Puxa, muito legal fazer protesto contra a política representada pelo Bush: Fora Bush! Contra o Bush!
Tá, mais e ai?
A gente vai lá, joga bomba caseira, grita soltando perdigotos, fica com a garganta arranhada, lacrimeja com o gás da polícia e tudo o mais.
Err… Para quê?
Vou contar. Sou contra um bocado de coisas, do cristianismo moderno até a cultura oca passando pela busca da VERDADE (aquela absoluta que sempre serve para uns se dizerem melhore do que outro). O problema é que ser contra sem ser a favor de nada é rebeldia vã, não acha?
Fico assistindo um bocado de gente vivendo conformada com tudo, ainda que berrem esperneiem e digam palavrões contra o governo. Vejo gente que não está nem ai e vejo gente que diz que está se mobilizando, mas tudo que faz é repassar emails, bater panelas na janela e sair de preto de vez em quando.
Posso estar errado, todo mundo pode… Mas não consigo ver outro jeito de mudar as coisas que não seja efetivamente fazendo algo para mudá-las, para seguir um rumo diferente.
O mínimo que podemos fazer é pensar em soluções para a corrupção, a injustiça social e as demais mazelas que nos atingem e, depois de pensar um bocado, escrever o que concluiu e publicar em um blog ou coisa parecida.
As minhas idéias estão todas espalhadas aqui e ali e sempre tem a ver com cultura, ou quase sempre.
Se você já escreve então que tal se juntar a uma ong e laborar um pouco? É neste ponto que estou agora, não é fácil, mas ficar berrando não vai adiantar muito.
Cara, gosto de muitas coisas que você escreve! Neste post, quantas coisas legais! Mas explica uma coisa pra gente: Você só é contra o cristianismo moderno? E quanto ao antigo (do primeiro milênio, p. ex.)? Que informações você tem sobre os dois, que nos permitam comparar as diferenças?
Eu também sou contra muita coisa que se apresenta como cristianismo hoje em dia (e em todos os tempos, aliás), muita coisa que é feita em nome de Deus, mas creio que consigo separar o joio do trigo, não jogar fora o bebê com a água do banho – pelo menos, tento!
Oi Oswaldo,
Não sou uma autoridade para dar uma opinião respeitável, sabe? Muito menos sobre o cristianismo primitivo.
Creio que já andei falando sobre o que me incomoda no cristianismo em outros posts ou lá no site, mas talvez possa resumir dizendo que prefiro me relacionar com os deuses observando a natureza do que lendo um livro escrito por homens…
Assim me aproximo muito mais do paganismo, do Xamanismo ou da Wicca.
Ah, essa é uma informação essencial! Creio que a coisa mais importante no processo de conhecimento/descoberta das pessoas é sabermos como elas lidam com o sagrado, teórica e praticamente, pois essa dimensão fornece a moldura para toda a visão de mundo do indivíduo, sua compreensão e apreensão das influências do exterior.
Uma coisa interessante sobre as “religiões da natureza” é que elas são as mais próximas do surgimento da humanidade na Terra, e com o desenvolvimento cultural do homem, o surgimento da escrita, da literatura, dos meios físicos de suporte da memória, os conhecimentos religiosos foram sendo registrados, num processo lento e irreversível. A Bíblia, p. ex., é uma coleção de livros que foram sendo compostos ao longo de uns 1500 anos (biblia, em grego, é plural de biblion – livro). Lembro de uma definição que vi num livro nos tempos da faculdade, que nunca mais esqueci: “A Bíblia é a sedimentação literária de uma experiência de fé”.
Esses assuntos são fascinantes!