Quando não dá para conter a voz
30th, July 2006
Na quinta-feira passada fui assistir a um excelente espetáculo da Cia Laso de Dança contemporânea e até agora não escrevi o que achei.
Gosto de pensar muito, sentir mais ainda, antes de tentar colocar as coisas em palavras. Quanto melhor ou mais importante, mais demoro a escrever.
Mas hoje vou fugir da regra e, apesar de já ter algo a falar das Reflexões da Laso (que traz um tipo de visão subcutânea dos laços modernos), vou citar rapidamente três filmes que guardam outro tipo de relações.
Algum tempo atrás assisti Earthlings, hoje vi A Carne É Fraca e The Corporation (já disponível em DVD).
Os dois primeiros… Bem, não assista se não estiver com disposição de levar sua responsabilidade ambiental às últimas conseqüências.
Já o terceiro é um mergulho no poder das corporações modernas e sua influência sobre a mídia, nossos costumes, desejos, políticos… Obrigatório até para quem prefere se deixar afogar na alienação ou nos prazeres hedonistas modernos.
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Cigarro descartado
29th, July 2006
… rola pela sargeta.
O taxi vai se afastando antes de sumir depois de passar pelo prédio fechado da ACM.
Durante o dia os moços cristãos vão ali para nadar, jogar volei… De noite a Lapa é região de outras cores, outros sons. A propósito, de quase todas as cores e sons.
Mais cedo, perto dali, na praça Tiradentes, eram as cores e sons da Laso que buscavam o que vai no fundo dos nossos pensamentos. Depois foi a vez da dança risonha das amizades em festa ao som pop-salsa em um bar de cores modernas cercado por um bairro de sombras antigas.
Mais tarde, já entre espectros noturnos, bem diferentes dos diurnos, aprecio a jovem que espera o ônibus raro e preguiçoso para retornar a sua casa.
Deuses se escondem nas noites urbanas assim como habitam as florestas na lua nova, mas os olhares que a moça lança ao redor não os procuram. Tão pouco caçam. São os olhares atentos de quem esquadrinha o generoso diâmetro do seu espaço pessoal.
Quando caem sobre mim convidam ao contato, ou talvez sejam os meus pensamentos que me traem.
Os taxis passam lentamente. Um pára ao seu lado.
- Para onde você vai?
Ela responde, não ouço. O taxista, um homem com uma grande barriga e já alcançando a meia idade, diz algumas coisas que também não entendo.
- Carona? - ela pergunta - Pode ser…
O cigarro entre seus dedos rola pela sargeta enquanto o taxi segue além da ACM levando o volátil casal noturno.
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Ilhas… luz… ilusão… adormecida
28th, July 2006
Ela não vai parar! Não vai parar!
A noite já segue sob o sopro gelado da madrugada e ela não mostra sinais de diminuir seu ritmo febril.
Saem carros das ruas, mas não todos, sempre há os corcéis tardios. O movimento barulhento do dia se concentra em esquinas e portas estreitas de onde escapam os tambores techno-trance dos festivais urbanos. Os edifícios, cujos olhos permacencem opcacos durante o dia, piscam obedecendo os ritmos e cores da caverna global.
A cidade fervilha.
Os postes sustentam esferas amarelas que enchem a paisagem noturna de ilhas luminosas cercadas de noite além das quais todos se transformam em sombras indistinguíveis.
Ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas solitárias ilhas de luz constroem a ilusão de uma cidade adormecida. Ali ela parou… Parou?
por RoneyB.
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Lembretes para o dia-a-dia (59): Democracia participativa
28th, July 2006
Mostre-me um político de fé inabalável e moral indiscutível e lhe darei os braços para viver sem pensar em política.
Enquanto isso não acontece precisamos dar braços para outra coisa: manter os olhos atentos sobre a mídia e os políticos.
O quarto poder, a imprensa, seria nossa aliada não fosse o fato de morar de aluguel nos conjugados de outros senhorios.
Governo do povo, pelo povo, para o povo. O século da comunicação e da informação pode ser o século a tornar isso possível pela primeira vez desde que deixamos de ser pequenas tribos esparsas.
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A paz, o amor e vozes que aguardam
25th, July 2006
É um casal meio hippie, neo-hippie, aliás pós-neo-hippie já que poucas ideologias parecem mais distantes do que o paz-e-amor da década de 70. Mesmo assim sempre fica alguma coisa, nem que seja no jeito de vestir de algumas pessoas.
Ele. Cabelos grandes, barba densa e negra cobrindo todo o corpo. Ela. Calcanhar direito para fora do tênis (tinha um machucado), blusa amarrada ao redor do quadril. Um cigarro entre os dedos.
Na faixa dos vinte e poucos, os dois com braços e pernas finos e esguios. Olhando pela lente do estereótipo era fácil enxergar um casal que não precisa de lar pois o mundo é sua casa, não precisa de trabalho já que o sonho é seu ofício.
Ainda ontem jovens assim enfrentavam a pé soldados montados em cavalos, pintavam o rosto para gritar contra um presidente corrupto. E agora? Onde estará indo este casal? O que será do prédio da UNE e da carteirinha que garante entrada em festas e cinemas? Vai ver votarão nulo em seus 15 segundos de protesto solitário diante da urna. Vai ver são como uma placa tectônica esperando a pressão certa para produzir um tsunami. Vai ver não acham que a coisa está tão ruim e, se os velhos estão incomodados, que se mexam.
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