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Em defesa do “inimigo”

30th, September 2007

Quando a razão, o bom senso e a busca livre e sincera de um entendimento gradativamente mais completo e preciso do nosso universo e da nossa consciência (até aqui me parecem duas coisas ainda separadas) o inimigo são as vozes que se levantam contra o exercício destas qualidades. Este é o meu inimigo.

Por outro lado quem me conhece pouco ou cai de paraquedas neste ou naquele artigo ou post escrito por mim pode considerar que os meus inimigos são os religiosos e este post é para defender um grupo deles em detrimento de outro e por isso intitulei como defesa ao inimigo apesar de ser amigo de todo religioso que se encaixa naqueles princípios ali em cima, e não são poucos, viu?

Recebi por email um texto intitulado Por que deixei de ser espírita (leia clicando no link aqui neste parágrafo).

Não sei quem é a autora, mas o texto me soou como um ataque sem sentido ao espiritismo com argumentos que não me convenceram de forma alguma a ver com maus olhos esta religião ou filosofia.

O fato mais curioso é que o texto aparentemente me foi enviado como uma crítica ao espiritismo, mas acabou valendo como uma crítica ao auto-proclamado cristianismo batista da autora.

Lendo o texto tive as seguintes impressões:

  • Ela se incomodava com a obrigação de agir corretamente e que se considerava incapaz de se livrar de algum mal hábito que lhe garantiria um carma e uma outra encarnação mais desagradável que a atual e preferiu a redenção gratuita que ela crê ser garantida pelo que ela chama de cristianismo bastando para isso crer.
  • Há uma grande confusão entre se achar pequeno demais para compreender a mente de deus em alguns momentos e em outros ter certeza absoluta de como ela funciona
  • Parece haver uma simpatia especial por poder jogar tudo para o alto, fazer um monte de besteira e saber que não terá que pagar por isso mais tarde ao contrário do que, supostamente, aconteceria no espiritismo.
  • Os esforços dos espíritas para entender o universo ajustando sua fé aos avanços da ciência também são duramente criticados o que sugere que a autora fala em um cristianismo para burros confundindo humildade com limitação intelectual. Conheço muitas pessoas que se dizem cristãs, são muito inteligentes e procuram compreender melhor suas crenças à luz da ciência em vez de tentar estender as sombras indefinidas da fé para ocultar a ciência que parece contradizê-la.
  • O livro “psicografado” chamado Bíblia pode ser considerado fonte de verdade absoluta, mas não os textos psicografados espíritas. Dois pesos e duas medidas. Isso é argumento inadmissível e testemunha contra quem o usa.
  • Apesar de estar escrito no livro usado pela igreja Batista que Jesus afirmou que “tudo que ele fez e tudo que ele foi nós seremos e muito mais” a autora critica o espiritismo por considerar Jesus um irmão quando ela sabe que o prisma (uma figura de linguagem bem apropriada já que o prisma decompõe a luz e pode desviar dos nossos olhos alguns dos seus comprimentos de onda) correto para vê-lo é como um deus inalcançável por seus seguidores.
  • Logo em seguida ela fala em seguir seu exemplo… Como seguir o exemplo inalcançável de um deus vivo? E a redenção não se daria gratuitamente?

A crença religiosa pode ser muito útil e já a vi tirar pessoas do vício, do crime, da depressão e de muitos outros rumos catastróficos, mas este texto parece antes uma apologia ao pecado sustentado pela certeza do perdão de um deus que só pede que creiam nele.

De modo geral continuo achando que cada um deve se concentrar em explicar e seguir sua própria religião pois ela é boa para ele e será para outros enquanto outras religiões ou mesmo o ateísmo serão bons para pessoas com qualidades e dificuldades diferentes. O desvio disso é um pecado contra o livre-arbítrio, é uma declaração de guerra a Deus! ;-)

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Um pulinho à quinta dimensão

29th, September 2007

… papo vai… papo vem…

Lá estamos na praça de alimentação do shopping, hoje mesmo, um sábado. Apesar do tempo chuvoso a maioria das mesas ainda estão vazias deixando-nos à vontade para falar de tudo um pouco.

“Não sei… talvez estas coisas que a gente sente como deuses e espíritos sejam na verdade algo que faz parte do nosso universo, mas não as vemos bem porque são de outra dimensão”

Foi um insight daquele momento, não havia pensado nisso antes, mas o mais engraçado, e que já vi muitas vezes, é o olhar surpreso da outra pessoa quando falo em dimensões.

É que os meus amigos sabem que eu lia sobre as teorias de Einstein aos 11 anos e não sou destes que fala de supertições e que dou um enorme valor para a física formal.

O problema é que, por mais incrível que possa parecer, pouca gente sabe que a nossa ciência considera que vivemos em um universo com mais de três dimensões… Para ser mais exato, um universo com 10 ou 11, ainda há controvérsias.

Ah! Quando chego a este ponto, de citar que há 7 ou 8 dimensões além do comprimento, altura e largura já não me olham com surpresa, mas com puro e genuíno espanto!

Decidi explicar aqui a quarta e a quinta dimensões que são bem descomplicadas e já estão em vários filmes, livros e seriados de tv que muita gente assistiu sem saber que estava vendo personagens que caminham pela quarta ou pela quinta dimensão.

É bem útil pensar primeiro num mundo de duas dimensões como flatland (que vc pode ler online em inglês ou comprar em DVD: Flatland the Film
). Imagine um mundo de seres que vivem sobre uma folha de papel sem conseguir ver que existe para cima e para baixo, ou seja, eles não conseguem ver você.

Seres bidimensionais não enxergam altura, só comprimento e largura. Seres tridimensionais, como você e eu, não enxergam o tempo.

Enxergar o tempo é como se a gente pudesse olhar para uma cena “do alto” vendo não apenas o que está acontecendo a cada momento, mas tudo que já aconteceu e virá a acontecer. É um tipo de onisciência.

Viagem no tempo, todas estas histórias de viagem no tempo envolvem “caminhar” pela quarta dimensão. Simples não é?

Talvez um dos melhores exemplos de viagem no tempo esteja em O Pagamento (baseado em um livro de Philip K. Dick):

Não achei para vender em Português, mas está nas locadoras.

Uma forma de tentar imaginar a quarta dimensão é fazendo de conta que as três dimensões que a gente conhece foram reduzidas a uma linha no papel e que nós somos seres quadridimensionais capazes de correr os olhos por aquela linha olhando o seu começo e o seu fim. Podemos olhar para os seres tridimensionais em qualquer ponto da sua trajetória em nossa dimensão.

O caso da quinta dimensão é um pouquinho mais complexo…

Em primeiro lugar não tem absolutamente nada a ver com o famoso seriado da década de 60:



Imagine que você volte no tempo e mude algo que você sabe que aconteceu de outra forma. Digamos que você pinte de rosa a bicicleta do seu irmão mais velho por exemplo.

Ora, você mudou o passado então aquela linha que antes ia do seu nascimento até sua velhice se parte em duas e passa a ter uma bifurcação. Em uma linha de tempo você não pintou a bicicleta do seu irmão, na outra você fez isso e portanto tem uma cicatriz na testa porque, enfurecido, ele jogou a lata de tinta na sua cabeça.

Agora estamos andando pela quinta dimensão. Estamos olhando para diversas histórias paralelas, na verdade infinitas histórias paralelas.

É importante afirmar que esta é uma forma grosseira de ver a física moderna muito embora gente considerada séria como o Michio Kaku a considere viável como ele mostra neste livro:



Entre os filmes que exploram a quinta dimensão creio que um dos melhores e mais recentes onde o protagonista navega tanto pela quarta quanto pela quinta dimensão é o instigante Efeito Borboleta:


 

Se estiver esgotado no Submarino procure na sua locadora ou na Amazon: The Butterfly Effect (Infinifilm Edition)
.

Mais bobinho do que este, apesar do que eu gostei e acompanhei quando passou na TV é a série Sliders:


 

Nesta série eles “deslizam” mantendo-se exatamente no mesmo ponto na quarta dimensão, mas transitam por infinitas realidades paralelas. Ah! Uma curiosidade que não tem muito a ver com dimensões, o barbudão lá no meio é o mesmo ator que fez o anão Gimli em Senhor dos Anéis…

Espero ter colaborado um pouco para ajudar o leitor deste post a compreender um pouco melhor o conceito de universo com múltiplas dimensões apesar de haver outras visões menos divertidas onde as dimensões além da quarta estão emboladas em uma coisa chamada Calabi-Yau.

O importante disso tudo, ao meu ver, é que temos um vasto universo a descobrir ainda e é um desperdício nos fecharmos para estas possibilidades fantásticas seja em nome da fé, seja em nome da razão. Creio que hoje, mais do que nunca, vale o princípio de Sócrates: Tudo que sei é que nada sei.

Outros links úteis:

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A maior ofensa

28th, September 2007

Gosto de escrever todo dia, tenho assunto todo dia para escrever, mas muitas vezes faço assim como agora e passo uns dias sem escrever.

É que tem horas que tem tanto a falar, tanto a comentar e ainda com respeito à complexidade de cada assunto que acabo não dizendo nada e escrevo um devaneio, um delírio, um fragmento de crônica; essas coisas que não sei se alguém gosta de ler, mas me faz bem escrever!

Um dos assuntos que tenho tido bastante vontade de comentar aqui é a reação das pessoas na rua ao livro que tenho carregado na mão.

Nunca alguém tinha me abordado para perguntar “que tal esse livro?”

Quando andei com Harry Potter sob o braço (e confesso que tinha vergonha) ninguém me questionou e olha que dizem ser o maior sucesso de vendas do século ou da história e causava reações iradas de muitos religiosos que afirmavam que ele agredia a fé deles.

Aliás, este é outro assunto que eu ainda vou exporar aqui. Notem que falei religiosos e não determinei a “designação”. Por causa de um papo com ela pretendo nunca mais usar em um texto informativo uma classificação como cristão, mulçumano ou evangélico pois há diversos grupos totalmente divergentes que se auto-denominam donos desta ou daquela verdade e não estou qualificado para dizer qual está certo. Mas este é um papo a ser abordado com calma justamente por causa do que eu estava contando.

Estou caminhando pela rua com Deus, um delírio debaixo do braço.

 
Deus, um delírio

O livro aparentemente (estou na página 76 e ainda não posso julgá-lo) afirma que Deus não existe e se propõe a converter os leitores ao ateísmo provando no processo que o teísmo dominante do século XXI tem sido responsável por uma infinidade de preconceitos e atentados contra a humanidade. Por conta disso já estou perdendo a conta das vezes que sou abordado ou observado atentamente na rua… - Felizmente até agora com muita educação e respeito! Mas estamos no Brasil, a julgar pelo livro talvez fosse diferente nos EUA, não sei…

É incrível como a fé é um assunto delicado! Eu juro que não sabia! Colocar a existência de deus e, pior ainda, a validade da fé religiosa em dúvida está se mostrando mais incômodo do que ataques diretos à pessoa.

Aguardem a minha resenha… Tô achando que vou discordar dele em um ou dois pontos essenciais, mas leio livre de preconceitos ;-)

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“Roney, você tem medo?”

26th, September 2007

Estávamos saindo de um enterro, ela com certeza é bem mais inteligente do que eu e me conhece bem e estava ali do meu lado dizendo que faz tempo que tinha vontade de me perguntar isso.

Não era de um medo abstrato que ela estava falando, mas da afirmação que eu já fiz várias vezes:

Me esforço para me manter cético

Porque alguém nega a fé? Porque alguém se esforça para negá-la? Afinal se há necessidade de esforço é porque existem forças conflitantes. Será que nego a fé para evitar a responsabilidade de admití-la?

Crenças ou mesmo a negação delas são tão íntimas e encrustradas na base do nosso paradigma que preferi ficar calado e pensar melhor. Acabo de fazer isso e escrever uma longa apologia contra a fé e a favor da razão no meu site num artigo intitulado Deus, meu delírio.

Ela realmente tem razão, tenho medo, mas não disse no artigo acima do que tenho medo e na verdade hesito em confessar aqui pois há intimidades que devem continuar íntimas, no entanto também existe muita gente que encontra um consolo ao descobrir pessoas parecidas e perceber que não estão sozinhas.

O primeiro medo é o de ser colocado ao lado de 98% dos modernos defensores da fé que se mostram inimigos da razão.

O segundo medo é admitir que tenho o tipo de mente criativa e perceptiva que me coloca diante de diversas experiências místicas e “provas” da existência de um mundo que transcende a nossa razão. E com isso ser desqualificado por quem observa o mundo de forma mais pragmática.

Quando aos desdobramentos destes medos, suas consequências e, principalmente, suas origens eu vou me manter em silêncio! ;-)

 

Filed under: Ar, Ciência, Crenças, Fogo | 3 Comments »

Rio paga para alunos estudarem

25th, September 2007

Não gostei…

Este é um assunto que merece um post muito maior, mas tenho receio de não conseguir fazer logo uma pesquisa para anexar artigos que apresentem os problemas disso e alternativas melhores e acabar não escrevendo nada. Não dá para ficar calado.

O problema como eu já disse a respeito de outras coisas (como o vagão das mulheres) é o rumo em que certas atitudes nos colocam.

Se não houvesse outra forma de fazer com que as crianças se interessassem pelo estudo tudo bem, mas não é o caso.

Ao premiar em dinheiro quem estuda estamos ensinando algo terrível! Que não há prazer no trabalho ou no conhecimento e que ele é meramente um meio para obter dinheiro para comprar um tênis, um sorvete ou ir para a noite se divertir.

Um outro problema sério é que a evasão existe porque o ensino não é atrativo para os jovens e o artifício do salário para os alunos pode mascarar as deficiências que causam o desinteresse.

Antes de querer evitar a evasão devemos querer tornar o ensino bom, útil e atraente.

O primeiro passo para isso é mudar métodos e conteúdo programático, o segundo é pagar bem os professores, o terceiro é escolher bem o tipo de prêmio a dar para quem se destaca. Nunca dinheiro.

Podemos dar recursos para o aluno realizar coisas, mas não dinheiro.

Um aluno com boas notas poderia ser levado a ver um ídolo (tenho certeza que poucos esportistas, atores ou cientistas pediriam dinheiro para agradar um aluno que se destaca), ganhar a publicação de algo que ele desenvolveu em mídia de destaque ou ver seu projeto desenvolvido seriamente.

Seja qual for o prêmio tem que ser algo que lhe dê prazer por ter criado algo e não por ter recebido uma grana para torrar.

Links

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