Menu

Leia por RSS

Hospedagem ecológica

Já usa o Firefox?

Download Day - Portuguese

Quer navegar melhor na Internet?

Firefox 3

Propriedade Intelectual

Creative Commons License
Isso quer dizer que você pode usar e adaptar o que acha aqui desde que sempre me dê o crédito de criação e NÃO use comercialmente.

Sonhos entre corredores de concreto

30th, September 2004

- Gato de botas… Hei, Gato! Tá me ouvindo?

Ele brinca displicentemente com uma folha que pende da árvore e balança com o vento produzido pelos ônibus que passam. Toda aquela ironia que faisca nos seus olhos sumiu totalmente e tudo que se vê é o brilho ingênuo de uma criança que se diverte com os próprios sonhos.

- Oi!? - responde interrompendo a brincadeira, afastando para o lado o hábito de mosqueteiro e levantando a aba do chapéu para me espiar com os olhões sorridentes.

- Queria te perguntar… Bem… Por quê você é tão grosseiro de vez em quando? Apesar de ser um bom… quer dizer, uma boa pessoa para algumas coisas a sua falta de sensibilidade é chocante!

- É… Você tem razão… Fico me perguntando isso de vez em quando também… Ando perto dos humanos faz tanto tempo que até esqueci um pouco das minhas origens, sabe? Mas elas estão lá berrando nos meus ouvidos o tempo todo! Sabe? Lá de onde vim não tem moleza e no mundo dos homens parece que é tudo que todos querem! Moleza! Arre! A vida no mundo longe dos homens não é fácil! O mundo foi feito assim, raios! Para os fortes, predadores como eu e corredores como os coelhos! Ha! Mas nas cidades não! Vocês parecem mergulhados em um sonho onde o mundo é um conto de fadas! Isso me tira do sério…

É… depois disso achei que devia sentar diante da lua e pensar um pouco na vida.

Filed under: Devaneios, Reflexões | No Comments »

Deus me livre!

29th, September 2004

… sempre que dá, né? Tem horas que a gente não tem saco e só quer d…

Um maço de papéis surge no meio da animada conversa que se desenrolava como a fumaça que escapa da chaminé enquanto os dois caminhavam entre os pontos de ônibus diante do Rio Sul. Um maço de papéis espalhados em uma mão como cartas de baralho cheias de canastras reais e coringas escondidos: propaganda política!

- Como? — perguntou ele olhando para o panfleteiro, acompanhando sua mão até fitar o nome escrito na camisa: Crivella — Crivella? Não! Crivela Não!!! Deus me livre! — completou ele apressadamente se virando para se afastar dos panfleteiros como se fossem leprosos!

Enquanto os dois se afastavam voltando ao seu animado papo os panfleteiros cospiam saliva ácida acusando os outros candidatos de ladrões, de comprar apartamentos de luxo e outras coisas que se perdiam conforme o ruído dos carros superava suas vozes que lutavam para sair das caras vermelhas de raiva…

Filed under: Devaneios | No Comments »

Insensível

28th, September 2004

- Sabe o cara que mataram logo ali na Pompeu Loureiro? Aquele que levou seis tiros em frente ao clube quando subia na moto?

Ela comenta sem tirar os olhos da TV, estou de pé olhando distraidamente pela janela perdido em meus próprios pensamentos. Em um cantinho da minha mente o Gato de Botas — que até ali se dedicava a lamber as patas e esfregá-las no rosto — se deteve no meio do movimento e, com as patas para o ar, passou a ouvir… ainda que seus olhos acompanhassem o vôo de um mosquito ao redor do abajur.

- Sei, ouvi falar alguma coisa — respondo ainda meio distante.

- Pois é! Ele passeava com a cadelinha dele aqui na rua, uma Bull branquinha e amarela. Ele ‘tava sempre espancando ela…

Vejo o Gato voltar lentamente os olhos para a mulher que dava sua notícia tão inocentemente. Suas pálbebras se apertando contrariadas. Dos seus lábios rasteja com dificuldade um comentário que sai rasgado, áspero e feroz:

- Ah! Que bom!

Olho chocado para o Gato, uma vida que se perde é sempre uma vida que se perde, quer dizer… É muito rancor contra uma pessoa por tão pouco. Todas estas coisas estavam escritas bem claramente no meu olhar para o amigo de Botas que lança seu olhar inocente lá de baixo.

- Que foi? Eu não… gosto… de gente… que… bem…

A curiosa criatura parecia mais embolada em sua consciência do que costuma se embolar nas próprias patas quando se deita “confortavelmente” para dormir. Mesmo existindo desde sempre parece que compaixão ainda é um sentimento estranho para o pobre Gato…

- Se ele fosse bonzinho mais gente choraria por ele — é o que ele finalmente diz como se suspirasse, como um golpe de brisa que mal se sente.

Filed under: Devaneios | No Comments »

Sem assunto

27th, September 2004

O excesso de coisas é mesmo tão ruim quanto a falta delas!

O simplório que anda pela rua carregando as três idéias em torno das quais é capaz de tecer uma conversação não tem menos assunto que o sábio que anda pela mesma calçada se embolando em intrincadas relações entre temas cruzados e emaranhados.

Ambos, na hora de falar, nada dizem… ou se dizem se perdem na falta ou excesso de palavras. O primeiro espera que a conversa passe por um dos seus assuntos, o segundo se perde em algum lugar entre a simplicidade do que está sendo dito e alguma remota referência que, por um raciocínio complexto, acaba levando ao mesmo ponto.

É… complicado mesmo é não ficar nem lá, nem cá…

Filed under: Devaneios | No Comments »

14 é abusar!

26th, September 2004

Televisão… Aqueles pequenos blocos de histórias intercaladas por longas sequências de cacofonias de vozes e barulhos que lembram vagamente um tipo de música.

- 14 é abusaa-ar!

A berraria do intervalo bem planejada para seduzir nosso desejo assim que consegue atrair nossa atenção da mesma forma que um animal assustado volta os olhos para a origem de um barulho ruidoso!

- 14 é abusaa-ar!

Às vésperas de eleições as vozes nas telinhas berram também as palavras de ordem e gingles da propaganda política. “14 é abusar” repete a cada bloco, uma, duas vezes até!

Que raio de campanha é esta, ou serão meus ouvidos que agora ouvem o que não está lá a exemplo dos meus olhos que vêem o que sinto e não o que é real?

Filed under: Devaneios | No Comments »