De bicicleta… Eu estava de bicicleta voltando de Botafogo lá pelas 20h30m.
Uma chuva agradável descia do céu noturno refrescando a noite quente. Adoro chuva, mas de bicicleta temos que andar mais devagar para não nos encharcarmos com os respingos que sobem com o pneu girando.
Cheguei na Prado Júnior e decidi parar para observar o espetáculo e esperar a cortina luminosa se enfraquecer.
Toda forma de vida passava na esquina ao meu lado. Garotas e garotos de programa, estrangeiros, meninos de rua com seus limões (para o malabarismo), moças recém saídas do banho caminhando de havaianas. Será que hoje é uma noite qualquer para todos eles?
Distraído demorei a notar os raios que iluminavam as nuvens em espaços cada vez menores. Quando minha atenção se voltou para eles percebi que o melhor a fazer era atirar-me de encontro ao fino véu de gotas brilhantes de chuva tentando chegar em casa antes da tempestade que se aproximava.
Ah! Como os edifícios e luzes da cidade dificultam nossa ligação aos movimentos da mãe Terra…
O furor das águas que despencavam dos céus como ondas de um mar revolto me encontraram ainda muito longe de qualquer esperança de abrigo.
Entreguei-me totalmente e me deixei envolver nos braços suaves da noite como Pan se entregaria aos encantos das fadas de Titânia.
Foi então que lembrei que esta é mesmo uma noite especial, marco da primeira colheita se ainda fôssemos capazes de ver crecer o alimento que chega à nossa mesa.
Vim de alma e corpo entregues às águas que me purificavam e nutriam para os dias que virão!

De longe eu pude escutar um pequeno violino sendo tocada por uma pequenina mão trêmula.
rs!
Adoro seus posts, mas não consigo escrever desse jeito!
Me ensinaaa..
Oi Vivi!!
Fiquei surpreso e lisongeado por vc ouvir um pequeno violino tocado por mãos trêmulas! Não tinha isto em mente, mas se encaixa bem no clima e fico feliz ao ver que consegui tocar ao menos um leitor! Quer dizer que tomei o caminho certo!
Além disso tenho que dizer que, se vc vê o que viu então é capaz de escrever assim também! No máximo falta a prática!