No coração verde
30th, July 2004
A menina e o tio acampam no meio da floresta tropical, este ainda é o primeiro dia, o primeiro na vida da menina de onze anos a ser passado no meio do mato. Ela não tem medo. pelo contrário! Deseja mergulhar no fundo do coração verde que a cerca.
A noite já caiu e o mundo parece ter sido enfiado dentro de um saco escuro de feltro negro, ruidos desconhecidos os cercam por todos os lados. Curiosamente ela se sente segura e aconchegada sentada enquanto o tio acaba de ajustar a barraca.
Durante todo o dia ela viu caminhos escondidos que certamente a levariam para aventuras fantásticas dentro da selva, mas o tio evitava todos eles dizendo que não era hora para ela se aventurar por lugares como aqueles!
“A principal diferença entre um adulto e uma criança é que o adulto não precisa de ninguém que lhe diga quando parar, ele sabe onde estão seus limites… Se na cidade ganhamos um galo na testa quando não aprendemos es lição, na floresta perdemos muito mais!”
As palavras do tio ecoavam em seus ouvidos enquanto olhava para as chamas na fogueira saltarem como se tivessem vida.
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Na porta do camarim
28th, July 2004
Dois amigos enfrentam o frio e vários ônibus para ir do subúrbio a um show das Chicas (Fernanda Gonzaga, Isadora Medella, Paula Leal e Amora Pêra). Um amigo do rapaz, João, é roddie do grupo.
- Olha! O João vai jantar com as Chicas, vamos com ele!!
O rapaz animado puxa pelo braço uma amiga relutante…
- Tá maluco? Eu não quero conhecer elas!
Ele se detém, olha para trás lentamente com interrogações espalhadas ao redor dos olhos.
- Ué?? Mas você é louca por elas! Foi você que me trouxe para escutá-las pela primeira vez! Tá tímida?
- Ah! É… Eu sou tímida sim! Mas não é isso!! Aiiii… É que… Posso falar?
- Claro! Mas fala rápido que elas estão quase de saída! Olha lá!
- Tá bom! Tá bom! Olha… Lá no palco, cantando e tocando elas são perfeitas! Minhas ídolas! Tão fofas! Mas se eu for conhecê-las vou descobrir que elas são pessoas comuns! Eu não quero!
O rapaz, que até então estava ansioso puxando a amiga, fica paralizado… Olha para as moças que já se dirigem para a porta acompanhadas pelo João…
Ele se vira para a amiga e seu olhar não tem mais interrogações flutuando e sim uma série de exclamações rodopiantes.
- Vamos comer um cachorro-quente no seu Oliveira e conversar sobre o show!?
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Blog mais pé no chão
27th, July 2004
Ainda outro dia comentei que colocaria aqui algumas mensagens que fogem ao clima de devaneio que dominou este blog nos últimos dois anos. Acho que é um processo de amadurecimento do blog, mas ainda estou em dúvida sobre o que deve vir para cá e o que deve ir para outras partes do site. Como critério vou usar os comentários… Vou procurar publicar o tipo de assunto que gera comentários aqui.
Isso se houver algum! Do contrário terei que inventar outros critérios! Hehehehe!
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O Mito da Criação / Histórias Indigenas
27th, July 2004
Este é outra mensagem que coloquei no Orkut respondendo a um tópico na comunidade Mitologia e Psicologia.
Oi!
Acho que a intenção inicial era falar das mitologias brasileiras, o que é uma boa idéia, pois, apesar de bem documentada, ela é pouquíssimo comentada!
Não dá para falar nisso sem falar em Câmara Cascudo que é um dos mais importantes folkloristas brasileiros.
Para variar estou numa correria, mas tenho algum material dele aqui. O mais importante, acho, é pensarmos no impacto que a invasão européia teve nos mitos de cada cultura com que ela entrou em contato.
Era praxe da técnica de dominação se apropriar de algum deus menor de cada cultura que mais se aproximade às características do deus cristão e “alimentar” a crença nele ao mesmo tempo que se demonizava o principal deus daquela cultura.
No Brasil isso foi meio complicado, os índios tinham religiosidade, mas a sua forma de personificar os deuses era única. O que mais se aproximava de um deus era Anhangá, que foi realmente demonizado mais tarde (fonte Geografia dos mitos brasileiros, Câmara Cascudo). Para ocupar o lugar de deus eles realmente pegaram a palavra Tupã, trovão.
O engraçado é observar que a relação dos índios com a divindade era tão diferente que, quando ouviam trovões, diziam que os deuses estavam zangados e atiravam flexas para o alto para acalmá-los no susto! Hehehe!!
Vou ver se acho mais sobre o mitos originais na sua forma mais pura e coloco aqui, certo?
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Amnésia onírica
26th, July 2004
… Quem sou eu??
Ele olha ao redor, é uma sala de temperatura agradável, ele está sentado em uma confortável poltrona com um edredon sobre as pernas. Ao seu lado há um óculos esquecido sobre um livro e atrás dele uma luminária apagada.
Aos poucos o homem vai percebendo que, por mais estranho que o lugar pareça, aquele é o seu lar, sua sala de leitura com uma janela panorâmica para a cidade mais abaixo onde pessoas menos afortunadas sobrevivem em pequenos apartamentos apertados que são invadidos pelas luzes alaranjadas dos postes e pelos rugidos e chiados dos ônibus.
Em seu corpo, no entanto, ele ainda sente o calor do sol das savanas e quase sente a terra áspera nos pés descalços.
- Aaaaaaa!!! - Ele grita sobressaltando-se com o som da própria voz. Ele tem certeza de ter visto um vulto passar pela fresta da porta entreaberta atrás dele.
Em sua mente anestesiada pelo sono ele escuta uma voz suave e paciente, o tom de quem fala a uma criança…
- Você é o esquecimento do que foi, é o desejo de vir a ser o que jamais deixou de ser e a decepção da busca pelas respostas onde só há perguntas… Este é quem você é… Quando dorme é como se estivesse desperto, ao acordar se esquece e é como se dormisse profundamente entregando-se a devaneios e fantasias esforçando-se para não dormir, ou não acordar! Depende do lado do espelho que você prefere!
A sombra que não pode estar lá faz então um maneio com a cabeça, tira seu grande chapéu de mosqueteiro e desaparece em um rodamoinho de sombras…
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