Os tempos que mudam e as mudanças que buscamos
29th, June 2006
Tempos atrás eu ganhava uma boa grana trabalhando longe de casa. Para ser mais preciso eu ficava meses fora de casa e a uns 10 mil Km de distância. Pior que isso só se integrasse a próxima missão para a lua ou Marte! Não estava nada bom.
Decidi pular fora. Só que isso significava recomeçar tudo. Do zero. Ganhar umas 20 vezes menos. Em moeda nacinal e não mais em Dólares. Nem lembro qual era a moeda na época.
Pois eu fiz isso. Pulei fora, encarei uns dois anos complicados até acertar o passo novamente. Olha, não foi a primeira vez que fiz algo assim. Fiz outras entre aquela época e hoje. De tempos em tempos a gente vai remodelando nossos caminhos.
Quando a gente dá o primeiro passo numa virada destas muitas vezes não temos a menor idéia de onde vamos parar. Em geral é como dar um passo no escuro, totalmente cego e sem saber se tem o precipício logo adiante.
Não posso dizer que seja um bom jeito de viver, é o meu jeito e acho bom por vários motivos, afinal estou sempre juntando novas habilidades na minha lista!
Tem horas também que somos obrigados a mudar porque existe um mundo lá fora que segue seus próprios ritmos e quando a mudança vem de fora é, me desculpem o palavreado, foda.
A gente fica entre a revolta, o medo, a insegurança e o ódio, mas não adianta. As coisas mudam.
Ainda ontem, apenas 50 anos atrás, as mulheres não tinham qualquer voz no mundo e tinham que se conformar em serem empregadas domésticas pagas ou voluntárias (quando se casavam) tirando raras excessões.
Muitas coisas mudaram para pior também. Ainda estou para achar alguém capaz de contabilizar se as mudanças foram mais para melhor ou para pior.
Uma mudança que me agrada é que me parece que hoje, como nunca antes, todo mundo é chamado a participar das mudanças, nem que seja como uma pequena voz cobrando posição dos políticos.
Lá nos EUA - e esta é uma grande qualidade deles - existe uma cultura que os leva a marcar em cima de senadores, vereadores e simpatizantes.
Hoje não ia falar sobre nada disso. Nem pretendia falar taaaanto assim, mas recebi um email do Will Smith convidando a dizer para os políticos dos EUA que eu também quero que eles cumpram os compromissos firmados ano passado pelos 8 países mais ricos para erradicar a miséria no mundo.
Sei não… Este negócio de confiar algo tão importante a países me deixa meio preocupado. Nós brasileiros não somos o povo mais desiludido com o seu governo, mas certamente podemos dar algumas aulas sobre isso, né?
Só que fui ler o negócio e achei que, ora bolas! todo mundo deve se envolver! Então assinei a petição online.
Vai lá e dá uma lidinha para ver o que vc acha:
Keep the Live 8 Promise
Filed under: Atualidades, Terra | 3 Comments »
Achei nada a ver, mas disse, né?
28th, June 2006
Toca o telefone. Alô de um lado, olá do outro. “Sim? Como posso ajudá-lo?” pergunta a moça. “Ah… Queria mandar o meu currículo para sua empresa, pode ser?”.
Papo vai, papo vem. O sujeito é locutor, tem uma bela voz. A moça… Bem, está no meio da rotina e qualquer chance de escapar é bem vinda.
- Você tem uma bela voz, sabia? Devia fazer uns bicos como locutora.
- Ah! Que nada! Tem que fazer um curso, né? - Ela ri timidamente.
- MSN… Você tem MSN?
Ela pensa “Eu hein? Nada a ver pedir o MSN, né?” e adicionou o cara.
- Tô falando sério, sua voz é bem legal! Me manda uma gravação dela.
- Puxa, não tenho, sei lá!
- Ué? Grava agora e manda para mim.
Logo mais, já no MSN (a voz ela não mandou por preguiça ou timidez, não sabia bem) ele pergunta “Quantos anos você tem?”.
“Ih! Gente, nada a ver a idade para ser locutor, né? Mas ai eu disse, né? 22!”
A esta altura os colegas que ouviam a história não resistem e completam…
- Ai ele perguntou qual era a cor da sua calcinha e você pensou “Que nada a ver, né? A cor da calcinha, eu hein? Ai eu disse, vermelha, fio dental com sabor de morango”
Filed under: Comportamento, Devaneios | 1 Comment »
Domingo de tarde, pipas, cerol e um pedaço de ontem
26th, June 2006
Chego na varanda e sou surpreendido por um céu azul como anil povoado de pipas. Doze, quinze, vinte e três! Perco a conta. Até um OVNI lá no alto refletia sua luz branca cá para baixo antes de ir sumindo.
Parecia os dias que eu jugava perdidos na minha infância quando nos encontrávamos na areia da pracinha para jogar búlica ou conversar sobre os assuntos sérios de gente de 11 anos.
Era um tempo mais lento, isso é inegável. Afinal a era da informação estava presa na caixinha de madeira dos televisores. Hoje ela está em toda parte.
Ainda assim eu olhava bem ali na minha frente para centenas de casinhas que se empilhavam no morro, sobre o telhado de cada uma delas um punhado de adolescentes - e alguns galalaus - agitando as linhas cobertas de cerol na disputa para ver quem continua nos ares.
Os gritos, palavrões e muxoxos atravessavam apenas algumas centenas de metros, mas pareciam atravessar algumas dezenas de anos abrindo uma janela para outra cidade em outro tempo. Mas era só o morro que, mesmo cheio de pequenas antenas de TVs por assinatura e um bocado de pobresa, preservava os ecos de dias que, quem sabe? voltarão um dia…
Filed under: Atualidades, Devaneios, Terra | No Comments »
Trabalhando demais…
25th, June 2006
Graças aos Deuses raramente deixo de escrever aqui por falta de assunto! Uma vida sem assunto é o que haveria de pior para mim!
Somente nos três últimos dias teve um rodízio de pizza e um churrasco com o pessoal com quem pratico Taekwondo. Bem, eu não fui, né? Hahaha!
Na semana passada, aliás na retrasada também, teve o chopp com uma amiga que é garantia de um papo divertido e inteligente… Também não rolaram…
Tempo… Isso é o que tem faltado nos meus dias…
Na sexta fui levar nossa dupla de cães exilados para a visita periódica à veterinária. Tudo bem, mas lá se foi o lazer na academia de Taekwondo (seguido das pizzas para manter a minha simpática barriga). No sábado tive que trabalhar porque… bem tive que trabalhar. No domingo também, e mesmo assim não deu tempo.
De prêmio de consolação teve o rodízio de petiscos na beira da praia com um casal de amigos que se ama, mas briga o tempo todo! Deve ser coisa destas crises de 5 anos, mas são duas pessoas de espírito verdadeiro que passarão por isso mais amadurecidos.
E fico pensando como olho hoje para gente com seus 40 anos e chamo de menino ou menina… Pelo menos não me sinto velho apesar de achar todo mundo novinho!
No meio tempo, enquanto não dou um jeito de cortar alguma coisa que consome mais tempo do que dá em troca vou fazendo um site bilíngue para uma ong em Londres (de graça porque… Você sabe porquê, né?), escrevendo um roteiro para um curta sobre as eleições (só não sei ainda como arranjar recursos para rodar) e mergulhando na gestão ambiental que paga as contas destas coisinhas e do resto.
Filed under: Comportamento, General, Reflexões | 2 Comments »
Uma dona
21st, June 2006
Açaí com banana..
Um cansaço ligeiro nas pernas me faz lembrar o tempo todo que estou de pé em uma esquina de Copa depois do por do sol. As cidades ficam mais sensuais de noite, ao contrário das florestas que se enchem de mistérios e ruídos e lembram velhas sinistras com suas poções e histórias que as crianças contam umas para as outras.
As esquinas noturnas das cidades são sensuais e pulsam uma vida diferente daquela das horas corridas cheias de luz.
As colheradas de açaí vão me distraindo enquanto aprecio uma mulher chegar para comprar frutas no ambulante. Um homem gentil e solícito com os traços no rosto de gente do campo e na voz a maciez da humildade.
Não é uma mulher jovem, é até uma senhora, mas o corpo magro e de curvas generosas surpreende tanto quanto o vestido leve para uma noite de solstício de inverno.
Para muitos hoje é o natal… A energia do verão se foi totalmente, desgastada ao longo do outono e agora, no início do inverno, surge a primeira semente tímida do verão que virá. A deusa acaba de dar a luz à estação das luzes que crescerá lentamente ao longo do inverno.
Na esquina nem o fruteiro, nem a mulher e nem os velhos moradores que vagueiam sem rumo pensam nisso.
- Este caqui aqui está ótimo, dona… Ah! É durinho que a senhora quer… este aqui então!
O homem poderia estar falando com uma freira, parece não perceber ou não se importar com a mulher que atrai olhos compridos dos homens à volta.
- Toneleiros? Olha, é depois deste túnel, mas não atravessa por ele não, viu? Pega aquela rua ali e vira na primeira à esquerda… É, a Santa Clara!
E la vai a dona. Mamilos endurecidos sob o vestido sem soutien, franjinhas da saia acima do meio das coxas, quase uma mini-saia.
Ainda está ao alcance dos olhos quando o fruteiro, quase falando com os próprios botões…
- Que coroa gostosa!
Sorrindo em concordância um dos homens pergunta “e minha fruta?!”
- Pera ai homem! Primeiro tinha que atender a dona, né? E olha, tem bunda, viu? Muita menininha por ai…
Filed under: Comportamento, Devaneios, Reflexões | No Comments »


