Mendigos
28th, February 2006
Quando era pequeno, lá pelos meus 7 anos, adorava o carnaval. Depois fui crescendo, virei nerd e perdi o gosto. Hoje deixo-o passar ao largo.
É uma falha. Talvez você esteja pensando que não, que do jeito que é comercial já perdeu todo o encanto, mas ah! é uma falha sim! Ainda tem muito bloco de carnaval divertido nas ruas desta cidade. Agora mesmo está passando um lá em baixo!
Assim mesmo este ano fico de lado. Não estou no clima.
Isso não significa que fico entocado em casa. Ontem mesmo eu e a coelha demos uma volta com um casal de amigos. Fomos ao Leblon e voltamos. Acabo de perceber que esqueci de beber um açaí no caminho.
Logo no começo da jornada (toda feita a pé) passamos por umas 30 pessoas mendigando sob umas marquises ali em Ipanema. Nunca tinha visto tanto mendigo junto. Parece até que não são mendigos, que tem casa, mas vem para estas bandas a fim de defender um reforço com a generosidade dos gringos e locais.
Ver gente morando na rua sempre me deixa pensativo sobre a dignidade humana. Como alguém pode se colocar diante do mundo se mora na rua comendo lixo, mendigando atenção? Que realidade pior eles devem ter em casa que torna a vida nas ruas melhor?
Então passo no blog do Charles e vejo o post dele sobre a Katilce (que foi puxada ao palco pelo Bono Vox no show do U2).
Passo no perfil dela e vejo que os seus scraps já barram os 3.270.000. Quase todos eles mendigando deploravelmente por atenção! Seguimos os posts e vemos pessoas com mais de 700 “amigos”.
É… Isso completa o meu post de ontem!
Temos a tendência de ficar repetindo as coisas que nos chocam, mas espero ter esgotado este assunto! Se voltar a ele me desculpem, mas não estou cabendo em mim de tanta pena destas pessoas! Céus! Que amigos podem ter que os leva a mendigar atenção tão humilhantemente?
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Eremita cibernético
27th, February 2006
Fui convidado a participar do UOL K por alguém que respeito um bocado. Mais uma comunidade on-line.
Já andei expressando minhas reservas com estes novos grupos virtuais, mas ainda estava um tanto indeciso.
Nos últimos trinta e poucos dias reativei a conta do Orkut abandonada uns dois anos atrás e tentei fazer lá um espaço para contato com os amigos.
Amigos…
Hoje estive conversando sobre tipos de amor: fraterno, paterno, obsessivo, submisso… Será que quando existe obsessão e submissão estemos mesmo diante de amor?
O mesmo tenho que me perguntar sobre o ciberespaço como ambiente para cultivar amizades. A propósito vale a pena pensar em nosso próprio espaço real como ambiente para cultivar amizades, não acha?
Na corrida desembalada para obter aprovação, carinho e demonstrar ao mundo e a nós mesmos que somos amados acabamos colecionando colegas como se fossem amigos.
Não é o Orkut que é ruim, é a nossa disposição para a amizade do tipo que não precisa de cultivo.
Por este motivo cá está meu blog, lá estão o meu perfil no Orkut e o meu email, mas prefiro recolher-me como um estranho eremita cibernético que prefere uma única boa amizade a 1000 colegas virtuais.
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Bah!
26th, February 2006
Faz mais de dois anos que escrevi um post com este mesmo título e era sobre um assunto totalmente diferente. Acho que posso repetir, né?
Bah!
Era assim que os personagens das revistinhas da Disney diziam “merda!” quando eu era moleque.
Aquelas revistas eram tão importantes para mim que as guardava em um cofre no meu quarto. Sim! Era um cofre de verdade! Dos que eram usados em lojas para guardar a grana grande dos caixas.
Meu pai me mimava…
Bah!
Hoje Bah! quer dizer que ando sem vontade de escrever, olho o mundo ao redor, vejo dezenas de coisas que merecem comentários.
Vejo gente fanática que nos arrasta para trás ou pelo menos atrapalha nosso caminhar, vejo gente de palavras fortes que já não sei se luta contra a corrente ou se faz parte da corrente, afinal estes são tempos estranhos de uma mídia igualmente estranha que nos mostra um mundo que certamente não é o mundo que está lá de verdade.
E eu que falava mal de Matrix…
De qualquer forma Bah!
Por uns dias acho que não vou escrever muitas coisas… E também tenho muito trabalho na fila esperando minha atenção, e um grande amigo que sofreu um enfarte enquanto outro teve o primeiro bebê! A vida segue e tem gente que leva tudo a sério de mais. Gente como eu.
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O outro Deus criador
24th, February 2006
Recebi hoje o email revoltadíssimo de um amigo religioso que não pode aceitar a decisão do STF de permitir a redução de pena dos condenados por crimes hediondos.
Tem uma lista de temas modernos polêmicos: aborto, pena de morte, sistema penal e carcerário, evolução…
Falar sobre qualquer um deles é mexer com um intrincado conjunto de crenças, emoções, medos, convicções e emoções… Eu sei que falei duas vezes em emoções, mas isso é importante.
Parece que boa parte das pessoas na verdade está emocionada e a última coisa que lhes importa é sentar e pensar com bom senso. Nestes casos este post é inútil.
Se você estiver a fim de refletir então vá em frente. Acho que serei breve. Até porque decidi guardar a primeira versão deste post em um canto reservado!
A questão é: Alguém que foi condenado por crime hediondo pode ter a chance de ter sua pena reduzida se apresentar bom comportamento e parecer reabilitado?
Quem comente um crime hediondo pode se reabilitar, pode se arrepender sinceramente?
Há maldades que estão além de todo perdão? De toda possibilidade de redenção?
Não sou cristão. Na verdade nem sou monoteísta. No entanto não consigo perceber o universo como uma criação conjunta de dois deuses: um que cria seres capazes de se redimir e outro que cria monstros incorrigíveis.
Além do mais o que é um crime hediondo?
Eles foram definidos em 1940 e são oito: homicídio de grupos de extermínio, latrocínio (assalto a mão armada seguido de morte), extorsão qualificada pela morte (não sei o que significa extamente), sequestro, estupro, atentado violento ao pudor (obrigar uma pessoa a atos libidinosos não sexuais… Tem em toda boate), causar propositadamente uma epidemia, falsificar remédios e promover genocídio.
São todos horríveis… Mas será que quem pratica algum destes crimes hediondos é necessariamente alguém além da redenção?
Em suma: concordo que a lei 8072 era atrasada ao não permitir aos humanos que se reabilitassem. Posso estar errado, é claro! Não sou autoridade em nada disso e certamente acabarei ouvindo algumas críticas inflamadas pois a onda do momento é odiar profundamente o que é “do mal”. Só que não creio que a humanidade seja má, ela é apenas mal informada (parafraseando o professor Xavier dos X-man, só para relaxar!)
Outras opiniões a favor:
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Um dia de fúria
23rd, February 2006
Achei que já havia escrito um post com este título e fui verificar. Fiquei surpreso, duas vezes surpreso.
Como pude escrever mais de mil posts sem usar este título? E como pude escrever há mais de três anos outro post que parece resposta para este e ainda falando em dia e em fúria?
Meu dia de fúria ainda está longe, mas tenho visto um bocado de gente que tem bons motivos para atirar o boné para o lado, se desfazer dos medos atávicos que ligam subordinados e chefes e gritar contra o que lhes parece injusto… E provavelmente é mesmo.
Exatamente como no post mais acima e em várias peças de Shakespeare a gente vê a todo momento a fofoca, a arrogância e a intriga distorcerem os papéis vestindo de hienas os que, pelo menos a princípio, tentavam apenas cumprir seu papel.
Tá bom, sei que estou sendo vago… Mas ainda estou distante alguns dias da página final desta peça quando pretendo mostrar que estão fazendo muito barulho por nada.
Só receio que o final acabe pendendo mais para Romeu e Julieta.
Pelo menos não sou nem Romeu, nem Julieta. Espero estar mais para Robin Goodfellow.
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