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O estômago que ronca não pode ser desculpa para a alma pequena

30th, September 2003

Temos fome de igualdade, de justiça, de comida, de lazer, de arte, de educação (acima de tudo de educação), de saúde, de amor próprio, de segurar as próprias rédeas.

Da cozinha do nosso governo pelo povo, tão sonhado e suado, vem o cheiro dos salgadinhos, mas nada do garçon passar com as bandejas nos levando a pensar que teremos que invadir a cozinha para ver nossa fome saciada!

Na confusão grupos de gente bem vestida (não passam de povo como todos nós, mas tem pose) anuncia nossa incapacidade de seguir adiante pois temos fome…

Ah! Mas nas savanas de onde nossos antepassados sairam, nas densas florestas onde eles fugiam de Anhanga fome não era desculpa! A gente lutava, sobrevivia e conquistava o direito de comer!

Hoje, entre o ronco do estômago e o urro do coração indignado temos que seguir adiante, levantar a cabeça e mostrar nossa têmpera, erguer nossa voz solitária contra a loucura da guerra e da Pax Americana:

“Pode-se, talvez, vencer uma guerra isoladamente. Mas não se pode construir a paz duradoura sem o concurso de todos. Não podemos confiar mais na ação militar do que nas instituições que criamos com a visão da história e a luz da razão“

O pronunciamento é de Luis Inácio, Lula, nosso presidente! Dele temos muito a cobrar, pessoalmente observo desconfiado a competência do seu governo; mas aqui, ao contrário de outros países, todos nós temos o poder de criticar nosso governo, exigir moral da nossa imprensa e lutar por um amanhã melhor.

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Bah!

29th, September 2003

Antiquado! Não sou antiquado! Mas se pudesse escrever a pena e papiro juro que o faria!

Está certo! Não chegaria a tanto, mas um bom Dreamweaver e um Palm são o mais moderno que posso aceitar!

Este blog é feito assim, às custas de um confiável Palm (M130) e um infalível iBook. Só que lhe falta um espaço para comentários!

Tentei portanto usar o popular Blogger…

Escrevi um vasto texto sobre o prazer e as brumas do hedonismo, com direito a referências a Mário de Sá-Carneiro e tudo!

A sessão expirou…

Juro que volto ao assunto, mas por enquanto gostaria muito que, meus caros visitantes, vocês comentassem os meus desvairados posts clicando no Roney que sempre virá no final!

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Hagar vai ao cinema

28th, September 2003

Juro solenemente neste momento jamais derramar minhas críticas aos barulhentos jovens que infestam nossos cinemas com seus celulares, chutes nas cadeiras e descontrolados timbres de voz!

Era uma sessão gratuita, é bem verdade, mas o povo lá dentro nada tinha de pobre ou ignorante. Hummm… de ignorante tinha bastante, mas não aquele que ignora coisas e sim daquele que ignora os outros!

Mon Uncle de Jacques Tati zanzava entre a moderna cidade sem alma e o subúrbio bucólico e cheio de personalidade enquanto senhoras da antiga e invejada década de 50 davam fim à farsa!

O Brasil não piorou! Não somos hoje menos educados do que ontem! Os velhinhos que balançam as cabeças brancas em negação dizendo que no tempo deles… No tempo deles fariam tudo o que se faz hoje não fosse a falsa moral que martelava em suas cabeças a pressão da moral vigente!

Agora, velhinhos e sem se preocupar com o que virão a pensar deles, gritam nos cinemas e mandam-se à merda

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O prazer vazio e as brumas do Hedonismo

27th, September 2003

Ainda outro dia, em uma festa, esbocei um comentário apresado sobre a fome moderna de prazer vazio! Não só apressado como totalmente crú!;-) Minha interlocutora não perdoou e logo minhas costas sentiram o chapiscado pontiagudo da parede onde fui encostado! Com palavras, é claro! Afinal somos todos gente de paz!

O assunto no entanto é dos mais sérios e havia de ser melhor explorado!

Prazer foi uma péssima escolha de palavra! Intensidade seria mais adequada.

Mário de Sá-Carneiro, que de feliz não tinha muito e para quem todo prazer logo parecia se transmutar em dor a tal ponto que decidiu se aliviar da vida aos 26 anos de idade, certamente viveu a vida com intensidade! Olhou para ela de frente! Viu mais a dor do que o prazer, mas abriu os próprios olhos e olhou com eles! Junto com tantos outros geralmente mais felizes! Fernando Pessoa, Neil Gaiman, Antônio Torres, o bruxo Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles e não podemos esquecer de Charles Chaplin em o Grande Ditador

Há momento para o prazer vazio da comédia sem significado e para as fantasias de poder! São como injeções de glicose para reanimar os espíritos abatidos, medicamento alopático para nossos organimos enfraquecidos. Mas se já não podemos seguir adiante sem fugir para a “matrix” de fantasias então já não temos epíritos enfraquecidos, temos espíritos quebrados!

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Alma armada e apontada para a cara do sossego

22nd, September 2003

Todo dia ligamos a TV e somos esbofeteados pela violência de uma mídia que se acostumou a conquistar nossa atenção pelo medo e pela indignação.

Ando pelas ruas e me pergunto se sou abençoado pelos Deuses por ver uma violência que não chega nem a um quinto daquela que alardeiam na mídia. A violência está lá, é claro! Um senhor que baixa o braço contra um camelô na rua e só não o mata porque não tem uma arma ou os pequenos e grandes furtos diários com e sem mortes. Tudo isso está lá, mas se nos deixamos levar pelo brado retumbante desta mídia nada heróica nem saimos mais de casa.

“Está tudo errado! É uma vergonha! O povo vive em pânico! Estamos em guerra civil! Os encostos vão te pegar!” Basta ligar a TV para ter os canos de mil armas voltados contra a sua cabeça! E os apresentadores fazem isso comigo, com você sem o menor remorso ou escrúpulo! Até que o mesmo terror é feito contra eles!

Toda a história da falsa matéria do programa Domingo Legal é deplorável, mas não passa de parte de um processo do qual todos eles são culpados! Talvez nem todos inventem matéria, mas exagerar a verdade, colocar antolhos sobre o bem para nos mergulhar no mal e fazer a apologia ao desespero não é crime menor do que a mentira!

Espero que, pelo bem ou pelo mal, isto tudo sirva para despertar alguma consciência jornalística!

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