Mídia Sem Máscara

Tirado de um email que enviei a uma amiga:

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=3706

É por artigos assim que fico bem pé atrás com o Mídia Sem Máscara, sabe?

“Fundamentado nestas afirmações, eu e qualquer leitor de O Globo pode traçar o perfil do cruel assassino que tem desgraçado este país: ele é um profissional liberal ou comerciante, com no mínimo o curso secundário completo, de classe média, sem histórico de envolvimento em crimes, um destemperado que mata por motivos fúteis no trânsito, em estádios, brigas de casal, brigas com vizinhos, violência passional. Além disso, é um descuidado que deixa sua arma ao alcance dos filhos, causando incontáveis tragédias.”

Que tipo de conclusão é esta?

Mais adiante ele fala em como o peso das mortes com armas é pequeno diante das mortes no trânsito e por obra do crime, mas, em vez de recorrer aos relatórios mantidos pelas delegacias de polícia e outros orgãos ele fez os seus próprios cálculos baseado em notícias nos jornais o que não seria um método nada preciso.

Concordo que temos que combater o crime, que a morte no trânsito é um problema muito maior e tudo o mais, mas não posso concordar que não valha a pena salvar alguns poucos milhares de vidas que se perdem diretamente pelo uso irresponsável de armas.

O discurso do Mídia Sem Máscara é repleto de paixão e parcialidade e isso me faz desconfiar que eles são controlados ou influenciados por grupos com interesse econômico na desmoralização da nossa unidade nacional e da viabilidade da nossa democracia. No entanto talvez eles apenas estejam perplexos e assustados neste momento global de transição cultural, geopolítica e econômica como quase todo mundo.

Ainda assim posso ser convencido da legitimidade da causa do Mídia Sem Máscara: basta mostrar claramente qual é o interesse por trás do desarmamento e do suposto alinhamento do nosso governo com forcas anti-estadunidenses.

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79 Responses to Mídia Sem Máscara

  1. João da Rocha Labrego says:

    Em tempo:

    Li num livro o seguinte:

    Numa certa cidade dos EUA houve um terremoto que fez com que todas as casas desmoronassem. Enquanto o povo olhava para suas perdas com ar compungido um sujeito passou a olhar aquilo como uma oportunidade de comprar terrenos baratos e enriquecer. Este mesmo sujeito comprou os terrenos desvalorizados pelos seus donos e nem preciso dizer que enriqueceu da noite para o dia.

    Se algo nos afeta negativamente é porque não estamos olhando direito para a coisa pois o que é negativo para muitos pode ser positivo para mim. Não preciso ser um promíscuo emocional: posso usar minha inteligência para enxergar as coisas de maneira mais positiva e por que nâo como uma oportunidade de negócio já que somos capitalistas?

    Percebe como o mal ou o bem não passam de pontos de vista?

  2. Roney says:

    Para o pensamento taoista não existe bem e mal. Concordo plenamente com vc. São as circunstâncias e nossa capacidade (ou falta dela) que tornam as coisas positivas ou negativas, boas ou ruins.

    Sua história me lembrou uma outra de marketing. Dois vendedores de sapatos são enviados a um país para fazer pesquisa de mercado e chegando lá descobrem que ninguém usa sapatos, mas cada um manda um memorando para a matriz. O primeiro diz que lá ninguém usa sapato então não existe mercado. O segundo diz que lá ninguém usa sapato então há um enorme mercado e sem concorrentes. ;-)

    Uma das coisas que vc disse me parece mais importante que as demais: a falta de preparo dos pais.

    Creio que nossa espécie ainda vai vivendo meio ao acaso, como folhas secas ao vento. Falta-nos o impulso de sentar e pensar “vou ser pai, qual é a melhor forma de fazer isso?”.

    A propósito, o meu modelo aos 12 anos eram os personagens de Tolkien. Um bocado do Gandalf, do Frodo, do Bilbo e do Aragorn.

  3. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Às vezes eu me pergunto se realmente o papel de pai tem tanta importância assim em nossa formação psíquica.

    Na verdade o que mais me prejudicou em minha formação foi a reclusão social a que me vi forçado na infância e o fato de eu ter por companheiros de folguedos as minhas irmãs, sendo desprezado pelos irmãos mais velhos o quais eu os admirava e desejava ser como eles.

    Ainda há muitos vazios em minha personalidade devido à esses impedimentos e proibições da infância e, ainda por cima, limitações gravíssimas na adolescência, pois me impediram de formar uma personalidade mais otimista.

    Acredito hoje que, independentemente dos pais que tive, o que mais me prejudicou foi a exclusão social e familiar a que me vi exposto durante os meus primeiros 20 anos de vida. Isso causou lacunas impreenchíveis em minha psique que não tinha uma solução de continuidade.

    Eu fui movido na vida por fantasias pois a minha realidade foi praticamente ausente. A forma de eu encarar minhas dificuldades foi sempre covarde ou temerária. Não conseguia aprender com minhas próprias experiências e sempre repetia os mesmos erros pois fui criando defesas excessivas contra a dor e a rejeição.

    O ser-humano, apesar de ser programado biologicamente para ser feliz, torna-se infeliz e fantasioso quando é impedido de satisfazer suas necessidades de crescimento durante muitos anos. Algumas deficiências eu já consegui superar mas minha vida carece totalmente de sentido.

    Não fui criado por pais e sim, por carrascos. Gente tão miserável que a minha inteligência é incapaz de descrever o que sinto em relação não exatamente às pessoas deles mas em relação aos valores culturais que norteiram suas ações na vida.

    Eu não consigo encontrar um paralelo na realidade aos valores culturais e sociais deles a não ser na descrição de um governo de exrema-esquerda comunista ou será de extrema-direita comunista?

    Fico confuso quando tento dar um nome à tudo aquilo que representou a minha convivência familiar pois considero estas pessoas capazes de uma extrema crueldade, egoísmo e indiferença para com a dor alheia.

    Talvez, o que representou esta minha experiência seja algo parecido com viver sob um regime comunista de Stalin na extinta URSS, ou quem sabe, viver sob uma ditadura nazista ou coisa que o valha.

    Eu conheço o preconceito de muito perto da parte de meus próprios pais e, por isso, nunca me senti discriminado por nenhum brasileiro. Sempre tive recursos para sobreviver àquilo que chamam de preconceitos sociais mas, infelizmente, o preconceito para comigo na família era atroz.

    Eu acredito hoje que essa falta de boa-vontade para comigo por parte de meus pais e meus irmãos se deveu principalmente ao fato de eu ter sido criado num universo feminino composto pelas minhas irmãs e, por esse motivo, adquiri alguns comportamentos não muito masculinos. Isso, provavelmente, evocava neles as suas inseguranças inconscientes de auto-afirmação masculina e, por isso, não conseguindo perceber que a culpa lhes cabia muito mais a eles do que a mim, eles acabaram por projetar em mim as suas inseguranças sexuais.

    Pior de tudo, é que agora eu percebo que a minha irmã que sempre brincou comigo por ter 1 ano apenas a mais do que eu era realmente louca da cabeça passando toda sua juventude dos 12 anos aos 21 anos internada em hospício.

    Imagine agora um cara inteligente como eu sendo submetido à uma companhia tão deletéria como esta durante boa parte de minha formação psicológica. Nem preciso dizer que minha vida sempre foi um caos emocional cheia de fantasias irrealizáveis para a minha condição de vida.

    É duro tomar contato com tanta merda assim depois dos 40 anos mas, por incrível que pareça, nunca tive inclinação homossexual, mesmo me frustrando sexualmente com as garotas. Talvez a forma como eu agia poderia aparentar um homossexual recalcado mas as minhas idéias e palavras contradiziam essa aparência de homossexualidade.

    Antes eu me consolava com o fato de eu ter me dado bem na vida pois inchei o ego nessa direção. Infelizmente, hoje nem mesmo esse conforto eu tenho mais pois demoli minhas muletas imaginárias e preferi encarar a realidade fria e sem emoções já que meu ego fantasioso dourava a minha realidade de vida.

    Entende como os filhos de famílias altamente desestruturadas tornam-se loucos? Hoje, analisando a minha experiência de vida, reconheço que fui bastante forte para encarar tudo isso e, pior ainda, sobreviver a tudo isso, dando-me ainda um certo sucesso profissional e financeiro.

    Sei que o tom de meu discurso no momento está destoando bastante de meu otimismo dos demais discursos. Nem sequer estou desabafando. Apenas, expondo com a maior clareza possível o que leva uma pessoa à loucura e como esses pobres-coitados são tratados como culpados pelo seu mal sem ao menos as pessoas reconhecerem que foiram seus pais os verdadeiros culpados de tal calamidade.

    Reconheço hoje, que minha mãe teve uma infância muito pior do que a minha mas não a justifico por esse motivo. Infelizmente não tenho argumentos nenhum para justificá-la mas tenho muitos argumentos para justificar-me. A cada um compete a auto-justificação de sua própria vida e de seus atos. Minha mãe já morreu mas se existir vida depois da morte ela que se vire por lá. Eu da minha parte estou tendo muito trabalho para consertar em mim as cagadas que ela fez e que só agora tomei consciência.

    Quanto ao meu pai, apesar de ele estar vivo ainda, sinto por ele um profundo nojo. Ele é tão auto-anulado e tão pobre interiormente que eu nem mesmo quero mais visitá-lo. Quero me poupar de me expor a sensações desagradáveis de nojo. Se ao menos eu sentisse ódio já seria alguma coisa mas sentir nojo, acho que é o pior sentimento. Pelo menos o ódio faz um procurar o outro para brigar e discutir. O nojo afasta definitivamente e para sempre as pessoas.

    Se você tiver interesse procure no Google a palavra labrego e encontrará o significado do que vem a ser a cultura labrega em Portugal. É muito triste e pior ainda é conhecer um representante do labreguismo pessoalmente e ainda por cima ser filho de um.

    Alguns tios meus que vivem na França, Inglaterra e EUA eliminaram o Labrego do sobrenome dos filhos e deixaram apenas o Rocha. Este Labrego em meu sobrenome foi uma sacanagem de meu bisavô que se chamava João da Rocha e posteriormente, agregou o Labrego no nome, graças a um recenseamento do governo português que desejava dar certidão de nascimento a todos os galegos ou labregos (naturais da Galícia). Com isso ele incorporou o Labrego como sobrenome.

    Nem mesmo foi por causa desse sobrenome que minha família se desestruturou. Foi devido ao meu trisavô ter casado com uma órfã que desconhecia totalmente qualquer tipo de educação social. Este meu bisavô seguiu o exemplo do pai e casou-se com uma órfã também. Por esse motivo, segundo a bíblia, os filhos pagam os erros dos pais até a quarta geração. Felizmente, eu estou desmontando essa maldição familiar e da minha parte, não pretendo dar continuidade à mesma.

    Como vê, independentemente da religião, os judeus eram excelentes observadores da instituição familiar e com isso, foram aperfeiçoando sua cultura no sentido de melhorar cada vez mais os papéis de pai e mãe na sociedade.

    Tenho, inclusive um primo de terceiro grau nos EUA que compilou nossa árvore genealógica. Através dessa compilação consegui compreender muito das desventuras de minha família. No caso da família de minha mãe nem precisei ir muito longe já que meus avós maternos não foram exemplos virtuosos de pais.

    Espero que esse apanhado histórico-cultural-familiar lhe ajude de alguma forma porque muitos dos valores culturais de sua família, provavelmente se constitua de verdades passadas de pais para filhos sem nenhum sentido na presente realidade, já que estas verdades nunca foram contestadas pelos seus pais, sob risco de serem punidos fisicamente por seus avós.

    Se achar interessante, procure perguntar para seus pais o porquê deles pensarem de tal modo e por que as coisas não poderiam ser encaradas de outro modo. Procure alternativas para as verdades deles se por acaso eles são democráticos para discutir seus dogmas.

    Abraços.

  4. Oi João Rocha!

    A partir de hoje não o chamarei mais de Labrego pois vejo que vc é Rocha de boa têmpera!

    Parte das conseqüências da sua infância são bem parecidas com o que vemos em toda parte: viver na fantasia, solidão e vida social retraída.

    Tem os que levam para o outro lado, um hiper-realismo ou uma vida social tão promíscua que se torna mais solitária do que podemos imaginar.

    Também sou da turma da fantasia e da retração social, mas mudei boa parte disso, apesar de ser um processo sempre em andamento, né?

    No começo pensei em dizer que você não estava sozinho, mas me parece que vc enfrentou uma barra mais pesada do que a média. Se bem que, no final das contas, todos nós estamos mais ou menos no mesmo barco.

    Você ao menos (E gosto de pensar que eu também) conseguiu canalizar isso tudo para uma viagem de auto-conhecimento e auto-aperfeiçoamento. Muitos, como os radicais que citei neste artigo, se enchem de arrogância e proconceitos. Em vez de se aprimorarem por dentro querem tornar o mundo tão doente quanto eles pois sua doença lhes parece a sanidade que a moral impõe.

  5. J.Miguel says:

    O Post que virou Sub-Blog !!

    E ai Roney, voltei pra ver como tinha ficado este post depois do meu comentário em Junho e me deparo com isto: o primeiro Sub-Blog a partir de comentários que vejo, hehe!

    Quanta coisa rolou hein !? Primeio você arranjou um amigo, depois amigos se reencontraram, só faltou o GRITÃO voltar pra dar mais uns gritos!

    Vou me agora tranquilo de não precisar voltar para este post, ele foi resolvido com amizade, que pode até não ser corerente com o título do post mas é coerente com a imediatez do mundo virtual onde tudo se ‘linka’ e de um ponto passamos pra outro completamente diferente seguindo a oportunidade e a emoção que os comentários, mais do que o título, nos impulsionam e nos despertam, nos motivam. Felicidades para todos!

  6. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Li há muito tempo na bíblia uma frase de Jesus onde diz que todo pecador deve confessar seus pecados para se redimir.

    Entendo por pecador aquele que sofre de emoções negativas causadas pela forma como encara a vida e como confissão de seus pecados a verbalização de suas emoções negativas até a exaustão a fim de se conscientizar dos verdadeiros motivos das mesmas, sejam eles culturais, imaginários ou reais.

    A essa tentativa de verbalização chamamos de catarse ou desabafo a fim de que o cérebro do sujeito aos poucos vá conseguindo racionalizar e associar as emoções às idéias e crenças que ele foi aceitando como verdadeiras em sua vida.

    Vou te dar um exemplo:

    Imagine que eu detestava meus pais por eles serem autoritários. Com o passar do tempo, vou me tornando igual a eles, afinal, a convivência longa com nossos pais acaba por desenvolver em nós atitudes e idéias similares ou opostas àquelas de nossos pais, a fim de que não nos sintamos tão mal assim com os seus ataques verbais e/ou físicos.

    Vamo-nos tornando anti-sociais pois nossos pais de tanto criticarem nossos colegas e amigos, a qualquer falha desses amigos, ficamos de mal dos mesmos, pois tentaremos de todo jeito contradizer aquilo que nossos pais falaram de mal. Na primeira atitude de nossos amigos que coincida com aquilo que nossos pais falaram de negativo sobre as pessoas, acabaremos por perder a confiança natural que temos nas pessoas.

    Com isso tornamo-nos misantropos (odiamos a humanidade) e passaremos a querer transformar o mundo em algo idealizado pela nossa mente. Pior, se esse mundo fosse criado pela gente ainda dava para fazer algo mas foram criados pelos nossos pais e estamos tentando transformar o mundo em algo parecido com nossa família, onde a individualidade de seus membros nunca foi respeitada. Se um sofria você também tinha que sofrer pois senão seria taxado de egoísta. Essa promiscuidade familiar é que muitas vezes queremos transportar de nosso mundo familiar para o mundo lá fora.

    E longe de pensar que todas essas nobres intenções são filantrópicas! Elas são sim, misantrópicas. O verdadeiro filantropo aceita as pessoas e o mundo como eles se apresentam para ele. Já o misantropo odeia as pessoas e o mundo na forma em que os mesmos se apresentam para ele.

    O filantropo não odeia os muçulmanos e nem os americanos pois entende que o que faz o muçulmano ser tão agressivo e revoltado é o fato de ele pertencer à uma cultura que castra nas pessoas os mais nobres sentimentos da alma tornado-as insensíveis diante do sofrimento alheio.

    Já os americanos representam aquilo de mais elevado que podemos conceber para nosso país. O anti-americanismo existe justamente por acharmos que enquanto os americanos existirem nosso complexo de inferioridade será mais doloroso, afinal, a tão propalada igualdade social prega justamente a extinção da inveja quando todos forem pobres e sem oportunidades de melhorar por si mesmos.

    É muito difícil sentirmo-nos superiores ou os melhores do mundo quando temos os EUA a nos lembrar constantemente do nosso sub-desenvolvimento e da nossa cultura inferior. Por isso que eu disse que para sermos felizes precisamos parar de nos comparar com os outros. Quem se compara sempre perde pois sempre alguém terá alguma qualidade superior à algo em nós, mesmo que essa qualidade ainda não tenha se manifestado na vida do outro.

    No caso do Lula, até aqui ele tem feito muita besteira no governo. Talvez, alguma qualidade nele se manifeste daqui para a frente que pode mudar a trajetória do país. Nada é impossível, afinal, a mesmice nos mata de tédio e o Lula já deve estar de saco cheio daquelas idéias de jerico que seu partido tanto valoriza como verdades supremas.

    Quanto aos preconceitos, não sei se já falei sobre o assunto, mas os mesmos são defesas psicológicas que as pessoas criam para se defenderem da tentação de fazer aquilo que consideram mau.

    Por exemplo:- se eu vejo pessoas que não trabalham e vivem sem dinheiro jogando bola e sendo felizes logo eu me ressinto por estar indo trabalhar e não poder me divertir como eles. Logo, invento um preconceito contra estas pessoas chamando-as de vagabundas e desvio minha atenção daquele divertimento.

    Pior, depois da primeira vez, toda vez que eu vir alguém se divertindo terei que apelar para algum preconceito, mesmo que irracional, pois por trás do preconceito existe uma grande vontade de ser igual ao próximo. Por isso que devemos ou achamos que devemos odiar aquilo que consideramos mau. Para nos defendermos da vontade de fazer o mesmo e pormos nossos planos de vida por água abaixo, já que não confiamos totalmente em nossa capacidade de adaptação a atividades diversas.

    Muitas vezes, por acharmos que o trabalho é dureza, criamos defesas contra a vontade de nos divertirmos criticando as pessoas que se divertem.

    O maior problema que nosso ego enfrenta é ver que aquele timinho de vagabundos que só jogavam bola e não trabalhavam agora se tornaram jogadores profissionais e estão ganhando milhões, ao passo que nós estamos ganhando, com todo nosso esforço, uns míseros R$ 3000,00 ou R$ 5000,00. Entende por que devemos valorizar nossas escolhas na vida e não sucumbirmos ao canto de sereia que nos seduz a fazermos coisas que não temos condições físicas e muito menos psicológicas?

    O auto-conhecimento é necessário até mesmo para compreendermos nossas limitações físicas e mentais para não nos sentirmos inferiores quando virmos que um “vagabundo” se deu bem na vida e muito melhor que a gente mesmo, jogando bola. Oras, eu sei por experiência que se vivesse de jogar bola eu passaria fome dado que nunca fui muito apto aos exercícios físicos. Felimente, me dei bem em alguma coisa para garantir a minha sobrevivência. Entende como a gente confunde os motivos da necessidade de se trabalhar? Não trabalhamos para consegur valorização social e sim para garantir nossas necessidades básicas de sobrevivência e algum luxo se for possível.

    Por isso que muitos se frustram no emprego pois esperam do patrão as atitudes de um pai, ou mãe, ou simplesmente alguém que deve dar emprego por caridade e não por aptidão profissional da pessoa. Se esperarmos sempre pelo nosso salário e, quem sabe, nossa melhora financeira na vida bem como a elevação de nossa auto-estima frente aos desafios que nos são impostos no ambiente profissional, com certeza jamais nos cansaremos de trabalhar e nem teremos necessidade de preconceitos para nos auto-afirmarmos pois cada um se diverte como pode na vida. Eu me divirto trabalhando pois foi a forma que mais deu certo para mim.

    Outros preconceitos contra gays, por exemplo, vêm da adolescência, quando nossa masculinidade era desafiada pelos demais colegas ou até mesmo familiares. Apesar de não termos nenhuma intenção homossexual em nossas ações as mesmas ao serem interpretadas como tal fazem-nos criar defesas psicológicas para policiar nosso comportamento social, a fim de não mais sermos expostos ao ridículo. Esse emaranhado de atitudes que vamos nos auto-proibindo devido à brincadeiras dos outros que muitas vezes não tem nada a ver com estas mesmas atitudes, acabam por tornar-se tabu para nós.

    Como não sabemos distinguir o que é atitude masculina do que é atitude homossexual vamos reprimindo todas as atitudes acompanhadas de escárnio pelos demais colegas. Com isso, muitas vezes, reprimimos juntos as coisas boas que nos faziam felizes, tais como a naturalidade de nosso comportamento e a confiança que sempre tivemos em nós mesmos.

    Percebe como é importante os projetos de lei que visam acabar com os preconceitos? Eles nem mesmo são feitos para os adultos e sim para os jovens, pois o jovem, sem ser gay, às vezes tem atitudes que podem ser confundidas com homossexualismo e criar traumas em sua formação psicológica.

    Quanto aos preconceitos em relação ao comportamento ainda vai pois podemos mudar os mesmos. Pior são os preconceitos contra a cor da pessoa. Isso a pessoa jamais poderá mudar a não ser que gaste o maior dinheiro que nem o Michael Jackson para ficar branco ou quase branco.

    Sem mais para o momento, abraços.

  7. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Respondendo à algumas perguntas que você fez durante essa nossa troca de idéias no blog, tais como criar um blog para discutir essas idéias, posso dizer que não vejo isso mais como necessário.

    Se você acompanhar todo o desenrolar de meus escritos e confissões que fiz neste blog eles estão conduzindo à uma única conclusão: a vida é simples e muitas vezes nem sequer precisa ser discutida. Basta-nos atermo-nos à nossas necessidades pessoais e satisfazê-las de forma apropriada que seremos felizes.

    Oras, se a vida é simples por que ela nos parece tão complicada? Pelo fato de pessoas bem ou mal intencionadas haverem formulado perguntas irrespondíveis e haver fomentado situações em nossas vidas para corroborarem a necessidade de resposta de suas perguntas irrespondíveis.

    Estas pessoas acreditavam piamente que sabiam o que era bom para todo mundo mas se sabiam tanto por que não se davam uma vida melhor? Porque estavam mentindo, pura e simplesmente. As pessoas mais certas do mundo não ocupam o seu precioso cérebro para encontrar respostas aos problemas alheios e sim aos seus próprios problemas. O restante do tempo que lhes sobram ocupam-no em trabalhar, produzir e se divertir, ou seja, agem de maneira objetiva na vida e não de forma subjetiva.

    Já pensou se um computador tivesse que explicar a si mesmo o significado de sua existência? Ele não teria tempo para mais nada e sua capacidade de processamento de dados ficaria totalmente comprometida com algo sem solução racional.

    Eu comecei a me resolver na vida quando comecei a perguntar-me o porquê de tal atitude ou tal pensamento fazer parte de mim, ou seja, comecei a questionar-me e com isso muita coisa foi vindo à tona.

    O mais importante de todo esse processo dialético que tive que elaborar para dar voz aos meus sentimentos e emoções não é necessariamente as minhas conclusões e sim o próprio processo em si.

    Creio piamente que aqueles que estão a fim de se dar uma vida melhor e não aquela que determinaram para ele viver devem necessariamente passar por um processo parecido com este pelo qual eu passei, ou seja, perder a vergonha na cara e expor seus conteúdos mentais para si mesmo ou para terceiros, de tal forma que os mesmos deixem de ter força sobre o seu comportamento social, familiar e profissional.

    Certa vez, após um ano desempregado, uma espanhola me convidou para ir à igreja Universal com ela. Eu lhe respondi que eu não precisava de igreja para ser feliz. Então ela rebateu perguntando como eu poderia ser feliz estando desempregado. Eu lhe respondi então que eu era feliz porque era feliz e não por causa de algo em que eu pudesse me apoiar. Aí ela finalmente contra-atacou perguntando-me como eu poderia ser feliz vivendo às custas de minha esposa. Eu, já de saco cheio, respondi-lhe que para ser feliz basta perder a vergonha na cara. Com vergonha na cara é-se impossível ser feliz.

    Entende o que quero dizer? Não é ao mundo que queremos mudar e sim a nós mesmos mas como não conseguimos enxergar o próprio rabo achamos que o mundo é que está errado. Por isso que tem aquele ditado que diz que enxergamos o rabo dos outros e não enxergamos o nosso próprio rabo. Essa versão do ditado equivale biblicamente àquele que diz que enxergamos um cisco no olho do próximo e não enxergamos uma trave no nosso próprio olho.

    Não se assuste com o mundo do jeito que está e do jeito que pretendem transformá-lo. Tudo isso acontece porque valorizamos demais os sentimentos de medo de nosso próximo, dando-lhe vantagens tais como fazer as coisas pelos outros quando estes mesmos podiam fazê-lo.

    Por exemplo: no serviço alguém diz que tem medo de subir na escada para apanhar algum objeto. Todo medroso sempre encontra algum metido a corajoso que adora se mostrar como corajoso. O medroso pede-lhe que pegue para ele o objeto e o corajoso pergunta-lhe por que não pega ele mesmo. O medroso confessa o seu medo de subir escada e o corajoso sente-se valorizado por não ter medo de subir escada e se faz de otário. Alguém pergunta ao corajoso por que se fez de otário e ele responde que o coitado tinha medo e não se brinca com o medo das pessoas. Com isso ele foi feito de otário e o medroso usou seus medos para dar uma de esperto.

    Percebe a psicodinâmica que envolve os processos de interação entre as pessoas? Percebe como toda essa história que lhe contei sobre o medo ocorre num nível inconsciente que odiamos ver desmascarado em nós? Percebe como a verdade dói mas liberta? Há outro ditado na bíblia que diz:- Procure a verdade e a verdade vos libertará! O que significa procurar a verdade? Significa questionarmos nosso comportamento pessoal e indagar sobre suas possíveis causas. Isso nos tornará cada vez mais conscientes do processo da vida e mais sábios para orientarmos melhor nossa existência no mundo.

    Eu lhe pergunto:- Quem fez mais pela humanidade: o ambicioso ou o humilde, o mercenário ou vagabundo, o aventureiro ou o sossegado, o que ama a vida ou o que odeia a vida? Procure as respostas na própria história da humanidade e em seus atos. Não procure-as nas crenças das pessoas e sim nos fatos. Não encha sua cabeça de opiniões e crenças e sim de fatos e conhecimentos. Os loucos são cheios de crenças e opiniões sobre o mundo e as coisas. Os sábios tem conhecimentos sobre o mundo e as coisas.

    Quem construiu seu senso de realidade em função das crenças e opiniões alheias fala coisas sem sentido e sem aplicação prática na realidade. Já aquele que construiu seu senso de realidade sobre o conhecimento e/ou experimentação do mundo, construiu um senso de realidade mais próximo daquilo que realmente é.

    Aprenda a diferenciar aquilo que é objetivo daquilo que é subjetivo. Valorize seu subjetivismo tornando-o objetivo em sua mente racional. Confesse sua subjetividade para terceiros e exponha-a ao ridículo. Não construa uma falsa auto-imagem de si mesmo. Não pense que é, seja realmente. É a única conclusão que todo esse meu palavrório pode chegar. Por isso ele não é útil como material didático para alguém aprender algo com ele e sim como processo intelectual de esvaziamento de um cérebro contaminado com tantos intelectualismos desnecessários para a vida mas que a minha falta de orientação na vida foi aceitando como verdadeiros e necessários para a minha felicidade. Isso mesmo. Achei necessário responder a todas essas perguntas na crença de que finalmente conseguiria ser feliz caso chegasse à uma conclusão sobre tudo isso. Era uma forma de fugir das minhas necessidades não satisfeitas que me aporrinhavam a existência.

    Abraços e desejo muito sucesso a todos aqueles que lerem minhas palavras que se forem analisadas não pelo seu conteúdo mas como um processo de busca de si mesmo, serão muito úteis para muita gente. Quanto ao conteúdo das minhas palavras o mesmo é muito pobre para se dar um grande valor para o mesmo. São apenas perguntas idiotas que consegui responder e cujas respostas não acrescentaram nada à minha vida a não ser a descoberta de que perdi meu tempo com besteiras.

    Abraços a todos.

  8. Roney says:

    Oi João!

    Seus comentários sempre rendem assunto para muitas observações! :-)

    Dos loucos heróicos dividitos entre o desprezo pela humanidade e o amor a ela, o preconceito contra aquilo que tememos em nós mesmos e a busca de uma equação simples para a vida acho que o importante é, como você mesmo bem disse, a busca.

    Fico feliz que meu blog tenha sido instrumento para isso.

  9. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Seus comentários sempre tão encorajadores me fazem meditar sobre a utilidade de tudo isso. Parece-me que a nossa experiência de vida somente adquire um sentido quando a mesma é passível de verbalização, ou seja, transforma-se num discurso seja ele político, psicológico, filosófico, científico ou todos eles.

    Fico imaginando com os meus botões sobre a angústia de uma pessoa que não consegue verbalizar sua experiência de vida a fim de tomar novos rumos quando os recursos emocionais já se esgotaram e não foram adequadamente aproveitados na construção de um ego saudável e favorável a si mesmo.

    Eu me estranho cada vez mais dada a velocidade com que eu me desinteresso das coisas e das pessoas. Já não tenho mais os recursos emocionais que me faziam tão empolgado com a vida e as pessoas.

    Acredito que eu esteja vivendo a idade da razão se bem que ainda não sei o que fazer com ela, a não ser ir compreendendo cada vez mais o funcionamento da psicologia humana.

    Acho que de apaixonado por computadores tornei-me apaixonado pela natureza humana, não no sentido de suportá-la com suas fantasias megalomaníacas ou de inferioridade mas sim, pelos mecanismos inconscientes que determinam estes processos de comportamento, pois quanto mais eu conheço a natureza humana de forma objetiva mais compreendo a mim mesmo.

    Essa auto-compreensão dá-nos uma sensação de poder muito grande se bem que ainda não consegui canalizar essa sensação de poder para algo mais objetivo. Infelizmente, as fantasias me fazem falta pois eram atalhos que eu pegava na vida para dar-me motivação para alguma empreitada de médio ou longo prazo. Ainda não me apaixonei pela realidade. He, he, he.

    Talvez seja porque eu não queira mais viver fantasias e sim viver realidades. Não quero mais sonhar em como é a Europa, por exemplo. Quero sim, conhecê-la de fato e viver na ação e não mais na imaginação sobre como eu me sentiria se estivesse lá. Não consigo mais perder tempo com isso. Por isso que tomei a decisão de deixar a vida me levar e procuro sempre, estar presente de mente, corpo e alma nos poucos lugares em que ainda vou.

    Também não quero mais rejeitar-me e viver a vida de uma personagem. Quero viver aquilo que realmente sou por mais sem graça que isso possa parecer. Não quero mais servir a um ego bonzinho para os outros e cruel para comigo mesmo. Nunca consegui pensar a meu favor e sempre que imaginava eu ganhando na Mega-Sena ficava feliz imaginando o como minha família seria feliz com tanto dinheiro. Quando tentava pensar em mim próprio eu não conseguia me ver feliz.

    Condicionei-me durante anos a acreditar que somente seria feliz se minha família também fosse. Por isso, não consegui desenvolver idéias e ações que me fariam feliz na vida.

    Eu tinha muitas idéias de como fazer as pessoas felizes e tinha certeza abosoluta de que estava certo mas quando se tratava de mim mesmo, eu não compreendia o porquê as mesmas soluções não me faziam sentido.

    Entende o que quero dizer? Não se iluda pensando que sabe alguma coisa sobre o que faria nosso próximo feliz. Nosso próximo infeliz sente-se feliz quando alguém feliz lhe dá atenção. Jamais ele se sentirá feliz com um anulado mais coitado que ele lhe dando atenção. Por isso use sua cabeça para achar soluções para sua vida e não se iluda em mudar o mundo para ser feliz. Procure se adeqüar a ele e achar na realidade aquilo que desperta seu interesse e prazer de viver. Achando invista nisso. Não seja pão-duro nem mesquinho consigo mesmo.

    Abraços.

  10. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Há um ano atrás comprei nas bancas uma coleção de fascículos em formato livro cujo nome era Conceitos de Pscanálise. Cada fascículo tem cerca de 80 páginas e dá uma explicação bastante acessível sobre os grandes temas da psicanálise atual.

    Somente agora interessei-me por lê-la e comecei com o fascículo dedicado à inveja. Nem preciso dizer que foi muito produtiva a leitura e muito do que eu li coincide com os temas abordados por mim neste blog, principalmente aquele que se refere ao preconceito.

    Percebi que eu sempre sofri de uma inveja patológica e que durante a vida sempre tentei lutar contra a mesma buscando realizações na vida para que eu me pudesse me sentir orgulhoso de mim mesmo na tentativa de mostrar para o mundo ou para os objetos de minha inveja que eu poderia passar muito bem sem eles e poderia conquistar as mesmas condições materiais que eles e nem por isso ser uma pessoa materialista e fria que não estava nem aí com ninguém, principalmente comigo.

    Por isso eu construía muitas coisas boas mas me esforçava por destruí-las a fim de exibir meu desapego pelas coisas mundanas e materiais, além, é claro, de ofender as pessoas que desejavam as coisas que eu consquistava.

    Era um comportamento doentio e eu, por ser uma vítima inconsciente do mesmo, sentia-me angustiado com o fato de eu nadar tanto para depois morrer na praia. Por isso me apeguei compulsivamente à minha profissão de programador de computadores usando-me de todos os recursos fantasiosos que possuía.

    Um lado meu, invejoso contumáz, esforçava-se por destruir aquilo que eu tão bravamente me apegava e tentava usar como único sentido de minha vida e eu, por meu turno, vivia sempre angustiado (comecei a ler o livro que trata da angústia também) pois a angústia nada mais é do que a dor antecipada de algo que nos ameaça acontecer e que será muito dolorido do ponto de vista emocional.

    A angústia nos leva a agir antes mesmo da percepção da dor que tanto tememos e não sabemos que dor e essa que tanto tememos.

    A inveja também nos leva a destruir internamente em nós o sentido positivo das coisas que sempre desejamos pois essa atitude interior é uma forma de vingança contra a vida e o mundo que tanto desejamos nos tornar iguais e felizes. O que mais incomoda um invejoso é a felicidade alheia e a sua incapacidade de ser feliz como as pessoas.

    Compreendo agora não só a mim mesmo mas também a motivação inconsciente que eu já percebi em muitos políticos e candidatos à políticos. Acredito que estamos vivendo a cultura da inveja fomentada por uma ideologia que não valoriza o indivíduo mas taxa-o de eternamente pobre e incapaz de lutar e vencer já que há uma elite impedindo-o de sair do buraco em que se encontra.

    Muitos pobres de 20 anos atrás que ganhavam 1 salário mínimo, hoje ganham 5 a 10 salários mínimos. Eles se viraram e se deram uma vida melhor como eu aproveitando os recursos que existem no mundo tais como cursos de inglês, de informática, faculdade, cursos técnicos, etc.

    A crença na eterna pobreza é por demais deletéria numa sociedade abrindo caminho para ideologias marxistas que visam dar nomes aos conflitos internos dos indivíduos.

    Por exemplo: se uma criança está jogando bolinha de gude com outra e esta se esforça para ganhar e ganha, um marxista achará essa sensação de vitória da criança como adesão ao capitalismo, ou seja, a criança estará jogando pela idéia de ganho material e poderá ser potencialmente perigosa para um regime comunista. Já a criança que perdeu será vista como uma coitadinha que precisa ser consolada e, cujos traumas oriundos dessa perda, deverão ser consolados pelo estado onipotente. Ou seja, quem ganhou será punido e quem perdeu será premiado.

    Já numa visão capitalista da coisa a criança vencedora superou os seus limites, adquiriu habilidades que a fizeram ganhar a partida e as bolinhas apenas representam um troféu que ela conquistou com a sua própria capacidade.

    A criança que perdeu se esforçará no sentido de melhorar as suas habilidades e, caso não consiga, chegará à conclusão de que não nasceu para jogar bolinhas de gude e partirá para outro tipo de jogo.

    A definição de fracassado no mundo capitalista é aquela pessoa que não conseguiu se libertar da compulsão pelo jogo de bolinha de gude por ser fraca nesse jogo e até hoje está insistindo nisso, ou seja, valorizou demais seus pontos fracos e não conseguiu tirar proveito da vida. Quanto mais perdia mais se anulava e se sentia inferior, fazendo-se de vítima e coitada.

    Já a definição de pessoa vitoriosa é aquela que valorizou mais os seus pontos fortes e conseguiu transformá-los em vantagens na vida. Quando percebeu que não dava para uma coisa desistiu prontamente sem remorsos e partiu para outra coisa. Com isso não foi acumulando frustrações e nem ressentimentos na vida.

    Pois é meu caro colega. A vida é fascinante quando conseguimos perceber nossos erros e acertos. Nós nos identificamos com o coitado e a vítima e sentimos pena deles porque todos nós temos um coitade e uma vítima dentro de nós pois não conseguimos ser bons em tudo aquilo que tanto desejávamos.

    Daí vêm a inveja que nos obriga a destruir aquele desejo de uma forma dolorosa para nós. Quanto mais fantasias tivermos sobre nós mesmos e sobre o mundo mais inveja sentiremos por termos que destruir em nós aquilo que tanto desejamos mas não conseguimos obter. Por esse motivo aposte sempre no que você consegue realizar e caso perceba que não dá para uma coisa, desista sem remorso após ter tentado de tudo para fazê-la dar certo.

    O preconceito é fruto de nossa inveja mal-resolvida pois a culpa e o remorso caudados pela percepção de nossa inveja são cruéis.

    Enfim, foi tudo isso que li no livro e estou resumindo minhas conclusões para você. Quem sabe se não lhe será útil?

    Você alguma vez já sentiu um grande desejo de comprar uma moto ou um carro? Desejou tanto e sentiu tanta dor por ver que as pessoas tinham aquilo que você mais desejava que acabou desistindo de ter e ainda por cima passou a odiar o objeto desejado?

    E agora mesmo tendo dinheiro não consegue comprar aquilo que tanto desejou no passado pois não vê mais sentido nisso? Pois é. Se tudo isso aconteceu com você é por que você é uma vítima inconsciente da inveja. O fato de você não desejar mais o carro ou a moto foi devido a você ter destruído a representação ou significado positivo que o objeto tinha para você.

    Com isso a sua vida vai ficando cada vez mais vazia de coisas boas e cheia de ressentimentos com o mundo pois as pessoas não vêem aquilo que você vê nas coisas.

    Veja bem. Se estou te falando isso não é para te humilhar nem para te desmascarar e sim, para te avisar de um erro que cometi no passado e sei que muita gente comete esse mesmo erro. Ao invés de adiar a realização de seus sonhos destróem-no pensando que se desdenharem o objeto de seus sonhos libertar-se-ão da dor da frustração.

    Abraços e tudo de bom para você.

  11. Roney says:

    Oi João da Rocha!

    Tudo que vc diz é útil tanto para mim quando para outras pessoas que esbarram por aqui. Vc transformou um post sobre a agressividade da extrema direita em um mergulho na alma humana!

    A inveja não é uma das minhas grandes falhas, mas creio que muita gente tem um pouco deste dispositivo de construir para mostrar sucesso e destruir para mostrar desapego.

    No meu caso nunca cheguei ao extremo do seu último exemplo de desejar muito algo que não podia ter a ponto de depois passar a odiar a coisa, mas entendo o dispositivo.

    O exemplo do jogo de bola de gudes é interessante, mas eu diria que tanto a visão de esquerda quanto a de direita (não acho que estas duas formas de pensamento estejam necessariamente ligadas ao comunismo e ao capitalismo respectivamente) acabam focadas fora do indivíduo produzindo pessoas que vivem conforme as expectativas externas em um individualismo psicótico que paradoxalmente sacrifica justamente sua individualidade criando todo um padrão doentio cheio de preconceito e raiva diferenciados apenas por quem comanda a ditadura: o estado para a esquerda comunista, as corporações na direita capitalista. Resta saber se uma esquerda capitalista (onde me incluo) ou uma direita comunista (que não consigo imaginar) seriam capazes de criar um mundo mais equilibrado.

  12. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Fiquei surpreso ao revisitar o Mídia sem Máscara e encontrar nele duas matérias intituladas “Adendos à Psicologia da nova esquerda – 1a. Parte” e “Adendos à Psicologia da nova esquerda – Final” cujos links são: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5234&language=pt e
    http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5235&language=pt

    O mais interessante dessas duas matérias foi o fato de as mesmas tratarem do tema esquerdista da mesma maneira como vimos tratando até o presente momento mas de uma maneira mais objetiva e científica do que a que eu venho tentando até o momento.

    Leia-as e quem sabe você perceberá uma certa familiaridade com este blog.

    Quanto ao fato de esquerda ou direita serem boas ou não eu me considero imaturo para tecer opiniões a esse respeito. Não vivi experiências em algo similar e muito menos tenho informações do que seria um país como o Brasil governado por um sistema político de esquerda-comunista.

    O que posso dizer em defesa da direita é que ela estabelece normas e leis claras sobre a ascensão social e econômica do indivíduo transformando a auto-realização do indivíduo numa espécie de jogo.

    Retomando a metáfora do jogo de bolinhas de gude, aqueles que desejam mudar as regras do jogo são justamente aqueles que só perderam por insistirem num único tipo de jogo.

    Oras, eu me senti fracassado aos 19 anos por ter feito um curso Técnico em Metalurgia no SENAI de Osasco-SP e não ter conseguido uma colocação profissional para mim.

    Aos 20 anos entrei para o Bradesco como escriturário ganhando 1 salário-mínimo e meio. Lá eu estudei na Fundação Bradesco, com 21 anos, o curso Técnico em Processamento de Dados e me tornei um programador de computadores aos 24 anos. Com isso percebo que esta metáfora do jogo de bolinhas de gude me cai como uma luva.

    Eu aceitava as regras do jogo e acreditava que me emanciparia economicamente na vida somente através do estudo e de uma profissão. Se eu desse bola às minhas carências afetivas e às minhas sensações de fracasso teria desistido de tentar novamente.

    Com isso, seria vítima fácil de sociopatas que se esforçariam por transformar a minha frustração em revolta contra a sociedade. Felizmente, fui esperto o suficiente para acreditar em meu pai e renunciar provisoriamente à uma vida social que me levaria ao fracasso na vida.

    Sim meu caro. Tudo isso que os esquerdopatas sentem eu também senti a vida inteira mas eu rejeitava aqueles sentimentos, reprimindo-os e não dando bola para eles. Lá no fundo de minha consciência eu tinha quase certeza de que seguindo o caminho estreito eu conseguiria ter sucesso um dia.

    Tive muito sucesso profissional e financeiro mas jamais me senti como alguém bem-sucedido justamente pelo fato de meu lado emocional ainda ser infantil e não haver se desenvolvido mas intelectualmente me desenvolvi bastante.

    Com isso, foi-me possível enfrentar e reviver esse meu lado emocional que tanto sabotava minhas conquistas na vida. Fui, através de livros e observações in loco, me auto-justificando diante de mim mesmo e somente agora, passados 7 anos dessa busca, sinto-me verdadeiramente um homem bem-sucedido.

    Foi difícil convencer minhas emoções desencontradas da necessidade que tive de ser durão comigo mesmo e mole para com os outros. Descobri que me sensibilizando com a dor alheia e tentando aplacá-la fui me dando cada vez mais razões para perseguir objetivos profissionais que estavam muito além de minhas necessidades cotidianas e do mundo mental no qual eu fui criado.

    Por isso meu caro, a loucura muitas vezes é necessária para o indivíduo superar a si mesmo pois sem ela, o indivíduo não consegue achar razões para sair de uma determinada situação sócio-econômica na qual ele já está acostumado desde que nasceu para uma situação sócio-econômica superior.

    É justamente esse auto-sacrifício que os filhos sem pai não entendem. Eles não conseguem compreender que filhos de famílias estruturadas são cobrados pelos pais e que estes filhos reprimem em si muitos impulsos e necessidades naturais canalizando-os para a satisfação das expectativas familiares sobre eles.

    Agora, meu caro, se um filho de família estruturada sofre tudo isso o que dizer então de um filho de família desestruturada que também conseguiu ascender a uma posição invejável na vida?

    Percebe o quanto de luta interior eu tive que enfrentar e quantas mentiras eu tive que me pregar para continuar no caminho certo ou pelo menos aquele que minha consciência me ditava como certo?

    Não fiquei me questionando se era certo ou não estudar e trabalhar. Todo mundo sabe que é. Quando alguém diz o contrário não é porque não sabe e sim porque não aceita as regras do jogo assim como aquele perdedor do jogo de bolinhas de gude que ao invés de treinar mais para ficar bom, ele fica metendo o pau nas regras estabelecidas por todos.

    É mais ou menos o que acontece na vida política de um país. Infelizmente, o mundo está cheio de maus exemplos que nos prometem um paraíso social ao custo da liberdade de sermos humanos e naturais.

    Querem construir com promessas vãs um paraíso perfeito em que a alma humana será aprisionada para sempre num mundo idealizado por gente que não conseguiu vencer porque nem sequer tentou.

    Quantas vezes essas pessoas tiveram vontade de mudar de vida e se deixaram influenciar pela opinião de pessoas pessimistas? Por exemplo, suponhamos que uma pessoa queira montar um comércio.

    Ela chega nos amigos e fala de seus projetos. Sempre haverá um que lhe contará a experiência de um tio ou parente que quebrou a cara e por isso montar um comércio é péssimo negócio. Aí você passará a acreditar que com você sucederá a mesma coisa. Percebe alguma familiaridade nisso? Quantas vezes você não deu ouvidos para o canto de sereia de pessoas invejosas que sempre tinham um motivo para justificarem o seu fracassso e seu comodismo diante da vida?

    O discurso esquerdista é um discurso para pessoas que desistiram de lutar e para fugirem da percepção consciente de seu próprio fracasso na vida começam a justificar o criminoso como uma vítima social do sistema. Com isso, a sociedade já tão bombardeada e sensibilizada com essa interpretação falsa da realidade social do país passa a aprovar o crime como algo necessário para se implantar um regime político de justiça e igualdade sociais.

    Lamento meu caro colega. Talvez para se fazer a omelete seja preciso quebrar os ovos. Talvez para entendermos as consequências funestas de um modo de pensar e sentir seja necessário que este mesmo modo de pensar e sentir se materialize diante de nossos próprios olhos. Somos um país jovem mas pobre de experiências políticas. Para aprendermos o que é o mal precisamos viver suas consequências para podermos crescer.

    Eu não posso oferecer uma opinião sobre esse assunto porque não disponho de vivências mas garanto que a minha família foi o mais próximo que consigo entender como uma ditadura comunista. Por isso me foi bastante desagradável essa convivência e custou-me elaborar um conceito sobre o que significava aquele tipo de organização familiar.

    Talvez aquilo que eu vivi familiarmente o Brasil precise viver como sistema político de governo para sentir na pele o que significa a falta de liberdade.. Até mesmo uma ditadura de direita é muito mais bem-vinda do que uma ditadura de esquerda mas como saberemos se não vivermos os dois lados da moeda? Tudo não passará de conjecturas sem a devida experimentação.

    Abraços e continue assim sempre curioso. Isso me estimula bastante a desenvolver e verbalizar as minhas idéias. Todo ser-pensante precisa de um interlocutor e você está fazendo este papel para mim.

    O próprio Einstein precisou de um interlocutor para elaborar a sua Teoria da Relatividade. Qualquer dia eu te conto essa história mas desde já te antecipo que todo discurso precisa de um locutor, um interlocutor e, opcionalmente, um opositor.

    O opositor aparece sempre depois do discurso elaborado e acabado. Se ele aparecer antes o discurso é abandonado antes mesmo de ter começado, tal é o poder que esses vampiros têm sobre o nosso emocional imaturo e cheio de medos.

    Nossos maiores interlocutores deveriam ser nossos pais mas os meus foram meus opositores. Por isso que foi difícil para mim construir um discurso dialético favorável ao crescimento que eu almejava na vida.

    Novamente, abraços e tudo de bom.

  13. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Somente para complementar minhas auto-confissões quero dizer que fui uma criança pobre de realidades positivas, ou seja, minhas necessidades não foram supridas de forma satisfatória. Por esse motivo, apeguei-me ao mundo encantado de Walt Disney através das revistas em quadrinhos.

    Através da fantasia fui crendo nesse mundo de faz de conta onde os bons eram premiados e se davam bem e os maus eram castigados e se davam mal.

    Acredito que meus complexos de culpa eram fruto dessa interprestação fantasiosa pois só vivia apanhando de minha mãe sem nem mesmo saber o motivo. Oras, se eu era castigado era porque eu era mau segundo minhas prórprias fantasias e por isso eu teria que me esforçar para ser bom.

    Sem perceber, isso foi me causando revolta não contra o mundo mas contra mim mesmo por me sentir como mau e os outros como bons, já que eles não eram castigados pelos seus pais.

    Percebe como consegui transferir a maldade de meus pais para mim mesmo e me submeter às expectativas dos mesmos em relação ao meu comportamento familiar e social?

    Se isto foi bom? Hoje consigo entender o processo e sou obrigado a confessar que foi maravilhoso. Doeu prá caramba mas funcionou e agora estou me sentindo como um vitorioso. Pior se eu estivesse me sentindo como um fracassado e de mal com vida.

    Muitas vezes, nos prendemos ao passado e às dores do mesmo, justamente por ainda não termos elaborado um discurso que o justifique. Quando, com muito esforço e dor, conseguimos dar uma visão mais racional às nossas dores e conseguimos enxergar as vantagens por nos termos submetido a todo aquele processo, passamos a não mais sentir as dores do passado e sim, os prazeres do presente.

    Perdemos o medo do futuro pois o futuro é uma sucessão de presentes satisfatoriamente vivido e a alegria de hoje será maior amanhã assim como aqueles que cultivam o pessimismo e a depressão. As pessoas acham que sendo pessimistas estão se protegendo da dor da frustração, da desilusão, enfim, estão com peninha de si mesmos.

    Elas não sabem que a dor de hoje sempre tenderá a aumentar amanhã criando em nós um círculo vicioso que nos tornará cada vez mais piores do que já somos.

    Por isso, procure motivos para cultivar o otimismo e a alegria de viver. Leia livros clássicos, ouça músicas que te melhorem os sentimentos e te deixem de bem com a vida, estude e aceite os desafios que a matemática, a física, a química te propõe pois cada acerto e cada sucesso vão te condicionando para se sentir bem consigo mesmo. Não deixe o medo te dominar e muito menos pense que as previsões negativas a respeito de nosso país vão se concretizar.

    Se necessário, crie um mundo de fantasia que te motive a perseverar no bem. Se você se deixar influenciar pela negatividade vigente as coisas boas que você faz passarão a não mais valer a pena pois o seu emocional não mais cooperará com você.

    Tchau e por hoje é só.

  14. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Acabo de redigir um email para meu amigo Pedro e gostaria de transcrevê-lo na íntegra para este blog. Segue abaixo o mesmo:

    Caro Pedro:

    O endereço do blog é http://www.roney.com.br/blog/?p=713

    Acredito que você encontrará no blog em minhas últimas postagens as conclusões finais a que estou chegando nesse processo de auto-conhecimento.

    Na verdade, hoje nem sei bem dizer se a este processo pode se dar o nome de auto-conhecimento pois está mais se tratando de abandonar velhas formas viciadas de se agir e pensar, ou seja, velhas motivações que não funcionam mais para mim pois também já tenho 42 anos de idade.

    Penso que no passado fizemos as melhores escolhas que podíamos pois o mundo mental que nossa família nos legou não era muito adeqüado à realidade que desejávamos viver. Por isso que gerou em nós tanto conflito entre o que tinha que ser feito para nos fazer feliz e aquilo em que acreditávamos e endossávamos mentalmente como verdade.

    Acredito piamente em reencarnação, apesar de não ser um espírita professo, já que a vida além da morte não é a minha principal preocupação. Estou mais ocupado com a vida do lado de cá do que com a vida do lado de lá.

    Também não espero recompensas utópicas para além desta vida. Há algo que me motiva a perseverar na demolição de meu mundo mental anterior que é justamente a crença na continuidade e repetitividade da vida.

    Se não fosse por isso, eu já teria sucumbido facilmente à destruição de minhas fantasias que nada mais eram do que a tentativa de me dar motivos para viver e continuar vivendo.

    Eu jamais tive saudades de minha infância naquilo que ela teve de real e sim, sentia-me saudoso das minhas próprias fantasias que não se realizavam na vida e sim, somente em minha imaginação.

    Percebe o que se entende por loucura? Foi a única forma de eu me ajustar ao mundo mental medíocre de minha família, ou seja, dourar a pílula amarga da realidade de terceiros para torná-la mais saborosa.

    Com isso, fomos nos moldando no sentido da cooperação com as pessoas e aprendendo o princípio da autoridade e da obediência.

    Quanto menos iludidos nós formos mais cooperatividade teremos para dar ao mundo e menos resistência ofereceremos ao progresso.

    Quando se faz uma psicoterapia retoma-se o contato com aquilo que somos realmente e que graças à nossa capacidade de construir uma vida mental, rejeitando nossos conteúdos nocivos, e mantendo apenas nossos conteúdos favoráveis aos nossos objetivos, é que conseguimos evoluir e nos transformar em algo melhor para nós mesmos.

    Por isso, meu caro amigo Pedro, a conclusão final de todo processo de auto-conhecimento é justamente conhecermos nossas fraquezas e valorizarmos a nós mesmos pelas nossas escolhas.

    Segundo o Espiritismo até mesmo a família que escolhemos para reencarnar foi a mais adeqüada para as nossas necessidades de crescimento espiritual.

    O difícil em nós nessa idade de 40 anos que estamos vivendo que é a idade da razão, é transformarmos nosso discurso dialético interior em algo mais adeqüado para as necessidades atuais que percebemos em nossa vida.

    Muita gente se esquivou da necessidade do trabalho e do estudo para se dar uma vida melhor e, por esse motivo, criaram idéias de revolta contra as imposições sociais de crescimento. Acreditaram que a vida seria fácil para os espertos e não para os inteligentes.

    Hoje, estas pessoas percebem em suas vidas a necessidade de estudarem mas para conseguirem realizar tal intento elas precisam vencer suas resistências internas que criaram contra o estudo, a autoridade e a obediência.

    Percebe o quanto para nós hoje é fácil nos dedicarmos à um estudo sério enquanto que para muitas pessoas é difícil ou impossível esta mesma dedicação?

    Moldamos nossa personalidade na direção da obediência a nossos pais justamente para conseguirmos realizar aquilo que tantas vezes fracassamos em outras vidas.

    Fracassamos por quê? Pelos mesmos motivos que levaram muita gente a nossa volta a se fechar para as possibilidades de progresso e crescimento na vida. Revolta contra a autoridade e necessidade de se obedecer a fim de tornar nossa mente favorável à aquisição de novos conteúdos.

    Sei que você, racionalmente, pode concordar comigo mas tente aferir seus sentimentos em relação a estas palavras. Muitas vezes a mente concorda com as idéias novas que nos interessam mas nosso lado emocional insiste em manter as mesmas emoções de revolta, dor e raiva do passado.

    Existe até um romance espírita que se chama “Quando o passado não passa”. Como você vê nossa mente deseja progredir e se tornar consciente de si mesma mas nosso ego, emocionalmente construído para nos desviar da dor, opõe resistência à percepção de nossa verdade interior, a fim de nos proteger de revivermos dores que estão firmemente inconscientizadas em nós.

    É preciso muita coragem para demolir estas nossas defesas pois os problemas mal-resolvidos retornam e dá muito trabalho reconstruir uma visão mais racional de nossa experiência de vida.

    Somente aqueles que tiveram a coragem de obedecer e se sujeitar às regras impostas pelo meio em que nasceram é que conseguem ter a coragem necessária para se auto-enxergarem como realmente são. Os que mantiveram uma postura covarde temem a verdade de si mesmos e ocupam suas mentes em confirmarem as mentiras que pregaram a si mesmos durante toda a sua vida.

    Por isso que é tão difícil ser-se feliz nesse mundo. Sempre acreditamos que as fantasias de nosso próximo são melhores que as nossas já que eles demonstram estar mais felizes que a gente. Ledo engano, erro crasso. Essa gente é quimicamente feliz pois todas as nossas sensações emocionais são causadas por substâncias químicas liberadas pelo nosso cérebro em nossa corrente sangüínea. Eles viciaram em sua própria química interior tornando-se dependentes químicos de si mesmos e a mente precisa criar cada vez mais fantasias sobre a realidade para ser estimulada a produzir tais substâncias químicas, chamadas quimicamente de neuro-peptídeos.

    Garanto para você que a vida que escolhemos para nós vivermos, eu e você, foi a melhor que poderíamos nos dar em vista das circunstâncias em que se desenvolveu a nossa formação psíquica.

    Muitos desses infelizes que não quiseram ou não souberam se submeter e que se fazem de pobres humildes são pessoas altamente orgulhosas que não quiseram se submeter às ordens paternas por se acharem superiores e melhores que seus próprios pais.

    Hoje a vida está lhes mostrando o quanto é necessária a humildade diante de nossa família a fim de crescermos e nos realizarmos na nossa atual reencarnação, propiciando uma nova vida para nós ainda nesta mesma vida.

    Se você ler o Evangelho você perceberá que lá diz que os humildes serão exaltados e os orgulhosos serão humilhados. O que você vê no mundo é que esses pobres coitados que se fazem de vítima do sistema por desobedecerem a seus pais e não se curvarem ante a autoridade de um professor, estão realmente vivendo uma vida indigna de um homem ou mulher de verdade que aprendeu através da renúncia à satisfação de suas necessidades imediatas, a adiarem a satisfação das mesmas e se concentrarem em objetivos presentes a fim de construir uma vida melhor para si mesmos.

    Caro Pedro. Conto-lhe tudo isso não porque sei que você acredita nisso mas porque tenho pia certeza de que as coisas funcionam assim. Não sei dizer de onde vem tanta certeza e convicção em meu íntimo mas acreditando intuitivamente nessas verdades que somente agora consigo dar um corpo racional para as mesmas, é que consegui atingir meus objetivos na vida e estou agora me animando para dar continuidade ao meu crescimento profissional e intelectual.

    Um grande abraço para você e sua família e que Deus o ilumine cada vez mais assim como vem me iluminando.

  15. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Acabei de finalizar meu processo de auto-conhecimento e, por esse motivo, esta será minha última postagem neste blog.

    Não gostaria de deixar esta minha história incompleta pois sei que muita gente vai encontrar nela uma semelhança com sua própria história de vida.

    No mundo há muitos sofredores que não conhecem o caminho da redenção pessoal e nem mesmo eu conhecia.

    Precisei descer às profundezas de meu sub-consciente para desvendar o nó que tanto me fazia sofrer.

    Parece-se com algo como descer às profundezas do nosso inferno interior e, gradativamente, ir escavando de dentro para fora em busca da luz. Cada comportamento nosso que vamos lançando luz, ou seja, tomando consciência de suas causas, vamos nos aproximando cada vez mais da superfície.

    Encontrei um irmão de um amigo meu neste final de semana e conversamos muito sobre nossos problemas pessoais. Ele conta hoje com 24 anos de idade, é casado e tem dois filhos, morando na casa da mãe. Percebi que o mesmo sofria da síndrome do pai ausente também.

    Ele me contou que sempre me admirou, apesar de todos me acharem louco no passado, apesar de bastante inteligente, pois eu era um cara que lutava com todas as minhas forças contra a minha loucura interior e tentava transformá-la em obras adequadas. Ele não admirava exatamente as minhas obras ou minha loucura e sim, as coisas que eu inventava para superar a aridez de minha vida, apesar de bem-sucedida.

    Sim, meu caro colega, conversando com essa pessoa fui retornando ao passado e sentindo novamente velhas e enterradas emoções que foram formando um discurso sobre as mesmas.

    Nem sei se é necessário me aprofundar no discurso mas sempre senti, desde criança, aquilo que se pode chamar de inveja da família dos outros, como se eu desejasse ser adotado por outra família que me desse aquilo que eu precisava e nem sabia extamente o que era. Sentia que se fosse filho de outra família eu seria feliz pois teria brinquedos e gibis que eu tanto adorava.

    Essa inveja foi sendo recalcada em mim e fui perdendo o contato com ela. Aos 17 anos eu era amigo de um colega de ginásio e não saía de sua casa pois seus pais e seus irmãos me tratavam muito bem. Sentia-me feliz porque eu era aceito e admirado pelas pessoas e era como se eu fizesse parte daquela família feliz e saudável.

    Aos 19 anos uma amiga de uma das irmãs desse amigo falou-me que a irmã dele estava apaixonada por mim. Enchi-me de esperanças pois, sem perceber, eu não estava apaixonado por ela e sim pela sua família, da qual eu pretendia fazer parte.

    Meu comportamento foi mudando em função dessa paixão que eu ia alimentando mas nunca tive coragem de me declarar, apesar de eu jogar umas indiretas, pois se ela gostasse realmente de mim ela iria dar um sinal de reconhecimento.

    Com isso, meu amigo desconfiou, sua família desconfiou, enfim, meu amigo sentiu-se traído em sua amizade por mim e, conversando comigo, deu a entender que não mais me queria em sua casa.

    A dor que senti de desamparo, culpa, remorso, abandono, enfim, todas as dores que uma pessoa é capaz de suportar, foi atroz. Pensei que fosse morrer e realmente queria morrer.

    Desempregado, sem dinheiro, minha mãe me pagando pelos meus cigarros, enfim, a vergonha e a humilhação eram hiper-super-dolorosas.

    Foi difícil eu sair desse estado emocional e aos 20 anos consegui um emprego no banco. Eu jurei para mim mesmo que eu iria lutar e vencer na vida para mostrar para eles o quanto eles tinham perdido com minha amizade.

    Chegava a fantasiar que a irmã desse amigo meu viria me dizer o quanto me amava e o quanto se arrependia por ter me desprezado. Essas fantasias eu alimentava até o momento em que ela casou-se.

    Quando ela se casou pensei comigo:- Se eu a amo, quero vê-la feliz e não quero prejudicá-la em sua escolha. Foi o raciocínio que me ajudou a me conformar com a situação.

    Afundei-me, portanto, em meus estudos e desliguei meu lado emocional, mal imaginando que estava sufocando meu ressentimento com o mundo e as pessoas e que esse ressentimento cobraria seu preço um dia, transformando-se em inveja pelas pessoas que tinham família ou que se sentiam de bem com suas famílias.

    Sim. Eu tornei-me invejoso da felicidade familiar alheia e tinha medo de mim mesmo em minha destrutividade. Parece-me que em meus discursos destruidores da felicidade alheia, as pessoas sentiam um certo desconforto ou identificação pois acredito que todos estão se esforçando para gostar de sua própria família.

    Eu, por meu lado, tentava orgulhar-me de minha família mas sempre eles destruíam esse meu orgulho por acharem que o mesmo era oriundo de minha situação profissional e financeira. Por mais que eles destruíssem minhas mais caras intenções de valorizá-los eu cada vez mais me esforçava para fantasiá-los e justificá-los, a fim de dourar a minha realidade exterior e interior.

    Sim, meu caro colega, tudo isso é verídico e acredito que o caminho para desapodrecermos como você bem falou, muitas vezes passa pela tomada de consciência de nossas fraquezas do passado. É um processo bastante dolorido mas bastante libertador. Entende porque o louco se esconde atrás de seu mundo fantasioso? Imagine quantas dores esse infeliz não carrega dentro de si mesmo e que a loucura ou suas fantasias escondem dele.

    No final das contas, hoje, senti-me um vampiro cujas presas foram arrancadas pois o invejoso sofre com sua inveja e por isso sente-se consolado por despertar inveja nas outras pessoas. Por isso que eu era um exibicionista de meus sucessos e conquistas, chegando até mesmo a gastar muito dinheiro em cervejas como se nada fosse para mim. Justamente para despertar inveja em meus semelhantes para sentir-me bem com aquilo. Ou seja, minha inveja me dava forças e agora, sinto-me fraco precisando de novas motivações para minha vida.

    Isso era um processo inconsciente que eu nem mesmo percebia de tão automático que ele era em meu comportamento. Custou-me muito vencer o meu senso moral para não mais me esconder de mim mesmo. Nosso moralismo esconde muitas maldades nossas disfarçadas em forma de bem. Eu não me julgava racionalmente um invejo mas uma pessoa humilde que gostava de me divertir com meus semelhantes também humides. Quando um desses semelhantes humildes se casava e se dava uma vida melhor, minha inveja despertava e logo eu me afastava, racionalizando que eu não gostava de gente metida e esnobe. Por isso, cada vez mais a qualidade de meus amigos e colegas ía se deteriorando. Cada vez mais os meninos perdidos que eu procurava para me sentir o melhor e o bonzinho eram mais perdidos ainda.

    Por isso, tudo isso que eu falei sobre o Lula, sobre o PT, sobre a política, sobre o desarmamento, etc. nada mais era do reflexos de minha personalidade doentia.

    Sei que estas palavras poderão ajudar muita gente que está perdida e que deseja se encontrar para se dar uma chance de ser feliz. Vale a pena enfrentar-se o seu demônio interior a fim de vencê-lo e conquistá-lo para o seu lado. Nossa felicidade depende da qualidade de nossas motivações.

    Abraços, caro colega e finalizo por aqui uma odisséia interior que finalmente teve um final feliz e que pretendo mantê-lo feliz por muitos anos daqui para a frente.

    Não mais me perderei de mim mesmo novamente. Obrigado pela sua atenção pois ela foi fundamental para a elaboração desse trabalho que há 7 anos venho me empenhando. Obrigado de coração.

  16. Roney says:

    Oi João da Rocha!

    Suas visitas tem sido muito bem vindas! Pode continuar utilizando este espaço em suas jornadas. É muito recompensador ver algo que criamos sendo útil para outras pessoas, mesmo que a gente tenha feito pouco mais do que oferecer o espaço! Hehehe!

    Tenho certeza de que sua odissía será útil para muitos visitantes que talvez não agradeçam por timidez ou receio então agradeço em nome deles, afinal suas reflexões foram e ainda serão úteis para mim também!

    Só me permita uma opinião… A única mente doentia é aquela que não se transforma. Todos nós somos doentios, mas tenho certeza de que vc é uma das pessoas que caminha para ser cada dia mais equilibrado.

    Abraços!

  17. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Suas palavras de encorajamento e compreensão para com os meus dramas pessoais são muito bem-vindas.

    Acredito que estamos tornando-nos protagonistas de uma revolução que não está destruindo mais o mundo e sim, o mundo interior que criamos para sentirmo-nos confortáveis em nossas vidas e fugirmos desesperadamente da dor que nos afligia.

    É sempre bom poder contar com pessoas como você que não só aprova a nossa bondade mas também compreende a nossa maldade que precisa ser transformada em idéias, palavras e conceitos a fim de nos libertarmos da mesma.

    Esse blog veio bem a calhar pois me permitiu falar não de minhas bondades mas de minhas maldades, sem culpa nem remorso. Simplesmente, olhando para ela como algo humano e normal na vida das pessoas.

    Como diz a bíblia:- Aquele que não tiver nenhum pecado que atire a primeira pedra.

    Espero que este blog ensine muita gente a falar de suas dores e tomar contato com elas e não simplesmente recalcá-las para o fundo da consciência, a fim de fingir que é feliz e provocar inveja nos outros.

    É muito bom quando a gente, depois de um desabafo longo como esse, percebe que não há diferenças entre eu, um mendigo, um favelado, um criminoso, etc.

    Percebemos que todos os motivos que uma pessoa tem para ser um mau-elemento eu também os tinha mas consegui transformar esses mesmos motivos em coisas melhores para a minha vida.

    Consegui valorizar emoções boas mas tênues em minha personalidade e emoções ruins tais como culpa, medo e vergonha, a fim de me dar uma vida limitada mas correta.

    O mais importante de tudo é que não preciso mais usar esses chicotes mentais que usei durante minha trajetória de vida para tentar conter o meu demônio interior. Posso agora, usar apenas as minhas emoções boas e fazê-las crescer dentro de mim e é o que vem ocorrendo comigo.

    Tudo que endossamos na vida, mesmo nossas dores emocionais que limitaram a nossa qualidade de vida foram necessidades que estávamos suprindo pois a vida estava correndo e se a gente fosse perder tempo tentando resolver certos problemas não teríamos tempo para mais nada e não conseguiríamos nos dar uma vida digna e satisfatória para nós mesmos.

    A vida passa e devemos nos concentrar em nosso bem. Nosso mal, se não for tão grave e grande assim, vai se diluindo com as nossas experiências felizes que vão nos motivando a perseverar no bem.

    Minha maior dificuldade foi a minha incapacidade de me dar uma vida feliz. Tentei moldar minha família que nunca foi exatamente minha e sim, do meu pai, à minha imagem e semelhança, ao invés de tentar construir uma para mim através do casamento e da constituição de uma família própria.

    Tudo isso foi fruto de minha ignorância e do fato de eu achar que eu não merecia ser feliz pois eu nunca tinha sido um bom filho. Sempre aprendi que um bom filho tinha tudo para ser feliz mas nunca fui considerado como tal, mesmo ajudando financeiramente meus pais.

    Ou seja, eles não me libertavam de sua dependência pois, creio eu, sentiam-se inseguros e medrosos com a vida, preferindo condenar um filho à eterna dependência e infelicidade do que aprová-lo e deixá-lo partir para construir sua própria vida.

    Percebe, meu caro amigo, como a maldade e a bondade andam de mãos dadas? Quanto mais uma pessoa se esforça para ser boa muito mais maldades ela possui dentro de si. Não se iluda com o Lula e outros políticos que sobem num palanque para louvar a si próprios e suas obras. Louvor em boca própria é vitupério.

    Aquele político que chega no palanque e fala de suas propostas políticas de governo e não fica se auto-afirmando diante de sua pseudo-bondade é porque já se auto-aprova e não precisa da aprovação popular de suas idéias.

    O povo sentindo essa força interior no político acaba vendo-o como forte e capaz e vota nele. Por isso que um político não deve se esconder da mída assim como fez o Lula nesse debate. Quem foge é porque não se auto-aprova e quando não se auto-aprova é porque não fez aquilo que se comprometeu consigo mesmo de fazer.

    É isso mesmo. Não precisamos fazer aquilo que prometemos ao eleitor mas aquilo que prometemos a nós mesmos de fazer. O problema do Lula é que ele não traiu o eleitorado e sim, a si mesmo. Planos de campanha e planos de governo muitas vezes divergem mas aquilo que sabemos que somos capazes de fazer e não fizemos dói demais em nossa consciência.

    Por isso que o discurso do Lula nesse ponto era mais um pedido de perdão popular através das urnas do que propriamente um plano de campanha ou de governo. Era impossível para mim, não perceber isso em suas palavras pois ele estava projetando nos outros o seu próprio sentimento de auto-traição. Não foram os outros que o traíram e sim, ele mesmo que se auto-traiu.

    Por esse motivo, fiz muitas coisas boas pelos motivos errados mas esforcei-me por fazer com dor ou sem dor. Para nós, o que vale para a nossa consciência não são nossas idéias lindas e maravilhosas que usamos para dourar nossos sentimentos vis e torpes, mas sim, as nossas boas obras.

    Até mesmo na bíblia diz que seremos salvos pelas nossas obras e não exatamente pela nossa fé. A fé sem obras é morta.

    Se nos empenhamos em fazer algo de bom na vida e conseguimos realizar pelo menos uns 40% disso, uma parte de nossa mente, chamada de self (EU MESMO) vai se tornando forte e corajosa, superando assim aquele ego (EU EXTERIOR) que nos imputaram como verdade de nós mesmos e nós acreditamos.

    Percebe porque os crentes dizem que a perseverança na fé e no bem nos liberta de nossos pecados? Por mais ódio que tenhamos no coração, por mais inveja que sintamos do sucesso alheio, por mais maldade que possamos carregar dentro de nós, somente as nossas obras nos salvam de nós mesmos.

    Eu preferi agir como louco ou como uma pessoa irracional a fim de não tomar contato com minha maldade interior e agir na vida motivado por ela. Preferi, mesmo inconscientemente, valorizar as mensagens do Evangelho que sempre ouvi desde criança. Isso foi me dando um certo sentido na vida para fazer o bem sem olhar muito a quem. O importante é que funcionou pois se consegui olhar para tudo isso sem muita culpa ou vergonha foi porque minhas obras foram meritórias apesar dos motivos escusos.

    Acredite sempre no seu bem interior e despreze o mal que há dentro de você. Com isso você vai estar valorizando o seu self e ele se manifestará um dia como aquela criança que você foi, pura e sem maldade, trazendo-lhe alegria e felicidade diante da vida. Por isso que Jesus em suas pregações disse que se não nos tornarmos como crianças jamais conheceremos a Deus, ou seja, seremos felizes e alegres.

    Oras, mas quem é Deus para nós? Para nós, Deus é este self com o qual perdemos contato devido à nossa educação que nos afastou dele. Nunca será tarde para recuperarmos ele mas dependendo de nossas obras na vida, o processo poderá ser muito doloroso para nós.

    Por isso que muitos esquerdistas temem a luz da verdade e dos fatos e falam dos direitistas como se os mesmos fossem o próprio demônio. Justamente pelo motivo de os mesmos com seus discursos racionais desmascararem seus egos mal-formados. Não é culpa deles agirem mal em função de suas motivações emocionais negativas mas é culpa sim, agirem crimosamente e egoistamente em função das mesmas.

    Como Jesus bem disse:- Eu venci o mundo! Oras, o que ele quis dizer com isso? Ele quis dizer que, apesar de possuir todas as nossas motivações emocionais negativas ele valorizou o seu sentimento de amor e, com isso, conseguiu vencer a si mesmo e seu demônio interior. Tanto é que quando ele esteve no deserto sendo tentado, metaforicamente falando, ele tomou contato com essas motivações maldosas dentro de si mesmo mas escolheu o caminho oposto: lutar contra elas e agir por amor ao próximo e jamais odiar o próximo. Com isso, ele ficou desajustado socialmente e sofreu a rejeição social de seus contemporâneos, mas deixou em forma de parábolas o caminho das pedras para a auto-redenção.

    Percebe por que eu era considerado louco e desajustado socialmente? Porque minhas emoções e motivações eram uma coisa e minhas atitudes e ações em função das mesmas eram outra coisa. Com isso, fui me perdendo de mim mesmo, ou seja, de meu próprio ego, e fui valorizando, sem querer, o meu self, ou aquilo que chamamos de alma.

    Um grande abraço para você e com estas palavras acho que consegui dar uma certa substancialidade à conceitos abstratos que muita gente tenta entender racionalmente mas as palavras lhe fogem por falta de paralelo com a realidade exterior. Acredito que os orientais já descobriram estes mecanismos interiores tanto é que estão dando um show capitalista para nós ocidentais.

    Não existe exatamente experiência mística e sim o reencontro de si mesmo, no momento em que você parou de ouvir a si mesmo para ouvir aos outros, a fim de se identificar com o ser-humano e se sentir um ser-humano também.

    Abraços.

  18. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Após todo esse desabafo, no qual vi-me forçado compulsivamente a tomar contato com minhas idéias religiosas e fazer um paralelo com as minhas experiências de vida, a fim de justificar as mesmas, dando-lhe um respaldo moral-cristão, percebo que não sou mais aquela pessoa que começou neste blog a dissertar sobre política.

    Na verdade, percebo agora que a política foi um excelente expediente para eu projetar nos representantes da mesma as minhas maldades interiores de tal forma que, após uma leitura de meus textos eu acabava por me reconhecer em minhas palavras.

    Hoje, estou me sentindo tão diferente de dias atrás como se tivesse arrancado de dentro de mim um peso que eu carregava durante anos e nem sequer tinha coragem de pensar sobre o assunto, preferindo ficar na eterna auto-condenação de meus erros pretéritos.

    É como se algo tivesse se rompido dentro de mim e, pela primeira vez em muitos anos, estou tomando contato com a minha pequenez e não mais através de um ego inchado e super-dimensionado, que visava produzir em mim emoções de orgulho a fim de compensar a minha falta de auto-estima.

    Sim, meu caro amigo, eu também estava lutando contra o orgulho que adquiri durante a minha vida que nada mais é que uma tentativa mental de se dar um pouco de amor-próprio quando não se o tem e se sente muita vergonha de si mesmo e de seu passado.

    Por esse motivo, não titubeei em dar meu nome verdadeiro neste blog pois eu desejava do fundo do meu coração perder a vergonha de mim mesmo. Com isso, meu orgulho foi se desfazendo, principalmente pelo apoio moral que você me proporcionou, permitindo-me encarar a mim mesmo como realmente sou, sem críticas e sem rejeição. Esta sua cooperação ajudou-me a falar cada vez mais de minhas experiências a fim de torná-las mais conscientes para compreendê-las melhor e dar novas interpretações para as mesmas, segundo meus conhecimentos atuais de psicologia.

    A minha inveja, que era uma atitude mental de vampirismo emocional pois se alimentava da inveja alheia quando eu conseguia provocá-la nos outros também se desfez pois reconheci o seu mecanismo interior em mim mesmo e não mais a sinto. Por isso, até ontem, sentia-me enfraquecido pois não tinha mais recursos para sentir-me forte através do roubo de energia emocional alheia.

    Já hoje, trabalhei como sempre e consegui me concentrar em minhas tarefas como nunca. Foi como se pela primeira vez em minha vida eu tivesse sentido prazer pelo meu trabalho sem estar necessariamente servindo às minhas necessidades emocionais de auto-afirmação, auto-valorização, auto-engrandecimento, etc.

    Trabalhei pelo simples prazer de vencer desafios. Você nem imagina como é bom sentir-se assim depois de quase 20 anos de cegueira mental e emocional.

    Sinto-me pequeno por dentro e por fora mas nem por isso me sinto mal comigo mesmo. Acredito que todo aquele ego que montei para chamar de eu deveu-se à dor da rejeição familiar e social que senti no passado, sem ter recursos para me elevar diante das críticas alheias que me feriam profundamente.

    Enfim, reconquistei meu verdadeiro eu ou self e como primeiro dia dessa reconquista senti hoje de manhã uma certa vontade de ser feliz e, principalmente, um certo medo em ser feliz. É. Parece que eu tinha medo de ser feliz e de provocar a inveja alheia sobre esta minha felicidade. Todo invejoso se auto-anula tentando se defender da inveja alheia.

    Durante o trajeto até o meu trabalho fui dialogando mentalmente comigo mesmo a fim de compreender racionalmente esta emoção que de medo de ser feliz. Parece-me que toda a minha negatividade interior se esvaziou por completo e já não sentia mais motivos para ser infeliz. Fui-me ajudando mentalmente através desse diálogo e comecei a sentir prazer por andar de cabeça erguida numa postura mais adequada à minha pessoa.

    Toda aquela sensação de imerecimento, de ser metido, de pensar que sou o que não sou, foi desaparecendo gradativamente e sinto-me tão diferente de antes que parece que nunca em minha vida consegui ser eu mesmo. Não me lembro de nenhum momento em minha vida de ter pensado bem de mim e minhas emoções e sentimentos corresponderem a esses pensamentos.

    Parece incrível mas sei que tudo isso que estou falando muita gente vai achar que é tão natural em si mesmas que, com certeza, ficarão espantadas de ver uma pessoa como eu se impressionando com tal coisa.

    Por isso, rogo-lhe que jamais ache a miséria ou a pobreza bonitas pois as mesmas criam nas crianças que as vivem um complexo de inferioridade bastante prolongado e dá muito trabalho resover-se isso, principalmente se a pessoa não fez o seu melhor durante a vida como estudar, trabalhar, progredir, enfim, não teve a coragem necessária de lutar contra essa postura interior.

    Muitos abraços a todos que lêem estas minhas palavras e desejo de coração muita sorte e felicidade para todos.

    Da minha parte, eu jamais terei coragem um dia e nem sequer conseguirei mais discriminar alguém ou maltratar uma criança com palavras ásperas ou grosseiras em relação à sua condição social ou econômica.

    Acredito que finalmente aprendi a grande lição de minha vida:- Não façai ao próximo o que não deseja para si.

    Acompanhem minhas experiências descritas neste blog e saberão o porquê dessa grande lição que aprendi com muitas dores e lágrimas.

    Tchau!!!!

  19. Olá João!

    Já falei como me sinto recompensado por meu blog ter servido de campo de exploração da mente para vc e volto a dizer. São momentos como este que fazem realmente valer a pena manter um blog.

    Tudo que vc fala nos faz pensar, mas uma coisa deste comentário acima me chamou mais a atenção.

    Reconhecer que somos pequenos…

    É incrível como podemos ser cada vez menores enquanto tentamos parecer cada vez maiores.

    O fato é que nós todos SOMOS pequenos, ínfimos na verdade! Pensar diferente é uma doença moderna muito séria que leva a preconceitos e fundamentalismos como os que apontei ao escrever este post sobre o Mídia Sem Máscara.

    Assim, apesar de aparentemente ter fugido do assunto em seus comentários no final das contas você talvez tenha feito um mergulho profundo em alguns dos mais fundamentais defeitos humanos e todos nós que acompanhamos o desenvolvimento da sua auto-análise aprendemos muito!

    Abraços!

  20. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Muitas vezes as pessoas vivem uma vida alienada de si mesmas e de suas verdeiras necessidades e motivações.

    Por exemplo, quando eu chamo alguém de metido ou orgulhoso este meu comentário foi provocado por algum sentimento ou emoção dolorosa que essa pessoa despertou em mim. A fim de racionalizar essa emoção eu rotulo essa pessoa com um adjetivo aceitável culturalmente, disfarçando assim o mal-estar que a pessoa me provoca. Aprofundando-me mais nesses meus comportamentos que aprendi com minha família, descobri que os mesmos eram motivados pela inveja.

    Com isso, dependendo da forma como lido com minhas emoções negativas vou criando em minha mente um discurso cada vez mais absurdo pois se eu não me envergonhasse de minhas emoções negativas eu as aceitaria e as resolveria. Envergonhando-nos das mesmas, impedimos nossa mente de resolver o dilema emocional e passamos a construir idéias que visem justificar nosso mal-estar diante dos outros, culpando-os e deixando de perceber que aquilo que atribuímos aos outros é justamente aquilo que nós somos e nos negamos a tomar consciência.

    Por exemplo, se eu sou invejoso e me nego a encarar isso quando eu vir alguém que comprou uma televisão nova logo vou dizer que ele comprou porque ficou com inveja de tal fulano. Jamais pensarei que ele comprou porque viu na loja e gostou.

    Se eu sou orgulhoso e luto contra isso a fim de me sociabilizar melhor, quando alguém vier me mostrar uma conquista sua eu logo pensarei que ele está dando uma de orgulhoso. Jamais pensarei que ele está querendo dividir sua felicidade comigo porque gosta de mim.

    Dizem que nossa mente se chama mente porque ela mente para nós. Por isso, aqueles que tiveram uma educação muito repressiva desenvolveram um super-ego por demais limitador de suas ações. Quando um sentimento desperta numa pessoa assim ela luta contra o sentimento, xingando-o mentalmente dos piores nomes, até que consegue recalcá-lo no sub-consciente.

    Essa violência contra si mesma que não dá à pessoa a chance de cultivar sentimentos felizes e a obriga à uma vida reclusa emocionalmente, faz com que a pessoa viva uma vida muito racional e sem alegria. Faz tudo certo mas pelos motivos errados pois a única forma de aferir a qualidade de nossas ações é justamente sentindo as emoções que elas nos despertam.

    Uma pessoa com inteligência emocional desenvolvida que sabe dar nomes às suas emoções consegue se resolver e amadurecer muito mais depressa na vida, pois não fica fugindo de si mesma. Ao invés de sentir inveja de alguém e ficar chamando a pessoa de metida ou orgulhosa ela vai na loja e compra aquele objeto que o outro possui e tanto provocou a sua admiração e desejo.

    A inveja aparece na pessoa quando ela recalca suas vontades e desejos. Com isso, quando uma vontade ou desejo se manifesta acaba se manifestando em forma de inveja bastante dolorosa.

    Conhecendo-se essas características emocionais do ser-humano, torna-se necessário uma legislação simples e eficiente a fim de coibir certos atos. Se no Brasil fosse aceito o furto, o roubo, o assassinato, muita gente invejosa se veria no direito de roubar ou matar as pessoas que elas mais invejam.

    Percebe como a pobreza não é causadora da violência e sim da inveja? O pobre que virou ladrão ou assassino não é uma vítima da sociedade e sim da forma como ele aprendeu em seu meio social e familiar a lidar com suas vontades e desejos.

    O que aumenta o nível de violência atual no Brasil e faz com que os jovens cada vez mais concordem com idéias geradas pela inveja é o fato de que aparentemente não há mais idéias contrárias à inveja que garantam ao cidadão um futuro melhor através de seu esforço pessoal.

    Muita gente inteligente está renunciando à sua inteligência para o bem a fim de se sentir aceito socialmente mas, infelizmente, cada vez mais estamos sendo bombardeados por valores culturais que evocam e justificam nossos mais baixos sentimentos e instintos.

    Por isso, meu caro colega, se este é o caso de muita gente aconselhe-as a se afastarem das pessoas negativas que só evocam em si as suas negatividades.

    Certa vez, quando eu tinha 24 anos, um colega de infância que havia entrado para o mundo do crime, falou-me que conhecia muita coisa da vida. Na época, lembro-me de que até me senti ignorante pois da vida eu não conhecia nada mas de matemática, física, química, computador, etc. eu conhecia bastante. Isso me causou um certo mal-estar mas racionalizei que do lado mau da vida ele conhecia muita coisa ao passo que eu só conhecia e entendia o lado bom.

    Há um ditado que diz: dize-me com quem andas e eu te direi quem és. Apesar de eu me esforçar para me manter no bem e justificar as minhas ações como sendo boas para mim, meu lado emocional sempre me fazia sentir o contrário. Por isso tive que construir minha vida muito mais racionalmente do que emocionalmente para um dia, dependendo do meu sucesso, mostrar a mim mesmo que as razões de minhas emoções negativas eram infundadas pois se meus pais eram infelizes foi porque eles colocaram idéias absurdas na cabeça e tentavam passar estas mesmas idéias para os filhos.

    Por isso que a vida parecia para mim como um sofrimento inevitável e tudo que eu fazia em prol de meu progresso era muito doloroso e eu tinha que ter muita força de vontade para seguir em frente.

    Lembro-me de como meus pais pintavam a realidade de uma forma negativa a fim de justificarem o seu conformismo com a vida. Quanto mais eu obtinha sucesso financeiro e profissional mais eles se ressentiam pois com minhas ações e não com minhas palavras eu fui demolindo aquele sistema de crenças e valores que os mesmos endossaram para si.

    Como você se sentiria vendo seu filho ao qual você passou a vida inteira dizendo-lhe que o mundo é mau para muitos e bom para poucos e que, contrariando sua visão de mundo, ele está se dando bem na vida?

    Das duas uma: ou seu filho está sendo desonesto e está roubando ou ele está iludido com a vida e logo ele vai se decepcionar com a vida pois está querendo subir muito e a queda será grande. O problema é que o meu sucesso profissional perdurou por mais de 20 anos e perdura até hoje, contrariando as piores expectativas de minha família. Como eles vão digerir isso? Se eles perdessem menos tempo falando mal da vida dos outros e se ocupassem com algo que pudesse trazer-lhes conforto e bem-estar no futuro, com certeza eles estaria até melhores que eu e até muito mais felizes. O problema é que eles não conseguiram perceber ou acreditar que havia uma vida diferente e melhor lém de suas tacanhas crenças e valores.

    Sim, meu caro colega, você nem imagina a vontade, o desejo, a necessidade que sinto no fundo de minha alma de desmascarar essas mentiras principalmente para aqueles que já tem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Por isso, sou bastante verborrágico nesse blog pois sinto que estas verdades que aqui exponho são necessárias e úteis para todos os brasileiros que sofrem com suas falsas crenças e valores.

    Para se aferir a qualidade de uma crença basta aferir os sentimentos que ela despertam na gente. Se desperta sentimentos dolorosos de medo, culpa e vergonha, então a crença é falsa. Caso contrário, se nos faz sentirmo-nos bem e mais fortes então a crença é verdadeira pelo menos para nós, por mais que tentem nos convencer do contrário.

    Obrigado pelas suas palavras encorajadoras e muito elogiosas pois as mesmas dão-me muita força e coragem para, cada vez mais, elaborar o meu discurso, tornando-o cada vez mais compatível com a realidade que percebo.

    Talvez você se interesse por uma de minhas primeiras experiências nesse campo que desenvolvi há um ano atrás. O link segue abaixo:

    http://rv.cnt.br/viewtopic.php?t=1326&postdays=0&postorder=asc&start=140&sid=ef7e2fc586a85bac91d2725da94230a5

    Abraços e tudo de bom para você.

  21. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    Aproveitando-me da sua frase:

    “O fato é que nós todos SOMOS pequenos, ínfimos na verdade! Pensar diferente é uma doença moderna muito séria que leva a preconceitos e fundamentalismos como os que apontei ao escrever este post sobre o Mídia Sem Máscara.”

    quero dizer-lhe que nosso cérebro não foi feito para nos compensar de nossa falta de emoções positivas.

    O fato de alguém precisar pensar que é grande mostra que a pessoa não se sente grande. Por isso que as pessoas mais humildes que conheço são aquelas que são ricas. Elas não precisam pensar que são grandes pois já se sentem grandes. Com isso, seus cérebros ficam liberados para pensar em coisas mais sérias do que ficarem construindo uma falsa auto-imagem.

    É isso. Tudo que pensamos sobre nós mesmos é falso. O verdadeiro é aquilo que sentimos sobre nós mesmos. Não pense que que quem elaborou a Psicanáise era algum ser superior. Muito pelo contrário, era justamente uma pessoa cheia de bloqueios psicológicos mas muito inteligente que teve a coragem de viajar para dentro de si mesma e conhecer a fundo suas verdadeiras motivações. Imagine a vergonha e a culpa que esse indivíduo sentiu ao se desmascar diante do tribunal de sua própria consciência e de seus valores sociais. Esta pessoa foi Sigmund Freud.

    Por isso, meu caro colega, que Freud foi uma pessoa digna de admiração e é considerado o pai da psicanálise.

    Uma criança que se sente amada pelos pais consegue sentir-se de bem com sua vida. Daí, para ter sucesso na vida, basta estudar e se dedicar um pouco que consegue ter tudo o que sonhou e desejou e, ainda, fazer diferença no mundo. Agora, uma pessoa que precisa encher a cabeça de idéias de grandeza é porque não se sente grande, já que seus pais sempre a humilharam e rebaixaram diante dos outros. A maior parte da atividade mental desse indivíduo será desperdiçada na tentativa de se auto-afirmar diante da sociedade esperando que a mesma lhe diga quem ele verdadeiramente é. O pouco que lhe sobrar de atividade mental ele usará para construir uma vida profissional para si, tão necessária à sua sobrevivência.

    Certa vez minha mãe me criticou por eu estar me sentindo grande dizendo:- Quem você pensa que é? Nesse momento eu nem soube o que responder para ela pois eu nem estava pensando nada e sim sentindo. Com isso, senti-me envergonhado desse sentimento e procurei combatê-lo me auto-anulando diante de minha família e procurando não demonstrar mais prazer pelas minhas conquistas e sim, dor e sofrimento, taxando-as de difíceis e dolorosas e que eles é que estavam certos por serem humildes, pois eu sofria muito por ser ambicioso. Pior, eu nem sequer era ambicioso, apenas queria me dar uma vida melhor e menos miserável não só para mim como também para minha família, pois sempre colaborei financeiramente com meus pais.

    Percebe como eu era criticado pelos meus sentimentos bons e valorizado pelos meus sentimentos maus? Era duro ter que viver nessa contradição e pior, não saber como lidar com esses ataques familiares oriundos do sentimento de inveja dos filhos que dominava meus pais.

    Meu pai adorava exibir seu extrato da poupança para nós a fim de despertar em nós a inveja. Era duro para mim perceber que ele só valorizava as suas conquistas financeiras a duras penas e desvalorizava as conquistas dos filhos. Já a minha mãe, parece-me que sonhava com a morte dos filhos para que estes deixassem uma pensão para ela. Tanto é que um irmão meu que faleceu solteiro deixou-lhe uma pensão de cerca de 600 reais. Imagine a pensão polpuda que eu lhe deixaria com a minha morte. Por isso que ela nos impedia de crescer. Pior que quando eu estava fazendo uma coisa boa para mim ela me criticava. Quando eu estava fazendo uma coisa auto-destrutiva como embriagar-me ela não falava nada como se estivesse aprovando esse meu comportamento.

    Entende como eu não podia demonstrar minha alegria e felicidade diante de meus pais e entende porque eu me tornei um cervejólatra pois estando ébrio eu me sentia bem pois desligava a minha consciência e deixava minhas emoções e sentimentos falarem por mim, ou seja, sentia que estava vivendo a vida. Quando ficava sóbrio eu bloqueava meus sentimentos e passava a pensar que estava vivendo a vida e não exatamente sentindo.

    Com uma vida tão dividida assim, onde eu me negava a tomar consciência de minhas emoções saudáveis, vivi muitos anos com depressão. Só me sentia bem quando estava bêbado, pois minha mente não me permitia sentir coisas boas e somente coisas ruins.

    Mesmo com toda essa dificuldade, consegui me concentrar mentalmente em meu trabalho e profissão, com muita força de vontade. A força de vontade não é necessária para as pessoas que sentem que estão no caminho certo e sim para aquelas que alimentam dúvidas sobre si mesmas. Como eu nunca fui aprovado pelos meus pais eu precisava ter muita força de vontade para realizar as minhas metas. Eu sentia muito medo de subir muito alto e a queda ser muito grande mas como eu já estava cansado de sempre cair do baixo preferi me arriscar. Se fosse para cair que fosse do alto pois do baixo eu sempre caía e ninguém me levantava. Pelo contrário, me derrubavam ainda.

    Isso significa te impedirem de crescer. Quando você galga um degrau e se sente bem com a conquista seus pais te rebaixam e você volta a ocupar emocionalmente aquele degrau anterior. Quando vem outra conquista você volta a se sentir bem e novamente é rebaixado. Por isso que aprendi a não me sentir bem com meus sucessos. Tinha tudo para ser feliz mas não passava de um infeliz. Somente me sentia feliz quando conseguia desligar minha consciência através da ingestão de cerveja e como eu não crescia ficava cada vez mais ressentido com a felicidade alheia pois não conseguia entender como uma pessoa podia ser feliz não ganhando o mesmo salário que eu e nem mesmo tendo a mesma profissão que eu. Tornei-me então um invejoso do emocional alheio e não propriamente das coisas materiais que as pessoas possuíam. Invejava sim, as emoções das pessoas pois não sabia como fazer para me sentir como elas se sentiam e por isso achava que elas estavam fingindo que eram felizes.

    Abraços.

  22. Roney says:

    Olá João!

    Esta coisa de sermos um tipo de elo perdido entre o animal e outra coisa cria um caos danado que não sei se um dia se resolve, afinal como pode um computador ou um cérebro explicar a si mesmo?

    Talvez a explicação não seja o fim, mas a pergunta. Talvez nossa missão não seja responder, mas questionar e ir se transformando enquanto aprimoramos nossas perguntas.

    Em parte pode ser que esteja ai parte do problema de grupos como o Mídia Sem Máscara: eles estão obcecados pela resposta.

  23. Pedro says:

    João e Roney,

    Já faz algum tempo que não escrevo. Vou tentar ser breve.
    João, eu concordo com tudo que escreveu mas sinto que a raiva que você sente dos seus pais é muito grande, desde que nós trabalhávamos na USP. Não sei se você se sente mal com isso, eu me sentiria. Uma coisa é você não concordar com o que diziam e faziam, outra diferente é estar sempre nesta briga interna de você contra eles. Falo isso de maneira geral, não sei os detalhes da sua vida com eles desde a infância, talvez tenha sido mesmo muito traumática mas penso que você deva tentar superar todos estes eventos que fizeram com que você tivesse se afastado tanto deles.
    Também vim de uma família grande e, de certa forma, também me senti rejeitado e ainda me sinto às vezes mas para sermos felizes devemos pensar apenas nas coisas boas. Tente esquecer as ruins. Há pouco tempo tive brigas feias com minha mulher, de quem já tive separado por um ano e meio. Ainda não consigo gostar dela, nem ela de mim, como penso que
    um casal deve ser mas estamos vivendo aos trancos e barrancos, inclusive financeiramente, porque nós temos dois filhos em comum e a meu ver, não encontramos outra maneira de cuidar dos mesmos sem ser juntando nossos esforços. Às vezes saímos juntos e até mesmo podemos nos divertir, como ontem, por exemplo, quando fomos a um baile mas quando volta a rotina um quase não conversa com o outro e fica aquele clima tenso. A verdade é que um não se abre para o outro e isso afeta no relacionamento que temos com nossos filhos, haja vista que um é autista e o outro um adolescente de 13 anos que muitas vezes tem nos dado trabalho.
    Parece que eu mudei completamente de assunto mas só quis estabelecer um paralelo com seus problemas. Com relação aos meus pais, acho que eu sempre tive muito medo deles, principalmente do meu pai, o que fez com que eu me anulasse totalmente e não desse valor para mim mesmo. Sempre o achei um modelo de perfeição, tanto profissionalmente como moralmente e por isso, de tanto achar que era inferior, procurei ser totalmente diferente dele, o que acho que não foi bom para mim no sentido de que me afastou de todos os outros, que, embora não concordassem com tudo que ele dizia e fazia, o entendiam e o aceitavam mais do que eu. Hoje falo com ele mas não de coisas muito íntimas mas não quero esquece-lo, quero ainda ter uma relação construtiva com ele, minha mãe e meus irmãos.
    Abraços,
    PEDRO

  24. João da Rocha Labrego says:

    Caro Pedro e Roney:

    Felizmente consegui expor com a maior precisão possível neste blog aquilo que me afligia intimamente.

    Na verdade, o ódio que eu sentia foi dirigido a mim mesmo pelo simples fato de eu me envergonhar de ser tão medroso e covarde. Esse meu medo da vida e da morte foi muito reforçado pela minha família desde a minha infância. A única forma que encontrei de combater ele foi sentindo ódio do mesmo, ou seja, dos meus medos, pois eles faziam com que eu me sentisse carente e fraco, necessitando de pessoas que me enganavam.

    Precisei dirigir esse ódio às pessoas certas que provocaram meus medos e não à minha pessoa. Por isso que expus tudo isso nesse blog. Tinha que me libertar do meu ódio contra mim mesmo pois não tive a coragem de manifestá-los diretamente às pessoas que o provocaram.

    Este processo catársico funcionou e está funcionando pois cada vez mais estou me vendo não mais como um ser desprezível e sim como um ser-humano digno e lutador que precisou descer ao seu inferno interior para resgatar a si mesmo.

    Tudo isso é chocante para muita gente pois somos ensinados a acreditar que devemos tudo aos nossos pais e que eles nos amam incondicionalmente. Acreditamos tanto nessa falácia de nosso raciocínio que tornamo-nos incapazes de julgar os nossos pais de uma maneira objetiva mas posso garantir que se fosse nos tempos de hoje meus pais estariam na cadeia ou no mínimo teriam perdido o poder pátrio sobre os filhos.

    De qualquer forma, tudo isso que expus não foi exatamente para ajudar alguém e sim, para ajudar a mim mesmo, contando com a colaboração e incentivo de vocês para eu me aprofundar cada vez mais em minhas motivações interiores.

    Felizmente, o meu tanatismo está se dissolvendo totalmente e estou voltando a apreciar a vida. Foi extremamente duro encarar tudo isso mas prerfiro muito mais odiar e desprezar meus pais do que a mim mesmo. Se ainda eles tivesse me ajudado a superar esse ódio quando ele ainda era consertável eu jamais teria necessidade de expor tudo isso para vocês.

    Espero que me compreendam pelo conteúdo catársico de meus textos e não me condenem por eu ter inconscientemente tomado caminhos inadeqüados na vida. Afinal, de tanto errar na vida agora estou aprendendo a ficar do meu lado e valorizar o bem tirando a importância do mal.

    Em tempo, os vínculos de dependência emocional que criamos em relação às pessoas provoca em nós uma dependência emocional que nos faz odiar a pessoa que pensamos amar. Esforçamo-nos para transformar esse ódio em atitudes amorosas mas nosso comportamento fica contraditório com isso. Pense nisso, caro Pedro. Talvez o seu problema conjugal seja essa dependência que cada um de vocês criou em relação ao outro. O filho que não consegue se libertar nem da mãe nem do pai sente imenso ódio por eles, tentando transmutar esse ódio em amor, sendo que o melhor é assumirmos nosso ódio e nos mandarmos da casa dos pais.

    Abraços.

  25. João da Rocha Labrego says:

    Caro Roney:

    A fim de fechar esse blog com chave de ouro gostaria de lhe dizer que todo esse blá-blá-blá que elaborei aqui serviu-me para compreender melhor a mim mesmo e também aos demais seres-humanos.

    Talvez você não entenda todo esse papo de uma forma científica mas tudo que foi exposto aqui faz parte de um método científico denominado catarse ou desabafo emocional.

    A catarse funciona da seguinte forma: primeiro a gente vai deixando as emoções se manifestarem em nossa mente consciente e em nosso físico. Isso vai permitindo à mente elaborar um discurso sobre a origem e o significado dessas emoções associando-as com lembranças passadas.

    Muitas das coisas que aqui expressei eu tive que engolir e recalcar no passado, ou seja, reprimir no inconsciente. Com isso, minha consciência de minha vida e de meus motivos para viver foram ficando cada vez mais obscuros para mim. Já não sabia mais pelo que eu estava vivendo nem mesmo pelo que eu estava trabalhando e ganhando dinheiro. Minha vida perdeu completamente o sentido, dado o nível de inconsciência de minhas motivações em que eu vivia.

    Como pode notar, seria perigoso no passado eu tomar contato com tudo isso pois produziria em mim muita revolta, capaz de enlouquecer à qualquer pessoa. Agora, entendo o porquê de minhas irmãs e meus irmãos terem sofrido mental e psicologicamente.

    A dor de encarar de frente a tantos estímulos contraditórios, absurdos e dolorosos fez com que reprimíssimos nossa capacidade de entender o mundo a fim de não compreendê-lo, evitando assim a dor de nossa sensação de fracasso e inadeqüação social, ou seja, passamos a ver apenas aquilo que queríamos ver, tornando-nos individualistas ao extremo, tal o sofrimento que a contrariedade às nossas crenças nos causavam.

    Precisei enfrentar tudo isso e hoje posso garantir que é um processo enlouquecedor e precisa-se de muita literatura e conteúdo psicológico para se aventurar nessa empreitada.

    Por isso, respeitemos as fantasias alheias tanto religiosas como folclóricas porque não sabemos as dores imensas que estas fantasias estão escondendo das pessoas.

    Infelizmente, nossa realidade familiar foi muito dura e muito pobre de fantasias consoladoras. Agora entendo o porquê da necessidade de uma cultura mais eficaz no sentido de nos poupar de dores indizíveis na linguagem humana.

    Essa cultura chama-se cultura dos símbolos. Infelizmente, a cultura portuguesa é muito pobre em matéria de símbolos culturais já que os portugueses não gostam muito de chorumelas e pieguices. Com isso, eles são muito críticos às alegrias proporcionadas pelas nossas fantasias culturais tais como samba, carnaval, festas populares, aniversários, natal, etc..

    Um exemplo disso foi quando minha irmã tinha 5 anos e pediu dinheiro ao meu pai para comprar doce. Meu pai pegou uma colher de açúcar e lhe deu dizendo que era doce do mesmo jeito. Ela chorou e esperneou para ganhar o dinheiro mas não adiantou. Ficou sem o açúcar e sem o doce pois meu pai era incapaz de compreender o significado de um doce para uma criança.

    São essas picuinhas culturais que nos fazem sentir verdadeira aversão aos portugueses que aqui vivem e trabalham pois os mesmos, por só ganharem dinheiro e não viverem, adoram falar mal dos brasileiros que ganham e gastam para se divertirem, chamando-os de vagabundos. Pior de tudo é que com o passar dos anos tudo que esses portugueses construíram tão lindamente acaba se deteriorando e seu dinheiro não é usado nem para manter o que tão duramente conquistaram.

    Enfim, é uma pobreza só, de coração e de alma.

    Tentei transformar toda essa revolta recalcada em meu inconsicente em palavras e conceitos a fim de tornar essas emoções inteligíveis para mim. Agora, após ter identificado a principal causa de todo esse meu distúrbio psicológico, pretendo tocar a minha vida para a frente e deixar o passado para lá. Nem sequer sinto mais curiosidade pelo mesmo, já que o mesmo foi tão miserável para mim que é difícil dizer que sinto saudades de alguém ou de minha distante infância.

    Espero que você um dia, caso precise, se lembre desses assuntos que conversamos aqui e não sinta medo de enfrentar suas dificuldades emocionais na vida.

    Abraços e adeus!

  26. wilson lopes says:

    Prezado Senhor,

    Lendo aqui, acho que muitos dos comentários são ingênuos e desprovidos de maior seriedade. Não mim julgo de centro, de esquerda ou de direita, mas entendo que excetuados alguns dos comentários do Mídia Sem Máscara, a maioria trata com seriedade as questões que envolvem atualmente este País. Dá prá sentir – nos comentários do Mídia – no ar que as atitudes do Governo, principalmente aquelas nas quais se envolve com o “Chaves” e outros latinos, “cheiram” à podridão e descaminhos que irão nos infelicitar mais tarde.

    Um Abraço.
    Wilson S. Lopes

  27. Caro Joao da Rocha Lamego

    A crítica que vc fez a minha postagem no blog Abacoros!eu exclui sem querer.

    http://www.abacoros.blogspot.com

    Peço desculpas e também, se possível, que vc a refaça.

    Um grande abraço

  28. Roney says:

    Oi Wilson, tudo bem?

    Sabe, eu definitivamente não me sinto nada a vontade com radicalismos e, até onde acompanhei o Mídia sem Máscara em geral não se via o compromisso com as perguntas, mas sim em confirmar as respostas previamente e dogmaticamente pré-estabelecidas.

    Se isso mudou eu não sei, espero que sim pois nossos tempos precisam de pessoas em busca de novas respostas e mesmo novas perguntas.

  29. Félix Maier says:

    Não, os articulistas de Mídias Sem Máscara não são marionetes de ninguém. Vocês, esquerdistas de merda (desculpem o pleonasmo) é que estão a serviço de vagabundos como Fidel Castro e Hugo Chávez – sem falar nos PeTralhas que desmandam no Brasil

    Comentando:
    Bem, se por não gostar da linha editorial do Mídia Sem Máscara, eu sou um esquerdista de merda a serviço do Fidel e do Hugo Chávez (não era para eles pelo menos depositarem alguma grana na minha conta? Raios de comunistas pão-duros!) então sou um marionete e não adianta nada fazer o comentário que você fez…
    Já que vc rebateu somente a minha primeira suposição devo supor que os articulistas de lá, na sua opinião, estão “perplexos e assustados” ;-)

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