A saga de Abigail na mesa de depilação
31st, May 2007
Fico impressionado com a quantidade de bons cronistas que habitam a blogosfera, mas permanegem anônimos porque criou-se um hábito horrível de repassar textos por email sem os créditos e nem ao menos tentar achar os autores originais!
A impagável história da primeira vez depilação íntima intitulada Tortura Moderna escrita pela Valéria Semeraro e a Elisa Quadros foi mais difícil de rastrear até a origem.
Entrei em alguns blogs que achei pelo Google ao procurar por Tortura moderna abigail penélope e deixei comentários procurando a autora que pelo jeito fez o mesmo e acabou no meu site me enviando um email com o endereço do blog dela.
Eu já andei pensando em escrever sobre isso, principalmente depois que ouvi falar que tem homem (machão casado mesmo) que faz depilação anal.
Aliás tem coisa mais esquisita do que passar na rua diante de um salão de beleza e ver uma lista mais ou menos assim:
- Depilação meia-perna
- perna inteira
- virilha
- superior
- cavada
- anal…
Por mais que me considere um sujeito moderninho não consigo não achar estranho um ANAL orgulhosamente exposto na vitrine!
Hoje saí do padrão do blog, mas tá na hora de fazer isso mesmo e tentar falar mais de literatura, imagem, música, teatro… É que gosto tanto de escrever minhas loucuras que acabo deixando de escrever coisas úteis para os outros… Hoje pelo menos fiz algo de bom!!!
Agora para de ler este blog e dá um pulo lá no Redatoras de Merda que é o blog da Valéria e da Elisa.
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Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
30th, May 2007
Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
O apito estridente se estende à espera do apocalipse ou de um novo milênio, o que vier primeiro. Porquê o apito do metrô-Botafogo demora tanto tempo?
Estou encostado na porta oposta enquanto a multidão preenche cada espaço do vagão e três amigas acabam a menos de dois palmos do meu rosto. Mais perto do que fico dos meus amigos quando converso com eles!
Invisível! No entanto sou totalmente imperceptível para elas, afinal quem olha para rostos num formigueiro? É como cheiro de gente. Dizem os japoneses que nós ocidentais temos cheiro de leite, eu nunca percebi, e você?
- Cara! Depois fui descobrir…! Os pais dela são pobres!
- Ridículo esconder! E ela que ficava tirando onda! Ridículo! Nada a ver!
Em algum lugar longe dali uma moça jovem e com seus talentos (todos nós temos os nossos) estava indo para casa a pé porque não tinha dinheiro para o metrô e imaginava que tem que parecer rica para ser aceita pelas amigas. Não tem.
Não é estranho este mundo? A verdade é que a gente não está nem ai (pelo menos a gente que vale a pena, os amigos do tipo que fica) com o dinheiro ou popularidade de ninguém.
Porque será então que nos preocupamos tanto em fazer com que os outros creiam que temos o que não esperamos que eles tenham? Aliás vivemos querendo luxos mesmo que ninguém saiba só para nos sentirmos melhores. O Colt 45 sem os quais ninguém era homem nos tempos do bang-bang é o molho de tomate mais caro, o papel higiênico do Alfredo e o iPod: gozos virtuais… E depois falam mal do sexo virtual! Antes fosse essa nossa fuga.
O Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii de novo.
As pessoas balançam formando uma onda lenta enquanto se ajustam às entradas e saídas, as moças praticamente me beijam e os devaneios ondulam como a superfície do lago onde a pedra atirada quica 3 vezes: "quer parecer rica porque está com o Um Anel, você leu Senhor dos Anéis?", "Gente invisível como as do Eisner, mas com histórias tão vastas, como as do Eisner", "Tô ficando velho… Antes elas me achavam fofo, agora nem me enxergam", "Que estação é essa mesmo?" "Abril já passou, e o solstício? A chuva… A roupa na varanda? Cachorro molhado é engraçado…
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Procura-se escola primária em Sampa
27th, May 2007
Você seria capaz de indicar uma boa escola primária em São Paulo?
Uma das minhas melhores amigas está de mudança ali para Sampa (acho mais perto que a Barra da Tijuca, se bem que acho a Barra mais distante que a Serra Leoa! Hehehe!) e precisa de uma escola para colocar o meu sobrinho de 5 anos…
Ola a lista de qualidades desejadas:
- escola laica (não pode ser religiosa)
- se possível, pequena
- não muito cara
- sem ser “da moda” ou “de rico”
- que tenha um bom conteúdo, suficiente para passar no vestibular
- sem ser muito “bicho grilo” ou “alternativa”
- metrô perto
- que continue pelo menos até o final do ensino fundamental (sem ser só a alfabetização)
Tá lá no blog dela.
Dai eu fiquei pensando… Mas antes de continuar, se vc tiver alguma sugestão deixa nos comentários daqui mesmo ou do blog da Carolina.
Então, eu fiquei pensando no que define um bom colégio. Eu estudei em váaaarios: Santa Dorotéia, Nossa Senhora do Carmo (Brasília), Sacre Couer de Marie, Tamandaré etc.
Note que a maioria deles não tinha nada de laico, mas até que não acho que isso me causou mal, pelo contrário, serviu para me dar uma overdose de religião que, com ajuda do senso crítico adquirido com muita leitura, serviu justamente para me tornar uma pessoa bem laica por assim dizer.
Mesmo assim concordo com os critérios da Carol, só que lembrei da época em que levávamos em consideração a metodologia de ensino da escola em vez da classe social a que ela atende ou tamanho.
O que aconteceu com as metodologias de ensino? Não vejo mais as escolas dando destaque a isso. Posso estar mal informado, mas tenho a impressão de que as propagandas das escolas estão voltadas para um lance "é cool ser da xpto" ou "a xpto tem o melhor índice de aprovação no vestibular".
Gente! Vestibular não é meta, é uma mera passagem de um canto para outro! As metas deveriam ser entender os estágios do desenvolvimento da cultura e da arte através dos estilos (clássico, barroco, simbolista, naturalista etc.) e desenvolver senso crítico e capacidade de selecionar informações transformando-as em conhecimento. Isso e aqueles conhecimentos básicos de matemática, física, biologia, linguística… mas sempre como base para o desenvolvimento de um pensamento próprio.
E o pior é que eu teria feito a mesma lista de requisitos que a Carol fez e me esqueceria disso tudo que acabei de falar simplesmente porque nem sei se este tipo de escola ainda existe…
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Nossa cultura presa em Sodoma e Gomorra
26th, May 2007
Você já assinou a petição on-line contra a utilização da lei Rouanet para construir templos religiosos (provavelmente de seitas protestantes)?
Sei faz uns dias, mas fui ler o Bicho Solto e acabei escrevendo um comentário que eu achei que ficou bom e vou replicar aqui:
Fui avisado disso essa semana por uma amiga que é produtora de uma das melhores cias de dança contemporânea que eu conheço.
Para mim só não é um desastre de grandes proporções porque, como bem lembrou, a Rouanet está longe de ser perfeita e na verdade ultimamente tem sido usada para estimular pouca arte e muito produto de consumo que, a propósito, teria condições comerciais de se bancarem sozinhos (como váaarias peças vazias com atores famosos).
Digo desastre pois acho que o caminho é justamente o oposto. As religiões já foram bastião de arte, questionamento, cultura e trasformação, mas hoje os religiosos que se destacam por estas qualidades são excessões, sofrem preconceitos e chegam a ser escomungados de suas instituições. Vide Bonder, Betto, Boff…
Desviar dinheiro da Rouanet para construir paralelepípedos de muros brancos para afastar as pessoas do mundo demonizando tudo que não está dentro da extranha interpretação que as seitas (provavelmente as mais beneficiadas com este despautério) tem da Bíblia é um crime contra a arte e a cultura.
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Vidas que valem viver
24th, May 2007
Algumas obras marcam a história, influenciam ou refletem tempos de mudança com tal intensidade que se tornam imortais. São eventos cósmicos como tenho dito com um certo exagero na tentativa de trasmitir a seriedade com que as vejo.
Hamlet é assim. Dom Quixote e Paraíso Perdido também assim como a Odisséia. Isso poucos discutem, mas quando incluo Senhor dos Anéis e Fronteiras do Universo a este seleto grupo os que não leram as obras se surpreendem (a maioria também não leu Hamlet e muito menos A Odisséia ou Paríso Perdido).
Ainda não tive tempo e forças para explicar no meu site porque acho tais obras tão importantes, mas, depois de anos de preparação, pretendo fazê-lo até agosto para favorecer quem quiser ler antes de assistir A Bússola Dourada, que é a adaptação para o cinema do primeiro volume da trilogia Fronteiras do Universo (His Dark Materials na versão em inglês em homenagem a Paraíso Perdido de John Milton).
Avonda!!! (essa só no Caldas Aulete) Devaneei demais porque achei que tinha que fazer uma introdução. O que tenho a falar é sobre uma das coisas que torna algumas obras mais marcantes do que outras.
Quando a gente lê um livro vivemos a vida dos personagens e há personagens que, por mais fofos e simpáticos que sejam, tem vidas que não valem a pena viver, suas histórias podem até ser instigantes ou divertidas, mas é a força de caráter, espírito ou a forma como transgridem a personalidade medíocre que os tornam especiais e faz valer a pena vivê-los.
Sim, vivê-los como já disse! Há personagens que vêem à nossa mente nos momentos difícies e nos inspiram a encontrar em nós as suas qualidades. Posso até dizer que recentemente fui salvo por Lorde Asriel…
A literatura contemporânea está repleta de personagens sem profundidade e com personalidades simples para seram mais facilmente consumidos pelo grande público e isso os torna voláteis. Mesmo os personagens de Senhor dos Anéis (e me desculpem os outros fãs ardorosos - eu sou um de vocês) carecem de personalidades complexas e multifacetadas como as de Asriel, Iorek, Lyra, Will…
Viver personagens que vão além da superfície e desafiam limites nos faz mergulhar junto em nossas próprias profundesas e ousar questionar os nossos limites e convicções.
Adianta pouco ficar falando e duvido que o trailer acima seja capaz de mostrar a experiência de ler a trilogia de Philip Pullman. Vá a uma livraria e folheie os livros.
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