Menu

Leia por RSS

Hospedagem ecológica

Já usa o Firefox?

Download Day - Portuguese

Quer navegar melhor na Internet?

Firefox 3

Propriedade Intelectual

Creative Commons License
Isso quer dizer que você pode usar e adaptar o que acha aqui desde que sempre me dê o crédito de criação e NÃO use comercialmente.

Rendezvous: 2006

31st, December 2005

Vou tentar ser bem mais suscinto agora no ano novo do que fui post de natal! ;-)

Por algum motivo associo rendezvous a festa, a liberdade de expressão e de viver sem o peso da culpa ou o fantasma do pecado original.

Como hoje o negócio é ser sintético e usar o mínimo possível de palavras parece que quase ninguém mais lembra dos significados originais e rendezvous virou coisa de computador.

Não aqui, não hoje! ;-)

Rendezvous é encontro, geralmente com alguém do sexo oposto, mas para mim, como já disse, sempre foi encontro festivo, sempre teve conotação de dias ensolarados ou noites estreladas, mas cercado de amigos.

Tenho a impressão de que os encontros deste tipo são raros atualmente.

Mandamos mensagens automáticas, scraps automáticos e vivemos vidas automáticas.

Para 2006 desejo a todos muitas amizades reais, muitos rendezvous livres das preocupações políticas, econômicas ou das intrigas no trabalho.

Desejo que hoje seus pensamentos e sentimentos encontrem o tom da harmonia para o ano que inicia precisamente a 1h da manhã!

Pena que faço isso em um post genérico, né? Mas pelo menos aqui fica o espaço para amigos reais e virtuais dizerem um olá caloroso em vez dos contatos automáticos e frios tão costumeiros na Rede: o blog ainda é um espaço de vida dentro da Internet!

Filed under: Comportamento, Reflexões | No Comments »

Peixe fora d’água

30th, December 2005

Tem casais que se apaixonam e mergulham em um relacionamento fechado que exclui pouco a pouco os amigos até que só restam eles dois, os filhos e, uma vez por ano, a família (no fim de ano) e amigos (no aniversário).

É o tipo de mania que acaba com qualquer casal e não preciso falar nisso, né? Mas tem uma outra característica deste tipo de comportamento que não comentamos muito e vem bem a calhar para falar do meu fim de ano: Casais fechados vivem uma realidade própria e totalmente alienada daquela que o resto da sociedade vive.

Isso dá até tese de doutorado.

Pois neste fim de ano estou assim…

Meu casamento definitivamente não é assim, mas meio que me casei com um universo pessoal que exclui os rituais populares.

Não vejo a Globo faz anos (com excessão de Hoje é Dia de Maria - 1), não vou assistir os fogos na praia, não junto a família ao redor para as festas, não solto fogos (não suporto fogos). Também me recuso a fazer coro com o pessimismo conformista que decreta “No Brasil tudo acaba em pizza”. Quando vejo TV ou é DVD, ou animes do Animax que nunca consigo acompanhar pois sempre tem um livro para ler ou um texto para escrever.

Estou vivendo fora da realidade.

Isto não é bem uma revelação, foi uma opção consciente pois já faz alguns anos que não gosto muito da realidade que vejo.

Hummm… Melhor deixar isso mais claro.

A realidade me parece muito bem. Lembro que uns 15 anos atrás um amigo (Misael Hora, um talentosíssimo músico) dizia que somos exatamente o que e como deveríamos ser. É o que acho dos nossos tempos. Não estamos a caminho da destruição, não vivemos à beira do apocalipse, este é simplesmente o nosso tempo.

Ontem os problemas eram a ditadura, a guerra mundial, os invasores bárbaros, os Mongois às fronteiras da China, a peste negra, o tirano senhor feudal, a ameaça da era glacial que nos empurrou para o sul.

Hoje temos o esmagamento da humanidade sob este estranho organismo que parece um monstro com vontade própria chamado “Corporações Globais”.

O que me incomoda não são estas dificuldades, é a reação das pessoas diante delas.

Não gosto do discurso radical de esquerda que acredita em utópicas uniões globais dos explorados para erguer uma revolução.

Não gosto do discurso de direita que descamba para o horror do fascismo.

Não gosto dos que se alienam e vivem no berço explêndido da sociedade hedonista.

Os amigos de esquerda e de direita dizem que penso diametralmente o oposto deles (isso é possível?) e os alienados com certeza me consideram um chato enquanto eu os olho com pena pois… Deixa para lá, eles tem todo direito de viver alienados e não precisam que ninguém lance luz sobre a forma de vida deles.

No final fico eu aqui o hermitão que não consegue encontrar o espírito de natal ou entrar no clima festivo de reveillon.

Você viu Dogville?

É flagrante que sofro da mesma arrogância que vemos no filme (não digo mais para não atrapalhar).

Creio que posso dizer isso sem medo de me expor demais em primeiro lugar porque se duas pessoas chegarem até aqui será demais! Hehehe!

Em segundo lugar que já está na hora de deixar este comportamento para trás e viver mais leve. Posso até deixar aqui e no site as reflexões que me parecerem úteis para sejam achadas por quem considerá-las relevantes, mas na mesa de bar podemos despejar apenas aquelas alegrias de viver que a Bossa Nova cantava tão bem!

Em tempo 1 - Estou tentando escrever a lista dos meus 10 mais, mas está dando trabalho pois são umas 20 categorias diferentes entre teatro, dança, literatura, cinema e música.

Em tempo 2 - Pelo menos a lista de resoluções para 2006 eu vou soltar amanhã!

Filed under: Comportamento, Reflexões | 1 Comment »

Lembretes para o dia-a-dia (26): Pés…

29th, December 2005

Cuide dos seus pés. Eles são nossa ligação com a terra. Não os deixe cansados, tortos, calejados ou doloridos.

Tenha os mesmos cuidados com os seus pensamentos. Eles são nossa ligação com a nossa realidade.

Aquilo em que pensamos é aquilo em que nos tornamos, é o que faz o mundo em que vivemos, mesmo que a pessoa ao lado pense tudo ao contrário.

Filed under: Comportamento, Lembretes, Reflexões | No Comments »

10 mais sem arte

29th, December 2005

Ontem aproveitei um post do Eric Novello para defender o filme As Crônicas de Nárnia. O post dele é tão bom que farei três post meus inspirados em um só dele.

Nárnia foi apenas um comentário dentro de uma discussão mais ampla falando sobre listas de 10 mais e sobre como aplicamos nosso tempo.

Não vou falar de listas agora, mas fiquei muito interessado no que ele falou sobre a forma como dividimos nossas atenções.

Basta dar uma nevegada pelas listas de 10 mais dos blogueiros para constatar que o Eric está certo. A maioria das pessoas sequer viu 10 boas coisas de cada tipo, seja cinema, tv, literatura, teatro, artes ou dança. E a maioria das listas serve mais como um termômetro da eficácia das agências de propaganda.

Exemplo perfeito é a Maria Rita, também citada pelo Eric. Ela já cantava fazia um tempo, mas logo no primeiro disco virou diva imortal e fenômeno clássico na música popular brasileira. Apenas um ano depois e agora ela passou a receber duras críticas dos mesmos que a endeusaram ontem.

A sociedade do consumo em que vivemos transmuta a arte em produto e todas as discuções sobre estética e beleza são abandonadas para decretar simplesmente que “arte é entretenimento”. Não é!

Entretenimento pode até ser arte, mas Senhor dos Anéis, Nárnia, Matrix, Harry Potter, Código Da Vinci, nada disso é arte. No máximo se aproximam dela como no caso das versões literárias dos dois primeiros.

No final das contas vamos aceitando nos tornar uma civilização de prazeres puerís e sem profundidade. Ao nos afastarmos da arte que perturba, desequilibra, deslumbra e transforma passamos a viver superficialmente sem jamais experimentar o que realmente somos. Passamos ao largo do que há de mais incrível na vida.

Arte de verdade? Tem Antônio Torres, Charlie Kaufman, Lars Von Trier, Björk (já que falei no Lars), Gus Van Sant e Dave Mackean só para citar alguns artistas modernos. A modéstia e o esforço para não parecer um paparicador me obrigam a excluir eu mesmo e o Eric. :-)

A propósito, Eric, se você estiver ouvindo, sei que você jamais seria agressivo conosco viu? Em momento algum me senti hostilizado e até concordo que o filme de Nárnia seja “desgostável”, mas numa era em que a Bruninha surfistinha é campeã de vendas podemos dizer que dos males o menor…

No próximo post tento escrever meus 10 mais, só que vou logo dizendo que nunca consegui fazer isso.

Filed under: Comportamento, Cultura, Reflexões | No Comments »

Crônicas de Nárnia

29th, December 2005

Tem obras que mexem com as pessoas né? Uns amam, outros ignoram colericamente e ainda há quem sinta ódio profundo por elas.

Acho que esta é uma características das grandes obras. Algumas delas eu adoro e outras eu odeio como era de se esperar, mas sei me curvar ao fato delas serem algum tipo de expressão profunda dos nossos deuses e demônios inconsciente e por isso sobrevivem.

Dentre estas obras temos Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia, em breve Fronteiras do Universo (de Philip Pulman), Dogville (cinema), Guerra nas Estrelas, Quero Ser Jonh Malkovich e uma lista interminável de filmes, livros, peças e balés.

Estes dias mesmo o Eric Novello (uma das mentes mais agudas e atentas que conheço) chiou porque eu e a Coelha gostamos da versão cinematográfica das Crônicas de Nárnia.

Em primeiro lugar tenho que deixar claro que nem Nárnia nem Senhor dos Anéis são obras de arte, pelo menos suas versões cinematográficas.

No caso de Nárnia o que nos agradou é que a história é do tipo que a gente precisava ter visto no natal que andava mirrado de espírito este ano.

É interessante notar que o que incomodou o Eric são justo as coisas que estão no livro já imortalizado de C.S. Lewis e portanto não podem ser consideradas “falhas” do filme. O mesmo aconteceu com os laços de amizade dos personagens de Senhor dos Anéis que, em uma sociedade de emoções contidas e relacionamentos perversos, é interpretado como homossexualismo (a propósito e se Frodo e Sam fossem gays? Qual seria o problema? Prefiro ser gay como eles a ser medíocre como o Carrapicho - só quem leu o livro sabe de quem estou falando).

E pensar que todo este papo foi inpirado pela lista de 10 mais que o Eric não escreveu! Também não escreveria, nunca consigo escolher apenas um eleito para ser o melhor, tem tanta coisa boa para ler, assistir e apreciar…

Quanto a Nárnia é um bom filme, nada fantástico, meio cristão demais (C.S. Lewis era protestante de carteirinha) com direito a messias e tudo, mas é uma história de várias nuances, há traição e arrependimento, tem a fraternidade forjada no fogo das vicissitudes. São princípios que eu gostaria de seguir e que devem ser pelo menos apreciados de vez em quanto.

Para mim obras como Nárnia são sementes que se enterram no chão no final da primavera e sobrevivem enterradas ao verão, ao outono e vários invernos esperando uma nova primavera quando poderão brotar novamente pelas mãos de jardineiros de esperança.

Filed under: Cinema & Vídeo, Cultura | 1 Comment »