Tempo em suspensão
30th, June 2007
O tempo parace parar em certos momentos.
Quando nos apaixonamos o tempo para.
Quando ficamos em alerta o tempo para, como num acidente, mesmo que seja um copo caindo da mesa.
As coisas que fazem o tempo parar não são as coisas necessariamente mais sérias, na verdade estas fazem tudo acontecer mais rápido.
O tempo também para quando estamos muito tristes ou muito nervosos, não quando estamos só um pouco, mas quando a dor bate lá no fundo tudo para.
É assim que estou estes dias.
No fundo não é nada terrível, mas é o bastante para nos deixar em suspensão.
Temos duas filhotinhas caninas sob os nossos cuidados e uma delas está com uma virose e pode nos deixar. Ela está separada da outra, mas tememos que ela também tenha contraído. Por conta disso este blog passará uns dias em suspensão junto com a nossa respiração
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Lembretes para o dia-a-dia (79): Caçando moinhos
29th, June 2007
Mergulhar nos problemas obstinada e obcessivamente pode transfromá-los em monstruosos moinhos de vento e onde há somente uma brisa você pode ver o sopro frio da morte.
Aprenda a se virar e admirar os vales, os céus, a escutar os Sanchos que te acompanham ou tudo que seus olhos tocarem poderá se consumir em densas e desesperadoras trevas.
Este post é em memória de Morgana, que nos deuxou tão cedo
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Clipping
24th, June 2007
Cine & Vídeo
- Comercial banido da Apple: Tem que pensar diferente mesmo para fazer um comercial desses!
- Os outros comerciais da série são menos polêmicos como usando Guerra nas Estrelas, grandes pacifistas ou mesmo celebridades modernas (tem até a Lonely Girl)
Atualidades
- Estudo revela que mais de 50% da humanidade vive em cidades
- Lembra de Versículos Satânicos? Rushdie agora é cavalheiro inglês, mas alguns paquistaneses ainda querem matá-lo
- No capitalismo dinheiro é biscoito canino: NY recompensa pobres bem comportados
- Sexo de mal jeito pode ter causado a segunda guerra mundia!
Artes
Diversos
- Tenha seu próprio aletômetro: um oráculo para saber a verdade. Eu testei e funciona!
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Praça em quatro tempos
23rd, June 2007
O céu púrpura anuncia o fim da madrugada povoada de vultos que atravessavam a praça, uns ruidosos, outros furtivos, todos envoltos em seus assuntos imperscrutáveis sob a proteção da noite.
Quando os primeiros reflexos da manhã iluminam a terra clara já não restam vestígios das horas sombrias e as primeiras patas começam a deixar suas marcas guiando seus donos. Cachorros de todos os tamanhos fazem ali a parada no meio da sua jornada matinal. Alguns seguem soltos, outros com brinquedos coloridos e há os que caminham firmemente presos aos donos por guias coloridas.
Em um canto repousam as estruturas tubulares de brinquedos vazios e um parque para crianças. Em outro canto, esquecidas e úmidas, dezenas de mesinhas de concreto com tabuleiros gravados aguardam…
O sol continua seu trajeto e já alcança a casa das dez horas quando a praça é invadida por ordas de carrinhos de bebê, crianças na agitação dos quatro ou cinco anos, babás e umas poucas mães. É como se nunca tivesse havido cães ali, como se nunca uma sombra tivesse deitado sobre o chão marrom-vivo. As estruturas tubulares são paramentadas e se tornam camas elásticas, body jumps e tobogãs de ar. O parquinho sacode animadamente.
Mais uma vez o céu se tinge de púrpura pouco antes de anoitecer depois de uma tarde agitada e apenas algumas crianças já acima dos sete anos jogam bola com pais cansados, mas esforçados em dar um mundo de alegrias para os filhos. Um único cão intruso caminha timidamente entre eles, totalmente fora do seu ambiente. Antes de ir caminha entre as mesas-tabuleiro agora alegremente cercadas de homens rudes que não lhes levam peças de xadrez ou de damas, mas garrafas bem cheias de bebida e muito bate-papo enebriado.
Logo a noite mergulhará novamente sobre a terra marrom escura que murmura sob os pneus da rádio patrulha que a atravessa tão sorrateira quanto é possível a um veículo tão fora do seu habitat. As estátuas e esculturas se recolhem nas sombras guardando secretamente o calor das manhãs e das tardes, dos cães e dos bebês tão distantes quanto as estrelas solitárias que rasgam matreiras o véu de Nyx.
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É tarde, é tarde, é tarde que urge
22nd, June 2007
Não sei se era assim mesmo, mas para mim é isso que o coelho de Alice no País das Maravilhas fala ao passar apressadamente por ela, olhando o relógio enquanto corre para um compromisso que nem ele parece saber bem qual é.
Lewis Carroll escreveu seu clássico décadas antes dos desesperados ritmos modernos que transformaram 73,45% de nós em coelhos apressados.
Lembrei agora que, muitos anos mais tarde, Michael Ende escreveu a bela fábula Momo alertando no início da década de 70 para o risco dessa correria patológica.
A gente pode até ter lido, pode até lembrar de tudo isso, mas quando menos notamos estamos lá no meio dos 73,45% sem tempo para nada, nem para não ter tempo! Cheio de idéias para escrever no blog e ele aqui jogado às traças.
Como as coisas legais demoram um pouco para serem escritas cheguei a pensar em colocar um post "meu querido diário" aqui. Uma daquela coisas assim:
"Já faz umas duas semanas que, noite sim, noite não, vem uns pipocos de tiros do morro ali ao lado enquanto escrevo, mas isso não nos impede de sair para visitar a amiga que desmontou o joelho sem querer, afinal, se for ter medo do mundo lá fora, a gente não chega nem na janela! E nem precisa abrir o jornal para se assustar porque já deram mais uma rajada de tiros e olhando pela janela parece que eles estão logo ali."
Dai eu penso que não dá para falar dessas coisas e não sentir um certo dever de desenvolver melhor o tema, né? Dai prefiro não falar nada e ver se, da próxima vez que estiver em um metrô ou no meio do dia e tiver uma excelente idéia para o blog, eu escrevo rapidinho para completar mais tarde. É… tô precisando logo de um pdazinho…
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