onde tudo que não é físico pode existir.

Quanto por cento de você ou de mim é físico? Nós somos 10% mente,
idéias e crenças? Sinceramente, acho que você vai concordar rapidamente
que 90% do que somos uns para os outros pode ser traduzido em imagens,
sons e palavras. Existe a vastidão do espírito, mas esse é um
território que não somos capazes de compartilhar com os outros, no
máximo recebemos a visita de uns dois ou três…

Pensando na Internet como um lugar o que seria um blog?

O blog é a ágora moderna, uma praça onde podemos colocar nosso
banquinho, subir e compartilhar com o mundo aqueles 90% de crenças,
idéias, filosofias, humor, mobilização política e liberdade de expressão. A diferença é que quem chega nesta praça virtual sempre pega o seu discurso no começo! ;)

Lembre-se que a justiça ainda não vê a Internet como lugar e sim como um tipo de revista então você ainda não pode exercitar plenamente seus direitos civis exatamente como faria na rua ou na sala da sua casa.

Normalmente o blogueiro fala para uma dúzia ou duas de amigos, mas ele deve lembrar que pode ser achado por absolutamente qualquer pessoa que entre no mundo virtual.

Por isso ao escrever seus posts pense sempre:

  • O primeiro parágrafo deve posicionar o visitante casual sem ser repetitivo para o visitante frequente;
  • Normalmente é melhor aprensentar os pontos principais da sua opinião indicando textos mais extensos para quem quiser se aprofundar. Um post pode ser tão somente "Gente! temos que nos informar sobre o caso das águas de São Lourenço!" apesar de ser interessante acrescentar alguma opinião própria.
  • Ao escrever tenha em mente que a maior parte das pessoas que passam ali estão vendo seu blog pela primeira vez. Então cada post fica melhor se você imagina que está falando com alguém a quem acaba de ser apresentado
  • Não exagere nisso!!! Quando o Google mostra o seu post para a pessoa é porque ele deve ter algo a ver com o que ela busca então uma breve introdução e evitar usar nomes ou expressões que são específicas demais já é o suficiente

É muito difícil dar dicas genéricas para escrever um blog, cada um cria sua própria identidade e há até blogs em que cada post é um capítulo de livro! Creio que a regra mais importante é ver a Internet como um lugar e o blog como uma praça, uma mesa de bar ou uma sala de estar, o resto vai se ajeitando naturalmente!

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Eu não tenho fé, mas estava lá!

21st, September 2008

Duvido que algum deus real interfira em nossas vidas, desconfio que ao morrer nossa consciência se dissolve e deixamos de existir. Por isso me defino como ateu apesar dos protestos dos amigos mais íntimos que me lembram que acredito em formas de consciência superiores à nossa e que o Universo a desenvolve naturalmente assim como desenvolve matéria e vida.

Eles estão certo, mas em termos práticos prefiro me definir como ateu.

Então o que eu estava fazendo no meio de 50 mil pessoas que berravam EU TENHO FÉ!!!! AXÉ!!!!!   ???

É muito simples! Tenho dois grupos de razões! As que me levaram lá e as que descobri depois de algum tempo lá.

Porque fui?

Como humanista eu defendo até as últimas forças o seu direito de pensar e sentir livremente, mesmo que eu não concorde com você! Este movimento foi organizado por tradições culturais e religiosas que vem sendo perseguidas e demonizadas sistematicamente por alguns grupos que se dizem crsitãos.

Estes mesmos grupos querem impor o ensino das suas crenças como se fossem ciência e proibir o ensino de ciência como se fosse crença e isso me atinge diretamente. Nada comparado com o que a Ubanda, o Cadonblé, a Wicca e outras tradições sofrem, mas ainda assim é uma boa razão para me unir ao movimento.

Curiosidade. Eu também fui por curiosidade.

Porque fiquei?

Cheguei lá às 10h. Fiquei em pé andando lentamente ao lado deles por mais de 4h. Porque fiz isso?

Ao chegar lá percebi que havia motivos muito melhores para ter ido.

Tive vontade de me oferecer para subir no palanque deles e dizer porque havia pelo menos um ateu entre eles.

Era uma festa tão bonita que achei que não era o melhor momento para causar este tipo de comoção e portanto mantive silência, mas  o discurso que imaginei explica porque acho que todos nós (religiosos ou ateus) deveríamos estar lá!

Sou ateu e aqui estou entre tantas pessoas de tantas crenças e tradições do espírito. Estou aqui em defesa do fim da intolerância. para manifestar meu apoio à causa de tranformá-la em tolerância (que é intolerâncai educada), depois em respeito e, finalmente, em uma extasiante admiração da riqueza e diversidade da nossa espécie!

Sejamos ateus ou religiosos, todos nós buscamos o desenvolvimento da consciência e ao chegar aqui percebi que a consciência não pode ser plenamente explorada pela ciência. Precisamos aliar a ela a arte e a transcendência da arte e da ciência que nos aponta o futuro da nossa consciência, que nos fornece modelos utópicos a almejar.

O que chamo céticamente de modelo utópico pode ser apenas o resultado da miopia da minha visão quando olho para os seus Deuses!

E são Deuses no plural sim! Além de não podermos esquecer dos neo-pagãos que louvam ao menos dois Deuses (o Deus e a Deusa) cada um de vocês é o brilho e e cores de uma parte do grande e complexo mosaico que seria Deus.

Ver a diversidade de manifestações da consciência humana em sua jornada até a consciência suprema ou Deus é emocionante e já tive que segurar as lágrimas nos olhos uma dúzia de vezes hoje.

A diversidade das nossas manifestações científicas, filosóficas, artísticas e espirituais é a essência da busca por Deus e combater esta diversidade é mais do que combater a ciência, a filosofia ou uma religião: é combater Deus.

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Organização Eu Tenho Fé

19th, September 2008

Esta semana me assustei com uma propaganda na TV da organização Eu tenho Fé.

Algumas personalidades famosas falavam em direito e liberdade religiosa.

Se você olhar a nuvem de tags aqui ao lado do post verá pelo tamanho da palavra humanismo que não devo ver as religiões com muitos bons olhos e é verdade.

A primeira coisa que me ocorreu era que se tratava de mais um movimento para impedir o ensino de ciências para as crianças ou impor à sociedade um determinado sistema de crenças.

Convenhamos que, apesar dos ateus militantes de plantão, os grandes inimigos das religiões hoje são outras religiões que demonizam alguma ou algumas das concorrentes na disputa por seguidores.

Hoje finalmente visitei o site da Eu Tenho Fé e fiquei muito feliz com o que vi.

Lá estavam grupos espíritas e diversos matizes de tradições afro-brasileiras, judaísmo e outras vítimas da demonizaçõs por outras religiões mais vorazes.

Pode parecer à primeira vista que sou contra as religiões, mas não sou. Eu me oponho ao fanatismo que procura impor o seu sistema de vida aos demais.

Uma religião deve ser íntima e pessoal, uma forma de conexão a algo superior, a uma meta utópica que desejamos alcançar com nossa mente, moral e espírito, nunca um cajado para rebaixar os outros diante do deus superior que inventamos para nós mesmos. Já falei extensamente sobre isso na série de posts Em Busca do Pó.

Em termos práticos muitos me chamariam de ateu e justamente por isso gostaria de deixar declarado publicamente o meu apoio a esta iniciativa que, ao que tudo indica, sugere não o eufemismo da tolerância religiosa, mas a admiração e perplexidade diante da beleza da nossa diversidade de formas de compreender nosso universo.

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