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Propriedade Intelectual

Creative Commons License
Isso quer dizer que você pode usar e adaptar o que acha aqui desde que sempre me dê o crédito de criação e NÃO use comercialmente.

Sasha

30th, June 2004

O corredor estreito parece se estender ao infinito. Lançando o olhar para frente, esticando a cabeça e espremendo os olhos ela tem a impressão de que ele se vira lentamente para a direita.

O chão de tapete vermelho de cerdas grossas está coberto de espelhos quebrados que ferem seus pés descalços enquanto ela segue adiante somente porque não há mais o que fazer.

Nas paredes de madeira trabalhadas como portais em arco os espaços vazios dos espelhos há muito estilhaçados a observam como olhos cegos, alheios.

Nos estilhaços espalhados os reflexos se juntam formando um mosaico com detalhes do seu rosto, do teto pintado para simular o céu, das paredes e do pesado tecido que ornamenta a sanca. São imagens assustadas, curiosas e intrigadas que olham para todos os lados em busca de respostas, de um ponto seguro onde possam descansar e se esquecer do caminho.

Suas pegadas de sangue a seguem mergulhando na escuridão onde ela deixou seus antigos “eus” e ela segue em frente até deixar para trás as paredes vazias e chegar a outras onde espelhos bem polidos refletem com perfeição todas as coisas que não estão ali, mas por ali já passaram ou virão a passar, como seus sonhos, seus medos, suas ilusões.

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Argh!!

29th, June 2004

Nota mental: migrar para o Wordpress…

Ontem não teve blog porque não teve tempo, hoje não tem porque fui fazer uma micro alteração e o Blogger fez o favor de bichar o meu template todo… Humpf! Tarde demais para ficar “folheado” código em CSS…

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Móvel novo

27th, June 2004

Imagino que os visitantes que esbarram aqui fiquem imaginando que raio de blog é este, afinal quase nada aqui parece faze muito sentido. Cada post, na verdade, é um tipo de reflexo num espelho. Algumas vezes a imagem é distocida, outras clara e direta. Muito embora as imagens claras sejam raras pois assim me parece que é a própria realidade, sempe se escondendo até do filósofo mais lúcido.

Para as coisas ficarem menos obscuras desnecessariamente decidi colocar um nome e subtítulo aqui. Algo como:

Galeria de Espelhos
“Uma exposição de reflexos para ver nosso mundo por um novo prisma, para despertar a surpresa e o questionamento”

Mas estou aberto a sugestões!

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Perfeição refletida no lago

26th, June 2004

Nos troncos úmidos os cogumelos crescem tão rápido que pode-se ouvi-los, os galhos negros das árvores se enchem de flores amarelas, rosadas, brancas, azuis. A brisa fresca traz o sereno da manhã que inicia com os primeiros raios de sol.

O pequeno caminho do bosque ainda evita a luz amarela que logo invadirá os galhos altos desenhando sombras coloridas no caminho de cascalho, mas o velho e seu aprendiz já vão a meio caminho em direção à planície além do bosque. Tão cedo o ar gelado toca seus narizes com o frescor do orvalho.

Minutos antes o orgulhoso aprendiz comentou com seu mestre que uma vida vivida em busca da flor perfeita não é uma vida desperdiçada.

Cercam-os milhares de flores de todas as aparências, cores e odores, mas todas com alguma falha visível. Seja uma pétala rasgada, a falta de simetria ou um estranho aroma.

O mestre então se abaixa e colhe uma flor caida ao lado do caminho e a entrega ao pupilo. Já amassada, perdendo a cor e murcha pois a vida que compartilhava com o arbusto já não a preenche mais.

“Aqui está uma flor perfeita”

E a recoloca em seu lugar…

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Embotado de cimento e lágrimas *

26th, June 2004

A luz desaparece das fachadas dos grandes palácios da Cinelândia deixando o véu de sombras cobrir as colunas da assembléia, as escadas do municipal, a varanda da Biblioteca Nacional…

A legião de passos repetitivos dos construtores cansados atacam o chão sujo de pedras portuguesas arrastando as correntes pesadas de uma vida pela metade, uma vida de cimento sem música, de lágrimas sem arte. Uma vida de máquinas de espirais de carbono programadas pelo martelo da repetição e do calor das forjas da razão.

Então entre as sombras se levanta o movimento inesperado, a melodia inusitada. Bailarinos rodopiam em movimentos que laçam o sonho perdido no leito do lago daquelas consciências embotadas. Uns refletem os movimentos duros dos becos escuros das grandes cidades, outros a paixão e o ciúme e depois desaparecem entre a floresta de sombras que aplaude e leva para as horas da noite o refresco do sonho.

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