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O Roney sumiu e o tecno-web-papo chato

30th, September 2006

Estou fazendo uma extensa reforma nos alicerces da nossa existência virtual, bem não da “nossa” assim da humanidade inteira, este nossa se refere só ao meu site (este aqui) ao da empresa, o da Coelha e de meia dúzia de amigos que dependem de nós para existir na Internet.

Se você não tem qualquer interesse nestas coisas e só quer saber porque não comentei seu comentário então pode parar aqui mesmo. Os curiosos podem ler os parágrafos abaixo e os experts já sabem do que estou falando.

Quando você tem um domínio tipo você.com.br o normal é pagar uns trinta Reais por mês a uma empresa que mantém computadores ligados 24/7 hospedando o seu domínio. Só que a gente tinha um monte de sites para hospedar e acabamos achando que valia mais a pena nós mesmos nos tornarmos hospedeiros de sites.

Bem, fizemos isso contratando uma empresa chamada Hostmídia que é boa, mas deixava a desejar em alguns pontos então resolvemos mudar para a DreamHost que é muitíssimo bem conceituada e também muitíssimo mais chata de configurar! ;)

Agora estou aqui transferindo nossos sites do hospedeiro roney.com.br para o i4b.com.br e tentando não fazer mais nenhuma barbeiragem, afinal já bastou a da Hostmídia que perdeu o template do site da nossa empresa que agora está lá rodando, mas horrível! Desejem-me paciência e perseverança! ;-)

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As formas sob a confusão

29th, September 2006

Arte na poeira dos carrosTudo é questão de perspectiva, não é?

Michelangelo dizia que tudo que ele fazia era libertar da pedra a imagem que estava lá apenas esperando que tirassem as sobras.

Hoje estava conversando com um amigo sobre os rumos do Brasil e da humanidade e comentando como não faço idéia se estamos progredindo ou se marchamos para dias piores. No final das contas talvez tudo se limite ao mármore de Michelângelo ou aos vidros sujos de Scott Wade.

É claro que o mármore ou a sujeira não escondem lindas formas, é a nossa consciência que faz de tudo espelho para as imagens que a preenchem.

Olhamos para o mundo e vemos a sujeira como sinal dos tempos porque em nosso espírito já desistimos. Olhamos para o espelho e vemos um corpo em decadência porque já aceitamos a morte.

Outros olhos enxergarão a sujeira como convite à limpeza e as rugas no espelho como runas com as quais registramos nossa sabedoria.

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Leia o livro, assista o filme…

27th, September 2006

Sempre li muito. Aos 11 anos li a saga do Tolkien (na época editada pela extinta Artenova, ainda tenho os exemplares aqui). Não foi minha primeira leitura e certamente não foi a última, mas por muito tempo tudo que eu lia era com encanto e com a certeza de que o autor havia escrito com paixão.

De uns anos para cá descobri outro tipo de livro. Não sei se já existiam. Tinha umas revistas tipo Carícia que talvez fossem como estes livros que tenho visto, mas acho que não.
Estou lendo um destes agora. Atlantis de David Gibbins.

Veja bem, não é uma história ruim. O sujeito (o autor) diz ser um arqueólogo que trabalhou a vida toda com arqueologia marinha então suponho até que a fantasia esteja dentro das possibilidades.

O que incomoda é que a cada página tenho a nítida impressão de que o autor antes de mais nada se preocupava em montar uma narrativa adequada ao cinema, ao DVD, a uma edição especial ilustrada, ao videogame e, quem sabe, um CD de músicas atlantes.

Gostaria de explicar aqui exatamente porque tenho esta impressão, mas “tô cum sono” e teria que comentar coisas da história o que estragaria o prazer que o livro pode dar a quem o estiver lendo.

Quando a gente está alegremente inserido em uma sociedade do espetáculo, plenamente satisfeitos em mergulhar nossos sentidos em sons, imagens e fantasias sem qualquer profundidade ou longevidade este tipo de literatura é ótimo, mas os prazeres voláteis acabam nos tornando cada vez menos sensíveis para aquelas experiências que atravessam nossas almas e permanecem por dias, muitas vezes para a vida toda como é o caso de O Senhor dos Anéis e do recente Fronteiras do Universo.

Filed under: Fogo, Literatura | 2 Comments »

cento e sessenta megapixels!!!!

26th, September 2006

Nunca falo de tecnologia aqui, não gosto. Aqui é para o meu lado mais humano. Só que meu lado humano se divertiu demais com a foto desta nova maravilha da tecnologia!

!60 Mp na palma da mão!Olha, não estou sendo irônico não, acho mesmo uma maravilha e entendo que o tamanhão assim pode até ser uma necessidade, mas que é engraçado e tem um sabor de século retrasado isso tem!

Cada foto tirada por ela emresolução máxima ocupa 1GB! Ela não tem nem memória interna, vc a liga com um cabo de rede diretamente ao computador (nestas horas um Mac Mini é tudo de bom).

Se algum fotógrafo MUITO profissional encontrar este post e se interessar aqui está a ficha técnica da Seitz 6×17.

Fiquei sabendo dela graças ao boletim do Clube do Hardware.

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Um sopro na madrugada

23rd, September 2006

Baia noturna

O olho ardia, as horas se atiravam no coração da madrugada, mas ele se agarrava ao fio de consciência como se o sono que ameaçava dominá-lo fosse o prelúdio da morte inevitável.

Apenas o brilho azulado do monitor ilumina o rosto com barba cerrada e olhos vidrados atrás de óculos fundo de garrafa.

Um pequeno quadrado refletido nas lentes reproduz o movimento tenso e lento das imagens na tela. Um fio de suor escorre pela testa calva.

Uma ilha no centro de diversas outras perdidas na escuridão. O homem olha ao redor sem ver até onde se estendem as baias ao redor da sua e imagina que se estendem até o infinito e que seus dias se esgotarão naquele labirinto onde certamente se enconde um minotauro, talvez um exército deles.

Tomado por um pavor repentino de ser visto pelos monstros que sua imaginação esconde nas sombras ao redor ele volta a sentar atento para os ruídos que só ecoam em sua mente. Ignorando-os volta a se concentrar no teclado e nas imagens sobre o cristal líquido.

Seus olhos fraquejam e piscam uma, duas vezes. Na terceira fecham-se lentamente e se abrem como a sombra da lua eclipsando o Sol. Na quarta vez ele já dorme profundamente com a testa sobre o teclado e uma infinita fileira de vês correndo na tela de alguma ameaça invisível.

O toque suave de uma mão frágil em seu rosto o arranca do sonho para um estado entorpecido de consciência. Seu rosto se volta lenta e calmamente para a faxineira, mas não é a faxineira. O rosto colado ao dele é de uma moça jovem, de cabelos negros e curtos, a pela mais branca que a face da lua é seca e cola-se aos ossos como se não houvesse carne ou alma sob aquela expressão vazia e ainda assim cheia de pena dele. Os lábios dela se movem sem emitir som e um hálito ocre flui deles como uma névoa de asco carregando o fedor de terra húmida e limo revolvido.

Engolindo o grito que lhe nasce na garganta o homem se vira na cadeira tropeçando em suas próprias pernas e caindo no chão ainda com o mouse agarrado entre os dedos encrispados.

Mais uma vez ele acorda e já não é mais noite, diante dele uma sombra vai se desfazendo como se fosse uma ilusão de olhos ofuscados pela luz. O pobre homem tem a respiração ofegante e pelo silêncio percebe que ainda está totalmente só no labirinto de divisórias iluminado pelos primeiros raios da manhã. Uma brisa inexplicável percorre o corredor entrando em sua baia, soprando seu rosto com o mesmo odor que o despertou do terror noturno e sussurando em seu ouvido “Você agora é meu”.

Horas depois dezenas de colegas de trabalho se espalham ao seu redor observando assustados os olhos arregalados e mortos, a lágrima que escorre ocasionalmente deles, a respiração lenta e o estranho sorriso esgarçado no rosto entre o pavor e a surpresa.

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