Jesus está nú
31st, March 2007
Vivemos um tempo maravilhoso! Muita gente não se dá conta. É fácil esquecer que há somente alguns anos as mulheres não votavam, barriga de grávida era considerada imoral e as crianças decoravam os estudos sem nem mesmo o senso crítico de achar ridículo Cabral chagar ao Brasil sem querer.
Hoje somos livres para olhar o passado questionando-o, repensando-o e resgatando-o para esta nova era onde o conhecimento é inexoravelmente acessível.
Hoje podemos criar um Cisto nú de um metro e oitenta todo de chocolate. Justo o Cristo que foi, por tantos séculos, usado para insinuar que Deus fez nossa alma, mas o corpo foi obra do demônio…
É claro que sempre tem vozes do passado que se levantam contra a ousadia transgressora que traz a chave das transformações. E mais uma vez eles crucificaram o messias: a obra foi tirada da exposição no hotel Roger Smith.
Filed under: Crenças, Fogo | No Comments »
Ele não me deixa…
31st, March 2007
Tento ser cético, mas o Universo insiste em sonhar mundos impossíveis ao meu redor…
Filed under: Crenças, Fogo | 2 Comments »
Faltam 253 dias!!
29th, March 2007
Anote: em 7 de dezembro de 2007 teremos a chance de testemunhar mais um marco inesquecível!
A gente vive uma era repleta de estímulos, a maioria deles será esquecida em poucos meses.
Lembro de um amigo, há vinte anos, dizendo que Kiss era para sempre! Hoje ele mal lembra o que é Kiss.
Nos tempos de John Milton ou mesmo Shakepeare era muito mais fácil se tornar eterno (não tirando o mérito supreendente destas obras que atravessaram séculos), mas hoje, manter-se firme nas mentes e corações das pessoas depois de sessenta ou mesmo vinte anos é uma conquista memorável.
Entre estas obras temos Guerra nas Estrelas, Jornada nas Estrelas, Senhor dos Anéis e poucos outros.
Tem gente que se surpreende quando digo que estas obras são marcas tão importantes do nosso tempo quanto foi Hamlet de Shakespeare. A maioria destas pessoas não leu nem Hamlet, nem Senhor dos Anéis, mas quase todos demonstram sinais da influência destas obras.
Agora começo a contagem regressiva para ver no cinema a adaptação da mais recente destas obras imortais.
Em sete de dezembro de 2007 entrará em cartaz o filme A Bússola Dourada, baseado no primeiro volume da trilogia Fronteiras do Universo (em inglês His Dark Materials em referência a Paraíso Perdido de John Milton).
É difícil explicar o quanto esta saga pode representar sem tirar boa parte do prazer da descoberta.
Quem já leu os livros, e provavelmente se apaixonou, vai adorar ver o primeiro trailler (ainda com cenas inacabadas):
Filed under: Cinema & Vídeo, Fogo, Literatura | 6 Comments »
Filmes da minha vida: Cidade das Pontas
28th, March 2007
Eu não devia ter mais de oito anos, mas lembro claramente daquela noite.
Devia ser quase meia-noite quando fui até a sala pedir ao meu pai para ver um desenho na TV. Quando eu tinha 8 anos não existia videocassete, nem SBT, nem internet para consultar a programação, é claro. Não sei como descobri que passaria um desenho de madrugada.
Para falar a verdade era muito estranho que passasse um desenho de madrugada. Hoje há desenhos para adultos, na época nem ficção científica para adultos existia! Até Jornada nas Estrelas só viria a surgir alguns anos depois. Mas o desenho que passou era mesmo diferente.
Meu pai ficou tão incrédulo que me disse rindo meio ironicamente que, se passasse um desenho naquela hora eu poderia ver.
Creio que foi a primeira vez que fui dormir depois das duas da manhã pois o desenho passou e era um longa de mais de duas horas se bem me lembro.
Ainda hoje estava me lembrando que tive a sorte de viver o tempo que gerou duas obras de literatura capazes de transformar seus leitores: Senhor dos Anéis e Fronteiras do Universo. Mas também vivi para ver um desenho da década de 60 capaz de marcar um menino de oito anos até sua idade adulta!
Gostaria de revê-lo, mas nunca consegui descobrir o nome original para poder comprá-lo. Então vou contar sua história aqui na esperança de alguém conhecê-lo!
A Cidade das Pontas
Uma vasta floresta cercava aquela cidade isolada do mundo. Seus cidadãos, todos usando gorros pontudos, formavam uma sociedade pequena, mas coesa e apegada a suas tradições e costumes.
Era um povo tão ordeiro que não havia divergências, ninguém se mostrava transgressor ou colocava em dúvida os velhos costumes. Exceto um.
Este transgressor tanto fez tentando mostrar suas formas alternativas de ver que foi levado a uma praça onde todos os cidadãos se reuniam para grandes eventos. Era uma sociedade democrática onde todos decidiam juntos o que fazer. Desta vez eles decidiriam sobre o destino daquele cidadão incômodo.
Durante o julgamento ele tirou o seu gorro e todos notaram horrorizados que sua cabeça não era pontuda sob o gorro, mas redonda como uma cebola. Todos os demais cidadãos tinham lindas e aceitáveis cabeças pontudas como a ogiva de um foguete.
Não havia como manter aquele indivíduo entre eles, então ele foi expulso para a floresta.
Em sua jornada ele encontrou diversas criaturas das quais a única que me lembro era um robô de quatro braços que giravam ao redor do seu corpo.
A cada encontro ele descobria algo novo, mudava e amadurecia até que soube que uma grande ameaça se abateria sobre a cidade que o expulsou, uma represa prestes a se romper se não me engano.
Diante do dilema entre voltar sabendo que seria escorraçado novamente e deixar que os que o humilharam tão impiedosamente morressem ele decide se expor novamente à ira dos outros para alertá-los.
Ao chegar na cidade creio que ele toca um sino ou alarme, seja como for a cidade se reúne na praça e o encontra sobre o palanque tentando alertá-los.
"Não ouçam nada do que este esquisito tem a dizer!"
"Mandem-o de volta para a floresta!"
"Fora!!! Sem Ponta!!!"
Em meio às vaias alguém lhe arranca o gorro pontudo da cabeça para expô-lo ao ridículo com sua horrenda cabeça redonda, mas ela já não é mais assim, ela tem uma respeitável ponta.
Faz-se silência na praça. Os outros cidadãos, lenta e temerosamente, vão tirando seus gorros apenas para descobrir que são eles que não tem mais pontas…
Pelo que me lembro é aqui que o desenho termina.
Não é fantástico que tenham feito algo assim na década de 60? Alguém mais conhece isso?
Filed under: Cinema & Vídeo, Fogo | No Comments »
O fim do mundo na mesa
26th, March 2007
- Tá, e se a Terra acabar? - Ele está sentado na varanda olhando o céu com poucas estrelas.
- Acabar como? explodir? Virar caquinhos? Não sei se isso é possível… Pelo menos me parece bem improvável, né? - Sua testa parece franzida demais para uma jovem com menos de vinte e dois anos.
- Não, não é acabar assim, é ter enchentes, terremotos, bombas nucleares… Bomba nuclear não pode despedaçar a Terra?
- Hummm… Acho que não… Li em algum lugar que um meteoro é mais potente do que todo nosso arsenal nuclear e a Terra já recebeu um monte deles.
- Sei… Então tá bom, a Terra não acaba, mas se acabar a vida, entendeu?
- Vem cá, você tá raciocinando? Fala sério, como você acha que a vida poderia acabar na Terra?
- É que tem horas que parece que tudo vai acabar, tá ligada?!
- Pô, mas tem que ter alguma lógica, não?
- Olha, o que eu tô querendo dizer é que se estiver tudo perdido mesmo então é perda de tempo ficar pensando em salvar o mundo!
- Ah! Com isso eu concordo! Fala sério! Vê se eu vou salvar o mundo? Não consigo nem pagar a facu direito, pô! Tô mais preocupada agora em ver se me salvo! Se a galera toda se juntar para salvar alguma outra coisa eu até que vou junto, mas sozinha eu não vou não!
- …
- Que foi?
- Porra! Tu é muito egoista, cara! Se cada um fizer um pouquinho…
- Ah! Lindo! Hahaha! E você faz o quê se tudo que vejo é você no futebol, vendo tv ou indo para a balada?
- Sei lá, eu me preocupo pelo menos…
- Também tô preocupadíssima!
- Agora você tá sendo irônica!
- Não diga… - Ela o encara como se fosse uma geleira flutuando em sua direção pronta para rasgar seu casco e vê-lo naufragar
- Putz! Não dá para conversar sério com você!
- É… Você tá ai alucinando que a Terra vai se despedaçar e eu que sou difícil! Quando você me explicar como o mundo vai acabar eu me preocupo! Enquanto isso tenho o trabalho de sociologia para fazer e papai e mamãe devem chegar logo para atrapalhar…
Filed under: Devaneios | No Comments »



