Menu

Leia por RSS

Hospedagem ecológica

Já usa o Firefox?

Download Day - Portuguese

Quer navegar melhor na Internet?

Firefox 3

Propriedade Intelectual

Creative Commons License
Isso quer dizer que você pode usar e adaptar o que acha aqui desde que sempre me dê o crédito de criação e NÃO use comercialmente.

… logo existo!

31st, August 2004

- Não dá para acreditar que uma consciência como a humana se desenvolveu em animais normais, como os que vemos hoje coçando atrás da orelha com as patas, ou comendo bananas nos zoológicos.

- Tem razão! Olha nossos edifícios, as intrincadas sociedades que construimos, o brilhantimos das nossas filosofias e o assombro da nossa capacidade de ir contra nossos instintos por honra, idealismo ou fé!

Os dois passam pelas calçadas de Ipanema conversando animadamente. Sócrates, Sófocles, Lao Tsé e tantos outros senhores do pensamento acompanhando suas reflexões.

Ainda fechadas, as casas por onde passam logo se encherão de luzes e do martelar dar músicas e de corpos febris, disputas truculentas e rituais de afirmação de poder dos machos.

Penso…

Filed under: Devaneios | No Comments »

Vergonha

30th, August 2004

Quase um mês atrás um grande amigo me pediu que abrigasse sua amiga italiana que viria ao Rio para estudar o Teatro do Oprimido. Ela chegou na quinta-feira passada.

É uma moça jovem, com todo jeito de carioca, destas pessoas com quem fazemos amizade instantaneamente. Nos seus 22 anos já conseguiu tempo para falar um punhado de línguas, passar dois meses na India (onde aprendeu mais uma língua), três anos estudando antropologia em Londres, fazer balet, teatro e agora está aqui, aprendendo cada vez mais.

É… Tem gente que realmente fixa um objetivo e sabe buscá-lo.

Mas tive vergonha!

O pai dela, afinal é filha e tem apenas 22 anos! está no país para ter certeza da segurança da sua pequena. A propósito, vendo o pai entendemos a filha! Bom sujeito! Bom sujeito mesmo! E ele ficou preocupado ao ver a Lapa e escutar os aviso do segurança do Centro do Teatro do Oprimido.

Não gostamos de admitir e nos acostumamos tanto com o nosso meio que já não o vemos mais, a não ser através de uma grossa nuvem de indiferença. No entanto, ao me colocar no lugar daquele pai também tive medo! Tive medo e me envergonhei que não possamos receber os visitantes garantindo-lhes paz!

Sim, é verdade que a nossa injustiça social é o que atrai vários deles. É verdade que as nossas veias abertas podem ser a nossa salvação: onde a doença aflora é também onde ela será mais compreendida e melhor combatida. Mas tive vergonha!

Eles não disseram nada, mas as fileiras de homens sem trabalho que esperavam comida eram uma chaga que não precisava de comentários!

Enquanto tenho vergonha escuto os ecos dos nossos discursos demagógicos que engendram justificativas para amenizar a nossa responsabilidade e transferí-la para eles, os que moram nas ruas, que comem nas ruas, que perderam as esperanças.

Vou carregando minha vergonha, nossa vergonha, enquanto as Marias do Brasil, empregadas domésticas e de tantos dons, cantam e dançam sua história entre as paredes rústicas das instalações do Teatro do Oprimido!

Filed under: Reflexões | 2 Comments »

Sorriso da Favela

29th, August 2004

Das vias iluminadas e aquecidas pelos escapamentos dos ônibus que cruzam as grandes avenidas de Copacabana escapam estreitas ruas esquecidas pelas multidões. Calçadas cobertas pelas sobras das árvores sob as lâmpadas dos postes altos.

Conforme os passos seguem em direção à penumbra os ruídos da vida noturna se perdem em algum lugar lá atrás. Então uma esquina como tantas outras, perdida no mapa da memória que se esforça por traçar o caminho pelo emaranhado de ruelas.

De um lado uma ladeira, do outro um corredor de sombrias copas de árvores. Os olhos buscam os céus em busca - instintiva - da segurança e orientação divina e centenas de luzes se estendem acima dos edifícios, um céu estrelado de casas modestas cravadas na carne negra do morro do Pavão; o traçado de um sorriso de luzes pontilhadas; sorriso irônico que expõe a ilusão das ruas plácidas sob seus olhos anônimos atrás de pequenas janelas iluminadas.

Idéia original Alessandra D’Onófrio

Filed under: General | 1 Comment »

Arte Encaixotada

27th, August 2004

Quando escrevi o post anterior a intensão era falar de certas supostas formas de arte atuais. Mas não deu… Ainda bem!

Temos nos encaixotado tanto em nossos universos particulares, nos afastando das fontes primordiais de vida e de percepção a ponto de criar obras totalmente sem sentido para as pessoas comuns!

Um monte de pontas de cigarro, garrafas vazias e cinzeiros é lixo! Um saco de lixo cheio de papelão é lixo, uma banheira suja é uma banheira suja! Se um faxineiro passa e limpa isso tudo talvez seja melhor repensar nosso conceito de arte e não de criticar a falta de sensibilidade artística do povo!

Filed under: General | No Comments »

Raízes expostas

27th, August 2004

- Ah! Pura arte não acha?

“Arte? Onde?” penso olhando ao redor procurando algo no meio da rua cheia de carros, algumas árvores e centenas de pernas ansiosas que transportam pessoas de semblantes fechados. Nada! Não vejo nada!

- Onde você está vendo arte!? - Pergunto

- Olha ali, na esquina sentadinha…

As calçadas são cobertas de tijolos vermelhos que não levam a nenhum mago e nem caminham sobre ela uma menina, seu cão, um espantalho um leão e um homem de lata. Entretanto posso ver alguns pombos ciscando uma faixa de pão branco esfarelado, devia haver ali pelo menos umas três bisnagas grandes. Bem ao lado, como se fosse uma cornucópio de onde o pão jorrasse se sentava uma baiana vestida de panos brancos e com uma touca do mesmo tecido. Em seu colo a foto de algum santo ou divindade.

Negra como o asfalto logo atrás ela mantinha os olhinhos cerrados emoldurados por rugas que traçavam um mapa em seu rosto tranqüilo. Parecia dormir, parecia parte da terra, como se fosse mais antiga que a cidade ao seu redor. É… era pura arte!

Filed under: General | No Comments »