Na falta da densa filosofia resta a fantasia
31st, October 2007
As criações literárias ou cinematográficas de fantasia ou ficção científica são alvo freqente do desdém dos cultos, mas talvez se esqueçam ou não tenham lido A Odisséia, Sonhos de Uma Noite de Verão, Dom Quixote e outras obras imortais. Talvez não tenham percebido que, em plena guerra fria nenhum outro programa na TV foi capaz de atingir mais gente criticamente do que a série original de Jornada nas Estrelas.
As densas e nobres filosofias raramente tocam diretamente a nossa civilização. Antes elas atingem homens como Tolkien, Straczinsky e Pullman que criam fantasias capazes de sintetizar metaforicamente os novos mundos que se descortinam diante dos olhos dos nossos mais brilhantes cientistas e filósofos.
Tenho dito que a mais recente destas obras é a trilogia literaria Fronteiras do Universo e a adaptação do primeiro volume chega aos cinemas no dia 25 de dezembro deste ano aqui no Brasil.
Como já disse a Igreja tem feito pressão e conseguiu retirar a palavra “Igreja” do filme, mas ainda assim pode ser uma boa adaptação (apesar de uma tradução desagradavelmente mal feita para a nossa língua).
Um trailer não é capaz de transmitir tudo que está por trás desta saga, mas há algumas pistas… E tem um novo trailer que descobri hoje, ligeiramente, mas substancialmente, diferente do anterior que já publiquei aqui:
Trailer de A Búsola Dourada (ou de Ouro, argh)
Publiquei também no Multiply para quem tem banda mais estreitinha:
Filed under: Ar, Cinema & Vídeo, Crenças, Filosofia, Fogo | No Comments »
Como capturar porcos selvagens
31st, October 2007
O texto que segue é resposta para um email que recebi e vem anexado mais abaixo.
Acho que a metáfora simplifica demais… Aliás, já não sei se há uma diferença entre esquerda e direita atualmente no que diz respeito a cercear liberdades individuais e prejudicar a democracia. A não ser que a gente considere os EUA, a extrema direita católica brasileira e até a Inglaterra como manifestações comunistas!
Outro ponto a destacar é que a alternativa ao cercado não é a vida em liberdade, mas a vida sob o capitalismo… Eu diria que são cercados diferentes.
O cercado da esquerda é populista e procura promover uma sensação de igualdade social e desenvolvimento humano através de programas sociais. O da direita é o da revista caras, da ilusão de que o pobre infeliz pode ser uma celebridade amanhã bastando ter sorte de participar do Big Brother.
Para mim os dois são uma porcaria! Não gosto de cercados!
Assim, ao meu ver, o que devemos evitar não é a direita ou a esquerda, o capitalismo ou o socialismo.
Não nos sobra comunismo ou fascismo, falta-nos uma moral humanista e uma cultura centrada no conhecimento, na arte e na ciência.
Nosso obstáculo é a ignorância, ela é a nossa cerca e desconfio que tanto a esquerda quanto a direita erguem o mesmo tipo de prisão…
Por isso vou colocar esta resposta lá no blog e não vou repassar, tá? Se bem que algumas centenas de pessoas vão ler…
ALERTA - Como capturar porcos selvagens????????
Como capturar porcos selvagens:
Você sabe como capturar porcos selvagens?
Havia um professor de química em um grande colégio com alunos de intercâmbio em sua turma. Um dia, enquanto a turma estava no laboratório, o professor notou um jovem do intercâmbio que continuamente coçava as costas e se esticava como se elas doessem.
O professor perguntou ao jovem qual era o problema.
O aluno respondeu que tinha uma bala alojada nas costas pois tinha sido alvejado enquanto lutava contra os comunistas de seu país nativo que estavam tentando derrubar seu governo e instalar um novo regime, um “outro mundo possível”.
No meio da sua história ele olhou para o professor e fez uma estranha pergunta: “O senhor sabe como se capturam porcos selvagens?”
O professor achou que se tratava de uma piada e esperava uma resposta engraçada. O jovem disse que não era piada.
“Você captura porcos selvagens encontrando um lugar adequado na floresta e colocando algum milho no chão. Os porcos vêm todos os dias comer o milho gratuito. Quando eles se acostumam a vir todos os dias, você coloca uma cerca mas só em um lado do lugar em que eles se acostumaram a vir. Quando eles se acostumam com a cerca, eles voltam a comer o milho e você coloca um outro lado da cerca. Mais uma
vez eles se acostumam e voltam a comer. Você continua desse jeito até colocar os quatro lados da cerca em volta deles com uma porta no último lado.Os porcos que já se acostumaram ao milho fácil e às cercas, começam a vir sozinhos pela entrada. Você então fecha a porteira e captura o grupo todo.” “Assim, em um segundo, os porcos perdem sua liberdade.
Eles ficam correndo e dando voltas dentro da cerca, mas já foram pegos. Logo, voltam a comer o milho fácil e gratuito. Eles ficaram tão acostumados a ele que esqueceram como caçar na floresta por si próprios, e por isso aceitam a servidão.”
O jovem então disse ao professor que era exatamente isso que ele via acontecer neste país. O governo ficava empurrando-os para o comunismo e o socialismo e espalhando o milho gratuito na forma de programas de auxílio de renda, bolsas isso e aquilo, impostos variados, estatutos de “proteção”, cotas para estes e aqueles, subsídio para todo tipo de coisa, pagamentos para não plantar, programas de “bem-estar social”, medicina e medicamentos “gratuitos”, sempre e sempre novas leis, etc, tudo ao
custo da perda contínua das liberdades, migalha a migalha.Devemos sempre lembrar que “Não existe esse negócio de almoço grátis” e também que “não é possível alguém prestar um serviço mais barato do que seria se você mesmo o fizesse”.
Finalmente, se você percebe que toda essa maravilhosa “ajuda” governamental é um problema que se opõe ao futuro da democracia em nosso país, você vai mandar esta mensagem para seus amigos.
Mas se você acha que políticos e ongueiros pedem mais poder para as classes deles tirarem liberdades e dinheiro dos outros para beneficiar *você* ou “os pobres” então você provavelmente vai deletar este email, mas que Deus o ajude quando trancarem a porteira!
Filed under: Ar, Atualidades, Comportamento, Filosofia, Reflexões, Respostas, Terra | 5 Comments »
Publicamente ateu, particularmente…
30th, October 2007
Acabei estes dias de ler Deus, um Delírio, de Richard Dawkins e depois vou fazer um artigo completo sobre ele lá no site.
Sabe, achei Dawkins meio ingênuo e superficial em seus argumentos, entretanto passar 500 páginas pensando em religião pode não ter mudado a minha forma de pensar (já demonstrei meu ceticismo, por exemplo, no post Diante da igreja), mas me levou a mudar meu modo de me colocar publicamente.
Publicamente sou ateu
Por outro lado também escrevi Em uma mão um terço, na outra a lua onde falo da minha relação com a espiritualidade.
Isso pede explicações…
Acredito que a religiosidade e a espiritualidade podem ser importantes instrumentos para desenvolver a consciência ao estabelecer um modelo a ser alcançado, uma divindade supra-consciente a que procuramos nos ligar e nos igualar.
Reconhecendo esta importância e percebendo que é mais prático resgatar o cristianismo de volta à sua essência do que criar um novo pensamento humanista secular eu decidi me colocar publicamente como agnóstico ou coisa parecida. Não mais.
- Eu não creio que a nossa consciência individual persista depois da morte
- Duvido que o Universo tenha sido criado por um Deus
- Atribuo o que há de bom ou de ruim em nossa civilização aos nossos próprios méritos e defeitos e não à influência de deuses e demônios reais (embora tenha uma elaborada teoria de versões reais-imaginárias)
- Considero nociva a fé que procura sobrepujar a razão na explicação do mundo
- Considero nociva a postura que proíbe-nos questionar deuses e escrituras
Diante de tudo isso estou muito mais para um ateu do que para um religioso e só me auto-definia como algum tipo de religioso por delicadeza ou imprecisão irrefletida.
A imprecisão irrefletida se dá pois me aproximo muito do ateísmo do Humanismo Secular, mas tenho uma experiência muito íntima com uma dimensão da consciência que só pode ser definida como sobrenatural na falta de palavras mais adequadas.
No entanto, como pretendo guardar esta esperiência espiritual apenas para mim (não por egoísmo, mas por crer que toda experiência espiritual deveria ser íntima) passarei a me auto-definir como ateu e simpatizante do Humanismo Secular.
Bem, este é o lado blog dos meus comentários após a leitura do tal livro, o lado crítico virá outro dia no site como já disse. Acrecentarei oportunamente o link para este post na lista abaixo.
Artigos relacionados
- Princípios Básicos do Humanismo Secular
- O que é o Humanismo Secular?
- Declaração Humanista Secular
- Breve Introdução à História do Humanismo Secular
Filed under: Ar, Crenças, Filosofia, Fogo | No Comments »
Só para os amigos ;-)
28th, October 2007
Por amigos neste caso quero dizer todos que gostam de ler este blog e aparecem aqui quase diariamente pq escrevo quase diariamente.
Antes de mais nada quero informar que este NÃO é um post!
Isto não passa de um aviso de que estou bem, muito bem na verdade, e que só não estou escrevendo pq resolvi passar um tempo escrevendo só quando tivesse muita vontade.
Também não há no momento a mais remota possibilidade de eu parar de escrever posts cá na Galeria de Espelhos, então se vc gosta de lê-la pode se tranquilizar!
No meio tempo, se quiser ler algo legal, dá uma espiada nos links logo ali à direita que tem vários blogs criativos, instigantes, engajados ou informativos.
Filed under: General | No Comments »
Depois da chuva
24th, October 2007
Depois de 24 horas.
Resta ainda o murmurio de águas escorrendo dos morros próximos, escoando pelo asfalto cansado do dia-a-dia escutando as conversas furtivas de jovens e sua maconha, os passos apressados das crianças que sobem as escadas em direção à escola e os ombros oscilantes de homens e mulheres que buscam ou voltam do trabalho.
A noite iluminada da metrópole só permite sombras nos corredores estreitos entre as casas apinhadas no Pavão-Pavãozinho, na Marta, no Azul. As outras vias estão tomadas por uma difusa luz avermelhada que vem de todos os lugares e luta com os limites da visão nesta ou naquela esquina que foge furtivamente do olhar dos postes de mercúrio, Vênus, poderia ser Plutão a reger as ruas que já não são ruas deste mundo, são ruas de um outro mundo mal imaginado ao longo de séculos de construções mal planejadas, mal sonhadas.
Escondida na brisa vem uma lembrança daquele mundo perdido onde havia terra, cogumelos, gotas pesadas se acumulando nas folhas das árvores antes de cair ao chão tamborilando o mundo e compondo uma sinfonia molhada e repleta de fadas, silfos e duendes.
Depois que chove por mais de 24 horas o mundo, mesmo o “fastforwarded” urbando, segura o fôlego. O ronco dos carros vem de longe e separados por longos silêncios maculados apenas por uma voz que sobressai, um latido dum cão distante e até ruídos estranhos de aves ou algum outro ser voador noturno.
Filed under: Devaneios | 3 Comments »



