Natal da Corrente Falcão
30th, November 2006
Recebi hoje da Heloísa Padilha:
Prezados Amigos do Falcão - a Corrente do Bem,
Quanto tempo! Estou aprendendo, a duras penas, que o ritmo do trabalho voluntario e´muito diferente dos trabalhos remunerados, mas anuncio que já estou tomando providencias para ativar nossos laços e iniciativas com mais vigor e agilidade.
O Natal está às nossas portas e gostaria da atenção de vcs para esse pedido muito especial que a Terra dos Homens está nos fazendo:
A Associação Brasileira Terra dos Homens inicia a sua campanha de Natal e convida todos nós a contribuirmos na arrecadação de brinquedos novos ou em bom estado e alimentos não perecíveis. O importante é fazer a alegria das 80 crianças e adolescentes e seus familiares atendidos pelos projetos da Terra dos Homens. As doações podem ser entregues nos endereços abaixo, até o dia 17 de dezembro.
Endereços: Av. General Justo, 275 / sala 518 – Centro (sede da ABTH)
Rua Vice-Governador Rubens Berardo, 65 – Gávea (Rodrigo Pereira)
Rua Rodrigo de Britto, 46 - Botafogo (Irene )
Rua Claudino de Oliveira, 191 – Jacarepaguá (José Luis)
Rua Ulisses de Oliveira Madruga, lote 26, qd. 70 – Itaipu (Leonardo)Um grande abraço a todos Heloisa Padilha
Equipe Falcão - a Corrente do Bem
Visite nosso site: www.correntefalcao.com.br
Hoje mesmo estava no caminho entre lá e cá, pegando uma chuva e pensando na complexa questão das atividades das ONGs.
Vejo esforços sinceros como o da Corrente Falcão que tenho prazer em divulgar, mas meu espírito questionador fica irrequieto.
Ele me diz que a gente precisa dar a este enorme contingente de cidadãos marginais educação, formação profissional, perspectiva e, talvez mais importante do que tudo isso, integração.
Quando digo integração me refiro à percepção de que estamos todos no mesmo barco, que somos todos brasileiros, mais do que isso, que somos todos terráqueos.
Só que isso não é verdade, né? Nas rodas de papo sempre alguém fala em pena de morte, que bandido não tem direito a direitos humanos, que morrer sessenta por dia nas periferias pobres é pouco, mas que é uma afronta, um absurdo que alguém morra em seu Mercedes no Leblon.
Sim, toda morte é um absurdo, mas o enfoque dado não só pela mídia, mas por nossa cultura, intensifica a segregação e cria um tipo de fronteira onde os que parecem ricos não podem ser tocados e os que parecem pobres não tem importância.
São mudanças culturais tão profundas que temos que promover que fico desanimado.
Por outro lado eu realmente acredito que o engajamento social representado principalmente pelas ONGs são a semente mais promissora destas mudanças que devem ir muito, mas muito além do ponto embrionário e meramente potencial em que se encontram hoje.
Se você chegou até aqui pense nisso… Pense que mesmo uma medida assistencialista (que não é o caso nem da Terra dos Homens e nem da Corrente Falcão) é um passo no sentido de reduzir distâncias aproximando as vítimas (todos nós, terráqueos pobres, ricos, fortes, fracos, cultos, que ignoram…) e preparando um futuro possível onde todos trabalharemos juntos para afastar o inimigo que não é nada além da nossa miopía para as conexões que ligam todos nós.
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Cascas de banana para todos os lados!!!!
29th, November 2006
Cara, escorregar é muito mais fácil do que a gente pensa… Quando é um destes cômicos escorregões numa casca de banana real é claro que a gente percebe, mas tem as cascas de banana comportamentais que a gente confunde com mal humor, depressão, grosseria… Nesta última eu até que sou bem escolado! Não que eu seja grosso, em geral sou assim só no mundo virtual, no real sou até simpatiquinho!
O caso é que cheguei em casa bem, depois de um dia agradável em um workshop que serviu de fonte para várias boas idéias de projetos para um cliente que sempre apresenta desafios interessantíssimos e não era para ter um início de noite desagradável. Mas lá estava a casca de banana que eu só notei agora, depois de acertar as coisas de trabalho e parar para pensar no mundo ao redor…
Tá certo que cheguei em casa com uns planos que não pude realizar, o que foi bom porque já adiantei o trabalho, mas deu aquele sentimento de frustração, você sabe como é? Quando aquela vontade danada de beber um açaí se transforma em ficar sentado vendo a chuva pela janela de casa?
Pois então. Por conta disso virei o Roney virtual ranzinza. Me irritei com tudo, coloquei o trabalho ao meu redor para fazer barricada e acabei deslizando pateticamente na casca das minhas próprias bananas!
Agora vou la pedir desculpas a quem atingi no processo e torcer para alguém prestes a escorregar em suas próprias cascas leia este post antes e não cometa o mesmo erro que eu!
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Agredecendo os acessos
28th, November 2006
Fico impressionado como os blogueiros são legais!
De vez em quando entro num blog e lá está o blogueiro agredecendo os primeiros 400 mil hits, as 500 visitas diárias ou qualquer outro índice de acessos.
Na verdade acho que o blogueiro não ganha nada com os acessos além de uma ilusão de fama e tenho certeza de que fama não é o que impulsiona os melhores blogueiros, então eles são é fofos mesmo!
Além de dedicar diariamente um tempo para compartilhar com o mundo o que pensam e pesquisam ainda agradecem a quem esteve ali bebendo do seu conhecimento! Isso é o máximo de abnegação! Estou muito longe de ser assim!
Nunca agradeci aqui pelas visitas… Será que algum dia agredeci? Não lembro… Se fiz isso foi uma tentativa hipócrita de ser simpático, viu?
Nunca agradeci porque realmente acho que um blog é um serviço para quem lê e não para quem é visitado. Para mim é como abrir minha casa para as pessoas virem ler meus livros, comer minha comida e não faz o menor sentido dizer depois “Gente! Obrigado por vir aqui!!!”
Tenho que dizer que até faço uma idéia da quantidade de visitas diárias que este blog recebe, mas estou convencido de que a enorme maioria bate nestas páginas sem querer e nem chega a perceber onde esteve. Leitores frequentes mesmo não deve ser mais de 30 se tanto.
O que um sujeito que fala do jeito que eu falo e é rude como eu sou poderia esperar, né?
Apesar de tudo isso espero mesmo que os leitores fieis, casuais ou que leiam apenas um post encontre aqui algo que lhes sirva como fonte de questionamento, reflexão, devaneio, perturbação, deslumbramento, força, medo ou tudo isso junto pois não escrevo este blog por mim. Escrevo por você.
Hummm… Tá bom… Escrever aqui também é uma forma de lazer, relaxamento e extravasamento para mim.
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Os Infiltrados
27th, November 2006
Nos últimos tempos quase não tenho ido ao cinema. Quase não tenho ido a nada para falar a verdade! Trata-se de uma longa história que tem a ver com uma certa obsessão com o estado das coisas no mundo… Não vou encher ninguém com isso agora! Basta dar uma navegada aqui e na minha página no Multiply para sacar…
Hoje decidi desencanar deste senso exagerado de responsabilidade, aproveitei que tinha umas 3 horas livres à tarde, que o cinema estava a R$6,50 e fui ver este filme ai do título do post. Os Infiltrados.
Na verdade queria ver Happy Feet, mas as cópias eram dubladas!
É claro que não vou falar nem o final e nem mesmo do que se trata realmente o filme, não gosto de fazer isso. Mas tenho que dizer que é um belo filme.
O que mais gostei é que as pessoas cada dia parecem mais reais no cinema moderno. Antigamente só filme de arte mostrava gente normal, nas grandes produções que todo mundo assistia eram todos lindos e maniqueistamente alinhados com o bem ou com o mal. Uma coisa monótona e alienante.
Gostei de ver um filme que não critica nada, não sugere nada, não julga nada, não convida a reflexão… Bem, tá, convidar à reflexão ele até convida, mas dá para fazer um esforço de bestialização e não refletir sobre nada também!
Mas é sério, o filme conta uma história sem forçar nas entrelinhas nenhuma doutrinação, pelo menos eu não vi. Posso estar um pouco bestializado já que não estava nada a fim de encontrar doutrinas.
Seja como for fica a dica de filme e, como não poderia deixar de ser neste blog, um convite à reflexão: nossa produção cultural está se tornando mais consciente e retratando melhor nosso tempo?
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Anorexia: é fácil culpar quem está distante…
25th, November 2006
Tem tanta gente mais dedicada e mais lida do que eu falando em assuntos como este que normalmente nem tento falar neles aqui, mas desta vez acredito que tenho uma contribuição a dar.
A moda virou a vilã da anorexia, ela e as campanhas publicitárias que mostram modelos inalcançáveis. Ainda hoje mesmo vi uma revista Capricho falando que anorexia é doença e não estilo de vida, mas na contra-capa vemos uma modelo macérrima. Afinal é doença ou é estilo de vida?
Fiquei pensando nestas contradições e percebi que, embora também seja responsável, a indústria da moda é apenas uma pequena parte do problema. Mas é aquela parte que está distante de todos nós o que nos livra de qualquer responsabilidade.
Sentamos na lanchonete comendo as duas mil calorias de batatas-fritas, frangos fritos e baldes de refrigerante para conversar com os amigos sobre o absurdo que os estilistas fazem levando as meninas à anorexia.
Então ligamos a tv e vemos a propaganda do remédio para emagrecer com várias moças magras dizendo o que fariam com alguns quilos a menos, a magia da garrafa de Coca-cola no mundo mágico dentro da máquina, a cinta que nos esmaga para dar impressão de magreza, o guaraná sem nhé nhé nhé que podemos beber à vontade pois tem zero de açúcar.
Percebe que nossa cultura brinca de cabo de guerra conosco? De um lado nos grita “CONSUMA!!!!” de outro “PAREÇA LINDO!”
Para piorar somos levados a consumir o que não precisamos e buscar uma beleza que não é saudável e jamais será pois não está focada na saúde, mas na aparência.
Do jeito que estamos reagindo à anorexia vamos acabar atacando a magreza em prol da gordura e logo diminuirão os anoréxicos, os magros naturais serão ridicularizados e os gordos já numerosos (entre os quais me incluo) passarão a se orgulhar da sua “saúde”.
Ontem mesmo eu estava conversando com uma amiga (uma das pessoas mais sábias que conheço apesar dos tenros vinte e bem poucos anos) sobre as incoerências da nossa cultura. Individual e coletivamente. Acabamos falando em um tipo de retardamento moral, como em retardamento mental.
Tenho a impressão que nossa cultura anda moralmente obtusa, talvez por estarmos muito desligados; caminhando pela vida distraídos com as luzes e outros estímulos sem ver o outro logo ali do lado e nem mesmo nós mesmos já que ficamos vendo o que gostaríamos que os outros vissem em nós.
Isso ficou meio confuso! Desculpem! Tenho esta mania de me perder em reflexões no meio de uma idéia, mas só aqui no blog ou quando converso com gente mais inteligente que eu!
O que eu ia dizer é que a anorexia é uma pequena parte de um problema bem mais vasto. Que a indústria da moda pode e deve fazer algo para melhorar as coisas, mas este é um tratamento alopático que atua sobre síntomas da doença, mas não sobre suas causas.
Existe um livrinho pouco falado e ainda menos lido que se chama Alo Sr. Deus, aqui é Anna. Lá pelas tantas Anna diz que “É fácil saber a diferença entre uma pessoa e um anjo. A maior parte de um anjo está no lado de dentro e a maior parte de uma pessoa está no lado de fora”.
A gente está precisando questionar nossa sociedade e cultura do consumo (para fora) e pensar seriamente em uma nova sociedade e cultura do conhecimento. Sendo que cultura e conhecimento não é só para dentro, é para fora também pois, da forma como fazemos hoje, sempre é criação coletiva…
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